Verve 40

Por: Redação -
24/06/2016

O primeiro iate, da coleção Verve, de 40 pés, foi concluído na unidade de produção brasileira da Azimut Yachts. A embarcação, já encomendada pelo mercado norte-americano, parte nos próximos dias para os Estados Unidos. Quem esteve no Brasil para acompanhar diretamente os testes de mar foi o presidente da Azimut-Benetti USA, Federico Ferrante, acompanhado pelo diretor da Marine Max Andrew Schneider, dealer Azimut Yachts para os Estados Unidos, e o diretor técnico da Azimut Yachts na Itália Alessandro Rossi, junto à diretoria da Azimut Brasil representada pelo CEO Davide Breviglieri e pelos diretores Francesco Caputo e Roberto Paião.

Mais de 10 outras embarcações Azimut Verve 40 já foram encomendadas para os Estados Unidos e as próximas unidades devem ser enviadas já a partir do mês de julho.

“Estamos orgulhosos do sucesso do projeto Verve, tanto pela adesão dos clientes quanto pelo resultado do trabalho impecável desenvolvido pelo time de profissionais da unidade brasileira. Isso prova o quanto o Grupo Azimut-Benetti acredita no Brasil e na eficiência dos processos desenvolvidos. Temos certeza que a Azimut Verve 40 não terá êxito apenas na América do Norte, mas também conquistará o público brasileiro e demais da América Latina”, destaca o CEO da Azimut Brasil Davide Breviglieri.

Trata-se de uma linha “open” mais compacta com 2 pavimentos indicada para quem aprecia espaços ao ar livre,  maiores velocidades e doses altas de adrenalina sem deixar de lado o conforto característico da marca. Com pouco mais de 12,5 m de comprimento e 3,8 de largura, se destaca pelo desempenho obtido por 3 motores de popa Mercury de 350 HP cada que proporcionam velocidade máxima de 48 nós, de acordo com a marca. Além do design imponente e esportivo, o pavimento principal é aberto com posto de comando, com equipamentos de navegação de alta tecnologia protegidos por hard top, além de espaços privilegiados. A proa foi aproveitada ao máximo com dois solários. Já a popa foi estrategicamente desenvolvida para gerar total funcionalidade.  Conta com áreas para lazer e banhos de sol, refeições e espaço gourmet com grill, cooktop, pia, geladeira embutida e armários para armazenamento.

Nas fotos abaixo, em sequência, o diretor da Marine Max Andrew Schneider, dealer Azimut Yachts para os Estados Unidos juntamente com o presidente da Azimut-Benetti USA, Federico Ferrante e o diretor técnico da Azimut Yachts na Itália Alessandro Rossi em visita à filial brasileira da Azimut Yachts; o presidente da Azimut-Benetti USA, Federico Ferrante com o diretor comercial da Azimut Yachts no Brasil Francesco Caputo,  o diretor da Marine Max Andrew Schneider e o CEO da Azimut Yachts no Brasil Davide Breviglieri; e o diretor comercial da Azimut Yachts no Brasil Francesco Caputo, diretor industrial da Azimut Yachts no Brasil Roberto Paião, o diretor da Marine Max Andrew Schneider com o presidente da Azimut-Benetti USA Federico Ferrante e o CEO da Azimut Yachts no Brasil Davide Breviglieri.

 

Foto: João Souza

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    Quem fala pela náutica?

    Salvador recebeu o 2º Fórum Náutico Internacional, realizado pela Associação Náutica da Bahia, com empresários, gestores públicos, especialistas e convidados de fora do país. A Baía de Todos-os-Santos é um dos maiores ativos náuticos do mundo, e ninguém na plateia precisava ser convencido disso. Ouvimos casos de sucesso, projetos de marinas, roteiros, regatas, oportunidades de investimento. Mas, quando chegou a minha vez de encerrar, preferi falar sobre o que ainda nos impede de transformar todo esse potencial em desenvolvimento de verdade.

     

    O setor náutico brasileiro ainda não sabe se defender.

    Um setor que conversa consigo mesmo

    Somos estaleiros, marinas, garagens náuticas, clubes, escolas de vela, operadores de passeio, fornecedores, mecânicos, marinheiros, guias, pescadores esportivos, agências de turismo. Cada elo da cadeia tem sua associação, seu grupo de WhatsApp, sua pauta. E, enquanto conversamos entre nós, as decisões que definem o nosso futuro são tomadas em outros lugares, quase sempre sem a gente na mesa.

     

    Pense em quantas instâncias de poder tocam a náutica. O licenciamento ambiental de uma marina. A alíquota de ICMS sobre a embarcação. As normas da Marinha. O plano diretor que define o uso da orla. O ordenamento de praias e acessos públicos à água. As linhas de crédito para o pequeno empreendedor. A formação de mão de obra. O saneamento. Câmaras municipais, assembleias legislativas, Congresso Nacional, conselhos, órgãos ambientais, ministérios. Em cada um desses espaços, alguém está falando sobre o nosso setor. A pergunta é: somos nós?

     

    Na maioria das vezes, não. E quem não está na mesa costuma estar no cardápio.

    [caption id="attachment_208270" align="alignnone" width="920"] Foto: NatalieZera / Envato[/caption]

    Advocacy não é palavrão

    Por isso defendi, no encerramento do fórum, que o mercado náutico precisa se unir para construir um trabalho permanente de advocacy. Não se trata de lobby no sentido pejorativo, nem de defender o interesse de uma empresa isolada. É representação organizada: uma agenda comum, dados confiáveis, propostas técnicas e presença constante em todos os espaços onde se decide algo que afeta o setor.

     

    Tenho visto de perto o que isso produz. Em São Paulo, o Fórum Náutico Paulista reúne voluntariamente empresários, gestores públicos e pesquisadores há quase duas décadas. Foi esse trabalho paciente, reunião após reunião, que ajudou a construir o plano de desenvolvimento do turismo náutico sustentável que virou programa de estado, o decreto de fomento ao setor, a nova regulamentação ambiental para estruturas náuticas e a agenda de redução de ICMS e de crédito para o setor. Nada disso caiu do céu. Aconteceu porque havia alguém, em nome do setor, sentado à mesa certa, com a proposta pronta.

     

    Esse modelo precisa existir na Bahia, em cada estado com vocação náutica e, sobretudo, em escala nacional.

     

    Explicar para quem não navega

    O segundo ponto da minha fala é tão importante quanto o primeiro: precisamos de assessoria de imprensa e de comunicação profissional para o setor.

     

    Para boa parte da população, a náutica ainda é "coisa de rico". Uma marina nova é vista como ameaça ao acesso à praia; um projeto de garagem náutica, como problema ambiental. E, quando não explicamos, alguém explica por nós, quase sempre mal.

     

    Temos uma história poderosa para contar e não contamos. Um estudo do Fórum Náutico Paulista mostrou que a cadeia náutica de lazer movimentava cerca de R$ 5,3 bilhões por ano no estado de São Paulo e gerava mais de 27 mil empregos. E apenas 0,8% da população paulista usava embarcações de lazer, contra 5,3% no Reino Unido. Ou seja, o potencial de crescimento é enorme, e esse crescimento significa renda para o marinheiro, para o mecânico, para o laminador, para a cozinheira do restaurante da marina, para o operador de passeio caiçara que se formaliza.

     

    Essa é a náutica que precisa chegar ao jornal, à TV, às redes sociais, à conversa de bar. O cidadão que entende que a cidade náutica gera emprego para o filho dele deixa de ser opositor e passa a ser aliado. E o político que percebe que a população apoia o setor passa a apoiá-lo também. Comunicação e advocacy andam juntas.

    [caption id="attachment_206807" align="alignnone" width="920"] Foto: nd3000/ Envato[/caption]

    Náutica precisa de água limpa

    Não poderia falar de união do setor sem lembrar de uma bandeira que o Dr. Castello Branco, presidente do Fórum Náutico Paulista, repete há anos e que se tornou princípio do nosso trabalho: náutica precisa de água limpa.

     

    É simples e é definitivo. Não existe turismo náutico, não existe marina, não existe regata, não existe mergulho, não existe passeio de barco em água poluída. O setor náutico é, por natureza, o maior interessado em rios, represas, baías e mares saudáveis. E é exatamente por isso que essa bandeira deveria estar no centro do nosso advocacy.

     

    Quando o setor náutico se coloca como defensor do saneamento, da qualidade da água e da conservação dos ambientes aquáticos, ele inverte a narrativa. Deixa de ser visto como ameaça ambiental e passa a ser reconhecido como guardião da água. Um setor unido, que cobra investimento em saneamento nas mesmas instâncias em que discute tributo e licenciamento, ganha legitimidade para todo o resto da agenda.

    O próximo passo é nosso

    Saí da Bahia convencida de que o Brasil náutico tem tudo: costa, rios, represas, gente talentosa, empresas competentes, gestores públicos interessados. O que falta é organização. Falta transformar dezenas de vozes isoladas em uma voz coletiva, técnica e presente.

     

    Fóruns como o da Bahia são o começo dessa conversa. O desafio agora é que ela não termine no encerramento do evento. Que vire rede, agenda comum, representação permanente e comunicação com a sociedade.

     

    A pergunta que deixei para a plateia, e que deixo para você, leitor, é a do título: quem fala pela náutica? Enquanto a resposta for "cada um por si", seguiremos perdendo espaço. Quando a resposta for "todos nós", o setor finalmente vai ocupar o lugar que merece no desenvolvimento do país.

      Mestre em Comunicação e Gestão Pública, Bianca Colepicolo é especialista em turismo náutico e coordena o Fórum Náutico Paulista. Autora de “Turismo Pra Quê?”, Bianca também é consultora e palestrante.

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