Tufões e tragédias

Por: Redação -
13/07/2015

Abrimos aqui, a “Seção Tragédia” desta série de textos, mostrando os campeões em várias categorias de intensidade. Porém, é necessário registrar a complexidade de levantamento e organização de dados sobre tempestades, já que cientistas de diferentes países têm metodologias diferentes na sua interpretação, e há uma eterna discussão sobre qual foi o mais forte, o mais intenso, o maior, mais mortal ou destruidor. Retirei os dados abaixo das melhores fontes que consegui, mas aviso que não se trata de uma unanimidade, e poderão achar outras informações que não corroboram as aqui relacionadas.

Neste ponto, preciso lembrá-los também que os temidos furacões, apesar de nossa relativa proximidade com eles, quase não figuram entre as mais violentas tempestades ciclônicas ocorridas sobre a face da terra. Muitos dos piores (tufões) ocorreram no Pacífico e Mar da China. Outro detalhe é que, enquanto no Caribe eles têm uma temporada “oficial”, em outros locais eles podem ocorrer em qualquer época do ano, tornando a vida das pessoas um pesadelo.

Tufão Nancy – 1961 – O mais potente do ano de 1961 no Pacífico e o de ventos mais fortes da história, registrando o recorde de ventos sustentados por um minuto, de incríveis 186 nós (345 Km/h). Lembremos que as rajadas podem alcançar 50% a mais do que a velocidade sustentada do vento;

Tufão Haiyan (China) ou Yolanda (Filipinas) – 2013 – Foi considerado um dos mais letais. Alcançou 314 Km/h (170 nós), matando 11.801 pessoas nas Filipinas, Vietnan, China e outros países da região;

*Em 1966, o Tufão Kit alcançou a mesma velocidade sustentada de vento que o Nancy, mas felizmente não atingiu o litoral de país algum;

Super-Tufão Tip – 1979 – o maior de todos, com um diâmetro de 2 100 km;

Ciclone Tracy – 1974 – foi o menor registrado, com um diâmetro de apenas 100 km;

Furacão Katrina – 2005 – O mais caro. Atingiu 151 nós (280 Km/h) e custou a vida de 1.833 pessoas, gerando USD$113 Bilhões em prejuízos. Acredita-se, porém, que o Furacão Miami, ocorrido em 1926, tenha gerado prejuízos de $165 Bilhões, atualizados para valores de 2010;

Furacão Andrew – 1992 – um dos mais famosos no Caribe, devido à destruição que causou em locais como St. Maarten e outras ilhas procuradas por iatistas. Depois de aterrorizar as Bahamas, atingiu a Flórida com ventos de 280 km/h (151 nós). Sendo um dos mais caros da história, causando prejuízos de US$27Bi e matando 65 pessoas.

Tufão Nina – causou a maior inundação do século, destruindo 62 barragens e matando cerca de 100.000 pessoas;

O Grande Furacão de 1780 – atingiu as Antilhas e matou cerca de 22.000 pessoas, da já pequena população da época;

Furacão John – o mais longo e de maior trajetória da história. Permaneceu em atividade por longos 31 dias e cruzou 13.280 Km (7 171 milhas náuticas);

Ciclone Bhola – 1970 – o mais letal da história da humanidade, matou direta ou indiretamente entre 500 000 e um milhão de pessoas no estuário do Ganges e Bangladesh. A maré anormal (surge) invadiu imensas áreas costeiras, ceifando vidas e trazendo uma destruição sem precedentes. Devido à precariedade da estrutura formal destas regiões, não houve como contabilizar corretamente as vítimas, pois inúmeros corpos foram arrastados pelas enxurradas e nunca mais retornaram ao litoral, cujo contorno foi modificado para sempre;

Catarina – 2004 – Nosso primeiro furacão, matou cerca de 10 pessoas e feriu outras 75. Destruiu 1 500 casas e avariou mais de 40 000, causando prejuízos de US$ 400 milhões. Com ventos sustentados de 180 km/h, cerca de 97 nós, algo nada desprezível para um oceano virgem de furacões até aquela data!

Duração das estações:

Atlântico Norte – 1º de julho a 30 de novembro
Pacífico Leste – 15 de maio a 30 de novembro
Pacífico Oeste – 1º de janeiro a 31 de dezembro
Índico Norte – 1º de janeiro a 31 de dezembro
Índico Sudoeste – 1º de julho a 30 de junho
Região Australiana – 1º de novembro a 30 de abril
Pacífico Sul – 1º de novembro a 30 de abril

Hurricane Watch: o National Hurricane Center emite um boletim informando se existe a possibilidade de desenvolvimento de um furacão em determinada região num prazo de até 36 horas. Isto basta para que você comece com os preparativos de proteção de sua “casa” e mantenha atenção no rádio ou Navtex ou Inmarsat-C, que são receptores automáticos de avisos de mau tempo.

Hurricane Warning (Aviso de Furacão): o NHC emite um alerta de que ventos ciclônicos com ventos sustentados de, no mínimo, 63 nós (74 mph) estão previstos para uma determinada área que pode ou não lhe atingir diretamente. Você precisa partir, se houver tempo, rumo a um abrigo seguro. Vigilância permanente e plotagem da posição em sua carta são necessárias.

Palavras antes da tempestade:

Este texto foi preparado por um navegador, evitando dados técnicos e científicos mais aprofundados, e dando um enfoque mais prático, utilizando termos e comparações que físicos, meteorologistas e outros cientistas poderão não concordar. A intensão é dar uma visão ampla do fenômeno e os perigos que o envolvem.

De toda forma, as informações condensadas neste texto não devem ser consideradas como única fonte ou o bastante a quem pretende singrar as águas do Caribe ou mesmo Pacífico. Aconselho que procure a literatura utilizada como bibliografia, assim como outras fontes, para melhores e mais aprofundados conhecimentos. A segurança de seu barco e tripulação pode depender de seu preparo e conhecimento.

Bons Ventos!

Bibliografia:

The Concise Guide to Caribbean Weather – David Jones
The Virgin Islands – Stephen J. Pavlidis
Cruising Guide to the Leeward Islands – Chris Doyle
Cruising Guide to the Windward Islands – Chris Doyle
World Cruising Routes – Jimmy Cornell
The Gentleman’s Guide to Passages South – Bruce Van Sant

 

Alvaro Otranto é navegador de longas travessias, um dos mais antigos colaboradores da revista Náutica e criador da Moana Livros, primeira livraria na internet especializada em temas de mar e aventura.

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