Uma experiência: Ventura expõe 12 lanchas no São Paulo Boat Show, com 4 lançamentos

V260 Surf, Iron 32, V550 Crossover New Edition e V400 Crossover New Edition estão entre os destaques, além de motos e bicicletas elétricas, quadriciclos, ATVs e UTVs

27/09/2026
Foto: Victor Santos / Revista Náutica

A Ventura Marine participa do São Paulo Boat Show 2026 com quatro grandes novidades em seu portfólio náutico. Entre os destaques estão a V260 Surf, preparada para esportes aquáticos, o novo Pontoon Iron 32, a V550 Crossover e a V400 Crossover New Edition.

Durante a cobertura ao vivo da Revista NÁUTICA no evento, representantes da marca apresentaram os lançamentos e detalharam algumas das principais mudanças e características dos modelos.

V260 Surf é voltada aos esportes aquáticos

Entre os lançamentos, a V260 Surf é o modelo desenvolvido especificamente para quem busca uma embarcação para atividades esportivas. Equipada com motor Volvo Penta de 350 hp, a lancha conta com banheiro, três tanques de lastro e sistema Surf Guide, recursos voltados à formação e ao ajuste das ondas para modalidades como wakesurf e wakeboard.

Foto: Victor Santos / Revista Náutica

A embarcação também conta com piloto automático e transmissão Forward Drive, da Volvo Penta. Marco Garcia, diretor comercial do estaleiro, reforçou que trata-se de uma embarcação com qualidade de produto importado a preço nacional.

Foto: Alexandre Battibugli / Revista Náutica
Foto: Alexandre Battibugli / Revista Náutica

Você consegue computar, cronometrar e ajustar sua onda do jeitinho que você gosta: uma onda mais alta, uma onda mais gordinha para surfar, para andar de wake– detalhou Garcia

Iron 32 aposta no espaço dos pontoons

Outro lançamento apresentado pela Ventura é o Iron 32, novo pontoon de 32 pés da marca. Construído em alumínio, o modelo aproveita as dimensões da plataforma de 10,5 metros de comprimento e 3 metros de largura, segundo Garcia, para criar uma ampla área de convivência.

Foto: Victor Santos / Revista Náutica

A diferença do pontoon é realmente o espaço, porque você ganha em todo o uso do barco. Você tem o tamanho, a amplitude do barco sendo 100% usada, de bordo a bordo– frisou o diretor comercial

O modelo conta ainda com mesas removíveis, compartimentos rotomoldados, targa elétrica, paiol estanque e possibilidade de diferentes configurações de equipamentos e área de convivência.

Foto: Alexandre Battibugli / Revista Náutica
Foto: Alexandre Battibugli / Revista Náutica

V550 Crossover recebe mudanças no projeto

Entre as lanchas de maior porte, a Ventura apresenta no evento a V550 Crossover New edition, que chega ao salão em uma nova configuração. Com 13,80 m de comprimento e 4,02 m de boca, o modelo tem capacidade para 14 passageiros durante o dia e cinco à noite, duas cabines e dois banheiros.

Foto: Alexandre Battibugli / Revista Náutica

Conforme Carlos Motta, diretor da marca, o modelo passou por alterações no cockpit, nas cabines, na cozinha, nos acabamentos e na motorização.

A gente procurou incrementar esses produtos, principalmente a 55. Fizemos um cockpit maior, com mais espaço de sofás, e ampliamos as cabines, que ficaram mais espaçosas– detalhou o diretor

Foto: Alexandre Battibugli / Revista Náutica
Foto: Alexandre Battibugli / Revista Náutica

A cozinha também recebeu atenção no novo projeto. Ainda de acordo com Carlos, o espaço é ideal “para quem gosta de cozinhar a bordo, de vivenciar essa experiência”. “Então, criamos um espaço melhor”, disse.

Foto: Alexandre Battibugli / Revista Náutica
Foto: Alexandre Battibugli / Revista Náutica

Na configuração apresentada no São Paulo Boat Show, a V550 utiliza uma trinca de motores Volvo Penta centro-rabeta. De acordo com Carlos, a proposta é combinar desempenho e conforto durante a navegação.

Esse é o grande X desse produto: é uma 55 pés que entrega performance, velocidade e conforto na navegação– destacou

V400 Crossover New Edition

A V400 Crossover também recebeu alterações — daí o “New Edition”. No costado, a nova configuração substitui elementos laterais por áreas envidraçadas, ampliando a entrada de luz natural nos ambientes internos.

Foto: Alexandre Battibugli / Revista Náutica

Se você olhar o costado agora, envidraçamos ele todo. São vidros. Então, além de trazer luz natural para dentro do produto, deu um charme, muito mais glamour e qualidade– detalhou Marco garcia

Segundo o representante, também foram feitas mudanças na movelaria, na televisão e no tanque de combustível. Segundo ele, o barco melhorou como um todo, não só visualmente, mas estruturalmente, na questão de navegação. “Tudo nesse barco, que já era muito bom, agora ficou melhor”, destacou.

Foto: Alexandre Battibugli / Revista Náutica
Foto: Alexandre Battibugli / Revista Náutica

A lancha tem 12,31 metros de comprimento e 3,55 metros de boca, com capacidade indicada pela marca para até 14 passageiros durante o dia e seis à noite.

V250 Sport, outro bom destaque

Outra lancha que merece atenção no estande da Ventura é a V250 Sport, que chega ao evento com motor de popa e joystick, equipamento que promete ampliar as possibilidades de manobra da embarcação e um dos grandes recursos tecnológicos do modelo.

Foto: Alexandre Battibugli / Revista Náutica
Foto: Alexandre Battibugli / Revista Náutica

A lancha de 7,86 metros de comprimento e boca de 2,59 metros tem capacidade para até 11 passageiros durante o dia. Com tanque de combustível de 200 litros, o modelo pode receber motorização de 225 a 350 hp. Entre os itens de série estão banheiro, ducha de popa, mesa removível, passagem lateral, plataforma de popa e para-brisa de vidro, enquanto a targa de fibra é apontada como diferencial.

Foto: Alexandre Battibugli / Revista Náutica
Foto: Alexandre Battibugli / Revista Náutica

Quatro lançamentos e uma linha diversificada

Somando as quatro novidades, a Ventura apresenta no São Paulo Boat Show 12 embarcações, além de outros produtos de seu portfólio, como motos e bicicletas elétricas, quadriciclos, ATVs e UTVs. Segundo Marco, a proposta do espaço é reunir diferentes categorias, para todos os públicos.

São Paulo Boat Show 2026

O maior salão náutico da América Latina leva seus visitantes para uma verdadeira imersão no universo das águas. Mais de 170 embarcações, incluindo botes, lanchas e jets, tomam conta do pavilhão do São Paulo Expo e podem ser vistas de perto.

Foto: Victor Santos / Revista Náutica

O público ainda encontra uma ampla variedade de equipamentos, motores, acessórios e serviços náuticos das principais marcas do mercado. Veículos off-road, projetos inovadores e atrações para toda família, como o NÁUTICA Talks, complementam o evento, que traz ainda o Espaço dos Desejos, área de luxo que expõe carros esportivos, helicópteros, relógios de alto padrão e até obras de arte.


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SÃO PAULO BOAT SHOW 2026

Quando: de 24 a 29 de setembro de 2026
Onde: São Paulo Expo (Rodovia dos Imigrantes, km 1,5 – Vila Água Funda, São Paulo – SP)
Horário: das 13h às 22h; no primeiro dia, abertura às 15h; no último dia, encerramento às 21h
Mais informações: no site do evento
Ingressos: site oficial de vendas

 

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    Quem fala pela náutica?

    Salvador recebeu o 2º Fórum Náutico Internacional, realizado pela Associação Náutica da Bahia, com empresários, gestores públicos, especialistas e convidados de fora do país. A Baía de Todos-os-Santos é um dos maiores ativos náuticos do mundo, e ninguém na plateia precisava ser convencido disso. Ouvimos casos de sucesso, projetos de marinas, roteiros, regatas, oportunidades de investimento. Mas, quando chegou a minha vez de encerrar, preferi falar sobre o que ainda nos impede de transformar todo esse potencial em desenvolvimento de verdade.

     

    O setor náutico brasileiro ainda não sabe se defender.

    Um setor que conversa consigo mesmo

    Somos estaleiros, marinas, garagens náuticas, clubes, escolas de vela, operadores de passeio, fornecedores, mecânicos, marinheiros, guias, pescadores esportivos, agências de turismo. Cada elo da cadeia tem sua associação, seu grupo de WhatsApp, sua pauta. E, enquanto conversamos entre nós, as decisões que definem o nosso futuro são tomadas em outros lugares, quase sempre sem a gente na mesa.

     

    Pense em quantas instâncias de poder tocam a náutica. O licenciamento ambiental de uma marina. A alíquota de ICMS sobre a embarcação. As normas da Marinha. O plano diretor que define o uso da orla. O ordenamento de praias e acessos públicos à água. As linhas de crédito para o pequeno empreendedor. A formação de mão de obra. O saneamento. Câmaras municipais, assembleias legislativas, Congresso Nacional, conselhos, órgãos ambientais, ministérios. Em cada um desses espaços, alguém está falando sobre o nosso setor. A pergunta é: somos nós?

     

    Na maioria das vezes, não. E quem não está na mesa costuma estar no cardápio.

    [caption id="attachment_208270" align="alignnone" width="920"] Foto: NatalieZera / Envato[/caption]

    Advocacy não é palavrão

    Por isso defendi, no encerramento do fórum, que o mercado náutico precisa se unir para construir um trabalho permanente de advocacy. Não se trata de lobby no sentido pejorativo, nem de defender o interesse de uma empresa isolada. É representação organizada: uma agenda comum, dados confiáveis, propostas técnicas e presença constante em todos os espaços onde se decide algo que afeta o setor.

     

    Tenho visto de perto o que isso produz. Em São Paulo, o Fórum Náutico Paulista reúne voluntariamente empresários, gestores públicos e pesquisadores há quase duas décadas. Foi esse trabalho paciente, reunião após reunião, que ajudou a construir o plano de desenvolvimento do turismo náutico sustentável que virou programa de estado, o decreto de fomento ao setor, a nova regulamentação ambiental para estruturas náuticas e a agenda de redução de ICMS e de crédito para o setor. Nada disso caiu do céu. Aconteceu porque havia alguém, em nome do setor, sentado à mesa certa, com a proposta pronta.

     

    Esse modelo precisa existir na Bahia, em cada estado com vocação náutica e, sobretudo, em escala nacional.

     

    Explicar para quem não navega

    O segundo ponto da minha fala é tão importante quanto o primeiro: precisamos de assessoria de imprensa e de comunicação profissional para o setor.

     

    Para boa parte da população, a náutica ainda é "coisa de rico". Uma marina nova é vista como ameaça ao acesso à praia; um projeto de garagem náutica, como problema ambiental. E, quando não explicamos, alguém explica por nós, quase sempre mal.

     

    Temos uma história poderosa para contar e não contamos. Um estudo do Fórum Náutico Paulista mostrou que a cadeia náutica de lazer movimentava cerca de R$ 5,3 bilhões por ano no estado de São Paulo e gerava mais de 27 mil empregos. E apenas 0,8% da população paulista usava embarcações de lazer, contra 5,3% no Reino Unido. Ou seja, o potencial de crescimento é enorme, e esse crescimento significa renda para o marinheiro, para o mecânico, para o laminador, para a cozinheira do restaurante da marina, para o operador de passeio caiçara que se formaliza.

     

    Essa é a náutica que precisa chegar ao jornal, à TV, às redes sociais, à conversa de bar. O cidadão que entende que a cidade náutica gera emprego para o filho dele deixa de ser opositor e passa a ser aliado. E o político que percebe que a população apoia o setor passa a apoiá-lo também. Comunicação e advocacy andam juntas.

    [caption id="attachment_206807" align="alignnone" width="920"] Foto: nd3000/ Envato[/caption]

    Náutica precisa de água limpa

    Não poderia falar de união do setor sem lembrar de uma bandeira que o Dr. Castello Branco, presidente do Fórum Náutico Paulista, repete há anos e que se tornou princípio do nosso trabalho: náutica precisa de água limpa.

     

    É simples e é definitivo. Não existe turismo náutico, não existe marina, não existe regata, não existe mergulho, não existe passeio de barco em água poluída. O setor náutico é, por natureza, o maior interessado em rios, represas, baías e mares saudáveis. E é exatamente por isso que essa bandeira deveria estar no centro do nosso advocacy.

     

    Quando o setor náutico se coloca como defensor do saneamento, da qualidade da água e da conservação dos ambientes aquáticos, ele inverte a narrativa. Deixa de ser visto como ameaça ambiental e passa a ser reconhecido como guardião da água. Um setor unido, que cobra investimento em saneamento nas mesmas instâncias em que discute tributo e licenciamento, ganha legitimidade para todo o resto da agenda.

    O próximo passo é nosso

    Saí da Bahia convencida de que o Brasil náutico tem tudo: costa, rios, represas, gente talentosa, empresas competentes, gestores públicos interessados. O que falta é organização. Falta transformar dezenas de vozes isoladas em uma voz coletiva, técnica e presente.

     

    Fóruns como o da Bahia são o começo dessa conversa. O desafio agora é que ela não termine no encerramento do evento. Que vire rede, agenda comum, representação permanente e comunicação com a sociedade.

     

    A pergunta que deixei para a plateia, e que deixo para você, leitor, é a do título: quem fala pela náutica? Enquanto a resposta for "cada um por si", seguiremos perdendo espaço. Quando a resposta for "todos nós", o setor finalmente vai ocupar o lugar que merece no desenvolvimento do país.

      Mestre em Comunicação e Gestão Pública, Bianca Colepicolo é especialista em turismo náutico e coordena o Fórum Náutico Paulista. Autora de “Turismo Pra Quê?”, Bianca também é consultora e palestrante.

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