Segunda sem vento
Não é à toa que os velejadores tecem inúmeros comentários sobre a Baía de Guanabara. Para além das polêmicas condições de salubridade, as correntes e os ventos que serpenteiam por entre os morros — sem falar nas ondas, muitas vezes, gigantes — são assunto constante na fala dos velejadores. E eles estão certos. Após um início de tarde ensolarado, com 26 °C de temperatura, as regatas previstas para acontecer na raia de Copacabana (as três últimas séries da 470, Masculino e Feminino) e na raia do Pão de Açúcar (as Medal Races da Laser Radial e da Laser) foram postergadas.
Com isso, a grande expectativa pela possível sexta medalha de Robert Scheidt em Jogos Olímpicos (ele pode alcançar o bronze na Laser, o que o tornaria o maior medalhista brasileiro, com seis conquistas) ganhou novos ingredientes de tensão, que se acumularão até amanhã, para quando essas duas Medal Races foram remarcadas, com início, provavelmente, às 13h05 — e um detalhe é que a mulher de Scheidt, Gintare, estará na finalíssima da Laser Radial, representando a Lituânia.
Da mesma forma, todas as seis regatas classificatórias finais da categoria 470 que foram adiadas hoje serão realizadas nesta terça. E não deverá haver descanso para as Medal Races da classe, uma vez que estão agendadas para o dia seguinte. Na 470 Feminino, as brasileiras Fernanda Oliveira e Ana Luiza Barbachan ocupam a oitava posição geral, com 65 pontos, e têm grandes possibilidades de figurar na Medal Race. Enquanto isso, Henrique Haddad e Bruno Bethlem, na 470 Masculino, seguem na 24ª colocação e tentam melhorar sua classificação.
Na raia de Copacabana, apenas os leves e rápidos barcos da 49er cumpriram as três baterias programadas. Ao fim dessa disputa, a dupla brasileira, formada por Marco Grael e Gabriel Borges, ficou na 10ª colocação, com 81 pontos. A três séries finais serão realizadas amanhã e eles tentarão se manter entre os dez primeiros, a fim de participar da Medal Race da categoria, marcada para quinta-feira, 18.
Por sua vez, as três séries de hoje da 49er FX, que tem como nossas representantes Martine Grael e Kahena Kunze, aconteceram na raia de Niterói. Na sétima e na oitava, elas ficaram em terceiro lugar; na nona série, porém, finalizaram em 11º. Com isso, caíram da primeira para a terceira colocação geral, somando 46 pontos — a mesma pontuação da dupla neozelandesa, composta por Alex Maloney e Molly Meech. Na liderança estão as espanholas Tamara Dominguez e Berta Moro, com 43 pontos.
Como se pode ver, a disputa pelas primeiras colocações está bastante acirrada. Martine Grael, inclusive, considerou normal a troca de posições no topo da tabela, dado o alto nível das competidoras. E ressaltou: “Ainda tem mais um dia!”, lembrando que as três regatas classificatórias finais acontecem também amanhã, junto com as dos homens.
E que dia deverá viver a vela olímpica nesta terça-feira. No fim da tarde de hoje, uma frente fria fez a temperatura cair na Cidade Maravilhosa, trazendo muitos ventos e previsão de tempestade para a noite. Assim, as regatas de amanhã serão disputadas em condições bastante diferentes. Amanhã, se tudo der certo, o dia promete ser “quente”. Além das duas Medal Races da Laser e da Laser Radial, ocorrem outras duas Regatas de Medalha.
A primeira será a da Finn, com a presença de Jorginho Zarif, a partir das 13h05. Em sexto lugar na classificação geral, no entanto, Jorginho está distante de conseguir mesmo o bronze, sendo necessária uma complexa combinação de resultados (ainda que ele saia vencedor na batalha final). A outra Medal Race será a da Nacra 17, na qual a dupla brasileira, composta por Samuel Albrecht e Isabel Swan, não terá possibilidade de medalha — os dois estão na 10ª posição geral, com 120 pontos. “Nos sentimos honrados por levar a bandeira brasileira a marcar presença na final da Nacra 17”, escreveu Albrecht em sua conta no Instagram. “Nesta terça, estejam também conosco!”, pediu.
Foto: Divulgação
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