São Paulo Boat Show 2026 é lançado com quase 90% dos espaços vendidos em um único dia

Por: Redação -
28/05/2026

Grandes nomes do mercado náutico se reuniram na capital paulista nesta quarta-feira (27) para o lançamento do São Paulo Boat Show 2026, considerado o maior salão náutico da América Latina. Durante o chamado “coquetel de lançamento”, foram revelados os detalhes da 29ª edição do evento, promovido pelo Grupo Náutica por meio da Boat Show Eventos. A premissa, neste ano, girará em torno de uma palavra: pertencimento.

Celebrado no restaurante Assador, no Itaim Bibi em São Paulo, o encontro contou com apresentações de Ernani Paciornik, presidente do Grupo Náutica, Thalita Vicentini, diretora do Grupo Náutica, e Eduardo Colunna, presidente da Acobar (Associação Brasileira de Construtores de Barcos e seus Implementos).

Foto: Nicole Leslie/ Revista Náutica

Além de reunir os principais nomes da indústria náutica do país, o coquetel consolida o momento em que as marcas definem seus espaços no disputado salão náutico. A 29ª edição acontecerá de 24 a 29 de setembro de 2026, no São Paulo Expo.

“Pertencimento”: a palavra do São Paulo Boat Show 2026

Cerca de 50 marcas, entre estaleiros, fabricantes de motores e distribuidores de equipamentos, acessórios e serviços para barcos, estiveram presentes no coquetel, que bateu a marca de 89% das áreas disponíveis comercializadas em um único dia.

Foto: Nicole Leslie/ Revista Náutica

Durante seu discurso, a diretora do Grupo Náutica ressaltou que a participação das marcas em um evento como o São Paulo Boat Show 2026 transcende a exposição física de embarcações, enfatizando que o salão náutico oferece a elas um posicionamento de mercado contínuo, apoiado pelo vasto alcance digital e pela autoridade do Grupo Náutica antes, durante e depois do evento.

Thalita Vicentini, diretora do Grupo Náutica. Foto: Otto Aquino/ Revista Náutica

Quando uma marca decide estar no São Paulo Boat Show, ela não está apenas escolhendo um espaço dentro de um pavilhão, ela escolhe onde quer ser vista, como quer ser lembrada e qual posição deseja ocupar dentro do mercado náutico– ressaltou Vicentini

O ponto chave apresentado pela diretora aos expositores é que, na 29ª edição do evento, o foco central é priorizar o sentimento de pertencimento. “Quando a gente consegue gerar o pertencimento no outro, ele entende com a gente um mesmo propósito, olhando para a mesma coisa”, detalhou.

Foto: Nicole Leslie/ Revista Náutica

Estamos lançando uma nova forma de olhar para esse projeto, um São Paulo Boat Show que continua sendo o maior salão náutico da América Latina, mas que também se consolida como uma plataforma de presença, conteúdo, audiência, relacionamento, dados e negócios. Um evento que não apenas acompanha o mercado, mas ajuda a movê-lo– detalhou a diretora do Grupo Náutica

Já Ernani Paciornik, presidente do Grupo Náutica, destacou a importância do Boat Show no mercado náutico brasileiro. “Vi o setor mudar, crescer, se profissionalizar, enfrentar desafios e se reinventar. E em todos esses momentos, o Boat Show esteve presente como uma ferramenta de desenvolvimento, de visibilidade e de união”, recordou.

Ernani Paciornik, presidente do Grupo Náutica. Foto: Nicole Leslie/ Revista Náutica

O São Paulo Boat Show se tornou o maior evento náutico da América Latina porque o mercado acreditou e caminhou com a gente– ressaltou Paciornik

Em 2027, o maior evento náutico da América Latina chegará à sua 30ª edição ininterrupta. “Poucos projetos atravessam tantos ciclos e continuam relevantes”, comentou Paciornik, que fez questão de relembrar algo fundamental: nada disso, durante quase três décadas, foi feito sozinho.

Cada expositor, cada parceiro, cada estaleiro, cada fabricante, cada lançamento e cada cliente atendido ajudou a construir essa história– enfatizou o presidente do Grupo Náutica


Por fim, Eduardo Colunna, presidente da Acobar, também subiu ao palco do coquetel de lançamento do evento e destacou que, assim como o São Paulo Boat Show está próximo de celebrar três décadas de história, a Acobar completará 50 anos em 2026, atuando especialmente em prol do desenvolvimento do setor náutico.

Eduardo Colunna, presidente da Acobar. Foto: Nicole Leslie/ Revista Náutica

Colunna ressaltou ainda a vocação dos Boat Shows como eventos de negócios, em que a edição paulista se destaca por acontecer no principal polo econômico do país. Por fim, enfatizou o trabalho de bastidores realizado pela associação nas negociações de tributos e taxas junto ao setor público, com o objetivo de incentivar o mercado náutico.

Marcas que já garantiram uma área no evento, por ordem alfabética

Ademicon, AkzoNobel, Arieltek, Armatti & Fishing, Azimut Yachts, Azov Yachts, Bordado a Bordo, BRP (Sea-Doo), CF Moto, Edy Jets, Fibrafort, Flexboat, Fluvimar, FS Yachts, Global Power, Hidea, HR Náutica, Infláveis Remar, Innova Marine, Intermarine, I-Sea, Jetsurf, JF Sun, JRG Corp, Kapazi, Kelsons/Agroquímica, Kamell/Tohatsu, Lanchas Coral, Marine Express, Marine Group, Mercury, Mestra Boats, Metalu, NTC Pierplas, NX Boats, Real Powerboats, Rede Náutica, Rise, Ross Mariner, Schaefer Yachts, Sedna Yachts, Sessa Marine, Solara Yachts, Tank Boats, Triton Yachts, Ventura Marine, Victory Yachts, Volvo Penta, Wellcraft, Yamaha, Yanmar, YB Group (De Antonio Yachts) e Zimarine.

Planta parcial do São Paulo Boat Show 2026. Foto: Revista Náutica

O São Paulo Boat Show 2026

O principal evento náutico da América Latina está marcado para acontecer de 24 a 29 de setembro de 2026, no São Paulo Expo. Tradicionalmente, o salão reúne as principais marcas do setor, que fazem do evento seu principal palco para lançamentos e outras novidades. Na edição de 2025, o salão paulista registrou uma marca histórica: mais de 750 barcos vendidos e 40 mil visitantes.

Pavilhão do São Paulo Expo durante o São Paulo Boat Show 2025: Foto: Victor Santos / Revista Náutica

É a chance do público conferir de perto as principais tendências entre lanchas, iates, jets, motores, equipamentos, acessórios e serviços do setor, sendo que o salão ainda reserva atrações especiais que contemplam muito mais do lifestyle náutico pelos extensos corredores de um dos principais pavilhões de São Paulo.

Foto: Victor Santos / Revista Náutica

Marcas interessadas em garantir sua área como expositor no maior salão náutico da América Latina devem entrar em contato com a equipe Boat Show pelo telefone (11) 2186-1068 ou e-mail [email protected].

Veja mais fotos do São Paulo Boat Show

Momento em que uma Focker 188 Joy, da Fibrafort, foi sorteada durante o São Paulo Boat Show 2025. Foto: Victor Santos / Revista Náutica
Foto: Victor Santos / Revista Náutica
Foto: Victor Santos / Revista Náutica
Foto: Victor Santos / Revista Náutica

 

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    Quem fala pela náutica?

    Salvador recebeu o 2º Fórum Náutico Internacional, realizado pela Associação Náutica da Bahia, com empresários, gestores públicos, especialistas e convidados de fora do país. A Baía de Todos-os-Santos é um dos maiores ativos náuticos do mundo, e ninguém na plateia precisava ser convencido disso. Ouvimos casos de sucesso, projetos de marinas, roteiros, regatas, oportunidades de investimento. Mas, quando chegou a minha vez de encerrar, preferi falar sobre o que ainda nos impede de transformar todo esse potencial em desenvolvimento de verdade.

     

    O setor náutico brasileiro ainda não sabe se defender.

    Um setor que conversa consigo mesmo

    Somos estaleiros, marinas, garagens náuticas, clubes, escolas de vela, operadores de passeio, fornecedores, mecânicos, marinheiros, guias, pescadores esportivos, agências de turismo. Cada elo da cadeia tem sua associação, seu grupo de WhatsApp, sua pauta. E, enquanto conversamos entre nós, as decisões que definem o nosso futuro são tomadas em outros lugares, quase sempre sem a gente na mesa.

     

    Pense em quantas instâncias de poder tocam a náutica. O licenciamento ambiental de uma marina. A alíquota de ICMS sobre a embarcação. As normas da Marinha. O plano diretor que define o uso da orla. O ordenamento de praias e acessos públicos à água. As linhas de crédito para o pequeno empreendedor. A formação de mão de obra. O saneamento. Câmaras municipais, assembleias legislativas, Congresso Nacional, conselhos, órgãos ambientais, ministérios. Em cada um desses espaços, alguém está falando sobre o nosso setor. A pergunta é: somos nós?

     

    Na maioria das vezes, não. E quem não está na mesa costuma estar no cardápio.

    [caption id="attachment_208270" align="alignnone" width="920"] Foto: NatalieZera / Envato[/caption]

    Advocacy não é palavrão

    Por isso defendi, no encerramento do fórum, que o mercado náutico precisa se unir para construir um trabalho permanente de advocacy. Não se trata de lobby no sentido pejorativo, nem de defender o interesse de uma empresa isolada. É representação organizada: uma agenda comum, dados confiáveis, propostas técnicas e presença constante em todos os espaços onde se decide algo que afeta o setor.

     

    Tenho visto de perto o que isso produz. Em São Paulo, o Fórum Náutico Paulista reúne voluntariamente empresários, gestores públicos e pesquisadores há quase duas décadas. Foi esse trabalho paciente, reunião após reunião, que ajudou a construir o plano de desenvolvimento do turismo náutico sustentável que virou programa de estado, o decreto de fomento ao setor, a nova regulamentação ambiental para estruturas náuticas e a agenda de redução de ICMS e de crédito para o setor. Nada disso caiu do céu. Aconteceu porque havia alguém, em nome do setor, sentado à mesa certa, com a proposta pronta.

     

    Esse modelo precisa existir na Bahia, em cada estado com vocação náutica e, sobretudo, em escala nacional.

     

    Explicar para quem não navega

    O segundo ponto da minha fala é tão importante quanto o primeiro: precisamos de assessoria de imprensa e de comunicação profissional para o setor.

     

    Para boa parte da população, a náutica ainda é "coisa de rico". Uma marina nova é vista como ameaça ao acesso à praia; um projeto de garagem náutica, como problema ambiental. E, quando não explicamos, alguém explica por nós, quase sempre mal.

     

    Temos uma história poderosa para contar e não contamos. Um estudo do Fórum Náutico Paulista mostrou que a cadeia náutica de lazer movimentava cerca de R$ 5,3 bilhões por ano no estado de São Paulo e gerava mais de 27 mil empregos. E apenas 0,8% da população paulista usava embarcações de lazer, contra 5,3% no Reino Unido. Ou seja, o potencial de crescimento é enorme, e esse crescimento significa renda para o marinheiro, para o mecânico, para o laminador, para a cozinheira do restaurante da marina, para o operador de passeio caiçara que se formaliza.

     

    Essa é a náutica que precisa chegar ao jornal, à TV, às redes sociais, à conversa de bar. O cidadão que entende que a cidade náutica gera emprego para o filho dele deixa de ser opositor e passa a ser aliado. E o político que percebe que a população apoia o setor passa a apoiá-lo também. Comunicação e advocacy andam juntas.

    [caption id="attachment_206807" align="alignnone" width="920"] Foto: nd3000/ Envato[/caption]

    Náutica precisa de água limpa

    Não poderia falar de união do setor sem lembrar de uma bandeira que o Dr. Castello Branco, presidente do Fórum Náutico Paulista, repete há anos e que se tornou princípio do nosso trabalho: náutica precisa de água limpa.

     

    É simples e é definitivo. Não existe turismo náutico, não existe marina, não existe regata, não existe mergulho, não existe passeio de barco em água poluída. O setor náutico é, por natureza, o maior interessado em rios, represas, baías e mares saudáveis. E é exatamente por isso que essa bandeira deveria estar no centro do nosso advocacy.

     

    Quando o setor náutico se coloca como defensor do saneamento, da qualidade da água e da conservação dos ambientes aquáticos, ele inverte a narrativa. Deixa de ser visto como ameaça ambiental e passa a ser reconhecido como guardião da água. Um setor unido, que cobra investimento em saneamento nas mesmas instâncias em que discute tributo e licenciamento, ganha legitimidade para todo o resto da agenda.

    O próximo passo é nosso

    Saí da Bahia convencida de que o Brasil náutico tem tudo: costa, rios, represas, gente talentosa, empresas competentes, gestores públicos interessados. O que falta é organização. Falta transformar dezenas de vozes isoladas em uma voz coletiva, técnica e presente.

     

    Fóruns como o da Bahia são o começo dessa conversa. O desafio agora é que ela não termine no encerramento do evento. Que vire rede, agenda comum, representação permanente e comunicação com a sociedade.

     

    A pergunta que deixei para a plateia, e que deixo para você, leitor, é a do título: quem fala pela náutica? Enquanto a resposta for "cada um por si", seguiremos perdendo espaço. Quando a resposta for "todos nós", o setor finalmente vai ocupar o lugar que merece no desenvolvimento do país.

      Mestre em Comunicação e Gestão Pública, Bianca Colepicolo é especialista em turismo náutico e coordena o Fórum Náutico Paulista. Autora de “Turismo Pra Quê?”, Bianca também é consultora e palestrante.

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