Victory Yachts estreia linha Work no São Paulo Boat Show com a W400
Estaleiro apresenta modelo desenvolvido para operações costeiras e de interceptação junto da Victory 348, que chega ao salão com 18 unidades vendidas em um ano


A Victory Yachts marca presença no São Paulo Boat Show 2026 com duas embarcações que representam diferentes frentes de atuação do estaleiro. De um lado, a W400, desenvolvida para operações profissionais, como interceptação, fiscalização e pesquisa, que marca a estreia da linha Work da marca no evento. Do outro, a Victory 348, modelo lançado no salão em 2025 que chega à edição de 2026 com 18 unidades vendidas no período.
Cerimônia de abertura marca início do São Paulo Boat Show 2026
Programação completa do Náutica Talks no São Paulo Boat Show 2026
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Segundo Eduardo Granda, fundador e proprietário da Victory Yachts, a participação da 348 no evento representa a consolidação do projeto. Desde o lançamento, o estaleiro realizou pequenos aprimoramentos no acabamento e em detalhes sugeridos pelos próprios clientes. Para o evento deste ano, a marca apresenta a versão Open Sea, equipada com acessórios específicos para a pesca esportiva.
O Boat Show é a consolidação da Victory 348, depois de um ano do lançamento dela– frisou Eduardo Granda
Com cerca de 35 pés, a Victory 348 foi projetada, segundo Granda, para oferecer capacidade de navegação em mar aberto sem exigir uma grande tripulação. A proposta é atender a quem busca realizar pescarias, travessias e passeios mantendo uma operação mais simples.


A 348 entrega praticamente tudo que um barco de 40 pés te entrega, mas com muito mais simplicidade– explicou
Linha Work estreia no Boat Show
A principal novidade da Victory no salão, porém, é a W400, primeira embarcação da linha Work apresentada pela marca no São Paulo Boat Show. A divisão foi criada para atender diferentes operações profissionais e reúne quatro frentes: Interceptor, para operações rápidas e policiais; Offshore, para transporte de passageiros e atendimento a plataformas e navios; Research, voltada a pesquisas; e Search and Rescue (SAR), destinada a operações de busca e salvamento.


A experiência da Victory nesse segmento já inclui embarcações desenvolvidas para instituições públicas e projetos de pesquisa. Conforme Granda, a empresa já forneceu barcos para a Polícia Federal, para a Polícia Militar do Paraná e para operações de pesquisa no Rio de Janeiro e em Ilhabela.


No caso da Polícia Federal, a linha foi empregada em operações costeiras e de interceptação. De acordo com o empresário, a Victory já entregou três embarcações para a corporação, equipadas para atividades como inspeção de navios e fiscalização noturna.
São barcos de última tecnologia, com proteção super-reforçada para abordagem tática. São embarcações totalmente preparadas para esse trabalho– detalhou Eduardo Granda
Um dos diferenciais apontados por Granda está no projeto de flutuação e na disposição dos componentes internos. Segundo ele, os barcos da linha Work contam com injeção de espuma em diferentes pontos da estrutura, reduzindo o espaço disponível para entrada de água em caso de rompimento do casco.


A solução, de acordo com o fundador da Victory, permite que a embarcação continue flutuando e mantenha seus principais sistemas operacionais mesmo em situações de avaria.
Um barco da linha Work pode ter um buraco no fundo do casco. A água pode entrar, mas toda a parte elétrica, tudo que está dentro do barco, está acima da linha d’água, projetado de forma que o barco ainda se mantenha operacional– explicou o fundador da Victory Yachts
A tecnologia, segundo ele, faz parte da proposta da linha para operações que exigem maior resistência e continuidade de funcionamento.
Tecnologia para operações profissionais
Além da estrutura reforçada, as embarcações podem receber equipamentos voltados a operações específicas, como câmeras térmicas, radar e sistemas de monitoramento. A configuração permite que os barcos sejam utilizados em atividades de fiscalização, interceptação, pesquisa e salvamento.
Para o empresário, a escolha da Victory como fornecedora de embarcações para operações da Polícia Federal representa também um reconhecimento à tecnologia desenvolvida pelo estaleiro.
Hoje a Victory é o barco do catálogo da Polícia Federal. Então é um orgulho pra gente ter sido escolhido e ter desenvolvido um produto para a elite da polícia do Brasil– destacou
Assim, a presença da linha Work no São Paulo Boat Show também funciona, segundo Granda, como uma forma de apresentar ao consumidor recreativo outra frente de atuação do estaleiro.
Para quem consome um produto na linha recreação e lazer, olhar que a Victory também atende a Polícia Federal é um plus a mais de confiança– frisou
São Paulo Boat Show 2026
O maior salão náutico da América Latina leva seus visitantes para uma verdadeira imersão no universo das águas. Mais de 170 embarcações, incluindo botes, lanchas e jets, tomam conta do pavilhão do São Paulo Expo e podem ser vistas de perto.


O público ainda encontra uma ampla variedade de equipamentos, motores, acessórios e serviços náuticos das principais marcas do mercado. Veículos off-road, projetos inovadores e atrações para toda família, como o NÁUTICA Talks, complementam o evento, que traz ainda o Espaço dos Desejos, área de luxo que expõe carros esportivos, helicópteros, relógios de alto padrão e até obras de arte.
Desconto para leitores NÁUTICA
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SÃO PAULO BOAT SHOW 2026
Quando: de 24 a 29 de setembro de 2026
Onde: São Paulo Expo (Rodovia dos Imigrantes, km 1,5 – Vila Água Funda, São Paulo – SP)
Horário: das 13h às 22h; no primeiro dia, abertura às 15h; no último dia, encerramento às 21h
Mais informações: no site do evento
Ingressos: site oficial de vendas
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O setor náutico brasileiro ainda não sabe se defender.
Um setor que conversa consigo mesmo
Somos estaleiros, marinas, garagens náuticas, clubes, escolas de vela, operadores de passeio, fornecedores, mecânicos, marinheiros, guias, pescadores esportivos, agências de turismo. Cada elo da cadeia tem sua associação, seu grupo de WhatsApp, sua pauta. E, enquanto conversamos entre nós, as decisões que definem o nosso futuro são tomadas em outros lugares, quase sempre sem a gente na mesa.
Pense em quantas instâncias de poder tocam a náutica. O licenciamento ambiental de uma marina. A alíquota de ICMS sobre a embarcação. As normas da Marinha. O plano diretor que define o uso da orla. O ordenamento de praias e acessos públicos à água. As linhas de crédito para o pequeno empreendedor. A formação de mão de obra. O saneamento. Câmaras municipais, assembleias legislativas, Congresso Nacional, conselhos, órgãos ambientais, ministérios. Em cada um desses espaços, alguém está falando sobre o nosso setor. A pergunta é: somos nós?
Na maioria das vezes, não. E quem não está na mesa costuma estar no cardápio.
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Advocacy não é palavrão
Por isso defendi, no encerramento do fórum, que o mercado náutico precisa se unir para construir um trabalho permanente de advocacy. Não se trata de lobby no sentido pejorativo, nem de defender o interesse de uma empresa isolada. É representação organizada: uma agenda comum, dados confiáveis, propostas técnicas e presença constante em todos os espaços onde se decide algo que afeta o setor.
Tenho visto de perto o que isso produz. Em São Paulo, o Fórum Náutico Paulista reúne voluntariamente empresários, gestores públicos e pesquisadores há quase duas décadas. Foi esse trabalho paciente, reunião após reunião, que ajudou a construir o plano de desenvolvimento do turismo náutico sustentável que virou programa de estado, o decreto de fomento ao setor, a nova regulamentação ambiental para estruturas náuticas e a agenda de redução de ICMS e de crédito para o setor. Nada disso caiu do céu. Aconteceu porque havia alguém, em nome do setor, sentado à mesa certa, com a proposta pronta.
Esse modelo precisa existir na Bahia, em cada estado com vocação náutica e, sobretudo, em escala nacional.
Explicar para quem não navega
O segundo ponto da minha fala é tão importante quanto o primeiro: precisamos de assessoria de imprensa e de comunicação profissional para o setor.
Para boa parte da população, a náutica ainda é "coisa de rico". Uma marina nova é vista como ameaça ao acesso à praia; um projeto de garagem náutica, como problema ambiental. E, quando não explicamos, alguém explica por nós, quase sempre mal.
Temos uma história poderosa para contar e não contamos. Um estudo do Fórum Náutico Paulista mostrou que a cadeia náutica de lazer movimentava cerca de R$ 5,3 bilhões por ano no estado de São Paulo e gerava mais de 27 mil empregos. E apenas 0,8% da população paulista usava embarcações de lazer, contra 5,3% no Reino Unido. Ou seja, o potencial de crescimento é enorme, e esse crescimento significa renda para o marinheiro, para o mecânico, para o laminador, para a cozinheira do restaurante da marina, para o operador de passeio caiçara que se formaliza.
Essa é a náutica que precisa chegar ao jornal, à TV, às redes sociais, à conversa de bar. O cidadão que entende que a cidade náutica gera emprego para o filho dele deixa de ser opositor e passa a ser aliado. E o político que percebe que a população apoia o setor passa a apoiá-lo também. Comunicação e advocacy andam juntas.
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Náutica precisa de água limpa
Não poderia falar de união do setor sem lembrar de uma bandeira que o Dr. Castello Branco, presidente do Fórum Náutico Paulista, repete há anos e que se tornou princípio do nosso trabalho: náutica precisa de água limpa.
É simples e é definitivo. Não existe turismo náutico, não existe marina, não existe regata, não existe mergulho, não existe passeio de barco em água poluída. O setor náutico é, por natureza, o maior interessado em rios, represas, baías e mares saudáveis. E é exatamente por isso que essa bandeira deveria estar no centro do nosso advocacy.
Quando o setor náutico se coloca como defensor do saneamento, da qualidade da água e da conservação dos ambientes aquáticos, ele inverte a narrativa. Deixa de ser visto como ameaça ambiental e passa a ser reconhecido como guardião da água. Um setor unido, que cobra investimento em saneamento nas mesmas instâncias em que discute tributo e licenciamento, ganha legitimidade para todo o resto da agenda.
O próximo passo é nosso
Saí da Bahia convencida de que o Brasil náutico tem tudo: costa, rios, represas, gente talentosa, empresas competentes, gestores públicos interessados. O que falta é organização. Falta transformar dezenas de vozes isoladas em uma voz coletiva, técnica e presente.
Fóruns como o da Bahia são o começo dessa conversa. O desafio agora é que ela não termine no encerramento do evento. Que vire rede, agenda comum, representação permanente e comunicação com a sociedade.
A pergunta que deixei para a plateia, e que deixo para você, leitor, é a do título: quem fala pela náutica? Enquanto a resposta for "cada um por si", seguiremos perdendo espaço. Quando a resposta for "todos nós", o setor finalmente vai ocupar o lugar que merece no desenvolvimento do país.
Mestre em Comunicação e Gestão Pública, Bianca Colepicolo é especialista em turismo náutico e coordena o Fórum Náutico Paulista. Autora de “Turismo Pra Quê?”, Bianca também é consultora e palestrante.Driving Change realiza sua 3ª edição com sete jovens velejadoras; Conheça a iniciativa!
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