Novo recorde na Route du Rhum? Velejador visa superar própria marca com trimarã inovador

Francês Charles Caudreilier fará a estreia da potente Gitana 18 em uma regata transatlântica em solitário; competição começa dia 1º de novembro

29/10/2026
Foto: Eloi Stichelbaut - polaRYSE/ Gitanna S.A./ Divulgação

Falta pouco para começar uma das competições mais tradicionais do universo da vela. No dia 1º de novembro, parte da França a Route du Rhum, lendária regata transatlântica em solitário, realizada a cada quatro anos, que liga Saint-Malo, na Bretanha, a Pointe-à-Pitre, em Guadalupe.

Na sua 13ª edição, a considerada “rainha das regatas transatlânticas em solitário” terá um concorrente de peso que promete redefinir sua própria marca. O velejador francês Charles Caudreilier, vencedor da última edição e detentor do recorde histórico da competição, estreará o moderníssimo Gitana 18, trimarã com tecnologia foil e um casco que sequer toca os mares.

Foto: Yann Riou – polaRYSE/ Gitanna S.A./ Divulgação

Tido como um barco “revolucionário” por Caudreilier, a embarcação, projetada para ir longe e rápido, mede 32 metros de comprimento e 23 de largura. Com velocidade máxima de 96 km/h, o modelo fará sua primeira participação em uma regata deste estilo — e o mundo da vela não pode esperar para ver esse trimarã voando sobre as águas.

 

São oito metros quadrados de área total de superfície de elevação em 19,5 toneladas, com todo o barco sendo projetado pela Maxi Edmond de Rothschild. Nele, os foils não são em forma de L, como na maioria, mas em forma de Y, que nem os utilizados na America’s Cup.

Foto: Yann Riou – polaRYSE/ Gitanna S.A./ Divulgação

Os lemes, por sua vez, são em forma de U, algo totalmente novo para um Ultim, destaca o velejador. O Gitana 18 ainda conta com um piloto automático “inteligente” desenvolvido especialmente para este trimarã. “As nossas quilhas são verdadeiramente o toque final no Gitana 18”, acrescentou Caudreilier ao site oficial do Route du Rhum.

Levámos o design ao seu limite. São componentes altamente técnicos, sem precedentes nesta escala– revelou o atleta

Foto: Route du Rhum/ Divulgação

Fascinado pelo novo brinquedo, ele não esconde a empolgação em estrear o barco na regata — antes, o modelo já tinha passado por testes na água. “É a primeira vez que participo do desenvolvimento deste barco do início ao fim”, ressaltou.

Tenho um barco novinho em folha, uma arma formidável, mas minha preparação é muito curta para uma regata como a Route du Rhum– ressaltou o francês

Objetivo: quebrar o próprio recorde

É com este gigante dos mares que Charles Caudreilier pretende superar a marca, que pertence a ele mesmo. Em 2022, última edição da Route du Rhum, o velejador francês completou o circuito em apenas 6 dias, 47 minutos e 25 segundos, a bordo do Ultim Gitana 17, antecessor do Gitana 18. Neste ano, a competição também reuniu o recorde de competidores (138) e de desistentes (35).

Foto: Alexis Courcoux/ Route du Rhum/ Divulgação

Este barco [Gitana 18] foi feito para bater o recorde ao redor do mundo– destacou o velejador

Até então, a façanha de volta mais rápida pertencia ao francês Francis Joyon, da equipe DEC SPORT, com 7 dias, 14 horas, 21 minutos e 47 segundos, realizada em 2018. Antes dele, o recorde era de Loick Peyron, compatriota de Joyon, em 7 dias, 15 horas, 8 minutos e 32 segundos.

 

Ou seja, nunca algum competidor havia completado o curso em menos de sete dias, até Caudreilier. Agora, a meta é cortar ainda mais a marca. Será a sétima participação de um barco do modelo Gitana no Rote du Rhum, com duas vitórias/recordes e duas falhas técnicas.

Histórico do Gitana no Rote du Rhum:

  • 2002: Gitana X – falha técnica;
  • 2006: Gitana 11 – vitória e recorde da prova: 7 dias, 17 horas, 19 minutos e 6 segundos;
  • 2010: Gitana 11 (versão dois) – 4º lugar;
  • 2014: Gitana XV – 3º lugar;
  • 2018: Maxi Edmond de Rothschild, Gitana 17 – falha técnica;
  • 2022: Maxi Edmond de Rothschild, Gitana 17 – vitória e recorde da prova: 6 dias, 19 horas, 47 minutos e 25 segundos.

O percurso da Route du Rhum

A regata Route du Rhum – Destination Guadeloupe liga Saint-Malo, na França, a Pointe-à-Pitre, em Guadalupe, em um percurso teórico de aproximadamente 3.542 milhas náuticas (6.559 km), disputado em solitário.

Foto: Route du Rhum/ Divulgação

Na saída, os velejadores atravessam o Canal da Mancha e contornam a ponta da Bretanha antes de seguir pelo Golfo da Biscaia, região conhecida pelas condições climáticas instáveis, com ventos fortes e mar agitado.

Percurso da Route du Rhum. Foto: Route du Rhum/ Divulgação

Na travessia do Atlântico Norte, a posição do Anticiclone dos Açores influencia diretamente as estratégias dos competidores, que precisam escolher a melhor rota para encontrar ventos favoráveis e evitar áreas de calmaria.

Mais adiante, a frota alcança os ventos alísios de nordeste, que favorecem a navegação em direção ao Caribe, mas exigem atenção à ondulação e às rajadas de vento.

 

Na aproximação de Guadalupe, os velejadores enfrentam os desafios das correntes marítimas, das variações de vento e do tráfego entre as ilhas.

Foto: Route du Rhum/ Divulgação

O percurso exige ainda um desvio obrigatório ao norte de Guadalupe antes da descida até a linha de chegada, na baía de Pointe-à-Pitre, onde termina a travessia.

O mar não perdoa

Desde 1978 na ativa, a competição reúne momentos históricos, sejam eles positivos ou trágicos. A primeira edição, por exemplo, foi um bom exemplo de ambos os casos.

Trimarã Manureva. Foto: Route du Rhum/ Divulgação

Naquele ano, o velejador Alain Colas desapareceu no mar com seu trimarã Manureva após a largada, e nenhum vestígio dele jamais foi encontrado. No aspecto positivo, no entanto, teve uma vitória histórica para Mike Birch e seu pequeno trimarã Olympus Photo, que ganhou a edição por 98 segundos de diferença para Michael Malinovsky.

Trimarã Royale II com o casco virado. Foto: Route du Rhum/ Divulgação

Em 1986, Loïc Caradec, navegando a bordo de seu imponente trimarã Royale II (22,60 metros), parou de responder. Florence Arthaud desviou-se para sua posição e encontrou o casco virado, sem nenhum sinal de vida. Desde então, Caradec nunca foi encontrado.

Florence Arthaud, a primeira mulher a vencer a Route du Rhum. Foto: Route du Rhum/ Divulgação

Por falar em Florence Arthaud, ela tornou-se, em 1990, a primeira mulher a vencer a Route du Rhum. No entanto, as mulheres representam apenas 4% dos participantes em média, embora compitam na mesma regata. Não há distinção entre gêneros nas regatas oceânicas.

 

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