Torben Grael está entre os vencedores do Campeonato Paulista de Vela de Oceano em Ubatuba


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Foram definidos os campeões paulistas da Vela de Oceano – 11ª edição do Ubatuba Sailing Festival, realizado pelo Ubatuba Iate Clube, na cidade de Ubatuba, litoral norte de São Paulo. Foi o segundo evento do calendário da Vela de Oceano da ABVO (Associação Brasileira de Vela de Oceano) após a quarentena.
A competição, que vem se tornando uma das principais do calendário nacional, foi o Campeonato Paulista de Vela de Oceano nas categorias IRC e BRA-RGS e contou com quatro regatas nos três dias de competição, uma regata longa de percurso de 30 milhas no primeiro dia e nos demais regatas barla-sota.
Na classe RGS-A, o barco Lady Lou, comandado por Torben Grael, bicampeão Olímpico na classe Star em Atenas, na Grécia, em 2004, e Atlanta 1996, foi o vencedor, ganhando todas as quatro regatas. O barco Zeus ficou em segundo apenas um ponto a frente do barco Kamua. “Apesar de ter um nome festivo, tem uma dificuldade no velejar porque é um local de ventos normalmente fracos e uma área com ondas. Não é a toa que temos aqui a ilha do Mar Virado. A gente tem muitos barcos de cruzeiro, como o meu, e a receptividade do clube com os participantes torna o evento muito agradável”, disse Torben.
Na classe IRC, a conquista ficou com o barco santista Rudá, comandado por Mario Martinez, que também fez um campeonato impecável vencendo todas as quatro regatas, deixando o King em segundo, com três segundos lugares, e o Avohai, novo barco comandado por Lars Grael – do Rio Yacht Sailing de Niterói (RJ) e Iate Clube do Rio de Janeiro -, fechando o pódio. “Muito bom conquistar o título paulista de Vela de Oceano. Evento importante todos os dias de vento fraco, condição boa para o meu barco, deu tudo certo. foi bom, mais um evento de retorno, presença muito boa de barco diante de uma pandemia. E agora vamos com tudo para a 70ª Santos-Rio em outubro”, descreveu Mário.
“O Ubatuba Sailing Festival começou pequeno, mas é um evento que vem ganhando espaço na Vela de Oceano Nacional e está gerando uma reputação muito positiva para o Ubatuba Iate Clube que nos recebe muito bem. É de fato um prazer estar aqui velejando com estas equipes”, descreveu Lars Grael, que venceu suas medalhas olímpicas em 1988 em Seul e 1996 em Atlanta, ambas na classe Tornado.
Na classe RGS-B, o título ficou com o barco santista Fugaz SP, de Fernando Filoni, com o Escapada em segundo lugar e o Mahalo, em terceiro.
“O Ubatuba Sailing Festival foi uma regata muito importante para o nosso clube. Não foi fácil organizá-la, mas ao final do evento tenho a sensação que saíram todo felizes. Tivemos regatas de nível técnico muito bom, espero que tenhamos conseguido contemplar e satisfazer todas as classes”, disse Alex Calabria, diretor adjunto de vela do Ubatuba Iate Clube e organizador do evento.
O evento teve mais um teste do sistema de rastreamento montado pelo comandante Bayard Filho, do Inaê 40 em parceria com a ABVO para monitoramento dos veleiros ao longo das regatas através do aplicativo RaceQS. Foram cerca de quarenta barcos na raia dos estados de São Paulo e Rio de Janeiro e veleiros de Niterói (RJ), Angra dos Reis (RJ), Rio de Janeiro (RJ), Paraty (RJ), Ilhabela (SP), Santos (SP), Guarujá (SP) e Ubatuba (SP). O evento homenageou Torben Grael por seus feitos na vela nacional e também o barco Brasil 1 que disputou a Volvo Ocean Race com os troféus no formato do veleiro.
Fotos: Aline Bassi/Balaio de Ideias
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Resultados Finais:
Classe IRC
1 – Rudá/Blue Seal (Clube Internacional de Regatas,Santos) – 3 pontos
2 – King (Iate Clube de Santos) – 6 pontos
3 – Avohai (Rio Yacht Sailing, Niterói, e Iate Clube do Rio de Janeiro) – 10 pontos
4 – Asbar IV ( Iate Clube de Santos) – 12 pontos
5 – Xamã (Yacht Clube Ilhabela) – 14
6 – Bravo (Clube Internacional de Regatas) 15
7 – Inaê 40 (Pier 27 , Santos) – 17
8 – Argos (Ubatuba Iate Clube) 21
9 – Aries V (Ubatuba Iate Clube) – 29
10 – Boto V (Farol Paraty) – 29
11 – My Boy (Lisarb, Ilhabela) – 30
12 – Montecristo – Ubatuba Iate Clube) 32
13 – 834 Jacaré – (Yacht Club Ilhabela) 41
Classe RGS-A
1 – Lady Lou – 3 pontos
2 – Zeus – 7 pontos
3 – Kamua – 8 pontos
4 – Superbakkana – 10 pontos
5 – Beleza Pura 2 – 15
6 – Bwana 1 – 18
7 – Kameha Meha – 19
8 – Maria Preta – 24
9 – Anaue 1 – 30
Classe RGS-B
1 – Fugaz SP – 6 pontos
2 – Escapada – 8 pontos
3 – Mahalo – 12 pontos
4 – Alleluia – 18
5 – Baforada III 19
6 – Borimbora – 30
7 – Beiramar – 32
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Salvador recebeu o 2º Fórum Náutico Internacional, realizado pela Associação Náutica da Bahia, com empresários, gestores públicos, especialistas e convidados de fora do país. A Baía de Todos-os-Santos é um dos maiores ativos náuticos do mundo, e ninguém na plateia precisava ser convencido disso. Ouvimos casos de sucesso, projetos de marinas, roteiros, regatas, oportunidades de investimento. Mas, quando chegou a minha vez de encerrar, preferi falar sobre o que ainda nos impede de transformar todo esse potencial em desenvolvimento de verdade.
O setor náutico brasileiro ainda não sabe se defender.
Um setor que conversa consigo mesmo
Somos estaleiros, marinas, garagens náuticas, clubes, escolas de vela, operadores de passeio, fornecedores, mecânicos, marinheiros, guias, pescadores esportivos, agências de turismo. Cada elo da cadeia tem sua associação, seu grupo de WhatsApp, sua pauta. E, enquanto conversamos entre nós, as decisões que definem o nosso futuro são tomadas em outros lugares, quase sempre sem a gente na mesa.
Pense em quantas instâncias de poder tocam a náutica. O licenciamento ambiental de uma marina. A alíquota de ICMS sobre a embarcação. As normas da Marinha. O plano diretor que define o uso da orla. O ordenamento de praias e acessos públicos à água. As linhas de crédito para o pequeno empreendedor. A formação de mão de obra. O saneamento. Câmaras municipais, assembleias legislativas, Congresso Nacional, conselhos, órgãos ambientais, ministérios. Em cada um desses espaços, alguém está falando sobre o nosso setor. A pergunta é: somos nós?
Na maioria das vezes, não. E quem não está na mesa costuma estar no cardápio.
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Advocacy não é palavrão
Por isso defendi, no encerramento do fórum, que o mercado náutico precisa se unir para construir um trabalho permanente de advocacy. Não se trata de lobby no sentido pejorativo, nem de defender o interesse de uma empresa isolada. É representação organizada: uma agenda comum, dados confiáveis, propostas técnicas e presença constante em todos os espaços onde se decide algo que afeta o setor.
Tenho visto de perto o que isso produz. Em São Paulo, o Fórum Náutico Paulista reúne voluntariamente empresários, gestores públicos e pesquisadores há quase duas décadas. Foi esse trabalho paciente, reunião após reunião, que ajudou a construir o plano de desenvolvimento do turismo náutico sustentável que virou programa de estado, o decreto de fomento ao setor, a nova regulamentação ambiental para estruturas náuticas e a agenda de redução de ICMS e de crédito para o setor. Nada disso caiu do céu. Aconteceu porque havia alguém, em nome do setor, sentado à mesa certa, com a proposta pronta.
Esse modelo precisa existir na Bahia, em cada estado com vocação náutica e, sobretudo, em escala nacional.
Explicar para quem não navega
O segundo ponto da minha fala é tão importante quanto o primeiro: precisamos de assessoria de imprensa e de comunicação profissional para o setor.
Para boa parte da população, a náutica ainda é "coisa de rico". Uma marina nova é vista como ameaça ao acesso à praia; um projeto de garagem náutica, como problema ambiental. E, quando não explicamos, alguém explica por nós, quase sempre mal.
Temos uma história poderosa para contar e não contamos. Um estudo do Fórum Náutico Paulista mostrou que a cadeia náutica de lazer movimentava cerca de R$ 5,3 bilhões por ano no estado de São Paulo e gerava mais de 27 mil empregos. E apenas 0,8% da população paulista usava embarcações de lazer, contra 5,3% no Reino Unido. Ou seja, o potencial de crescimento é enorme, e esse crescimento significa renda para o marinheiro, para o mecânico, para o laminador, para a cozinheira do restaurante da marina, para o operador de passeio caiçara que se formaliza.
Essa é a náutica que precisa chegar ao jornal, à TV, às redes sociais, à conversa de bar. O cidadão que entende que a cidade náutica gera emprego para o filho dele deixa de ser opositor e passa a ser aliado. E o político que percebe que a população apoia o setor passa a apoiá-lo também. Comunicação e advocacy andam juntas.
[caption id="attachment_206807" align="alignnone" width="920"]

Náutica precisa de água limpa
Não poderia falar de união do setor sem lembrar de uma bandeira que o Dr. Castello Branco, presidente do Fórum Náutico Paulista, repete há anos e que se tornou princípio do nosso trabalho: náutica precisa de água limpa.
É simples e é definitivo. Não existe turismo náutico, não existe marina, não existe regata, não existe mergulho, não existe passeio de barco em água poluída. O setor náutico é, por natureza, o maior interessado em rios, represas, baías e mares saudáveis. E é exatamente por isso que essa bandeira deveria estar no centro do nosso advocacy.
Quando o setor náutico se coloca como defensor do saneamento, da qualidade da água e da conservação dos ambientes aquáticos, ele inverte a narrativa. Deixa de ser visto como ameaça ambiental e passa a ser reconhecido como guardião da água. Um setor unido, que cobra investimento em saneamento nas mesmas instâncias em que discute tributo e licenciamento, ganha legitimidade para todo o resto da agenda.
O próximo passo é nosso
Saí da Bahia convencida de que o Brasil náutico tem tudo: costa, rios, represas, gente talentosa, empresas competentes, gestores públicos interessados. O que falta é organização. Falta transformar dezenas de vozes isoladas em uma voz coletiva, técnica e presente.
Fóruns como o da Bahia são o começo dessa conversa. O desafio agora é que ela não termine no encerramento do evento. Que vire rede, agenda comum, representação permanente e comunicação com a sociedade.
A pergunta que deixei para a plateia, e que deixo para você, leitor, é a do título: quem fala pela náutica? Enquanto a resposta for "cada um por si", seguiremos perdendo espaço. Quando a resposta for "todos nós", o setor finalmente vai ocupar o lugar que merece no desenvolvimento do país.
Mestre em Comunicação e Gestão Pública, Bianca Colepicolo é especialista em turismo náutico e coordena o Fórum Náutico Paulista. Autora de “Turismo Pra Quê?”, Bianca também é consultora e palestrante.Driving Change realiza sua 3ª edição com sete jovens velejadoras; Conheça a iniciativa!
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