Quase 25 metros de altura: brasileira pode quebrar recorde mundial no surf de ondas gigantes

Em Nazaré, durante etapa da WSL Wave Challenge, Michelle des Bouillons encarou uma onda do tamanho de um prédio de sete andares. Assista!

12/03/2026
Onda encarada por Michelle des Bouillons pode ter medido 24,99 metros. Fotos: Instagram @mibouillons e @rennanchaves_/ Reprodução

Quando a surfista Michelle des Bouillons entrou e saiu intacta de uma onda gigantesca, em Nazaré, no dia 13 de dezembro de 2025, ela não fazia ideia do feito que tinha acabado de realizar. Naquele instante, a brasileira rascunhou seu nome na história, ao surfar o que pode ter sido a maior onda já dominada por uma mulher na história do esporte.

A façanha aconteceu durante a disputa do TUDOR Nazaré Tow Challenge, que aconteceu na mítica Praia do Norte, em Portugal. A etapa faz parte do WSL Big Wave Challenge, evento que dura o ano inteiro e premia os maiores feitos do surfe de ondas gigantes durante toda a temporada ao redor do mundo — e é nesse contexto que a atleta pode entrar para a história.

 

Para isso, ela precisará superar o atual recorde feminino, estabelecido em 2020 pela também brasileira Maya Gabeira, com uma marca de 22,4 metros (73,5 pés), na mesma Nazaré. Um primeiro estudo técnico encomendado por Michelle, no entanto, aponta que a onda surfada por ela em dezembro teria 24,99 metros — do tamanho de um prédio de sete andares –, o que superaria com sobra o marco de Gabeira.

 

 

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A oficialização do recorde, contudo, é um processo longo e rigoroso. A marca de Michelle, aliás, não depende mais da WSL. Neste momento, a chancela técnica está nas mãos do jornalista Bill Sharp, criador do Big Wave Challeng Award, considerado o “Oscar” do surfe de ondas gigantes.

Foto: Instagram @mibouillons/ Reprodução

Depois de passar pelo crivo de Sharp, o feito vai para o Guinness World Records, o Livro dos Recordes. Tudo isso só acontecerá, porém, após o final da temporada, que termina oficialmente em abril. A partir daí, a equipe técnica dará início a análises minuciosas, que consistem em três etapas:

  • Análise quadro a quadro de vídeo frontal;
  • Identificação do momento de maior expressão vertical (quando o lip encontra a base);
  • Uso de uma unidade proporcional baseada na própria surfista.

Nesse caso, utiliza-se a canela da surfista como régua: a medida é replicada até alcançar o topo e a base da onda.

Por dentro das ondas

A “ficha” do possível recorde mundial não caiu de primeira — na verdade, esse sequer era o objetivo da atleta. A estratégia de Michelle des Bouillons era buscar a maior onda do evento e vencer o campeonato. Assim, quando avistou a onda perfeita, ela não pensou duas vezes, conforme revelou ao GLOBO.

Eu senti que era algo especial, mas o mais legal foi não ter hesitado, ter feito uma linha radical para dentro. Isso mostrou que eu estava preparada – revelou a surfista ao jornal

Em Nazaré, há duas leituras possíveis: ondas que quebram muito do lado de fora, que são grandes, mas menos energéticas; e ondas que seguram a energia e concentram tudo na primeira explosão, como foi o caso da onda surfada pela brasileira. Michelle completou o drop, surfando a parte mais crítica e saindo limpa.

Foto: Instagram @mibouillons e @rennanchaves_/ Reprodução

Depois do feito, ela conta que nomes consolidados do big surf, como Lucas Chumbo e Rodrigo Koxa (recordista mundial de ondas gigantes até 2020) a incentivaram a buscar o reconhecimento do recorde. Foi só então que a ficha começou a cair.

Nunca entrei no mar querendo bater recorde. Sempre quis ser reconhecida pela performance. Deixo Nazaré me escolher. Mas naquele dia eu tinha certeza de que estava preparada– reforçou ao portal

Foto: Instagram @mibouillons/ Reprodução

Por mais irônico que possa parecer, Michelle não venceu essa etapa de Nazaré. A bateria teve que ser interrompida por questões técnicas e o título ficou com a equipe von Rupp/Roseyro. Mas nada que abalasse a surfista brasileira.

Eu peguei a maior onda da minha vida. Isso vale mais que qualquer troféu– finalizou ela

Nascida em família surfista, Michelle surfa desde os seis anos e foi a primeira mulher a dominar as ondas de Desert Point, na Indonésia, conhecida por suas grandes ondas em tubo. Ela também já conquistou o Biggest Wave of the Year de 2024, que premia o atleta que pegou a maior onda no ano (na categoria feminina); e foi campeã do 1º campeonato brasileiro de surf de ondas grandes, realizado em 2024 pela CBSurf (Confederação Brasileira de Surf).

 

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