III Copa Brasil de Vela


A III Copa Brasil de Vela se tornou o maior evento de vela olímpica na história do Brasil. Última grande competição na Baía de Guanabara antes dos Jogos Rio 2016, o evento organizado pela Confederação Brasileira de Vela (CBVela) bateu recorde de participantes. Com sede na Praia de São Francisco, em Niterói (RJ), o campeonato conta com a participação de 341 atletas, totalizando 250 barcos de 41 países. A Copa Brasil prossegue até o dia 20 com regatas previstas a partir das 13h (de Brasília).
“Esperávamos a presença de muitos competidores. O número de atletas vem aumentando a cada edição e isso fica potencializado pela proximidade com os Jogos Olímpicos. É bom ter os grandes nomes da vela na competição”, afirmou o coordenador técnico da CBVela, Torben Grael, dono de cinco medalhas olímpicas, sendo duas de ouro.
Em sua terceira edição, a Copa Brasil superou o número de inscritos de suas versões antigas, como a Semana Brasileira de Vela, e também os dois eventos-teste dos Jogos Olímpicos. No Aquece Rio 2014, foram 309 atletas, com 217 barcos. Já na edição deste ano estiveram presentes 326 velejadores, totalizando 230 barcos.
“Chamam a atenção os números, a confederação está de parabéns por essa ideia de realizar esses eventos tentando atrair uma grande quantidade de barcos. Os Jogos Olímpicos são um grande atrativo e os estrangeiros querem aproveitar todas as oportunidades. O Brasil soube aproveitar o fato de ser a sede olímpica para atrair mais competidores”, disse Fernanda Oliveira, primeira mulher brasileira, ao lado de Isabel Swan, a conquistar uma medalha olímpica para o país na vela.
Entre os estrangeiros presentes na Copa Brasil estão o britânico Giles Scott, tricampeão mundial da classe Finn; os franceses Billy Besson e Marie Riou, tricampeões mundiais na Nacra 17; o australianos Mathew Belcher, campeão olímpico em Londres-2012 na 470 masculina, que agora compete ao lado de Will Ryan; a francesa Charline Picon, campeã mundial em 2014 na RS:X feminina; entre outros grande nomes.
Resultados
Na Laser, Robert Scheidt está em quarto lugar, com 38 pontos perdidos. A liderança é do australiano Matthew Wern, com 29 pontos perdidos. Na Laser Radial, Fernanda Decnop está em sétimo, com 42 pontos perdidos. O primeiro lugar está com a belga Evi van Acker, com 13 pontos perdidos. Na Finn, Jorge Zarif ocupa a sétima posição, com 26 pontos perdidos. Giles Scott lidera com nove pontos perdidos.
Na Nacra 17, João Bulhões e Gabriela Nicolino subiram para quinta posição, com 32 pontos perdidos, enquanto Samuel Albrecht e Isabel Swan estão em sexto, com 36. Mesmo assim, a segunda dupla, pelo resultado obtido no Sul-Americano, na semana passada, segue em vantagem na disputa pela vaga olímpica. Quem lidera são os austríacos Thomas Zajal e Tanja Frank, com 20 pontos perdidos.
Na 49erFX, Martine Grael e Kahena Kunze estão em sétimo, com 24 pontos perdidos. A liderança é das espanholas Tamara Echegoyen e Berta Betanzos, com 12 pontos perdidos. Na 49er, Marco Grael e Gabriel Borges terminaram o dia em sétimo, com 25 pontos perdidos. Os australianos Nathan Outteridge e Lain Jensen estão na frente, com 17 pontos perdidos.
Na 470 masculina, a disputa pela vaga olímpica brasileira segue acirrada. Geison Mendes e Gustavo Thiesen mantiveram a diferença de quatro pontos para Henrique Haddad e Bruno Bethlem. A primeira dupla está em 12º, com 42 pontos perdidos, enquanto os adversários estão em 13º, com 48. O primeiro lugar é dos franceses Bouvet Sofian e Jeremie Mion, com 12 pontos perdidos.
Na 470 feminina, Fernanda Oliveira e Ana Luiza Barbachan estão em 10º, com 32 pontos perdidos. A liderança é das francesas Camille Lecointre e Helene DeFrance, com 10. Na RS:X feminina, Patricia Freitas está em oitavo, com 35 pontos perdidos. A polonesa Zofia Klepacka lidera com 17. Na versão masculina, Ricardo Winicki, o Bimba, é o 14º, com 69 pontos perdidos. O líder é o holandês Dorian Van Rijsselberge, com 23.
Foto: Divulgação
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Salvador recebeu o 2º Fórum Náutico Internacional, realizado pela Associação Náutica da Bahia, com empresários, gestores públicos, especialistas e convidados de fora do país. A Baía de Todos-os-Santos é um dos maiores ativos náuticos do mundo, e ninguém na plateia precisava ser convencido disso. Ouvimos casos de sucesso, projetos de marinas, roteiros, regatas, oportunidades de investimento. Mas, quando chegou a minha vez de encerrar, preferi falar sobre o que ainda nos impede de transformar todo esse potencial em desenvolvimento de verdade.
O setor náutico brasileiro ainda não sabe se defender.
Um setor que conversa consigo mesmo
Somos estaleiros, marinas, garagens náuticas, clubes, escolas de vela, operadores de passeio, fornecedores, mecânicos, marinheiros, guias, pescadores esportivos, agências de turismo. Cada elo da cadeia tem sua associação, seu grupo de WhatsApp, sua pauta. E, enquanto conversamos entre nós, as decisões que definem o nosso futuro são tomadas em outros lugares, quase sempre sem a gente na mesa.
Pense em quantas instâncias de poder tocam a náutica. O licenciamento ambiental de uma marina. A alíquota de ICMS sobre a embarcação. As normas da Marinha. O plano diretor que define o uso da orla. O ordenamento de praias e acessos públicos à água. As linhas de crédito para o pequeno empreendedor. A formação de mão de obra. O saneamento. Câmaras municipais, assembleias legislativas, Congresso Nacional, conselhos, órgãos ambientais, ministérios. Em cada um desses espaços, alguém está falando sobre o nosso setor. A pergunta é: somos nós?
Na maioria das vezes, não. E quem não está na mesa costuma estar no cardápio.
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Advocacy não é palavrão
Por isso defendi, no encerramento do fórum, que o mercado náutico precisa se unir para construir um trabalho permanente de advocacy. Não se trata de lobby no sentido pejorativo, nem de defender o interesse de uma empresa isolada. É representação organizada: uma agenda comum, dados confiáveis, propostas técnicas e presença constante em todos os espaços onde se decide algo que afeta o setor.
Tenho visto de perto o que isso produz. Em São Paulo, o Fórum Náutico Paulista reúne voluntariamente empresários, gestores públicos e pesquisadores há quase duas décadas. Foi esse trabalho paciente, reunião após reunião, que ajudou a construir o plano de desenvolvimento do turismo náutico sustentável que virou programa de estado, o decreto de fomento ao setor, a nova regulamentação ambiental para estruturas náuticas e a agenda de redução de ICMS e de crédito para o setor. Nada disso caiu do céu. Aconteceu porque havia alguém, em nome do setor, sentado à mesa certa, com a proposta pronta.
Esse modelo precisa existir na Bahia, em cada estado com vocação náutica e, sobretudo, em escala nacional.
Explicar para quem não navega
O segundo ponto da minha fala é tão importante quanto o primeiro: precisamos de assessoria de imprensa e de comunicação profissional para o setor.
Para boa parte da população, a náutica ainda é "coisa de rico". Uma marina nova é vista como ameaça ao acesso à praia; um projeto de garagem náutica, como problema ambiental. E, quando não explicamos, alguém explica por nós, quase sempre mal.
Temos uma história poderosa para contar e não contamos. Um estudo do Fórum Náutico Paulista mostrou que a cadeia náutica de lazer movimentava cerca de R$ 5,3 bilhões por ano no estado de São Paulo e gerava mais de 27 mil empregos. E apenas 0,8% da população paulista usava embarcações de lazer, contra 5,3% no Reino Unido. Ou seja, o potencial de crescimento é enorme, e esse crescimento significa renda para o marinheiro, para o mecânico, para o laminador, para a cozinheira do restaurante da marina, para o operador de passeio caiçara que se formaliza.
Essa é a náutica que precisa chegar ao jornal, à TV, às redes sociais, à conversa de bar. O cidadão que entende que a cidade náutica gera emprego para o filho dele deixa de ser opositor e passa a ser aliado. E o político que percebe que a população apoia o setor passa a apoiá-lo também. Comunicação e advocacy andam juntas.
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Náutica precisa de água limpa
Não poderia falar de união do setor sem lembrar de uma bandeira que o Dr. Castello Branco, presidente do Fórum Náutico Paulista, repete há anos e que se tornou princípio do nosso trabalho: náutica precisa de água limpa.
É simples e é definitivo. Não existe turismo náutico, não existe marina, não existe regata, não existe mergulho, não existe passeio de barco em água poluída. O setor náutico é, por natureza, o maior interessado em rios, represas, baías e mares saudáveis. E é exatamente por isso que essa bandeira deveria estar no centro do nosso advocacy.
Quando o setor náutico se coloca como defensor do saneamento, da qualidade da água e da conservação dos ambientes aquáticos, ele inverte a narrativa. Deixa de ser visto como ameaça ambiental e passa a ser reconhecido como guardião da água. Um setor unido, que cobra investimento em saneamento nas mesmas instâncias em que discute tributo e licenciamento, ganha legitimidade para todo o resto da agenda.
O próximo passo é nosso
Saí da Bahia convencida de que o Brasil náutico tem tudo: costa, rios, represas, gente talentosa, empresas competentes, gestores públicos interessados. O que falta é organização. Falta transformar dezenas de vozes isoladas em uma voz coletiva, técnica e presente.
Fóruns como o da Bahia são o começo dessa conversa. O desafio agora é que ela não termine no encerramento do evento. Que vire rede, agenda comum, representação permanente e comunicação com a sociedade.
A pergunta que deixei para a plateia, e que deixo para você, leitor, é a do título: quem fala pela náutica? Enquanto a resposta for "cada um por si", seguiremos perdendo espaço. Quando a resposta for "todos nós", o setor finalmente vai ocupar o lugar que merece no desenvolvimento do país.
Mestre em Comunicação e Gestão Pública, Bianca Colepicolo é especialista em turismo náutico e coordena o Fórum Náutico Paulista. Autora de “Turismo Pra Quê?”, Bianca também é consultora e palestrante.Driving Change realiza sua 3ª edição com sete jovens velejadoras; Conheça a iniciativa!
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