Nova prefeita de Ilhabela revela os segredos de sucesso da Semana de Vela 2019

22/07/2019

Prefeita há apenas dois meses (assumiu o comando do executivo municipal dia 22 de maio de 2019, após a cassação do prefeito Márcio Tenório), Maria das Graças Ferreira dos Santos Souza, ou Gracinha Ferreira, simplesmente, como é mais conhecida e prefere ser chamada, encontrou a Prefeitura em clima de turbulência.

Em vez de ficar reclamando, ela decidiu pôr as mãos na massa. Ou melhor, mãos à obra. Elegeu prioridades e resolveu pendências (como recolhimento do lixo, paralisado por conta de muitos interesses conflitantes e a interdição do aterro sanitário).

Em resumo, impôs à administração do bem público o seu tom: o tom da austeridade. No caso da Semana de Vela, ela teve de se virar nos 30, por conta da corrida contra o tempo para viabilizar a Race Village, no centrinho da ilha, a Vila.

Bianca Colepicolo (secretária de Turismo), Beto de Jesus (secretário de Esportes) e a prefeita Gracinha Ferreira
Bianca Colepicolo (secretária de Turismo), Beto de Jesus (secretário de Esportes) e a prefeita Gracinha Ferreira (Paulo Stefani/Sectur Ilhabela)

A situação era preocupante por conta do cancelamento da lei de cota de patrocínio e a necessidade de redução de gastos — o orçamento foi reduzido de R$ 4 milhões, no ano passado, para cerca de R$ 2 milhões este ano, mas quem circula pela Race Village jura que foi o contrário, tal a quantidade de atrações, entre shows, palestras, peças de teatro, lançamento de livros e oficinas de pintura infantis —, como essa baiana de Ilhéus, caiçara por opção (tem 58 anos e está há 46 anos em Ilhabela, onde mora na comunidade de Itaguanduba e ocupou o cargo de vereadora por três mandatos) explica na entrevista a seguir.

“Ilhabela está se tornando uma referência em turismo de inverno, concorrendo, em São Paulo, com Campos do Jordão”

1 — Qual é o segredo para fazer mais com menos?
Em primeiro lugar, ter acertado na escolha da Bianca Colepicolo para o Secretaria do Desenvolvimento Econômico e do Turismo. Eu tinha que encontrar alguém que provocasse um impacto positivo na vida do município. E o encontro da Bianca foi um daqueles momentos mágicos, em que a garra se soma à competência profissional. Quando nós conversamos por telefone, numa quinta-feira, ela me disse: ”Quarta-feira eu estarei aí”. Eu disse: “Não, você assume no sábado!” (risos) Felizmente, deu tudo certo. Ela chegou aqui na sexta-feira à 6 horas da tarde e no sábado, às 10 da manhã, já estava trabalhando. Pegou a missão de corpo e alma e está dando conta do recado.

“A Semana de Vela transforma o mês julho em Ilhabela quase que em um mês de verão”

2 — E ainda por cima com o orçamento para tocar a Race Village reduzido pela metade, não é?
Exatamente. A redução foi de 50%. Ainda assim, o número de atrações cresceu, saltando de 40, no ano passado, para 102 este ano. Então, o segredo foi arregaçar as mangas e trabalhar. Se faltou alguma coisa em relação aos outros anos, foi a queima de fogos, que não houve este, o que nos permitiu economizar R$ 400 mil. Mas muita gente elogiou isso, por conta do efeito sobre os animais. Eu também sou contra a queima de fogos. Mas ela é obrigatória, por força de lei, em alguns eventos, como a festa de São Benedito e a Congada. Os caiçaras não abrem mão.

3 — Qual é o peso da Semana de Vela para a economia de Ilhabela?
É muito importante! No período de inverno, as cidades de praia costumam ficar vazias. Ilhabela, não. Isso é importante porque fomenta o turismo, aquece a economia. A Semana de Vela transforma o mês julho quase que em um mês de verão. Ou mais, se considerarmos apenas a semana propriamente dita. Com esse evento, Ilhabela está se tornando uma referência em turismo de inverno, concorrendo, em São Paulo, com Campos do Jordão.

4 — A comunidade abraçou a Race Village?
Pelo que estão me informando, abraçou ainda mais este ano do que no ano passado. Todos os shows estão lotando. E as palestras são mais interessantes, falam mais com as pessoas. Essa é a ideia.

5 — Qual é o tom que a senhora está imprimindo à sua gestão?
De austeridade! Acima de tudo, tenho respeito pelo dinheiro público. Como se fosse meu. Não se pode gastar de qualquer maneira. Temos que ir nessa linha, de gastar bem.

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