Conheça as embarcações dos hollywoodianos Nicolas Cage e de Steven Spielberg

Por: Redação -
19/01/2021
Superiate de Nicolas Cage, o Sarita

Nicolas Cage e Steven Spielberg podem até ter construído sua fama em Hollywood, mas as vezes em que seus trabalhos se cruzaram foram pouquíssimas. O que os une, no entanto, não é o trabalho, e sim o apreço pela vida náutica. Os dois compraram iates ao longo de suas carreiras que deram o que falar.

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Nicolas, apesar disso, decidiu vender seu superiate, batizado de Sarita, comprado por 20 milhões de dólares. A embarcação voltou para o mercado por cerca de 29 milhões de dólares.

Sarita possui 38,6 metros, ou seja, 126 pés, e acomoda 12 passageiros em 6 camarotes. Foi construído pelo estaleiro italiano CRN, parte da Ferretti Group, em 1972, e possui casco de aço e superestrutura de alumínio — totalizando um peso de quase 227 toneladas. A propulsão se dá por motores Caterpillar de 1200 hp cada.

O design exterior também é assinado pela CRN. O interior, por sua vez, foi decorado pela Lm Pagano Design, que resolveu ornamentar a embarcação partindo do estilo clássico. Conta com painéis de madeira, tapetes estampados e móveis de couro. O projeto também foca em cores escuras, tetos baixos e iluminação reduzida.

As acomodações são divididas em king VIP (com banheira no convés principal), master king (com banheira e chuveiro) queen (com chuveiro) e uma dupla (conversível em extra king, com chuveiro). Além de tudo, está equipado com uma extensa gama de recursos de tendas, brinquedos aquáticos, entretenimento e comunicação (que vão desde jacuzzis a equipamentos de ginástica).

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Steven Spielberg, diferente de Nicolas Cage, quis vender seu megaiate por um motivo um tanto quanto peculiar… o dono do Seven Seas, que já tinha um megaiate de 282 pés, quis trocá-lo por uma embarcação ainda maior. A embarcação custou 150 milhões de dólares ao renomado diretor e produtor hollywoodiano, e estima-se que sua nova aquisição tenha 300 pés e custe cerca de 250 milhões de dólares.

Megaiate de Steven Spielberg, o Seven Seas

Com 86 metros, é capaz de acomodar 26 tripulantes e é equipado com dois helipontos, academia de ginástica, spa e um sistema de estabilizadores capaz de enfrentar qualquer situação marítima. Steven diz ter sofrido muito com enjôos na filmagem do filme “Tubarão”. Portanto, estabilizadores de última geração se tornaram não apenas uma opção, mas obrigatoriedade.

Foi construído pela Oceanco, em 2010, e reformado em 2013 pela Amico & Co. Tanto o design interior quanto exterior foram arquitetados pelos designers Nuvolari & Lenard. Possui casco de aço, proa bulbosa, amplo espaço interno e externo, academia totalmente equipado, spa, sala de massagem e interior decorado com nogueira, teca, jacarandá, além de intercalações com materiais e tecidos ou cores naturais.

Inclui um convés privativo do proprietário com uma grande suíte master separada. Além das acomodações dos proprietários, existem 4 grandes suítes para hóspedes, um camarote VIP no convés principal e outro VIP adicional isolado no convés do terraço. Todos os camarotes foram equipados com os mais altos padrões e apresentam os mais recentes sistemas de entretenimento.

O megaiate dispõe de uma extensa lista de amenidades: uma ampla variedade de brinquedos para esportes aquáticos (como a lancha de limusine personalizada de 10,5 metros) e um barco esportivo aberto personalizado de 9,2 metros. Como um grande cineasta, Steven também não poderia deixar de incluir um verdadeiro cinema no Seven Seas, com sistema de projeção de 360 graus em uma enorme parede de vidro ao lado da piscina.

A propulsão se dá por dois motores MTU de 4 680 hp e 3 492 kW. Até vendê-lo, Spielberg alugou seu megaiate por cerca de 1 milhão de dólares por mês.

Por Naíza Ximenes, sob supervisão da jornalista Maristella Pereira

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    Quem fala pela náutica?

    Salvador recebeu o 2º Fórum Náutico Internacional, realizado pela Associação Náutica da Bahia, com empresários, gestores públicos, especialistas e convidados de fora do país. A Baía de Todos-os-Santos é um dos maiores ativos náuticos do mundo, e ninguém na plateia precisava ser convencido disso. Ouvimos casos de sucesso, projetos de marinas, roteiros, regatas, oportunidades de investimento. Mas, quando chegou a minha vez de encerrar, preferi falar sobre o que ainda nos impede de transformar todo esse potencial em desenvolvimento de verdade.

     

    O setor náutico brasileiro ainda não sabe se defender.

    Um setor que conversa consigo mesmo

    Somos estaleiros, marinas, garagens náuticas, clubes, escolas de vela, operadores de passeio, fornecedores, mecânicos, marinheiros, guias, pescadores esportivos, agências de turismo. Cada elo da cadeia tem sua associação, seu grupo de WhatsApp, sua pauta. E, enquanto conversamos entre nós, as decisões que definem o nosso futuro são tomadas em outros lugares, quase sempre sem a gente na mesa.

     

    Pense em quantas instâncias de poder tocam a náutica. O licenciamento ambiental de uma marina. A alíquota de ICMS sobre a embarcação. As normas da Marinha. O plano diretor que define o uso da orla. O ordenamento de praias e acessos públicos à água. As linhas de crédito para o pequeno empreendedor. A formação de mão de obra. O saneamento. Câmaras municipais, assembleias legislativas, Congresso Nacional, conselhos, órgãos ambientais, ministérios. Em cada um desses espaços, alguém está falando sobre o nosso setor. A pergunta é: somos nós?

     

    Na maioria das vezes, não. E quem não está na mesa costuma estar no cardápio.

    [caption id="attachment_208270" align="alignnone" width="920"] Foto: NatalieZera / Envato[/caption]

    Advocacy não é palavrão

    Por isso defendi, no encerramento do fórum, que o mercado náutico precisa se unir para construir um trabalho permanente de advocacy. Não se trata de lobby no sentido pejorativo, nem de defender o interesse de uma empresa isolada. É representação organizada: uma agenda comum, dados confiáveis, propostas técnicas e presença constante em todos os espaços onde se decide algo que afeta o setor.

     

    Tenho visto de perto o que isso produz. Em São Paulo, o Fórum Náutico Paulista reúne voluntariamente empresários, gestores públicos e pesquisadores há quase duas décadas. Foi esse trabalho paciente, reunião após reunião, que ajudou a construir o plano de desenvolvimento do turismo náutico sustentável que virou programa de estado, o decreto de fomento ao setor, a nova regulamentação ambiental para estruturas náuticas e a agenda de redução de ICMS e de crédito para o setor. Nada disso caiu do céu. Aconteceu porque havia alguém, em nome do setor, sentado à mesa certa, com a proposta pronta.

     

    Esse modelo precisa existir na Bahia, em cada estado com vocação náutica e, sobretudo, em escala nacional.

     

    Explicar para quem não navega

    O segundo ponto da minha fala é tão importante quanto o primeiro: precisamos de assessoria de imprensa e de comunicação profissional para o setor.

     

    Para boa parte da população, a náutica ainda é "coisa de rico". Uma marina nova é vista como ameaça ao acesso à praia; um projeto de garagem náutica, como problema ambiental. E, quando não explicamos, alguém explica por nós, quase sempre mal.

     

    Temos uma história poderosa para contar e não contamos. Um estudo do Fórum Náutico Paulista mostrou que a cadeia náutica de lazer movimentava cerca de R$ 5,3 bilhões por ano no estado de São Paulo e gerava mais de 27 mil empregos. E apenas 0,8% da população paulista usava embarcações de lazer, contra 5,3% no Reino Unido. Ou seja, o potencial de crescimento é enorme, e esse crescimento significa renda para o marinheiro, para o mecânico, para o laminador, para a cozinheira do restaurante da marina, para o operador de passeio caiçara que se formaliza.

     

    Essa é a náutica que precisa chegar ao jornal, à TV, às redes sociais, à conversa de bar. O cidadão que entende que a cidade náutica gera emprego para o filho dele deixa de ser opositor e passa a ser aliado. E o político que percebe que a população apoia o setor passa a apoiá-lo também. Comunicação e advocacy andam juntas.

    [caption id="attachment_206807" align="alignnone" width="920"] Foto: nd3000/ Envato[/caption]

    Náutica precisa de água limpa

    Não poderia falar de união do setor sem lembrar de uma bandeira que o Dr. Castello Branco, presidente do Fórum Náutico Paulista, repete há anos e que se tornou princípio do nosso trabalho: náutica precisa de água limpa.

     

    É simples e é definitivo. Não existe turismo náutico, não existe marina, não existe regata, não existe mergulho, não existe passeio de barco em água poluída. O setor náutico é, por natureza, o maior interessado em rios, represas, baías e mares saudáveis. E é exatamente por isso que essa bandeira deveria estar no centro do nosso advocacy.

     

    Quando o setor náutico se coloca como defensor do saneamento, da qualidade da água e da conservação dos ambientes aquáticos, ele inverte a narrativa. Deixa de ser visto como ameaça ambiental e passa a ser reconhecido como guardião da água. Um setor unido, que cobra investimento em saneamento nas mesmas instâncias em que discute tributo e licenciamento, ganha legitimidade para todo o resto da agenda.

    O próximo passo é nosso

    Saí da Bahia convencida de que o Brasil náutico tem tudo: costa, rios, represas, gente talentosa, empresas competentes, gestores públicos interessados. O que falta é organização. Falta transformar dezenas de vozes isoladas em uma voz coletiva, técnica e presente.

     

    Fóruns como o da Bahia são o começo dessa conversa. O desafio agora é que ela não termine no encerramento do evento. Que vire rede, agenda comum, representação permanente e comunicação com a sociedade.

     

    A pergunta que deixei para a plateia, e que deixo para você, leitor, é a do título: quem fala pela náutica? Enquanto a resposta for "cada um por si", seguiremos perdendo espaço. Quando a resposta for "todos nós", o setor finalmente vai ocupar o lugar que merece no desenvolvimento do país.

      Mestre em Comunicação e Gestão Pública, Bianca Colepicolo é especialista em turismo náutico e coordena o Fórum Náutico Paulista. Autora de “Turismo Pra Quê?”, Bianca também é consultora e palestrante.

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