O elo mais fraco

Por: Redação -
05/05/2015

Depois do Boat Show do Rio coloquei um post no meu fórum da Revista Náutica para saber como as pessoas avaliaram o evento. Depois de algumas dezenas de comentários sobre os expositores (principalmente estaleiros), promotor do evento, Acobar e público, consegui finalmente perceber o elo mais fraco.

Diz um ditado que uma corrente é tão forte quanto o seu elo mais fraco. Escutei isto a primeira vez no ano de 1999 quando a BBC de Londres colocou no ar pela primeira vez um programa de perguntas e respostas com o nome de “The Weakest Link”, ou na tradução em português “O Elo Mais Fraco”.  Quando eu vi pela primeira vez fiquei aterrorizado pela apresentadora Anne Robinson, conhecida pelo apelido de “A Rainha da Maldade”, que destilava um modo agressivo de dirigir o show, exibindo uma inteligência aguda e ácida, quando desclassificava um participante olhado diretamente para ele e dizendo: Você é o elo mais fraco. Adeus!

O show era composto de perguntas e respostas para nove participantes que ao final de cada rodada votavam naquele que respondia mais lentamente ou de forma errada a saraivada de perguntas sobre conhecimento gerais. O objetivo era descartar da corrente sempre o elo mais fraco.

Na vida real o que determina o elo mais fraco em uma cadeia de fornecedores de um mesmo produto, no caso barcos, é a “Teoria do Consumidor”. O conceito deriva de um ramo da microeconomia que relaciona o desejo e as preferências de consumo com o custo dele. O custo pode ser somente o valor mas também pode ser algo subjetivo como simplesmente a vontade de querer ter aquele produto. Para a teoria funcionar o consumidor precisa ter escolhas. Muitas escolhas!

Quando os agentes encarregados de promoverem a atividade náutica não conseguirem resolver se quem vem primeiro é o ovo ou a galinha o consumidor fica imaginando quantas opções ele teria para gastar o dinheiro. Um barco pode custar o preço de uma motocicleta, um carro, uma viagem, um trailler motorizado para fazer uma viagem longa, uma casa de praia ou na montanha e outras dezenas de opções. Se estes agentes não são capazes de motivar o desejo do consumidor em ter um barco é certo que neste problema o elo mais fraco é o estaleiro.

 

Jorge Nasseh é especialista em construção e composites e costuma viajar os quarto cantos do mundo em busca de novidades no meio náutico

 

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