Regata de abertura da Semana de Vela de Ilhabela passará por Alcatrazes

Por: Redação -
30/06/2017
Foto: Júlio Cardoso

A mais longa disputa da Semana de Vela de Ilhabela, neste ano marcada para abrir a competição em 9 de julho, coloca em evidência um tema cada vez mais urgente em todo o mundo: a necessidade de preservação ambiental, especialmente nos oceanos. Após a última edição da Regata Alcatrazes por Boreste Marinha do Brasil, dominada pelo show de saltos de um grupo de baleias jubarte, foi criado no arquipélago o Refúgio de Vida Silvestre de Alcatrazes, área com maior controle e regulamentação das atividades locais.

A área de 196 hectares (aproximadamente dois km²) do Arquipélago de Alcatrazes já era uma unidade de conservação protegida pela Estação Ecológica (ESEC) Tupinambás e administrada pelo Instituto Chico Mendes de Conservação e Biodiversidade, entidades vinculadas ao Ministério do Meio Ambiente. Com a criação do refúgio, fica proibida a pesca ou extração de recursos marinhos, e o tráfego de navios passa a ser mais controlado. Há o plano de abertura para visitação e expedições para avistagem da fauna marinha.

“Isso, para Alcatrazes, foi um marco histórico”, celebra Júlio Cardoso, diretor de meio ambiente do Yacht Club Ilhabela. “Agora Allcatrazes tem, legalmente, uma área de preservação ampla. o refúgio ocupa toda a antiga área delta, de seis ou sete milhas antes até cerca de sete milhas depois do arquipélago, e dez milhas na direção norte-sul. Antes, havia muita pesca clandestina, e o lugar é um criadouro de peixes, importante para baleias, golfinhos. O refúgio ajudará a disseminar as espécies no resto da região norte do litoral paulista.”

Sede da Semana de Vela de Ilhabela, o Yacht Club Ilhabela faz um trabalho de preservação ambiental intenso, com regras claras, manutenção constante e pesquisa científica, servindo de modelo para outras marinas no Brasil. “Nós temos um projeto muito interessante, chamado Marina Viva, já em seu quinto ano, hoje em parceria com a Universidade Federal do ABC. Fazemos um levantamento permanente de todas as espécies e da situação da nossa marina”, conta Júlio. “Nossa marina, hoje, é um dos pontos com maior quantidade de peixes e de vida marinha no litoral paulista. É como um recife artificial. Tem sido feita uma série de pesquisas sobre espécies, algumas não claramente identificadas. Isso vem contribuindo para a ciência e para o conhecimento, e também ajuda a monitorar a qualidade da nossa água.”

Júlio compara a marina do Yacht Club Ilhabela com o fundo da Baía de Guanabara, alvo de uma outra pesquisa, realizada no Rio de Janeiro. Lá, existe um incrustante que consegue se desenvolver na água poluída. E, como não há peixes, ele prolifera e faz com que os barcos, por exemplo, tenham que passar por uma limpeza de casco a cada três meses, para você ver como o bicho é agressivo”, aponta. “Na nossa marina, com a quantidade de peixes que temos, esse tipo de incrustante não prolifera, e a água fica limpa. Com a água limpa e uma fauna biodiversificada, há equilíbrio. Isso é fundamental até para a qualidade de navegação das embarcações.”

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