Ross Mariner anuncia nova fábrica em SC e lançamentos para 2025
Quem vê o sucesso da Ross Mariner pode não imaginar que o estaleiro natural Arujá, em São Paulo, tem apenas três anos. Já são nove modelos de barcos diferentes, dos 17 aos 26 pés, sendo que cerca de 450 deles estão na água — desempenho que resultou em uma recente nova fábrica em Nazaré Paulista, São Paulo, e uma filial saindo do forno em Palhoça, Santa Catarina.
Ross Mariner lança barco de 22 pés no Rio e revela novidades maiores para 2026
De casa nova: Ross Mariner inaugura fábrica em Nazaré Paulista (SP)
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Em entrevista no estúdio NÁUTICA durante o Rio Boat Show 2025, Marcio Ishikawa, fundador da Ross Mariner, revelou com exclusividade a Pedro Dias (o Pedrinho) que o novo espaço será inaugurado a partir de julho.
Encontrei lá uma mão de obra muito qualificada, superior a qualquer outro estado do Brasil. Eu não poderia deixar passar a oportunidade de me instalar ali– detalhou Ishikawa
O fundador do estaleiro ainda explicou que a fábrica em solo catarinense ficará responsável pela produção da nova SR220 Icon, lancha de 22 pés do estaleiro lançada durante o salão náutico do Rio.
Novidades a caminho
Nove modelos em três anos parece ser um número que logo ficará para trás. Isso porque, ainda durante a entrevista, Marcio Ishikawa revelou mais uma novidade: um novo barco. No estilo center console, a lancha que terá de 23 a 27 pés chegará “bem esportiva”, com requintes de “algo que o mercado de center console ainda não viu”, como definiu Ishikawa.
A embarcação, desenhada por Marcos Zenas, será lançada durante o Marina Itajaí Boat Show, marcado para acontecer de 3 a 6 de julho. O modelo se somará a outros dois lançados ainda em 2025: a SR170 Viper e a já mencionada SR220 Icon.
A contagem, porém, não para por aí: “teremos mais três lançamentos para esse ano na linha center console”, revelou Ishikawa, sem dar mais detalhes dos novos barcos.
Receita do sucesso?
Sem revendedores e tampouco representantes, o fundador da Ross Mariner aponta que um dos pontos fortes do estaleiro é o contato direto com os clientes, que se sentem acolhidos pelas fábricas. “A gente atende muito ao consumidor final”, ressaltou.


Essa proximidade com os compradores faz com que a opinião dos clientes, ponto crucial para o estaleiro, esteja sempre sendo ouvida — e, principalmente, levada em conta. “A opinião deles é muito importante”, pontua Ishikawa.
Fazer um barco é fácil, quero ver fazer um barco bom com economia, que agrade o gosto e o bolso do cliente– cravou o fundador da Ross
Foi esse sucesso de barcos de qualidade com bom custo-benefício que levou a Ross a se expandir em larga escala, como destacou Marcio. Ele explica que o cliente que compra o produto da marca “tem prazer de dirigir o barco e mostra para o amigo, que pergunta onde ele comprou”.
Reinvesti em uma fábrica para mais unidades, senão não conseguimos entregar os barcos e vender– detalhou
Marcio conta que a Ross está aprendendo com próprio crescimento e com os grandes estaleiros que já existem. Disse, ainda, que o mercado náutico abre uma grande porta à empresa, porque é carente de novos produtos, que o estaleiro dele promete entregar. “A gente veio bem nesse meio, para fazer barco bom”, explicou.
Nove produtos hoje, de 17 a 26 pés. Eu tô muito feliz, não tem como não estar. Esse trabalho é reconhecido pelos clientes– afirmou Marcio Ishikawa
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Somos estaleiros, marinas, garagens náuticas, clubes, escolas de vela, operadores de passeio, fornecedores, mecânicos, marinheiros, guias, pescadores esportivos, agências de turismo. Cada elo da cadeia tem sua associação, seu grupo de WhatsApp, sua pauta. E, enquanto conversamos entre nós, as decisões que definem o nosso futuro são tomadas em outros lugares, quase sempre sem a gente na mesa.
Pense em quantas instâncias de poder tocam a náutica. O licenciamento ambiental de uma marina. A alíquota de ICMS sobre a embarcação. As normas da Marinha. O plano diretor que define o uso da orla. O ordenamento de praias e acessos públicos à água. As linhas de crédito para o pequeno empreendedor. A formação de mão de obra. O saneamento. Câmaras municipais, assembleias legislativas, Congresso Nacional, conselhos, órgãos ambientais, ministérios. Em cada um desses espaços, alguém está falando sobre o nosso setor. A pergunta é: somos nós?
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Advocacy não é palavrão
Por isso defendi, no encerramento do fórum, que o mercado náutico precisa se unir para construir um trabalho permanente de advocacy. Não se trata de lobby no sentido pejorativo, nem de defender o interesse de uma empresa isolada. É representação organizada: uma agenda comum, dados confiáveis, propostas técnicas e presença constante em todos os espaços onde se decide algo que afeta o setor.
Tenho visto de perto o que isso produz. Em São Paulo, o Fórum Náutico Paulista reúne voluntariamente empresários, gestores públicos e pesquisadores há quase duas décadas. Foi esse trabalho paciente, reunião após reunião, que ajudou a construir o plano de desenvolvimento do turismo náutico sustentável que virou programa de estado, o decreto de fomento ao setor, a nova regulamentação ambiental para estruturas náuticas e a agenda de redução de ICMS e de crédito para o setor. Nada disso caiu do céu. Aconteceu porque havia alguém, em nome do setor, sentado à mesa certa, com a proposta pronta.
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Explicar para quem não navega
O segundo ponto da minha fala é tão importante quanto o primeiro: precisamos de assessoria de imprensa e de comunicação profissional para o setor.
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Temos uma história poderosa para contar e não contamos. Um estudo do Fórum Náutico Paulista mostrou que a cadeia náutica de lazer movimentava cerca de R$ 5,3 bilhões por ano no estado de São Paulo e gerava mais de 27 mil empregos. E apenas 0,8% da população paulista usava embarcações de lazer, contra 5,3% no Reino Unido. Ou seja, o potencial de crescimento é enorme, e esse crescimento significa renda para o marinheiro, para o mecânico, para o laminador, para a cozinheira do restaurante da marina, para o operador de passeio caiçara que se formaliza.
Essa é a náutica que precisa chegar ao jornal, à TV, às redes sociais, à conversa de bar. O cidadão que entende que a cidade náutica gera emprego para o filho dele deixa de ser opositor e passa a ser aliado. E o político que percebe que a população apoia o setor passa a apoiá-lo também. Comunicação e advocacy andam juntas.
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Náutica precisa de água limpa
Não poderia falar de união do setor sem lembrar de uma bandeira que o Dr. Castello Branco, presidente do Fórum Náutico Paulista, repete há anos e que se tornou princípio do nosso trabalho: náutica precisa de água limpa.
É simples e é definitivo. Não existe turismo náutico, não existe marina, não existe regata, não existe mergulho, não existe passeio de barco em água poluída. O setor náutico é, por natureza, o maior interessado em rios, represas, baías e mares saudáveis. E é exatamente por isso que essa bandeira deveria estar no centro do nosso advocacy.
Quando o setor náutico se coloca como defensor do saneamento, da qualidade da água e da conservação dos ambientes aquáticos, ele inverte a narrativa. Deixa de ser visto como ameaça ambiental e passa a ser reconhecido como guardião da água. Um setor unido, que cobra investimento em saneamento nas mesmas instâncias em que discute tributo e licenciamento, ganha legitimidade para todo o resto da agenda.
O próximo passo é nosso
Saí da Bahia convencida de que o Brasil náutico tem tudo: costa, rios, represas, gente talentosa, empresas competentes, gestores públicos interessados. O que falta é organização. Falta transformar dezenas de vozes isoladas em uma voz coletiva, técnica e presente.
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