Bastidores de “100 Dias” teve piscina que imita oceano e réplica do barco de Amyr Klink
Diretor, atores e produtoras do filme revelam cenas por trás das câmeras da obra que estreia hoje nos cinemas


100 Dias ganhará as telonas do Brasil nesta quinta-feira (29). O filme retrata a primeira grande saga de Amyr Klink, ao cruzar o Oceano Atlântico Sul a remo da África até o Brasil. Após assistir ao filme em primeira mão, a Revista Náutica participou de um bate-papo com grandes nomes dessa obra do cinema brasileiro e descobriu vários outros fatos interessantes dessa produção.
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Entre perrengues para gravar cenas no mar e desafios para reproduzir o oceano em uma piscina, os bastidores de 100 Dias guarda histórias que dariam outro longa-metragem. A coletiva de imprensa reuniu o diretor do filme Carlos Saldanha, as produtoras Justine Otondo e Paula Cosenza, e os atores Filipe Bragança, Philippine Leroy-Beaulieu e Felipe Camargo, que interpretam Amyr, a mãe e o pai do protagonista no filme.
100 Dias: histórias de bastidores
Retratar uma travessia de oceano a remo precisaria, logicamente, de cenas na água. A produção chegou a gravar no mar, mas logo a necessidade de um set controlado ganhou força.


Justine e Paula contam que a equipe de filmagem enfrentou uma série de desafios para gravar no mar — desde enquadramento de câmera até enjoo da equipe — e assim surgiu a solução de reproduzir o oceano em um ambiente controlado.


Para isso, foi construída uma piscina de quase 400 m² (20 por 20 metros) acompanhada de uma estrutura de chroma key (o fundo azul ou verde que permite alterar cenários na pós-produção). O espaço se tornou um “parque de diversões” para as produtoras, por ter diferentes equipamentos para recriar as condições de oceano em um tanque.


Entre os brinquedos desse parque estavam duas retroescavadeiras que balançavam a água para criar ondas, um “ventilador enorme” para simular o vento e tobogãs de água para jogar grandes quantidades sobre o barco quando necessário.


Barco do filme igual ao original
Quem assistir a 100 Dias notará a semelhança da embarcação que protagoniza a saga no filme com o barco usado por Amyr Klink na vida real — e isso não é uma coincidência. Na coletiva, o homem que inspirou o longa-metragem contou que a canoa usada no filme é, na verdade, uma réplica fiel da embarcação original.


A réplica estava no Museu do Mar em Santa Catarina e foi emprestada para a produção do filme utilizar nas gravações. Portanto, não se trata de um modelo cenográfico ou reproduzido com efeitos especiais, mas uma embarcação real milimetricamente reproduzida tal como a original.
Se colocar os dois barcos juntos, eu não sei ver a diferença-confessa Amyr Klink


Um dos cem dias no mar
Filipe Bragança, que interpreta Amyr no filme, nunca tinha remado antes de se preparar para atuar em 100 Dias. A imersão no personagem incluiu dois meses de aulas semanais de remo na Raia Olímpica da USP, em São Paulo (mesmo lugar onde Amyr conheceu o remo, por sinal).
Além disso, o ator conta ter passado uma noite a bordo da réplica do barco de Amyr na água, ancorado na própria Raia Olímpica da USP. Na ocasião, ele ficou das 19h às 7h na embarcação para vivenciar uma real imersão de como seria passar uma das cem noites a bordo daquela canoa.


A proposta, que partiu do ator, teve apoio da produção do filme para garantir segurança. Naquela noite Bragança dormiu na cabine, preparou sua própria comida desidratada e escreveu em um diário.
Foi uma experiência prazerosa e importante para eu sentir um pouco do que foram essas cem noites do Amyr no oceano-conta Filipe Bragança


Saga solitária, reprodução nem tanto
O comparativo do que Amyr Klink de fato viveu na travessia do Atlântico Sul com a reprodução de Filipe Bragança para as telonas encontra diferenças na solitude de cada uma. Isso porque o autor da saga viveu cem dias completamente sozinho, enquanto o autor precisou se concentrar para se sentir isolado mesmo rodeado por uma grande equipe de produção.


Enquanto Filipe aparece sozinho em frente às câmeras, nos bastidores havia cerca de 150 profissionais ao redor operando estruturas, luzes e efeitos mecânicos. Para o protagonista, um dos maiores exercícios foi conseguir se concentrar mentalmente e entregar a emoção de solidão e foco do personagem mesmo cercado por dezenas de pessoas.


A produtora Justine, inclusive, detalhou quanto a produção da obra do cinema brasileiro gerou empregos. Em 100 Dias, as etapas de pré e pós-produção geraram cerca de mil empregos no Brasil. A conta engloba desde roteiristas, diretores, produtores, editores e especialistas em efeitos visuais até contrarregras, motoristas de van, equipe de alimentação e operadores de drone.


Encontros com fauna marinha: da saga ao filme
A travessia a remo de Amyr Klink teve encontros com a fauna marinha dos mais bonitos até os mais assustadores. No filme, alguns deles foram recriados para as telonas. Mas, diferente de Amyr, que viu os animais, Filipe precisou imaginá-los.
O diretor do filme, Carlos Saldanha, é especialista em efeitos visuais e conhecido no mercado cinematográfico especialmente por sua direção em A Era do Gelo 2, A Era do Gelo 3, Rio e Rio 2, e pela co-direção em A Era do Gelo e Robôs. Parte dos longa-metragens que tiveram sua direção conquistaram grandes bilheterias.


Saldanha conta que buscou traduzir a sensibilidade do livro “Cem dias entre céu e mar”, de Amyr, para a linguagem do cinema. Muitas dessas passagens envolviam a fauna marinha com peixes amarelos, tubarões e baleias. Nesse desafio, Filipe Bragança precisou imaginar animais ao seu redor, guiado pela orientação do diretor especialista em efeitos visuais.
Entre as passagens do livro que viraram cenas no filme estão a relação de companheirismo e afeto que Amyr desenvolveu em alto-mar com um peixe dourado apelidado de Alcebíades, a aproximação de um grupo de baleias e até a tensão envolvendo tubarões muito próximos — e famintos.
Filme recria a história real
Ao se ver na tela de cinema 42 anos após sua histórica travessia a remo, Amyr revelou ter se surpreendido com a “fidelidade impressionante” que Carlos Saldanha conseguiu retratar no filme.


Klink revela, por exemplo, ter lembrado de detalhes que nem ele mesmo se recordava, como o recado escrito no teto da cabine do barco e a decisão de tirar o esparadrapo das mãos e enrolá-lo no cabo do remo para proteger a pele durante as remadas.
Por fim, Amyr se declarou “muito feliz” e orgulhoso enquanto brasileiro de ver o filme finalizado. O navegador também elogiou a atuação do elenco e da caracterização dos atores, que recriaram os personagens — inclusive a si mesmo — de forma “impressionante”. O filme 100 Dias estreia no próximo dia 29 de outubro nos cinemas.




Mais imagens dos bastidores de 100 Dias












100 Dias: 29 de outubro nos cinemas


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