Fórum Náutico da ANB destaca vocação da Bahia para liderar economia do mar

Por: Redação -
18/09/2026

A 2ª edição do Fórum Náutico Internacional da ANB encerrou sua programação em Salvador reforçando a vocação da Bahia para assumir papel estratégico na economia do mar. Realizado em dois dias, o encontro reuniu especialistas, gestores públicos, empresários, atletas e representantes de instituições nacionais e internacionais em uma série de painéis voltados ao desenvolvimento sustentável das atividades ligadas aos oceanos, rios, lagos, portos, marinas, turismo, pesca e indústria naval.

Ao longo da programação, o evento discutiu temas como integração porto-cidade, esportes náuticos, turismo náutico e religioso, infraestrutura de marinas, pesca e aquicultura, gestão costeira, liderança feminina na náutica, indústria naval, geopolítica dos oceanos e cases de sucesso ligados à economia do mar.

 

A proposta central do fórum foi mostrar que o mar pode ser muito mais do que paisagem ou lazer: ele é vetor de desenvolvimento econômico, geração de empregos, inovação, inclusão social, turismo e soberania.

Portos integrados às cidades

A abertura dos debates destacou a importância da relação entre portos e cidades para o desenvolvimento sustentável das regiões costeiras. No painel Integração Porto-Cidade, especialistas defenderam que os municípios precisam compreender melhor as atividades portuárias e aproximá-las da população.

Antônio Gobbo. Foto: Divulgação

A secretária do Mar de Salvador, Maria Eduarda Lomanto, ressaltou a criação da primeira secretaria do tipo no Brasil e lembrou que a capital baiana cresceu a partir do mar. Para ela, a cidade precisa olhar o porto como espaço de desenvolvimento, com governança, gestão pública e comunicação mais eficiente com a sociedade.

O representante da Codeba, Antônio Gobbo, apresentou experiências de integração envolvendo portos administrados pela companhia e citou impactos em Salvador e em cidades do entorno, como Candeias, Ilha de Maré, Simões Filho e Lauro de Freitas. Segundo ele, o desenvolvimento portuário deve considerar sustentabilidade, descarbonização e comunidades que vivem próximas às áreas de operação.

 

O espanhol Alberto Fuentes Losada, secretário-geral do Porto de Vigo, apresentou o case do porto europeu, que se reconectou à cidade a partir de uma estratégia iniciada em 2014, com comissões colaborativas, especialistas e ações voltadas a pesca, tecnologia e sustentabilidade.

Esportes náuticos como inclusão e superação

O painel sobre Esportes Náuticos: Educação, Saúde, Cidadania e Inclusão destacou o papel do esporte como ferramenta de transformação social, preparação emocional e superação.

Marcelo Fróes, Renê Campos, Delfina Vicente Santiago e Bernardo Peixoto. Foto: Márcia Luz/ Revista Náutica

A psicóloga espanhola Delfina Vicente Santiago, especialista em alta performance, defendeu que o trabalho mental é tão importante quanto o físico no desempenho esportivo. Ela também ressaltou o chamado “treinamento invisível”, que envolve alimentação, sono, disciplina e capacidade de lidar com ego, sucesso e frustração.

 

O remador paralímpico baiano Renê Campos, medalhista de bronze em Tóquio e médico, contou sua trajetória de superação após uma lesão medular e defendeu melhores condições de treinamento para atletas do remo em Salvador. Já o velejador Bernardo Peixoto, número 1 do Brasil no ranking SSL e em campanha para Los Angeles 2028, destacou o potencial da Baía de Todos os Santos para a vela.

Turismo náutico, religioso e regional

O fórum também apontou caminhos para ampliar o turismo na Bahia a partir da conexão entre turismo náutico e religioso. O painel mediado por Pedro Costa, presidente do CBTUR, tratou os dois segmentos como vetores de desenvolvimento regional.

Mauricio Bacelar. Foto: Divulgação

A ex-secretária de Turismo da Galícia, Nava Castro, apresentou o case do Caminho de Santiago de Compostela e mostrou como a região conseguiu duplicar sua atividade turística em uma década. Ela também destacou a criação de uma rota marítima ligada ao caminho, com etapas litorâneas que se transformaram em novos produtos turísticos.

 

Representantes do Sebrae e da Secult apresentaram dados sobre o crescimento turístico da Bahia. O secretário Maurício Bacelar ressaltou que o estado pode explorar mais de 50 segmentos turísticos sem depender apenas da alta temporada, com investimentos em capacitação e infraestrutura em cidades com potencial para o turismo religioso.

Marinas e crescimento ordenado

A expansão da infraestrutura náutica foi outro ponto central do fórum. No painel Investimentos em Infraestruturas Náuticas, Marinas e Afins, os participantes defenderam que a Bahia tem condições de crescer de forma ordenada, desde que os projetos sejam acompanhados por estudos técnicos, ambientais e estratégicos.

Leilane Loureiro, Bianca Colepicolo, Mário Bandeira e José Zacarias. Foto: Márcia Luz/ Revista Náutica

O especialista Mário Bandeira alertou que a maior parte da estrutura náutica tem impacto ambiental e, por isso, exige estudos de viabilidade detalhados. Ao mesmo tempo, destacou o potencial de geração de empregos e de fortalecimento de atividades como passeios de escuna, lanchas, pesca esportiva e avistamento de baleias.

 

O economista José Zacarias, do Sebrae Bahia, apresentou um mapeamento de oportunidades náuticas no estado e defendeu a criação de bases de apoio a cada 30 ou 50 milhas para estimular a navegação. Já Bianca Colepicolo, gestora de projetos estratégicos para o desenvolvimento náutico, ressaltou que o turismo náutico deve ser pensado como destino integrado, e não apenas por municípios isolados.

Pesca, gastronomia e sustentabilidade

A relação entre pesca, aquicultura e gastronomia também ganhou destaque. A professora de gastronomia Fabiana Mortimer Amaral defendeu que a diversidade de saberes e sabores do Brasil precisa ser valorizada com formação, respeito aos ecossistemas e educação ambiental.

Foto: Márcia Luz / Revista Náutica

O diretor da Bahia Pesca, George da Hora Jr., apresentou dados sobre a produção de tilápia e reforçou a importância do rastreio, do manuseio adequado e da responsabilidade socioambiental antes de o pescado chegar à mesa.

 

A chef Angeluci Figueiredo, do restaurante Preta, na Ilha dos Frades, levou ao debate a experiência prática de quem depende do barco, da maré e dos ciclos da natureza para operar. Ela defendeu cardápios que respeitem o período de defeso e práticas de redução de resíduos.

 

O consultor português Nuno Antunes Nobre alertou para a sobrepesca em escala global e defendeu políticas públicas que valorizem a pesca artesanal, o bem-estar dos peixes na aquicultura e a participação das comunidades em projetos de educação ambiental.

Gestão costeira e planejamento do uso do mar

No painel Gestão Costeira: Lagos, Rios e Oceanos Sustentáveis, os participantes destacaram que práticas sustentáveis e controle de poluentes são condições essenciais para a economia azul.

João Nicolodi (em pé). Foto: Márcia Luz/ Revista Náutica

O coordenador-geral do Gerenciamento Costeiro e Marinho do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Nicolodi, lembrou que o Brasil tem legislação sobre gerenciamento costeiro desde 1988, mas que a adesão depende de estados e municípios. Ele defendeu o Planejamento Espacial Marinho como ferramenta para organizar os diferentes usos do mar e reduzir conflitos.

 

A advogada Núbia Costa afirmou que políticas públicas precisam nascer no território e valorizar o protagonismo das comunidades. O pesquisador e instrutor de mergulho Maurício Carvalho apresentou o potencial dos naufrágios para o turismo subaquático no Brasil, enquanto o geógrafo Camilo Botero destacou a relevância econômica e social do turismo de praia.

Mulheres na liderança da economia náutica

O painel A Náutica por Elas mostrou a presença crescente de mulheres em posições estratégicas da economia do mar.

Leilane Loureiro (em pé). Foto: Márcia Luz/ Revista Náutica

A gerente de projetos da Semar, Eliana Dumet, apresentou o projeto Águas da Bahia, que mapeia 53 municípios, 46 ilhas, oito bacias hidrográficas e 500 pontos de conexão ao longo de 1.200 km de costa.

 

A empresária Leilane Loureiro, proprietária da Bahia Marina, lembrou a história do empreendimento e afirmou que marinas integradas à cidade podem ser sinais de desenvolvimento e revitalização urbana. A gestora da Clipper Race, Flávia Goffi, apresentou os números da regata de volta ao mundo, que movimenta turismo, manutenção, hotelaria, gastronomia e eventos nas cidades por onde passa.

Cecília Avena no Fórum Internacional Náutica da ANB. Foto: Márcia Luz/ Revista Náutica

A velejadora e empresária Cecilia Avena, sócia da Aloha Náutica, compartilhou experiências de travessias oceânicas entre França e Brasil e destacou a importância do conforto e da segurança em embarcações de longa distância.

Indústria naval e geração de empregos

A vocação brasileira para a indústria náutica e naval foi debatida em painel mediado por Marcelo Sacramento. Os participantes apontaram gargalos e oportunidades para transformar o setor em vetor de desenvolvimento econômico e social.

Mila Paes (em pé). Foto: Márcia Luz/ Revista Náutica

Miguel Andrade Filho, do SENAI CIMATEC MAR, apresentou informações sobre o novo campus dedicado à economia do mar, ligado à pesquisa, monitoramento e operações no pré-sal. Mário Moura, da Enseada Paraguaçu, falou sobre o potencial da indústria naval brasileira e citou a demanda por novas embarcações de apoio offshore.

 

A secretária Mila Paes, da Semdec Salvador, defendeu que o mar seja tratado como plataforma econômica e citou cases de cidades como Itajaí, Angra dos Reis e La Rochelle. Já Leandro “Mané” Ferrari, da Acatmar, mostrou o crescimento do setor náutico em Santa Catarina, onde o número de empresas saltou de 94 para mais de mil em uma década.

Mário Moura (em pé). Foto: Márcia Luz/ Revista Náutica

O representante da SDE Bahia, Marcelo Sampaio Oliveira, reforçou a necessidade de políticas públicas integradas, com incentivo, crédito e qualificação funcionando como uma única estratégia de desenvolvimento.

Amazônia Azul e soberania

O painel Oceanos, Economia e Geopolítica Mundial defendeu que o Brasil precisa resgatar sua vocação marítima para fortalecer sua soberania. A discussão teve como foco a importância da Amazônia Azul para o posicionamento estratégico do país.

Comandante do 2º Distrito Naval, vice-almirante Carlos Henrique Zampieri. Foto: Divulgação

O economista Eduardo Athayde, do Worldwatch Institute, afirmou que a economia do mar começa no município e que Salvador, como primeira capital do Brasil e capital da Amazônia Azul, tem papel importante nesse processo.

 

O comandante do 2º Distrito Naval, vice-almirante Carlos Henrique Zampieri, destacou a importância da defesa da soberania nacional e citou avanços recentes da Marinha, como navios-patrulha e as fragatas classe Tamandaré. Ele também alertou para novos desafios, como drones, combates autônomos e navios mercantes autônomos.

Cases de sucesso encerram programação

O fórum foi encerrado com a apresentação de cases ligados à economia do mar em São Paulo, Salvador e Recife.

Gilberto Menezes mediou o painel. Foto: Márcia Luz / Revista Náutica

José Manoel de Oliveira Reis, da SPTrans, apresentou o Aquático SP, primeiro modal hidroviário integrado ao Bilhete Único em São Paulo. O sistema transporta atualmente 2.500 pessoas por dia e já ultrapassou um milhão de passageiros em fase experimental.

Antônio Fazio, da Recife Marina, durante palestra do Fórum Internacional Náutico da ANB. Foto: Márcia Luz / Revista Náutica

O diretor da Mazure Saneamento, Marcelo Sacramento, apresentou a trajetória da empresa baiana, com projetos de dessalinização, tecnologia de limpeza de membranas, reuso de água e meta de neutralidade de carbono até 2030.

 

Já Antônio Fazio, da Recife Marina, mostrou o processo de revitalização do Recife Antigo com o projeto Porto Novo Recife, que recuperou áreas portuárias, restaurou galpões, atraiu restaurantes, hotel, centro de eventos e estrutura voltada ao turismo náutico.

Bahia no centro da economia do mar

Ao reunir diferentes áreas da cadeia náutica, o 2º Fórum Náutico Internacional da ANB mostrou que o desenvolvimento da economia do mar depende de planejamento, integração e visão de longo prazo.

Palestra do Fórum Internacional Náutico da ANB. Foto: Divulgação

A Bahia aparece nesse cenário com atributos estratégicos: extensa costa, baías, ilhas, tradição marítima, potencial turístico, vocação esportiva, patrimônio religioso, indústria naval, pesca, gastronomia, marinas e posição geopolítica relevante.

 

O resultado dos debates aponta para um caminho comum: transformar o mar em política pública, negócio, cultura, educação e desenvolvimento sustentável. Para isso, especialistas defenderam governança, qualificação profissional, infraestrutura, preservação ambiental e articulação entre poder público, iniciativa privada, academia e comunidades costeiras.

 

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    Inspirada na V33 — lançada em 2020 e já com muitas unidades vendidas —, a Schaefer V34 traz atualizações no design, no conforto e no estilo de navegação, mantendo a essência esportiva do modelo original. “Modernizamos sem perder nada”, resume o projetista Marcio Schaefer (o Marcinho, filho comandante do estaleiro, Marcio Luz Schaefer) ao detalhar as novidades. [caption id="attachment_211597" align="alignnone" width="920"] Schaefer V34. Foto: Victor Santos / Revista Náutica[/caption] A principal inovação está no hard-top de fibra de vidro, que na V34 ganhou desenho completamente novo. Na V33, o T-top se limitava à área central, protegendo apenas o posto de comando e o espaço gourmet, que fica atrás do banco do piloto. Já na nova versão, as targas foram deslocadas para as laterais do costado, o que permite que a cobertura se estenda por toda a parte interna do cockpit. O resultado é um espaço mais integrado, com melhor aproveitamento da área gourmet e sensação de amplitude a bordo. [caption id="attachment_211593" align="alignnone" width="920"] Schaefer V34. Foto: Victor Santos / Revista Náutica[/caption] Assista ao teste completo!   https://www.youtube.com/watch?v=8rLDWIJnma0&t=34s

    Interior refinado

    Apesar de privilegiar as áreas externas, a V34 tem uma cabine com cama para duas pessoas, banheiro completo, pia e armários — ou seja, oferece um bom conforto para os pernoites. O acesso é feito por uma porta deslizante localizada a bombordo do posto de pilotagem, com trava de segurança. A escada tem degraus fundos e largos. Lá dentro, há um bom sofá em V que se converte em uma cama de casal, além de uma bancada com cuba e armários a bombordo (que não chega a ser uma cozinha, apenas permite a instalação de uma geladeira de 12 volts) e, a boreste, um armário vertical, que pode ser usado como guarda-roupa de uma porta. A iluminação, de teto, é confortável, e existem várias tomadas (de 127 ou 220 volts) distribuídas pelo ambiente. [caption id="attachment_211589" align="alignnone" width="920"] Schaefer V34. Foto: Victor Santos / Revista Náutica[/caption] O banheiro conta com vaso elétrico, ducha, pia, espelho, porta-toalha, armário, vigia com ventilação natural e luz de led. O pé-direito na cabine é de 1,85 m (quase ninguém bate a cabeça no teto), inclusive no banheiro. Como o camarote é aberto, e há entrada de luz por várias janelas, a sensação de espaço interno aumenta ainda mais. Por sua vez, a gaiuta na proa, quando aberta, oferece ventilação abundante. [caption id="attachment_211623" align="alignnone" width="920"] Schaefer V34. Foto: Victor Santos / Revista Náutica[/caption] Para garantir maior conforto nos pernoites, é possível instalar gerador e ar-condicionado. Opcionalmente, o barco pode vir também com estabilizador Seakeeper.   Já como item de série, a lancha conta com tanque de águas negras; ou seja, o esgoto não vai para a água — todo barco com banheiro deveria ter esse reservatório de armazenamento temporário para dejetos sanitários (fezes e urina) provenientes do vaso, essencial para evitar a poluição marinha. [caption id="attachment_211591" align="alignnone" width="920"] Schaefer V34. Foto: Victor Santos / Revista Náutica[/caption]

    Console central bem protegido

    O posto de comando também foi redesenhado. Em vez de um banco corrido, como na V33, a nova lancha oferece dois bancos individuais. Por sua vez, o para-brisa é integral, conectado ao teto, e ainda há dois vidros laterais rentes ao painel, com proteção efetiva contra vento, respingos e até frio — um ganho considerável para quem navega em diferentes condições. No painel, há espaço para duas telas de 12 polegadas. O volante tem ajuste de altura. A posição de pilotagem é confortável, com assento rebatível e apoio para os pés nas duas posições. Por se tratar de um barco com console central — tanto o piloto como seu acompanhante têm boa visão dos dois bordos.   Para não dizer que tudo é perfeito, a posição do rádio VHF, que fica meio escondido, poderia ser um pouco melhor; mesmo assim, dá para visualizar bem o canal. Em compensação, a bússola está centralizada em relação ao piloto, como dever ser. [the_ad_placement id="post-middle-desktop-970-250"] [the_ad_placement id="post-vertical-mobile-328-400"] Quanto ao conjunto de botões para acionar luzes e equipamentos a bordo, a popular “botoeira”, a Schaefer Yachts opta por manter os interruptores individualizados, em vez de agrupá-los em blocos. A solução privilegia a leitura e o manuseio: com cada comando separado e devidamente identificado, reduz-se o risco de confusão — algo comum em painéis com botões muito próximos entre si — e ganha-se em praticidade no uso diário.   Fora do console central, na parede da amurada a boreste, há um painel no qual, em caso de emergência, basta apertar dois botões e cortar o combustível que alimenta os motores. [caption id="attachment_211602" align="alignnone" width="920"] Schaefer V34. Foto: Victor Santos / Revista Náutica[/caption]

    Circulação exemplar, proposta bem definida

    Como toda boa walkaround, a V34 privilegia a circulação. E aqui o estaleiro foi especialmente feliz: passagens laterais amplas e seguras permitem contornar toda a embarcação sem esforço; os pegadores são firmes e as amuradas, acolchoadas, o que aumenta o conforto ao se deslocar e evita impactos, especialmente com o barco em movimento. Vale observar, porém, que a adoção do hard-top integral — que se estende até os bordos — a targa acaba limitando a movimentação em situações específicas de pesca esportiva, já que as varas podem esbarrar na estrutura durante a briga com o peixe. Não chega a ser um problema propriamente dito, mas um indicativo claro do posicionamento do modelo: ao contrário da V33, a V34 nasce com foco no lazer e no passeio, e não na pesca.   No piso, a madeira teca é item opcional.  Nas laterais internas do casco, há lugares para guardar varas de pescar, arpões e demais instrumentos de pesca ou caça submarina, além de um degrau embutido. [caption id="attachment_211592" align="alignnone" width="920"] Schaefer V34. Foto: Victor Santos / Revista Náutica[/caption] Na proa, o solário generoso, com porta-copos nos braços móveis e cintas que mantêm os estofados firmes mesmo em navegação, reforça a vocação para o lazer. Um detalhe engenhoso é a escotilha de ventilação da cabine, discretamente encoberta pela seção dianteira do solário: quando o espaço não está em uso, basta erguer essa parte para liberar a abertura e favorecer a circulação de ar no interior. Além disso, para iluminar a cabine, há janelas nos dois bordos e na proa. Ainda na proa, há soluções bem pensadas por todos os lados: lançador de âncora móvel — um braço articulado e retrátil, que avança para o lançamento do ferro e depois se recolhe —, paiol profundo para corrente, compartimentos bem distribuídos e um segundo paiol com esguicho de água doce ou do mar, além de detalhes típicos da Schaefer, como ferragens robustas (os cunhos, de 8 polegadas, de inox, são reforçados), pintura perolizada e excelente padrão construtivo. [caption id="attachment_211594" align="alignnone" width="920"] Schaefer V34. Foto: Victor Santos / Revista Náutica[/caption] Já na praça de popa, o layout inteligente garante uma excelente área de convivência. Há uma mesa de teca com abas dobráveis e base retrátil, cercada por dois sofás dispostos frente a frente — ambos com encostos rebatíveis. O de ré permite a conversão em solário, enquanto o oposto pode ser invertido, deixando os ocupantes voltados para o móvel gourmet instalado logo atrás do posto de comando. Com a mesa rebaixada e o encosto do sofá de ré ajustado, o conjunto se transforma facilmente em um amplo solário. Opcionalmente, é possível instalar uma cobertura retrátil do tipo stobag. O pé-direito sob o hard-top é de aproximadamente 2,00 metros, com 1,94 m no posto de comando. Embaixo de todos os assentos, há espaço suficiente para guardar os coletes salva-vidas, o extintor de incêndio, defensas, cabos de cais, tralhas, etc.   A área gourmet — ampliada em relação à V33, em estilo mais próximo ao da V44 — conta com churrasqueira elétrica (ou a carvão), caixa térmica conversível em geladeira, uma boa tampa que pode ser usada como balcão, lixeira e pia com cuba e torneira. Embaixo, há dois grandes armários, com portas de acrílico e pegadores de inox. Um deles é do tipo cristaleira; o outro, indicado para guardar utensílios e mantimentos. [caption id="attachment_211598" align="alignnone" width="920"] Schaefer V34. Foto: Schaefer / Divulgação[/caption] A plataforma de popa permite o embarque pelos dois bordos, mesmo com motores on-board instalados. A boreste, embutida, fica a escada de popa — de inox, com pegador e com quatro degraus, como é desejável. A entrada no cockpit, pelos dois bordos, é protegida por portinholas. [caption id="attachment_211599" align="alignnone" width="920"] Schaefer V34. Foto: Victor Santos / Revista Náutica[/caption]

    Casa de máquinas

    A V34 pode ser equipada com um motor de centro-rabeta a diesel ou um par de motores de popa. Neste teste de NÁUTICA, estava equipada com dois motores de popa de 300 hp cada. O acesso ao porão se dá com o levantamento — por meio de um mecanismo elétrico — de um dos sofás e do piso sob ele. Tudo muito simples e rápido. Na versão popa, com a ausência dos motores, sobra espaço para armazenar muita coisa, como parte do material de salvatagem, por exemplo. Por esse porão tem-se acesso aos tanques de água, de 150 litros, e de combustível, de 700 litros. [caption id="attachment_211595" align="alignnone" width="920"] Schaefer V34. Foto: Victor Santos / Revista Náutica[/caption]

    Mesmo casco, mesma confiança

    Hora de navegar. Segundo as projeções do estaleiro, com essa motorização, a Schaefer V34 pode alcançar velocidade máxima na casa dos 40 nós. Para conferir se entrega mesmo o que promete, levamos a irmã da V33 para ás águas de Bertioga, no litoral de São Paulo. Estava equipada com dois motores Mercury V8 de 300 hp.Se o design e o layout evoluíram, o casco permanece o mesmo — e isso é uma ótima notícia. A V34 herda da V33 um casco já amplamente testado e aprovado. Durante o teste, o desempenho confirmou a reputação: navegação macia, sem pancadas secas, com controle total tanto contra quanto a favor das ondas. A 24 nós contra o mar, o casco manteve compostura exemplar. A favor, navegando a 32 nós, mostrou estabilidade e precisão. Em outras palavras: continua sendo um barco fácil de pilotar, previsível e prazeroso — características fundamentais para o público que busca esse tipo de lancha.   Com dois motores de popa Mercury V8 de 300 hp e condições ideais, a velocidade pode chegar a cerca de 43 nós. Neste teste, em mar mexido, com ondas de cerca de 1 metro e ventos de 10 a 12 nós, alcançou 42,4 de top, a 6 000 rpm. Para quem busca ainda mais desempenho, há opção de motorização mais potente, como dois motores de popa de 400 hp cada, com os quis é possível superar a casa dos 50 nós. A velocidade de cruzeiro com a motorização testada foi de 27,4 nós, a 4 000 giros, com autonomia próxima de 211 milhas.   Em resumo, a Schaefer V34 não tenta reinventar a fórmula — e acerta justamente por isso. Mantém o que a V33 tinha de melhor (casco, desempenho, proposta) e eleva o conjunto com melhorias práticas e perceptíveis no uso real. Mais protegida, mais integrada e mais madura, ela se posiciona como uma evolução natural dentro da linha V do estaleiro e como uma alternativa extremamente consistente para quem busca uma walkaround moderna, eficiente e pronta para diferentes cenários de navegação. A sensação é clara: a V33 cresceu. E virou um barco ainda melhor. [caption id="attachment_211600" align="alignnone" width="920"] Schaefer V34. Foto: Victor Santos / Revista Náutica[/caption]

    Pontos altos

    — Qualidade construtiva — Acabamento de primeira — Casco estável e cortador de onda [caption id="attachment_211596" align="alignnone" width="920"] Schaefer V34. Foto: Victor Santos / Revista Náutica[/caption]

    Pontos baixos

    — Diâmetro da corrente da âncora deveria ser maior — Falta trava para a corrente da âncora — Não tem opção de verificação visual do nível dos tanques de combustível

    Detalhes da navegação

    A V34 estava equipada com dois motores Mercury V8 de 300 hp cada, num dia de mar mexido, com ventos de 12 nós e ondas de 1,00 metro de altura. A bordo três pessoas, 150 litros de água e 80 litros de combustível. VELOCIDADE MÁXIMA: 42,4 nós (a 6 000 rpm) CRUZEIRO ECONÔMICO: 27,4 nós (a 4 000 rpm) ACELERAÇÃO 7,4 segundos até 20 nós POTÊNCIA: 2 x motores de popa de 300 hp PREÇO: A partir de R$ 2,4 milhões, equipada com dois motores de popa de 300 hp cada (preço pesquisado em abril/2026) [caption id="attachment_211590" align="alignnone" width="920"] Schaefer V34. Foto: Victor Santos / Revista Náutica[/caption]

    Como ela é

    Ficha técnica da Schaefer V34 — Comprimento total: 10,33 m (33,9 pés) — Boca máxima: 3,35 metros. — Calado: 0,45 metros — Tanque de combustível: 700 litros —  Tanque de água doce: 150 litros — Capacidade de passageiros (dia/noite): 10/2 pessoas — Ângulo de V na popa (deadrise): 18,9° — Deslocamento (leve): 4.950 kg [caption id="attachment_211705" align="alignnone" width="920"] Ficha técnica da Schaefer V34. Foto: Revista Náutica[/caption] [caption id="attachment_211625" align="alignnone" width="920"] Schaefer V34. Foto: Victor Santos / Revista Náutica[/caption] [caption id="attachment_211624" align="alignnone" width="920"] Schaefer V34. Foto: Victor Santos / Revista Náutica[/caption] [caption id="attachment_211620" align="alignnone" width="920"] Schaefer V34. Foto: Victor Santos / Revista Náutica[/caption] [caption id="attachment_211621" align="alignnone" width="920"] Schaefer V34. Foto: Victor Santos / Revista Náutica[/caption] [caption id="attachment_211622" align="alignnone" width="920"] Schaefer V34. Foto: Victor Santos / Revista Náutica[/caption] [caption id="attachment_211619" align="alignnone" width="920"] Schaefer V34. Foto: Victor Santos / Revista Náutica[/caption] [caption id="attachment_211618" align="alignnone" width="920"] Schaefer V34. Foto: Victor Santos / Revista Náutica[/caption] [caption id="attachment_211617" align="alignnone" width="920"] Schaefer V34. Foto: Victor Santos / Revista Náutica[/caption] [caption id="attachment_211616" align="alignnone" width="920"] Schaefer V34. Foto: Victor Santos / Revista Náutica[/caption] [caption id="attachment_211615" align="alignnone" width="920"] Schaefer V34. Foto: Victor Santos / Revista Náutica[/caption]

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