Gaúcha Ana Paula Marques conquista inédito mundial paraolímpico

Por: Redação -
17/05/2019

Da cadeira de rodas ao topo do pódio mundial, assim se pode resumir a trajetória na vela adaptada da meio gaúcha, meio brasiliense Ana Paula Marques, de 35 anos, que, no Lago Michigan, no estado de Wisconsin, nos Estados Unidos, conquistou, de modo pioneiro para o Brasil, o Campeonato Mundial de Vela Paraolímpica, na classe Hansa 303, em que competem atletas portadores de amputações, paralisia cerebral e lesões medulares.

Natural de Porto Alegre, ela acompanhava com curiosidade o vaivém dos veleiros pelas águas do Rio Guaíba, mas nunca teve oportunidade de se iniciar no esporte. O momento da transformação foi o mesmo de uma tragédia pessoal: há 15 anos, recebeu um tiro nas costas desferido pelo então marido, que a deixou paraplégica. Presa a uma cadeira de rodas, Ana Paula descobriu que, para o bem de sua saúde, precisaria praticar algum tipo de esporte. Foi quando decidiu mudar-se para o Distrito Federal, atraída por um projeto voltado para pessoas com deficiência. “Como eu já fazia reabilitação no hospital Sarah Kubitschek, decidi me radicar em Brasília”, conta ela. Foi o professor de educação física Rodrigo Rodrigues, do próprio hospital, que a apresentou à vela, cinco anos atrás.

Sem patrocínio, a equipe de Vela Adaptada do Brasil, formada por cinco atletas, viajou para os Estados Unidos pagando, cada um deles, as passagens do próprio bolso

“Primeiro, ele me levou para um passeio no Lago Paranoá, para ver se eu iria gostar, e eu gostei. A partir dali, passei a fazer aulas de vela adaptada, dentro do Projeto ‘Vela Para Todos’, do Cota Mil Iate Clube. Quando fui ver, já estava competindo, dentro do Campeonato do Distrito Federal da Vela Adaptada”, lembra a campeã mundial, que atualmente defende as cores do Caalex — Clube Almirante Alexandrino —, da Marinha, que fica na Asa Norte de Brasília.

Para Ana Paula, a vela reabilitou sua vida. “Na hora em que sento no cockpit, a deficiência desaparece”

Em 2016, ela enfrentou a primeira competição internacional: um mundial aberto, misto, para velejadores com deficiências ou não, realizado na Holanda, no qual terminou em terceiro lugar, entre as mulheres, e em 12º, na classificação geral. No mesmo ano, foi eleita a melhor atleta paraolímpica e destaque do ano na modalidade vela no Prêmio Brasília Esporte, do governo brasiliense.

Ana Paula luta corajosamente em busca de seus objetivos. Três vezes por semana, ela treina no Lago Paranoá

LEIA TAMBÉM
>>Ferretti Yachts recebe importante premiação em Londres
>>Governo abre licitação para obras na Baía de Todos-os-Santos
>>Qualidade da água da Lagoa da Pampulha melhora e amplia possibilidades de uso no futuro

No ano seguinte, no Mundial Paraolímpico em Kiel, na Alemanha, nova demonstração de talento: Ana Paula foi vice mundial na Hansa 303. A conquista do Mundial deste ano, nos EUA, foi consequência natural de sua dedicação ao esporte — a forma que Ana Paula encontrou para se reabilitar para a vida, após a perda dos movimentos das pernas. “A vela faz isso porque, na hora em que sento no barco, some a deficiência”, explica a velejadora, que além de timonear pratica outro esporte paraolímpico: o halterofilismo. “Para correr regatas de duas horas, preciso de um bom condicionamento físico, e isso o levantamento de pesos e halteres me dá”, justifica.

A maior dificuldade é a falta de apoio e suporte financeiro para ir às competições. Segundo ela, para a disputa do Mundial de Wisconsin, foi necessária a montagem de uma verdadeira engenharia financeira para dar conta das despesas com viagem, hospedagem, alimentação, pagamento de taxas e inscrições. Sem patrocinadores, a equipe de Vela Adaptada do Brasil, formada por cinco atletas, viajou para os Estados Unidos pagando, cada um deles, as passagens do próprio bolso. “A Federação de Vela banca os salários dos professores e arca com a manutenção dos barcos, mas não ajuda os atletas. Meu único suporte é a Bolsa Distrital, de R$ 500, oferecida pelo governo”, lamenta.

Seguindo o calendário, ela agora tem à frente os Campeonato Europeu, em maio, e o Mundial, que será disputado na Espanha, em setembro. Mas não sabe se poderá repetir o esforço financeiro das outras disputas. “Estou na expectativa de conquistar um patrocínio. Só assim para poder defender a minha medalha”, avisa.

Receba notícias de NÁUTICA no WhatsApp. Inscreva-se!

Quer conferir mais conteúdo de NÁUTICA?
A edição deste mês já está disponível nas bancas, no nosso app
e também na Loja Virtual. Baixe agora!
App Revista Náutica
Loja Virtual
Disponível para tablets e smartphones

Náutica Responde

Faça uma pergunta para a Náutica

    Relacionadas

    Mercado náutico em alta: São Paulo Boat Show 2026 teve mais de 800 embarcações vendidas

    Confira os números da 29ª edição do maior salão náutico da América Latina e saiba o que os principais estaleiros do país acharam do evento

    Novo catamarã de luxo de Lionel Messi poderá ser alugado; conheça o modelo

    Sunreef 88 Ultima vai integrar frota de charter de alto padrão nas Ilhas Baleares, no Caribe e em Bahamas

    Marinha promove segunda edição da Aramuss com foco em sistemas marítimos não tripulados

    Evento será realizado em Salvador e reunirá demonstrações operacionais, debates estratégicos, universidades e empresas de tecnologia

    Confirmada no Salvador Boat Show, Ventura terá barcos de 25 a 37 pés e veículos off-road

    Condições facilitadas de pagamento serão destaque da marca no evento

    Rumo à "segunda casa": Ross Mariner confirma presença no Salvador Boat Show 2026

    Em sua segunda participação no evento, Ross promete apresentar seu lançamento em Salvador ao lado de barcos de entrada já consolidados