São Paulo Boat Show terá barco de Bell Marques e outras seis Schaefer expostas

Estaleiro destaca Schaefer 660, o maior barco do estande, que tem deck principal nivelado e varandas laterais retráteis entre seus diferenciais

Por: Nicole Leslie -
02/09/2026
Schaefer 660. Foto: Schaefer Yachts / Divulgação

Como de costume, a Schaefer Yachts prepara um estande recheado para o São Paulo Boat Show — o maior salão náutico da América Latina, que serve de vitrine para além do mercado brasileiro. Desta vez, o evento acontece de 24 a 29 de setembro, no São Paulo Expo, e os visitantes podem esperar nada menos do que sete lanchas do estaleiro catarinense para apreciar de perto. Entre elas, uma Schaefer 660, modelo escolhido pelo cantor Bell Marques.

As lanchas do estaleiro catarinense que estarão na 29ª edição do evento serão as Schaefer V34, 380, V44, 450, 510 GT, 600 e 660. Entre elas, o estaleiro destaca a maior, Schaefer 660, que resume o estilo de vida luxuoso, as tecnologias e a engenharia da marca. Entre seus destaques, o deck principal nivelado, varandas laterais retráteis, plataforma submergível na popa e um flybridge requintado e completo.

Plataforma de popa submergível e flybridge estão entre os destaques da Schaefer 660. Fotos: Instagram @schaeferyachts / Reprodução

Schaefer Yachts no São Paulo Boat Show 2026

Schaefer V34

Inspirada pela Schaefer V33, a V34 foi lançada em 2025, no último São Paulo Boat Show. Entre os destaques da lancha estão o hard-top em fibra de vidro com targas fixadas nas extremidades do barco, dois bancos individuais na área de pilotagem e o sistema de cozinha — que conta com balcão gourmet, churrasqueira elétrica, pia e geleira.

Schaefer V34. Foto: Schaefer Yachts / Divulgação

Ao todo são 10,33 m de comprimento e 3,35 m de boca, que permitem receber até 10 passageiros durante o dia. No pernoite, a cabine comporta duas pessoas.

Schaefer 380

Em 11,8 m de comprimento e 3,69 m de boca, a Schaefer 380 promete espaços confortáveis e segurança a bordo. Duas varandas retráteis à popa são parte dos diferenciais dessa lancha, que tem popa e cockpit integrados com um pé-direito de 1,9 m. A passagem para a proa é feita por dentro da embarcação e permite acessar um solário para três pessoas.

Schaefer 380. Foto: Schaefer Yachts / Divulgação

O estaleiro garante que até 14 pessoas podem aproveitar o barco com conforto durante o dia, enquanto quatro conseguem pernoitar.

Schaefer V44

Famosa por ser a lancha escolhida pela modelo Gisele Bündchen para chamar de sua, a Schaefer V44 é hoje o maior modelo da linha V do estaleiro catarinense. Desenhado especialmente para o mercado americano, tem 13,61 m de comprimento e 4,17 m de boca, o que permite até 14 pessoas a bordo durante o dia e quatro no pernoite.

Schaefer V44 teve sua fama ampliada após ter sido escolhida pela Gisele Bündchen. Foto: Ito Cornelsen / Schaefer Yachts / Divulgação

Entre os diferenciais da Schaefer V44 estão o cockpit alinhado ao beach club na popa, onde também ficam duas varandas retráteis de acionamento elétrico que ampliam em 2,4 m o espaço útil a bordo. A popa ainda conta com uma plataforma submergível.

Schaefer 450

A Schaefer 450 abre o leque de lanchas com flybridge da Schaefer Yachts com a promessa ousada de impor um novo padrão de requinte à faixa de 45 pés. Entre os diferenciais, o estaleiro destaca a suíte master à meia-nau com janelas para ambos os bordos e as tecnologias arquitetônicas, com soluções geralmente encontradas em embarcações maiores.

Schaefer 450. Foto: Schaefer Yachts / Divulgação

Ao todo, são 13,66 m de comprimento e 4,26 m de boca que permitem receber, em três pavimentos, até 14 pessoas com máximo conforto durante o dia. À noite, quatro podem pernoitar nas cabines, sem contar com o marinheiro, que tem seu camarote acessível pela popa.

Schaefer 510 GT

A Schaefer 510 GT promete entregar proporções maiores do que o esperado para uma lancha de 51 pés e, em 2024, passou a ter teto rígido na área de flybridge. Definida pelo estaleiro como “a única da categoria que dispõe de três suítes”, o modelo ainda pode ser layouts personalizados: duas suítes e uma cozinha extra; ou duas suítes e uma sala.

Schaefer 510 GT. Foto: Schaefer Yachts / Divulgação

O convés principal tem uma porta de vidro para separar ambientes internos e externos. Na popa, o destaque vai para a varanda lateral a boreste. A embarcação tem 15,82 m de comprimento e boca máxima de 4,36 m, que permitem que 16 pessoas aproveitam durante o dia e seis à noite, além do marinheiro em camarote extra.

Schaefer 600

Não bastasse a imponência de uma embarcação de 60 pés de comprimento, a Schaefer 600 ainda promete inovar o mercado náutico com seu conceito de espaço e tecnologia. Entre os diferenciais, estão três suítes completas e uma área de popa estratégica para transportar jets ou botes infláveis, graças a uma plataforma que submerge 30 cm e suporta até 800 kg.

Schaefer 600. Foto: Victor Santos / Revista Náutica

No convés principal, à popa, dois balcões laterais retráteis aumentam o espaço útil e podem acomodar mesas, cadeiras, bistrôs ou simplesmente servir para ampliar a área de circulação na lancha. Ao todo, a Schaefer 600 ostenta 18,08 m de comprimento, 4,96 m de boca e permite receber 18 pessoas durante o dia, com seis convidados podendo pernoitar a bordo, mais dois membros da tripulação.

Schaefer 660

A maior embarcação da Schaefer Yachts neste São Paulo Boat Show é a Schaefer 660, modelo escolhido pelo cantor Bell Marques para aproveitar dias ensolarados. Com comprimento máximo de 20,08 m e boca de 5,05 m, a lancha de luxo tem uma série de atributos que poderiam ser encontrados em iates — embarcações ainda maiores.

Schaefer 660. Foto: Instagram @schaeferyachts / Reprodução

Entre os destaques do modelo estão quatro camarotes com entrada independente para suíte master, deck principal nivelado e varandas laterais retráteis, que já se tornaram parte da assinatura do estaleiro catarinense. Na popa, uma plataforma submergível com escada integrada e varandas laterais que ampliam a praça de popa em 25%.

 

 

No fly da Schaefer 660, além da estação de comando, ficam churrasqueira, mesa para seis, sofás e solários para receber convidados com o máximo conforto. A cozinha bem equipada permite o preparo de diversas refeições — o sushiman Jun Sakamoto, inclusive, já ensinou a preparar um ceviche em uma Schaefer 660.

São Paulo Boat Show 2026

O maior salão náutico da América Latina leva seus visitantes para uma verdadeira imersão no universo das águas. Mais de 170 embarcações, incluindo botes, lanchas e jets, tomam conta do pavilhão do São Paulo Expo e podem ser vistas de perto.

Foto: Victor Santos / Revista Náutica

O público ainda encontra uma ampla variedade de equipamentos, motores, acessórios e serviços náuticos das principais marcas do mercado. Veículos off-road, projetos inovadores e atrações para toda família, como o NÁUTICA Talks, complementam o evento, que traz ainda o Espaço dos Desejos, área de luxo que expõe carros esportivos, helicópteros, relógios de alto padrão e até obras de arte.


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SÃO PAULO BOAT SHOW 2026

Quando: de 24 a 29 de setembro de 2026
Onde: São Paulo Expo (Rodovia dos Imigrantes, km 1,5 – Vila Água Funda, São Paulo – SP)
Horário: das 13h às 22h; no primeiro dia, abertura às 15h; no último dia, encerramento às 21h
Mais informações: no site do evento
Ingressos: site oficial de vendas

 

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    Quem fala pela náutica?

    Salvador recebeu o 2º Fórum Náutico Internacional, realizado pela Associação Náutica da Bahia, com empresários, gestores públicos, especialistas e convidados de fora do país. A Baía de Todos-os-Santos é um dos maiores ativos náuticos do mundo, e ninguém na plateia precisava ser convencido disso. Ouvimos casos de sucesso, projetos de marinas, roteiros, regatas, oportunidades de investimento. Mas, quando chegou a minha vez de encerrar, preferi falar sobre o que ainda nos impede de transformar todo esse potencial em desenvolvimento de verdade.

     

    O setor náutico brasileiro ainda não sabe se defender.

    Um setor que conversa consigo mesmo

    Somos estaleiros, marinas, garagens náuticas, clubes, escolas de vela, operadores de passeio, fornecedores, mecânicos, marinheiros, guias, pescadores esportivos, agências de turismo. Cada elo da cadeia tem sua associação, seu grupo de WhatsApp, sua pauta. E, enquanto conversamos entre nós, as decisões que definem o nosso futuro são tomadas em outros lugares, quase sempre sem a gente na mesa.

     

    Pense em quantas instâncias de poder tocam a náutica. O licenciamento ambiental de uma marina. A alíquota de ICMS sobre a embarcação. As normas da Marinha. O plano diretor que define o uso da orla. O ordenamento de praias e acessos públicos à água. As linhas de crédito para o pequeno empreendedor. A formação de mão de obra. O saneamento. Câmaras municipais, assembleias legislativas, Congresso Nacional, conselhos, órgãos ambientais, ministérios. Em cada um desses espaços, alguém está falando sobre o nosso setor. A pergunta é: somos nós?

     

    Na maioria das vezes, não. E quem não está na mesa costuma estar no cardápio.

    [caption id="attachment_208270" align="alignnone" width="920"] Foto: NatalieZera / Envato[/caption]

    Advocacy não é palavrão

    Por isso defendi, no encerramento do fórum, que o mercado náutico precisa se unir para construir um trabalho permanente de advocacy. Não se trata de lobby no sentido pejorativo, nem de defender o interesse de uma empresa isolada. É representação organizada: uma agenda comum, dados confiáveis, propostas técnicas e presença constante em todos os espaços onde se decide algo que afeta o setor.

     

    Tenho visto de perto o que isso produz. Em São Paulo, o Fórum Náutico Paulista reúne voluntariamente empresários, gestores públicos e pesquisadores há quase duas décadas. Foi esse trabalho paciente, reunião após reunião, que ajudou a construir o plano de desenvolvimento do turismo náutico sustentável que virou programa de estado, o decreto de fomento ao setor, a nova regulamentação ambiental para estruturas náuticas e a agenda de redução de ICMS e de crédito para o setor. Nada disso caiu do céu. Aconteceu porque havia alguém, em nome do setor, sentado à mesa certa, com a proposta pronta.

     

    Esse modelo precisa existir na Bahia, em cada estado com vocação náutica e, sobretudo, em escala nacional.

     

    Explicar para quem não navega

    O segundo ponto da minha fala é tão importante quanto o primeiro: precisamos de assessoria de imprensa e de comunicação profissional para o setor.

     

    Para boa parte da população, a náutica ainda é "coisa de rico". Uma marina nova é vista como ameaça ao acesso à praia; um projeto de garagem náutica, como problema ambiental. E, quando não explicamos, alguém explica por nós, quase sempre mal.

     

    Temos uma história poderosa para contar e não contamos. Um estudo do Fórum Náutico Paulista mostrou que a cadeia náutica de lazer movimentava cerca de R$ 5,3 bilhões por ano no estado de São Paulo e gerava mais de 27 mil empregos. E apenas 0,8% da população paulista usava embarcações de lazer, contra 5,3% no Reino Unido. Ou seja, o potencial de crescimento é enorme, e esse crescimento significa renda para o marinheiro, para o mecânico, para o laminador, para a cozinheira do restaurante da marina, para o operador de passeio caiçara que se formaliza.

     

    Essa é a náutica que precisa chegar ao jornal, à TV, às redes sociais, à conversa de bar. O cidadão que entende que a cidade náutica gera emprego para o filho dele deixa de ser opositor e passa a ser aliado. E o político que percebe que a população apoia o setor passa a apoiá-lo também. Comunicação e advocacy andam juntas.

    [caption id="attachment_206807" align="alignnone" width="920"] Foto: nd3000/ Envato[/caption]

    Náutica precisa de água limpa

    Não poderia falar de união do setor sem lembrar de uma bandeira que o Dr. Castello Branco, presidente do Fórum Náutico Paulista, repete há anos e que se tornou princípio do nosso trabalho: náutica precisa de água limpa.

     

    É simples e é definitivo. Não existe turismo náutico, não existe marina, não existe regata, não existe mergulho, não existe passeio de barco em água poluída. O setor náutico é, por natureza, o maior interessado em rios, represas, baías e mares saudáveis. E é exatamente por isso que essa bandeira deveria estar no centro do nosso advocacy.

     

    Quando o setor náutico se coloca como defensor do saneamento, da qualidade da água e da conservação dos ambientes aquáticos, ele inverte a narrativa. Deixa de ser visto como ameaça ambiental e passa a ser reconhecido como guardião da água. Um setor unido, que cobra investimento em saneamento nas mesmas instâncias em que discute tributo e licenciamento, ganha legitimidade para todo o resto da agenda.

    O próximo passo é nosso

    Saí da Bahia convencida de que o Brasil náutico tem tudo: costa, rios, represas, gente talentosa, empresas competentes, gestores públicos interessados. O que falta é organização. Falta transformar dezenas de vozes isoladas em uma voz coletiva, técnica e presente.

     

    Fóruns como o da Bahia são o começo dessa conversa. O desafio agora é que ela não termine no encerramento do evento. Que vire rede, agenda comum, representação permanente e comunicação com a sociedade.

     

    A pergunta que deixei para a plateia, e que deixo para você, leitor, é a do título: quem fala pela náutica? Enquanto a resposta for "cada um por si", seguiremos perdendo espaço. Quando a resposta for "todos nós", o setor finalmente vai ocupar o lugar que merece no desenvolvimento do país.

      Mestre em Comunicação e Gestão Pública, Bianca Colepicolo é especialista em turismo náutico e coordena o Fórum Náutico Paulista. Autora de “Turismo Pra Quê?”, Bianca também é consultora e palestrante.

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