Com a embarcação NUVA MS6 você pode navegar com emoção ou velejar suavemente

Por: Redação -
27/12/2018

O que você prefere? A suavidade do velejar ou a adrenalina de um barco a motor? Assim como muitos, Andrés Cárdenas, dono do estaleiro espanhol Nuva Yachts, fica com as duas opções. Daí ter encomendado ao estúdio Barcelona Yacht Design uma embarcação que levasse o prazer de navegar, em igual medida, a neófitos no mundo náutico e a navegadores experientes. Foi assim que nasceu o Nuva MS6, que mede apenas 19,65 pés (5,99 m) de comprimento e 2,47 m de boca. Ele pode parecer pequenino ao primeiro olhar (e é, mesmo!), mas surpreende pelas múltiplas possibilidades que oferece.

Mesmo bem pequeno, o Nuva já incorpora o beach club, tendência na indústria náutica.

A começar pelo fato de ser híbrido, ou seja, poder ser usado como veleiro ou lancha. A bordo deste barquinho revolucionário, é possível cumprir distâncias razoáveis, com rapidez (no modo motor), passar o dia velejando no destino da sua preferência (no modo vela) e, antes de voltar para a marina, tomar sol nos amplos solários do brinquedinho (amplos para valer, já que se estendem sobre a água, por causa de um recurso que prolonga o cockpit lateralmente) ou até tirar um cochilo em sua cabine (sim, há uma pequena cabine). É ou não é uma embarcação que entrega muito mais do que se poderia esperar dela?

O cockpit pode ser expandido em quase um metro lateralmente, à medida os bordos avançam sobre a água.

Fácil de transportar e manusear, o Nuva pode ser transportado numa carreta rodoviária com freio próprio, porque é leve (seu peso é de apenas 1 350 kg). É, também, um barco seguro (com casco insubmergível) e confortável, já que sua cabine é equipada com cama para duas pessoas e sanitário químico. Mas o que mais surpreende talvez seja a incorporação de um conceito que virou tendência na indústria náutica mundial: o beach club. O cockpit pode ser expandido lateralmente, ampliando a boca em quase um metro, à medida que essas “plataformas” avançam sobre a água. É que os bordos da embarcação, na área da popa, onde ficam os bancos laterais, podem ser como que destacados do corpo do barco (ainda que ligados a ele, claro), criando dois grandes solários — ou, se você preferir, uma bela praia particular. Cá entre nós, é uma façanha e tanto para um barco com dimensões tão reduzidas.

Com o uso de materiais de primeira linha no acabamento e apelo esportivo, o estaleiro quer conquistar clientes de
perfil ousado.

E a “mágica” não para por aí. O mágico barquinho tem ainda uma pequena cabine com cama (onde duas pessoas podem tirar ao menos um cochilo) e banheiro químico. Graças às suas dimensões, o Nuva permite ancoragens em espaços exíguos. Mesmo porque sua quilha é retrátil e cabe completamente dentro do casco — cujo calado, nessa condição, é de apenas 0,45 m. Tal recurso, visto somente em veleiros maiores, é acionado ao toque de um botão e favorece também a aceleração no modo lancha, já que diminui o arrasto. Da mesma forma, é fácil instalar e desinstalar o leme, que pode ser guardado no convés.

O projeto foi concebido a fim de agradar aos navegadores iniciantes e, também, aos experientes.

O motor que impulsiona a embarcação é um popa Yamaha de quatro tempos, com potência de 70 hp, que permite navegar a 14 nós na velocidade de cruzeiro e a 20 nós na máxima, segundo o fabricante. No modo veleiro, a performance não deixa de ser satisfatória: o barco atinge cerca de 6 nós e fornece reações rápidas a partir de ventos na casa dos 8 nós. Equipado com mastro de carbono de 8,8 m, o Nuva permite a instalação de gennaker (opcional) — somente a área vélica da mestra é de 16,8 m². Você já viu tantos atributos em um barco tão pequenino?

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    Quem fala pela náutica?

    Salvador recebeu o 2º Fórum Náutico Internacional, realizado pela Associação Náutica da Bahia, com empresários, gestores públicos, especialistas e convidados de fora do país. A Baía de Todos-os-Santos é um dos maiores ativos náuticos do mundo, e ninguém na plateia precisava ser convencido disso. Ouvimos casos de sucesso, projetos de marinas, roteiros, regatas, oportunidades de investimento. Mas, quando chegou a minha vez de encerrar, preferi falar sobre o que ainda nos impede de transformar todo esse potencial em desenvolvimento de verdade.

     

    O setor náutico brasileiro ainda não sabe se defender.

    Um setor que conversa consigo mesmo

    Somos estaleiros, marinas, garagens náuticas, clubes, escolas de vela, operadores de passeio, fornecedores, mecânicos, marinheiros, guias, pescadores esportivos, agências de turismo. Cada elo da cadeia tem sua associação, seu grupo de WhatsApp, sua pauta. E, enquanto conversamos entre nós, as decisões que definem o nosso futuro são tomadas em outros lugares, quase sempre sem a gente na mesa.

     

    Pense em quantas instâncias de poder tocam a náutica. O licenciamento ambiental de uma marina. A alíquota de ICMS sobre a embarcação. As normas da Marinha. O plano diretor que define o uso da orla. O ordenamento de praias e acessos públicos à água. As linhas de crédito para o pequeno empreendedor. A formação de mão de obra. O saneamento. Câmaras municipais, assembleias legislativas, Congresso Nacional, conselhos, órgãos ambientais, ministérios. Em cada um desses espaços, alguém está falando sobre o nosso setor. A pergunta é: somos nós?

     

    Na maioria das vezes, não. E quem não está na mesa costuma estar no cardápio.

    [caption id="attachment_208270" align="alignnone" width="920"] Foto: NatalieZera / Envato[/caption]

    Advocacy não é palavrão

    Por isso defendi, no encerramento do fórum, que o mercado náutico precisa se unir para construir um trabalho permanente de advocacy. Não se trata de lobby no sentido pejorativo, nem de defender o interesse de uma empresa isolada. É representação organizada: uma agenda comum, dados confiáveis, propostas técnicas e presença constante em todos os espaços onde se decide algo que afeta o setor.

     

    Tenho visto de perto o que isso produz. Em São Paulo, o Fórum Náutico Paulista reúne voluntariamente empresários, gestores públicos e pesquisadores há quase duas décadas. Foi esse trabalho paciente, reunião após reunião, que ajudou a construir o plano de desenvolvimento do turismo náutico sustentável que virou programa de estado, o decreto de fomento ao setor, a nova regulamentação ambiental para estruturas náuticas e a agenda de redução de ICMS e de crédito para o setor. Nada disso caiu do céu. Aconteceu porque havia alguém, em nome do setor, sentado à mesa certa, com a proposta pronta.

     

    Esse modelo precisa existir na Bahia, em cada estado com vocação náutica e, sobretudo, em escala nacional.

     

    Explicar para quem não navega

    O segundo ponto da minha fala é tão importante quanto o primeiro: precisamos de assessoria de imprensa e de comunicação profissional para o setor.

     

    Para boa parte da população, a náutica ainda é "coisa de rico". Uma marina nova é vista como ameaça ao acesso à praia; um projeto de garagem náutica, como problema ambiental. E, quando não explicamos, alguém explica por nós, quase sempre mal.

     

    Temos uma história poderosa para contar e não contamos. Um estudo do Fórum Náutico Paulista mostrou que a cadeia náutica de lazer movimentava cerca de R$ 5,3 bilhões por ano no estado de São Paulo e gerava mais de 27 mil empregos. E apenas 0,8% da população paulista usava embarcações de lazer, contra 5,3% no Reino Unido. Ou seja, o potencial de crescimento é enorme, e esse crescimento significa renda para o marinheiro, para o mecânico, para o laminador, para a cozinheira do restaurante da marina, para o operador de passeio caiçara que se formaliza.

     

    Essa é a náutica que precisa chegar ao jornal, à TV, às redes sociais, à conversa de bar. O cidadão que entende que a cidade náutica gera emprego para o filho dele deixa de ser opositor e passa a ser aliado. E o político que percebe que a população apoia o setor passa a apoiá-lo também. Comunicação e advocacy andam juntas.

    [caption id="attachment_206807" align="alignnone" width="920"] Foto: nd3000/ Envato[/caption]

    Náutica precisa de água limpa

    Não poderia falar de união do setor sem lembrar de uma bandeira que o Dr. Castello Branco, presidente do Fórum Náutico Paulista, repete há anos e que se tornou princípio do nosso trabalho: náutica precisa de água limpa.

     

    É simples e é definitivo. Não existe turismo náutico, não existe marina, não existe regata, não existe mergulho, não existe passeio de barco em água poluída. O setor náutico é, por natureza, o maior interessado em rios, represas, baías e mares saudáveis. E é exatamente por isso que essa bandeira deveria estar no centro do nosso advocacy.

     

    Quando o setor náutico se coloca como defensor do saneamento, da qualidade da água e da conservação dos ambientes aquáticos, ele inverte a narrativa. Deixa de ser visto como ameaça ambiental e passa a ser reconhecido como guardião da água. Um setor unido, que cobra investimento em saneamento nas mesmas instâncias em que discute tributo e licenciamento, ganha legitimidade para todo o resto da agenda.

    O próximo passo é nosso

    Saí da Bahia convencida de que o Brasil náutico tem tudo: costa, rios, represas, gente talentosa, empresas competentes, gestores públicos interessados. O que falta é organização. Falta transformar dezenas de vozes isoladas em uma voz coletiva, técnica e presente.

     

    Fóruns como o da Bahia são o começo dessa conversa. O desafio agora é que ela não termine no encerramento do evento. Que vire rede, agenda comum, representação permanente e comunicação com a sociedade.

     

    A pergunta que deixei para a plateia, e que deixo para você, leitor, é a do título: quem fala pela náutica? Enquanto a resposta for "cada um por si", seguiremos perdendo espaço. Quando a resposta for "todos nós", o setor finalmente vai ocupar o lugar que merece no desenvolvimento do país.

      Mestre em Comunicação e Gestão Pública, Bianca Colepicolo é especialista em turismo náutico e coordena o Fórum Náutico Paulista. Autora de “Turismo Pra Quê?”, Bianca também é consultora e palestrante.

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