49er e 49er FX

Por: Redação -
10/11/2014

O encerramento do 8º Campeonato Sul-Americano de 49er e do 2º Campeonato Sul-Americano de 49erFX aconteceu com ventos de sul/sudoeste de 10 a 14 nós no atual epicentro da vela olímpica internacional, a baía de Guanabara, no Rio de Janeiro.

O sábado nublado começou cedo para a flotilha masculina, já que eles foram os primeiros a cair na água. A primeira regata na raia da Escola Naval teve um novo vencedor, Brad Funk, campeão americano de Laser, e seu companheiro, o também norte-americano, Trevor Burd. Seu sucesso, no entanto, não ajudou muito a melhorar sua posição na classificação geral, 21º na flotilha de 25 barcos de 14 nacionalidades diferentes.

Por outro lado, os vencedores do dia e grandes vencedores do campeonato foram os surpreendentes neozelandeses, para dizer o mínimo, Peter Burling e Blair Tuke. Os dois simplesmente venceram duas regatas hoje para completar cinco triunfos nas 12 provas da série e, mesmo contando 52 pontos de dois dos três DNCs do primeiro dia perdido (quando eles estavam voando de volta da festa de premiação de velejadores do ano da Isaf em Palma de Maiorca), conseguiram ultrapassar toda a concorrência e garantir a vitória geral com 68 pontos.

Outro grande feito para os atuais campeões mundiais e medalhistas de prata em Londres, que estão se tornando uma lenda na classe 49er e desde os últimos Jogos Olímpicos não perderam a primeira posição em nenhum evento que participaram. Peter disse que “a raia é complicada, especialmente por conta da forte corrente. Mas é da mesma maneira para todo mundo”. Só que aparentemente eles não se encaixam na parte ‘todo mundo’ da frase. São os caras a serem batidos.

As meninas da 49er FX tiveram mais tempo para descansar no sábado quente e úmido e começaram a trabalhar por volta de 13h30 em um engarrafamento de velejadores de fim de semana e outros barcos de classes olímpicas saindo para treinar. Mas nada que perturbasse a paz do barco holandês misto de Anemiek Bekkering e Rick Peacock que, com duas vitórias e um terceiro hoje viu sua imensa vantagem crescer ainda mais e levá-los ao alto do pódio, vencendo o evento com apenas 19 pontos.

Peacock, o treinador das meninas, disse que tinha a intenção “de se divertir e conhecer melhor as manobras dentro do barco e os detalhes da raia. Também é muito bom para deixar o bote inflável de lado um pouco e sentir a coisa real”, acrescentou.

As primeiras colocadas exclusivamente do sexo feminino e vice-campeãs no Rio foram as neozelandesas Alex Moloney e Melly Meech, com 37 pontos. O terceiro lugar geral teve a dupla britânica Charlotte Dodson e Sophie Ainsworth, com 51 pontos. O título sul-americano manteve-se no Brasil com Juliana Senfft e Gabriela Nicolino, em 13º no geral, e primeiras do continente entre os 13 países representados no evento.

“Para mim, é ótimo manter o título em casa. No ano passado, Martine e Kahena ganharam, mas este ano elas não correram de verdade pois estavam vindo da entrega de prêmios de velejadoras do ano, em Palma. Foi uma competição de alto nível e para o nosso treinamento foi ótimo”, disse a niteroiense nova campeã sul-americana de 49erFX, Juliana Senfft.

O próximo evento importante para os líderes mundiais do ranking das classes 49er e 49erFX e os principais candidatos para os postos de medalhas no Rio 2016 é o Campeonato Intergaláctico que terá início no dia 11 e termina em 14 de novembro também no Iate Clube do Rio de Janeiro.

Foto: Fred Hoffmann

Informações: assessoria de imprensa

 

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    Quem fala pela náutica?

    Salvador recebeu o 2º Fórum Náutico Internacional, realizado pela Associação Náutica da Bahia, com empresários, gestores públicos, especialistas e convidados de fora do país. A Baía de Todos-os-Santos é um dos maiores ativos náuticos do mundo, e ninguém na plateia precisava ser convencido disso. Ouvimos casos de sucesso, projetos de marinas, roteiros, regatas, oportunidades de investimento. Mas, quando chegou a minha vez de encerrar, preferi falar sobre o que ainda nos impede de transformar todo esse potencial em desenvolvimento de verdade.

     

    O setor náutico brasileiro ainda não sabe se defender.

    Um setor que conversa consigo mesmo

    Somos estaleiros, marinas, garagens náuticas, clubes, escolas de vela, operadores de passeio, fornecedores, mecânicos, marinheiros, guias, pescadores esportivos, agências de turismo. Cada elo da cadeia tem sua associação, seu grupo de WhatsApp, sua pauta. E, enquanto conversamos entre nós, as decisões que definem o nosso futuro são tomadas em outros lugares, quase sempre sem a gente na mesa.

     

    Pense em quantas instâncias de poder tocam a náutica. O licenciamento ambiental de uma marina. A alíquota de ICMS sobre a embarcação. As normas da Marinha. O plano diretor que define o uso da orla. O ordenamento de praias e acessos públicos à água. As linhas de crédito para o pequeno empreendedor. A formação de mão de obra. O saneamento. Câmaras municipais, assembleias legislativas, Congresso Nacional, conselhos, órgãos ambientais, ministérios. Em cada um desses espaços, alguém está falando sobre o nosso setor. A pergunta é: somos nós?

     

    Na maioria das vezes, não. E quem não está na mesa costuma estar no cardápio.

    [caption id="attachment_208270" align="alignnone" width="920"] Foto: NatalieZera / Envato[/caption]

    Advocacy não é palavrão

    Por isso defendi, no encerramento do fórum, que o mercado náutico precisa se unir para construir um trabalho permanente de advocacy. Não se trata de lobby no sentido pejorativo, nem de defender o interesse de uma empresa isolada. É representação organizada: uma agenda comum, dados confiáveis, propostas técnicas e presença constante em todos os espaços onde se decide algo que afeta o setor.

     

    Tenho visto de perto o que isso produz. Em São Paulo, o Fórum Náutico Paulista reúne voluntariamente empresários, gestores públicos e pesquisadores há quase duas décadas. Foi esse trabalho paciente, reunião após reunião, que ajudou a construir o plano de desenvolvimento do turismo náutico sustentável que virou programa de estado, o decreto de fomento ao setor, a nova regulamentação ambiental para estruturas náuticas e a agenda de redução de ICMS e de crédito para o setor. Nada disso caiu do céu. Aconteceu porque havia alguém, em nome do setor, sentado à mesa certa, com a proposta pronta.

     

    Esse modelo precisa existir na Bahia, em cada estado com vocação náutica e, sobretudo, em escala nacional.

     

    Explicar para quem não navega

    O segundo ponto da minha fala é tão importante quanto o primeiro: precisamos de assessoria de imprensa e de comunicação profissional para o setor.

     

    Para boa parte da população, a náutica ainda é "coisa de rico". Uma marina nova é vista como ameaça ao acesso à praia; um projeto de garagem náutica, como problema ambiental. E, quando não explicamos, alguém explica por nós, quase sempre mal.

     

    Temos uma história poderosa para contar e não contamos. Um estudo do Fórum Náutico Paulista mostrou que a cadeia náutica de lazer movimentava cerca de R$ 5,3 bilhões por ano no estado de São Paulo e gerava mais de 27 mil empregos. E apenas 0,8% da população paulista usava embarcações de lazer, contra 5,3% no Reino Unido. Ou seja, o potencial de crescimento é enorme, e esse crescimento significa renda para o marinheiro, para o mecânico, para o laminador, para a cozinheira do restaurante da marina, para o operador de passeio caiçara que se formaliza.

     

    Essa é a náutica que precisa chegar ao jornal, à TV, às redes sociais, à conversa de bar. O cidadão que entende que a cidade náutica gera emprego para o filho dele deixa de ser opositor e passa a ser aliado. E o político que percebe que a população apoia o setor passa a apoiá-lo também. Comunicação e advocacy andam juntas.

    [caption id="attachment_206807" align="alignnone" width="920"] Foto: nd3000/ Envato[/caption]

    Náutica precisa de água limpa

    Não poderia falar de união do setor sem lembrar de uma bandeira que o Dr. Castello Branco, presidente do Fórum Náutico Paulista, repete há anos e que se tornou princípio do nosso trabalho: náutica precisa de água limpa.

     

    É simples e é definitivo. Não existe turismo náutico, não existe marina, não existe regata, não existe mergulho, não existe passeio de barco em água poluída. O setor náutico é, por natureza, o maior interessado em rios, represas, baías e mares saudáveis. E é exatamente por isso que essa bandeira deveria estar no centro do nosso advocacy.

     

    Quando o setor náutico se coloca como defensor do saneamento, da qualidade da água e da conservação dos ambientes aquáticos, ele inverte a narrativa. Deixa de ser visto como ameaça ambiental e passa a ser reconhecido como guardião da água. Um setor unido, que cobra investimento em saneamento nas mesmas instâncias em que discute tributo e licenciamento, ganha legitimidade para todo o resto da agenda.

    O próximo passo é nosso

    Saí da Bahia convencida de que o Brasil náutico tem tudo: costa, rios, represas, gente talentosa, empresas competentes, gestores públicos interessados. O que falta é organização. Falta transformar dezenas de vozes isoladas em uma voz coletiva, técnica e presente.

     

    Fóruns como o da Bahia são o começo dessa conversa. O desafio agora é que ela não termine no encerramento do evento. Que vire rede, agenda comum, representação permanente e comunicação com a sociedade.

     

    A pergunta que deixei para a plateia, e que deixo para você, leitor, é a do título: quem fala pela náutica? Enquanto a resposta for "cada um por si", seguiremos perdendo espaço. Quando a resposta for "todos nós", o setor finalmente vai ocupar o lugar que merece no desenvolvimento do país.

      Mestre em Comunicação e Gestão Pública, Bianca Colepicolo é especialista em turismo náutico e coordena o Fórum Náutico Paulista. Autora de “Turismo Pra Quê?”, Bianca também é consultora e palestrante.

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