Regata Volta à Ilha completa 50 edições neste sábado, em Santa Catarina


Encerrando o calendário náutico do Iate Clube de Santa Catarina, acontece neste sábado (8) a Regata Volta à Ilha, com largada na Sede Central, às 10h. Principal competição de vela oceânica do estado, a edição deste ano marca uma data especial na história do evento, já que essa será a 50ª vez que a regata, realizada desde 1969 pelo Veleiros da Ilha, acontece.
Com percurso de 75 milhas náuticas, aproximadamente 120 quilômetros, a Regata Volta à Ilha conta com disputas emocionantes todos os anos. Com largada em direção ao Sul da Ilha a regata termina nas proximidades do Forte de Sant´Ana, próximo à Ponte Hercílio Luz, com as tripulações sendo recebidas pelo público que acompanha a chegada na Avenida Beira-Mar Norte. A Volta à Ilha é aberta às classes, ORC, IRC, C30, RGS A, RGS B, RGS Cruzeiro, Bico de Proa e Multicascos e vale ainda como última etapa da Copa Veleiros de Oceano.
O recorde da competição pertence ao Mano Champ´s, com a marca de 8h43m01s, estabelecida em 2011. Assim como em todos os anos, a expectativa é que algum barco consiga superar a marca que já dura sete edições. Antes do Mano Champ´s quebrar a barreira das nove horas, o recorde pertencia ao Catuana Kim, que em 2005 estabeleceu 9h13. Atual Fita Azul, o Itajaí Sailing Team marcou 9h21 no ano passado, terceiro melhor tempo da história.
Em 2014 e 2015 a vitória ficou com o Katana, enquanto em 2016 deu Zeus Team, ambos da Classe C30. Com tantas embarcações de alto nível fica difícil prever um favorito para a edição de 2018.
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18ª Regata Ilha do Largo
Paralelo à Regata Volta à Ilha de Santa Catarina ocorre a 18ª Regata Ilha do Largo, destinada aos barcos de menor porte, como HPE-25, Bico de Proa B e Carmelitas e tem largada no mesmo local e horário, mas com um percurso mais curto. Os veleiros contornam a Ilha do Largo, próximo ao Ribeirão da Ilha, sentido norte, passando entre os vãos centrais das pontes Colombo Salles, Pedro Ivo Campos e Hercílio Luz. Depois, um contorno será feito na Ilha de Ratones Pequeno, próximo a Ponta de Sambaqui, encerrando a regata em frente ao Forte de Sant´Ana.
Reunião de Comandantes:
Nesta quarta-feira (5), acontece a Reunião de Comandantes, a partir das 19h30, na Sede Central do Iate Clube de Santa Catarina. Na ocasião, a organização se reúne com os participantes da regata para tirar as dúvidas e passar as instruções de regata aos velejadores.
Café da manhã:
A partir das 7h30 deste sábado, será oferecido um café da manhã para os velejadores, assim como a Tradicional Canja de Galinha, entre as 20h de sábado e 8h de domingo.
É importante também ressaltar o convite aos associados para que aguardem a chegada do Fita Azul na Sede Central do Iate Clube de Santa Catarina, bem como a entrega do Troféu Transitório Professor Martins. A premiação da Regata Volta a Ilha acontece na quarta-feira, 12, a partir das 20h, no salão social do ICSC.
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O setor náutico brasileiro ainda não sabe se defender.
Um setor que conversa consigo mesmo
Somos estaleiros, marinas, garagens náuticas, clubes, escolas de vela, operadores de passeio, fornecedores, mecânicos, marinheiros, guias, pescadores esportivos, agências de turismo. Cada elo da cadeia tem sua associação, seu grupo de WhatsApp, sua pauta. E, enquanto conversamos entre nós, as decisões que definem o nosso futuro são tomadas em outros lugares, quase sempre sem a gente na mesa.
Pense em quantas instâncias de poder tocam a náutica. O licenciamento ambiental de uma marina. A alíquota de ICMS sobre a embarcação. As normas da Marinha. O plano diretor que define o uso da orla. O ordenamento de praias e acessos públicos à água. As linhas de crédito para o pequeno empreendedor. A formação de mão de obra. O saneamento. Câmaras municipais, assembleias legislativas, Congresso Nacional, conselhos, órgãos ambientais, ministérios. Em cada um desses espaços, alguém está falando sobre o nosso setor. A pergunta é: somos nós?
Na maioria das vezes, não. E quem não está na mesa costuma estar no cardápio.
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Advocacy não é palavrão
Por isso defendi, no encerramento do fórum, que o mercado náutico precisa se unir para construir um trabalho permanente de advocacy. Não se trata de lobby no sentido pejorativo, nem de defender o interesse de uma empresa isolada. É representação organizada: uma agenda comum, dados confiáveis, propostas técnicas e presença constante em todos os espaços onde se decide algo que afeta o setor.
Tenho visto de perto o que isso produz. Em São Paulo, o Fórum Náutico Paulista reúne voluntariamente empresários, gestores públicos e pesquisadores há quase duas décadas. Foi esse trabalho paciente, reunião após reunião, que ajudou a construir o plano de desenvolvimento do turismo náutico sustentável que virou programa de estado, o decreto de fomento ao setor, a nova regulamentação ambiental para estruturas náuticas e a agenda de redução de ICMS e de crédito para o setor. Nada disso caiu do céu. Aconteceu porque havia alguém, em nome do setor, sentado à mesa certa, com a proposta pronta.
Esse modelo precisa existir na Bahia, em cada estado com vocação náutica e, sobretudo, em escala nacional.
Explicar para quem não navega
O segundo ponto da minha fala é tão importante quanto o primeiro: precisamos de assessoria de imprensa e de comunicação profissional para o setor.
Para boa parte da população, a náutica ainda é "coisa de rico". Uma marina nova é vista como ameaça ao acesso à praia; um projeto de garagem náutica, como problema ambiental. E, quando não explicamos, alguém explica por nós, quase sempre mal.
Temos uma história poderosa para contar e não contamos. Um estudo do Fórum Náutico Paulista mostrou que a cadeia náutica de lazer movimentava cerca de R$ 5,3 bilhões por ano no estado de São Paulo e gerava mais de 27 mil empregos. E apenas 0,8% da população paulista usava embarcações de lazer, contra 5,3% no Reino Unido. Ou seja, o potencial de crescimento é enorme, e esse crescimento significa renda para o marinheiro, para o mecânico, para o laminador, para a cozinheira do restaurante da marina, para o operador de passeio caiçara que se formaliza.
Essa é a náutica que precisa chegar ao jornal, à TV, às redes sociais, à conversa de bar. O cidadão que entende que a cidade náutica gera emprego para o filho dele deixa de ser opositor e passa a ser aliado. E o político que percebe que a população apoia o setor passa a apoiá-lo também. Comunicação e advocacy andam juntas.
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Náutica precisa de água limpa
Não poderia falar de união do setor sem lembrar de uma bandeira que o Dr. Castello Branco, presidente do Fórum Náutico Paulista, repete há anos e que se tornou princípio do nosso trabalho: náutica precisa de água limpa.
É simples e é definitivo. Não existe turismo náutico, não existe marina, não existe regata, não existe mergulho, não existe passeio de barco em água poluída. O setor náutico é, por natureza, o maior interessado em rios, represas, baías e mares saudáveis. E é exatamente por isso que essa bandeira deveria estar no centro do nosso advocacy.
Quando o setor náutico se coloca como defensor do saneamento, da qualidade da água e da conservação dos ambientes aquáticos, ele inverte a narrativa. Deixa de ser visto como ameaça ambiental e passa a ser reconhecido como guardião da água. Um setor unido, que cobra investimento em saneamento nas mesmas instâncias em que discute tributo e licenciamento, ganha legitimidade para todo o resto da agenda.
O próximo passo é nosso
Saí da Bahia convencida de que o Brasil náutico tem tudo: costa, rios, represas, gente talentosa, empresas competentes, gestores públicos interessados. O que falta é organização. Falta transformar dezenas de vozes isoladas em uma voz coletiva, técnica e presente.
Fóruns como o da Bahia são o começo dessa conversa. O desafio agora é que ela não termine no encerramento do evento. Que vire rede, agenda comum, representação permanente e comunicação com a sociedade.
A pergunta que deixei para a plateia, e que deixo para você, leitor, é a do título: quem fala pela náutica? Enquanto a resposta for "cada um por si", seguiremos perdendo espaço. Quando a resposta for "todos nós", o setor finalmente vai ocupar o lugar que merece no desenvolvimento do país.
Mestre em Comunicação e Gestão Pública, Bianca Colepicolo é especialista em turismo náutico e coordena o Fórum Náutico Paulista. Autora de “Turismo Pra Quê?”, Bianca também é consultora e palestrante.Driving Change realiza sua 3ª edição com sete jovens velejadoras; Conheça a iniciativa!




