Sedna volta ao São Paulo Boat Show com foco em barcos para pesca oceânica
Estaleiro apresenta os modelos CC 320 e Cat 370, com propostas diferentes para pesca esportiva e navegação em longas distâncias


A Sedna Yachts retorna ao São Paulo Boat Show em 2026 com duas embarcações da linha Sportfishing, voltadas principalmente à pesca oceânica esportiva. Em sua primeira participação no salão paulista desde que Fábio Isaia assumiu a presidência do estaleiro, no fim de 2022, a marca apresenta os modelos CC 320 e Cat 370, que combinam desempenho, autonomia e soluções voltadas a pescarias em longas distâncias.
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A CC 320 tem 9,4 metros de comprimento total, fora os motores, e capacidade para 12 pessoas. O modelo utiliza configuração center console com conceito walk-around e foi projetado pelo arquiteto naval americano Donald L. Blount. Já a Cat 370 tem 11 metros de comprimento e pode receber até 16 pessoas.


Segundo Fábio Isaia, os dois modelos têm boa aceitação entre os clientes da Sedna para a pesca esportiva oceânica, especialmente em navegações de longa distância.
Nós temos clientes de diferentes estados do país e todos eles falam muito bem da navegabilidade das embarcações, da autonomia que conseguem, com segurança, chegar a longas distâncias no mar– frisou Fábio Isaia
Sedna CC 320
A CC 320 segue uma configuração de casco em V convencional, e, segundo Isaia, incorpora tecnologias empregadas pelo estaleiro no processo construtivo, como a laminação por infusão.


O modelo tem 9,4 m de comprimento e capacidade para 12 pessoas. O conceito center console mantém áreas livres ao redor do posto de comando, favorecendo a circulação durante a pesca. A cabine e o banheiro têm pé-direito de 1,8 metro, enquanto o casco apresenta 16° de V na popa.
A proposta, no entanto, mantém o foco na atividade para a qual o modelo foi desenvolvido. A embarcação conta com espaços destinados a caixas de peixe e armazenamento de gelo, além de soluções voltadas à rotina de quem pratica pesca esportiva.


Além da pesca, o modelo também pode ser utilizado em passeios familiares e como barco de apoio para embarcações maiores. Segundo Isaia, essa versatilidade amplia as possibilidades de uso do center console.
Cat 370
Maior dos dois modelos expostos pela Sedna, o Cat 370 adota uma configuração de catamarã, com 11 m de comprimento e capacidade para até 16 pessoas. A cabine tem 2,18 m de pé-direito. Para Isaia, a configuração do casco é um dos principais diferenciais da embarcação. “É um casco diferente, com formato em W, que proporciona uma estabilidade muito grande na navegação”, afirma.


No São Paulo Boat Show, o modelo está equipado com uma quadra de motores Mercury de 300 hp. O conjunto soma 1.200 hp, enquanto o projeto pode receber motores de 300 a 400 hp cada, chegando a 1.600 hp de potência total.


Outro destaque apontado pelo presidente da Sedna é a capacidade do tanque de combustível, de 2.400 litros. A configuração, segundo ele, permite realizar pescarias a grandes distâncias das marinas sem comprometer a autonomia necessária para o retorno.
Isso dá uma autonomia e uma tranquilidade para você fazer uma pescaria numa distância bem longe da marina, com a maior tranquilidade e a maior segurança– ressaltou
A estabilidade do catamarã também ganha importância em condições de mar mais agitado. De acordo com Isaia, relatos de clientes destacam a segurança e a tranquilidade proporcionadas pelo modelo durante esse tipo de navegação.
Construção com padrão americano
Além das características de cada embarcação, Isaia destaca os padrões construtivos adotados pela Sedna. Segundo ele, os modelos são homologados para venda nos Estados Unidos e seguem as normas da American Boat & Yacht Council (ABYC).


O estaleiro afirma aplicar os mesmos padrões à produção destinada ao mercado brasileiro. “Os clientes brasileiros já têm, nas embarcações, na construção, o cumprimento das leis e as normas americanas para a construção de barco. Isso também dá um diferencial nas nossas embarcações”, diz.
Retorno ao São Paulo Boat Show
A participação de 2026 marca o retorno da Sedna ao salão paulista após alguns anos afastada. Desde que assumiu o estaleiro, no fim de 2022, esta é a primeira participação de Isaia no evento.
Para nós é uma alegria muito grande encontrar com clientes que já temos conhecidos do estaleiro e com novos clientes, porque sem dúvida o Boat Show de São Paulo é um dos principais de todo o país– finalizou o presidente da Sedna
São Paulo Boat Show 2026
O maior salão náutico da América Latina leva seus visitantes para uma verdadeira imersão no universo das águas. Mais de 170 embarcações, incluindo botes, lanchas e jets, tomam conta do pavilhão do São Paulo Expo e podem ser vistas de perto.


O público ainda encontra uma ampla variedade de equipamentos, motores, acessórios e serviços náuticos das principais marcas do mercado. Veículos off-road, projetos inovadores e atrações para toda família, como o NÁUTICA Talks, complementam o evento, que traz ainda o Espaço dos Desejos, área de luxo que expõe carros esportivos, helicópteros, relógios de alto padrão e até obras de arte.
Desconto para leitores NÁUTICA
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SÃO PAULO BOAT SHOW 2026
Quando: de 24 a 29 de setembro de 2026
Onde: São Paulo Expo (Rodovia dos Imigrantes, km 1,5 – Vila Água Funda, São Paulo – SP)
Horário: das 13h às 22h; no primeiro dia, abertura às 15h; no último dia, encerramento às 21h
Mais informações: no site do evento
Ingressos: site oficial de vendas
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O setor náutico brasileiro ainda não sabe se defender.
Um setor que conversa consigo mesmo
Somos estaleiros, marinas, garagens náuticas, clubes, escolas de vela, operadores de passeio, fornecedores, mecânicos, marinheiros, guias, pescadores esportivos, agências de turismo. Cada elo da cadeia tem sua associação, seu grupo de WhatsApp, sua pauta. E, enquanto conversamos entre nós, as decisões que definem o nosso futuro são tomadas em outros lugares, quase sempre sem a gente na mesa.
Pense em quantas instâncias de poder tocam a náutica. O licenciamento ambiental de uma marina. A alíquota de ICMS sobre a embarcação. As normas da Marinha. O plano diretor que define o uso da orla. O ordenamento de praias e acessos públicos à água. As linhas de crédito para o pequeno empreendedor. A formação de mão de obra. O saneamento. Câmaras municipais, assembleias legislativas, Congresso Nacional, conselhos, órgãos ambientais, ministérios. Em cada um desses espaços, alguém está falando sobre o nosso setor. A pergunta é: somos nós?
Na maioria das vezes, não. E quem não está na mesa costuma estar no cardápio.
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Advocacy não é palavrão
Por isso defendi, no encerramento do fórum, que o mercado náutico precisa se unir para construir um trabalho permanente de advocacy. Não se trata de lobby no sentido pejorativo, nem de defender o interesse de uma empresa isolada. É representação organizada: uma agenda comum, dados confiáveis, propostas técnicas e presença constante em todos os espaços onde se decide algo que afeta o setor.
Tenho visto de perto o que isso produz. Em São Paulo, o Fórum Náutico Paulista reúne voluntariamente empresários, gestores públicos e pesquisadores há quase duas décadas. Foi esse trabalho paciente, reunião após reunião, que ajudou a construir o plano de desenvolvimento do turismo náutico sustentável que virou programa de estado, o decreto de fomento ao setor, a nova regulamentação ambiental para estruturas náuticas e a agenda de redução de ICMS e de crédito para o setor. Nada disso caiu do céu. Aconteceu porque havia alguém, em nome do setor, sentado à mesa certa, com a proposta pronta.
Esse modelo precisa existir na Bahia, em cada estado com vocação náutica e, sobretudo, em escala nacional.
Explicar para quem não navega
O segundo ponto da minha fala é tão importante quanto o primeiro: precisamos de assessoria de imprensa e de comunicação profissional para o setor.
Para boa parte da população, a náutica ainda é "coisa de rico". Uma marina nova é vista como ameaça ao acesso à praia; um projeto de garagem náutica, como problema ambiental. E, quando não explicamos, alguém explica por nós, quase sempre mal.
Temos uma história poderosa para contar e não contamos. Um estudo do Fórum Náutico Paulista mostrou que a cadeia náutica de lazer movimentava cerca de R$ 5,3 bilhões por ano no estado de São Paulo e gerava mais de 27 mil empregos. E apenas 0,8% da população paulista usava embarcações de lazer, contra 5,3% no Reino Unido. Ou seja, o potencial de crescimento é enorme, e esse crescimento significa renda para o marinheiro, para o mecânico, para o laminador, para a cozinheira do restaurante da marina, para o operador de passeio caiçara que se formaliza.
Essa é a náutica que precisa chegar ao jornal, à TV, às redes sociais, à conversa de bar. O cidadão que entende que a cidade náutica gera emprego para o filho dele deixa de ser opositor e passa a ser aliado. E o político que percebe que a população apoia o setor passa a apoiá-lo também. Comunicação e advocacy andam juntas.
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Náutica precisa de água limpa
Não poderia falar de união do setor sem lembrar de uma bandeira que o Dr. Castello Branco, presidente do Fórum Náutico Paulista, repete há anos e que se tornou princípio do nosso trabalho: náutica precisa de água limpa.
É simples e é definitivo. Não existe turismo náutico, não existe marina, não existe regata, não existe mergulho, não existe passeio de barco em água poluída. O setor náutico é, por natureza, o maior interessado em rios, represas, baías e mares saudáveis. E é exatamente por isso que essa bandeira deveria estar no centro do nosso advocacy.
Quando o setor náutico se coloca como defensor do saneamento, da qualidade da água e da conservação dos ambientes aquáticos, ele inverte a narrativa. Deixa de ser visto como ameaça ambiental e passa a ser reconhecido como guardião da água. Um setor unido, que cobra investimento em saneamento nas mesmas instâncias em que discute tributo e licenciamento, ganha legitimidade para todo o resto da agenda.
O próximo passo é nosso
Saí da Bahia convencida de que o Brasil náutico tem tudo: costa, rios, represas, gente talentosa, empresas competentes, gestores públicos interessados. O que falta é organização. Falta transformar dezenas de vozes isoladas em uma voz coletiva, técnica e presente.
Fóruns como o da Bahia são o começo dessa conversa. O desafio agora é que ela não termine no encerramento do evento. Que vire rede, agenda comum, representação permanente e comunicação com a sociedade.
A pergunta que deixei para a plateia, e que deixo para você, leitor, é a do título: quem fala pela náutica? Enquanto a resposta for "cada um por si", seguiremos perdendo espaço. Quando a resposta for "todos nós", o setor finalmente vai ocupar o lugar que merece no desenvolvimento do país.
Mestre em Comunicação e Gestão Pública, Bianca Colepicolo é especialista em turismo náutico e coordena o Fórum Náutico Paulista. Autora de “Turismo Pra Quê?”, Bianca também é consultora e palestrante.Driving Change realiza sua 3ª edição com sete jovens velejadoras; Conheça a iniciativa!
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