Lançamento da Armatti faz estreia em salões náuticos no São Paulo Boat Show

26/09/2023

Com barcos de 36 a 46 pés no São Paulo Boat Show 2023, as marcas Armatti Yachts e Fishing Raptor aproveitam o maior evento náutico da América Latina para expor suas principais embarcações. Fernando Assinato, CEO do grupo Armatti & Fishing, revelou ainda à equipe de NÁUTICA modelos de 50 pés que devem ser lançados em 2024.

Um dos destaques do estande das marcas é a Armatti 370, uma lancha com hard top de 37 pés, com 3,25 m de boca. O barco tem motorização a gasolina (2x 250 ou 300 hp) ou a diesel (2x 220 hp) e capacidade para 14 convidados, sendo que cinco podem aproveitar o pernoite.

É uma embarcação de seis toneladas e meia, que dá 42 milhas de torque com dois motores de 250 hp, ou seja, é um barco que tem uma autonomia muito grande, econômico e com alta performance. – Fernando Assinato, CEO do grupo Armatti & Fishing

Um dos diferenciais da embarcação é o bom acesso à proa, com espaço suficiente para que o passageiro transite sem que precise se “apertar” no caminho. Com foco no lazer do cliente, a lancha traz geleira no espaço gourmet e no cockpit, além de churrasqueira, tanto elétrica quanto a carvão.

O solário, espaçoso, possui duas espreguiçadeiras e conta ainda com um banco para duas pessoas logo à frente. O estaleiro, que preza pela identidade da marca, possui neste modelo cores exclusivas, como o tom de azul, que foi feito especialmente para a embarcação.

Fishing 41

Também pela primeira vez no salão náutico paulista, a Fishing 41, é uma lancha confortável que atende as necessidades para os momentos de descanso e de pescaria. O modelo incorpora um solário e uma cama de casal ao console central, o que faz com que os espaços para circulação sejam aproveitados ao máximo.

O barco também se destaca pela cabine, equipada para refeições e pernoite. Nas áreas externas, a popa espaçosa vem com decks nas laterais que facilitam a circulação de passageiros e o acesso para a manutenção de motores que ficam sob o convés, na parte traseira da lancha. Com 12,55 metros de comprimento, a embarcação recebe até 18 passageiros (2 no pernoite).

É o primeiro barco com motor de popa que você consegue usar a plataforma ao mesmo tempo que os motores. – Fernando Assinato, CEO do grupo Armatti & Fishing

Planos para 2024

Para 2024, a Armatti pretende lançar um modelo de 52 pés, que deve ir para a água já em março. Já nos barcos de pesca, a Fishing deve chegar ao São Paulo Boat Show 2024 com um modelo e 50 pés, atendendo a pedidos dos clientes

De modelo center console o nosso é o maior do Brasil, que é a 41 pés. Como já temos 300 clientes com esse barco na água, eles não tem para onde crescer, então vamos lançar a 50 pés, para 4 ou 5 motores. – CEO do grupo Armatti & Fishing

Segundo Fernando, o modelo será um barco open, com console central e cabine do tamanho de uma 40 pés, com 4 metros de largura, 13 toneladas, quarto fechado na meia nau, sofá, cozinha e solário.

São Paulo Boat Show 2023

Anote aí!

Quando: De 21 a 26 de setembro de 2023
Onde: São Paulo Expo (Rodovia dos Imigrantes, 1,5 km – Vila Água Funda, São Paulo – SP, 04329-900)
Horário: Dia 21 das 15h às 22h e de 22 a 26 de setembro das 13h às 22h (no último dia, o evento encerrará às 21h)
Mais informações: no site do evento
Ingressos: site oficial de vendas

 

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    Quem fala pela náutica?

    Salvador recebeu o 2º Fórum Náutico Internacional, realizado pela Associação Náutica da Bahia, com empresários, gestores públicos, especialistas e convidados de fora do país. A Baía de Todos-os-Santos é um dos maiores ativos náuticos do mundo, e ninguém na plateia precisava ser convencido disso. Ouvimos casos de sucesso, projetos de marinas, roteiros, regatas, oportunidades de investimento. Mas, quando chegou a minha vez de encerrar, preferi falar sobre o que ainda nos impede de transformar todo esse potencial em desenvolvimento de verdade.

     

    O setor náutico brasileiro ainda não sabe se defender.

    Um setor que conversa consigo mesmo

    Somos estaleiros, marinas, garagens náuticas, clubes, escolas de vela, operadores de passeio, fornecedores, mecânicos, marinheiros, guias, pescadores esportivos, agências de turismo. Cada elo da cadeia tem sua associação, seu grupo de WhatsApp, sua pauta. E, enquanto conversamos entre nós, as decisões que definem o nosso futuro são tomadas em outros lugares, quase sempre sem a gente na mesa.

     

    Pense em quantas instâncias de poder tocam a náutica. O licenciamento ambiental de uma marina. A alíquota de ICMS sobre a embarcação. As normas da Marinha. O plano diretor que define o uso da orla. O ordenamento de praias e acessos públicos à água. As linhas de crédito para o pequeno empreendedor. A formação de mão de obra. O saneamento. Câmaras municipais, assembleias legislativas, Congresso Nacional, conselhos, órgãos ambientais, ministérios. Em cada um desses espaços, alguém está falando sobre o nosso setor. A pergunta é: somos nós?

     

    Na maioria das vezes, não. E quem não está na mesa costuma estar no cardápio.

    [caption id="attachment_208270" align="alignnone" width="920"] Foto: NatalieZera / Envato[/caption]

    Advocacy não é palavrão

    Por isso defendi, no encerramento do fórum, que o mercado náutico precisa se unir para construir um trabalho permanente de advocacy. Não se trata de lobby no sentido pejorativo, nem de defender o interesse de uma empresa isolada. É representação organizada: uma agenda comum, dados confiáveis, propostas técnicas e presença constante em todos os espaços onde se decide algo que afeta o setor.

     

    Tenho visto de perto o que isso produz. Em São Paulo, o Fórum Náutico Paulista reúne voluntariamente empresários, gestores públicos e pesquisadores há quase duas décadas. Foi esse trabalho paciente, reunião após reunião, que ajudou a construir o plano de desenvolvimento do turismo náutico sustentável que virou programa de estado, o decreto de fomento ao setor, a nova regulamentação ambiental para estruturas náuticas e a agenda de redução de ICMS e de crédito para o setor. Nada disso caiu do céu. Aconteceu porque havia alguém, em nome do setor, sentado à mesa certa, com a proposta pronta.

     

    Esse modelo precisa existir na Bahia, em cada estado com vocação náutica e, sobretudo, em escala nacional.

     

    Explicar para quem não navega

    O segundo ponto da minha fala é tão importante quanto o primeiro: precisamos de assessoria de imprensa e de comunicação profissional para o setor.

     

    Para boa parte da população, a náutica ainda é "coisa de rico". Uma marina nova é vista como ameaça ao acesso à praia; um projeto de garagem náutica, como problema ambiental. E, quando não explicamos, alguém explica por nós, quase sempre mal.

     

    Temos uma história poderosa para contar e não contamos. Um estudo do Fórum Náutico Paulista mostrou que a cadeia náutica de lazer movimentava cerca de R$ 5,3 bilhões por ano no estado de São Paulo e gerava mais de 27 mil empregos. E apenas 0,8% da população paulista usava embarcações de lazer, contra 5,3% no Reino Unido. Ou seja, o potencial de crescimento é enorme, e esse crescimento significa renda para o marinheiro, para o mecânico, para o laminador, para a cozinheira do restaurante da marina, para o operador de passeio caiçara que se formaliza.

     

    Essa é a náutica que precisa chegar ao jornal, à TV, às redes sociais, à conversa de bar. O cidadão que entende que a cidade náutica gera emprego para o filho dele deixa de ser opositor e passa a ser aliado. E o político que percebe que a população apoia o setor passa a apoiá-lo também. Comunicação e advocacy andam juntas.

    [caption id="attachment_206807" align="alignnone" width="920"] Foto: nd3000/ Envato[/caption]

    Náutica precisa de água limpa

    Não poderia falar de união do setor sem lembrar de uma bandeira que o Dr. Castello Branco, presidente do Fórum Náutico Paulista, repete há anos e que se tornou princípio do nosso trabalho: náutica precisa de água limpa.

     

    É simples e é definitivo. Não existe turismo náutico, não existe marina, não existe regata, não existe mergulho, não existe passeio de barco em água poluída. O setor náutico é, por natureza, o maior interessado em rios, represas, baías e mares saudáveis. E é exatamente por isso que essa bandeira deveria estar no centro do nosso advocacy.

     

    Quando o setor náutico se coloca como defensor do saneamento, da qualidade da água e da conservação dos ambientes aquáticos, ele inverte a narrativa. Deixa de ser visto como ameaça ambiental e passa a ser reconhecido como guardião da água. Um setor unido, que cobra investimento em saneamento nas mesmas instâncias em que discute tributo e licenciamento, ganha legitimidade para todo o resto da agenda.

    O próximo passo é nosso

    Saí da Bahia convencida de que o Brasil náutico tem tudo: costa, rios, represas, gente talentosa, empresas competentes, gestores públicos interessados. O que falta é organização. Falta transformar dezenas de vozes isoladas em uma voz coletiva, técnica e presente.

     

    Fóruns como o da Bahia são o começo dessa conversa. O desafio agora é que ela não termine no encerramento do evento. Que vire rede, agenda comum, representação permanente e comunicação com a sociedade.

     

    A pergunta que deixei para a plateia, e que deixo para você, leitor, é a do título: quem fala pela náutica? Enquanto a resposta for "cada um por si", seguiremos perdendo espaço. Quando a resposta for "todos nós", o setor finalmente vai ocupar o lugar que merece no desenvolvimento do país.

      Mestre em Comunicação e Gestão Pública, Bianca Colepicolo é especialista em turismo náutico e coordena o Fórum Náutico Paulista. Autora de “Turismo Pra Quê?”, Bianca também é consultora e palestrante.

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