Teste Sessa F48: a nova versão de um dos maiores sucessos da Sessa Marine

Rápida, ágil e muito bem-feita, a nova versão da elogiada Sessa F48 tem três camarotes, flybridge imponente e desempenho acima da média

25/02/2026
Teste Náutica Sessa F48. Foto: Victor Santos / Revista Náutica

Adquirida pela brasileira Intech Boating, a Sessa Marine é conhecida por fabricar barcos de alta qualidade no segmento de lanchas premium. Inspirada na italiana Sessa F47, a Sessa F48 é uma lancha com flybridge construída no Brasil com algumas adaptações ao gosto local. Sua plataforma de popa é maior do que a original e — claro — vem com móvel gourmet e churrasqueira; a área do cockpit também é maior; e há quatro geladeiras a bordo (uma no fly e três distribuídas entre a praça de popa e o salão). Tudo isso preservando qualidade e bom gosto na escolha dos revestimentos e acabamentos (tecido, lâminas, metais etc.) — o chamado “design italiano” — e o conforto interno e a privacidade do projeto original, traduzido por três camarotes (uma suíte), dois banheiros e um lindo salão.

Vida a bordo

Com quase 49 pés (14,90 metros), a Sessa F48 foi homologada para acomodar 16 pessoas durante o dia, sendo que seis passageiros podem pernoitar a bordo. O diferencial da versão brasileira está nos dois pés a mais de comprimento máximo (14,90 metros contra 14,27 metros da F47), o que resultou em uma área de convivência generosa na praça de popa, que soma sete metros quadrados, além da plataforma com móvel gourmet. Outras novidades foram a inclusão de uma cabine para um marinheiro, item opcional, e duas opções distintas de layout da cozinha: uma com área central do salão (ou seja, à meia-nau) e outra na parte de trás, integrada ao cockpit. A lancha com duplo comando também agrada no quesito performance, com seus dois motores Volvo Penta IPS 700, de 550 hp cada.

Foto: Victor Santos / Revista Náutica

Na proa, os dois cunhos têm 30 centímetros cada, ou seja, são bem robustos. A âncora de aço inox de 20 quilos vem com 50 metros de corrente de 10 milímetros, itens de série. Opcionalmente, pode-se encomendar o barco com pelo menos 30 metros a mais de corrente, o que é recomendável. O solário (para três ou até quatro pessoas) está cercado de alto-falantes e porta-copos. Para completar, toda essa área fica protegida por um guarda-mancebo consistente, de aço inox, e o convés lateral é largo o bastante para que ninguém precise fazer ginástica para circular.

Foto: Victor Santos / Revista Náutica

Na popa, a plataforma de popa submersível (item de série) tem capacidade para erguer até 600 quilos, o que significa que pode sustentar um jet ou um bote. A área é toda revestida com madeira teca (item opcional), que combina muito bem com a proposta de luxo da lancha. O móvel gourmet vem com grill elétrico, tábua de cortar e pia, além do bom paiol na parte de baixo — espaço útil para guardar espias, material de limpeza, cabo de cais e equipamento de mergulho. O acesso à praça de popa (cujo piso, revestido de teca, fica cerca de 30 centímetros acima do nível da plataforma) se dá por uma escada a bombordo.

Foto: Victor Santos / Revista Náutica

Bem protegida pelo convés do flybridge (pé-direito de 1,94 m), a praça de popa conta com uma mesa elegante, com abas dobráveis e capacidade para até seis pessoas, um sofá em “L” a boreste e uma geladeira de fibra com placa térmica, evitando deslocamentos na hora de servir as bebidas.

Foto: Victor Santos / Revista Náutica

Convés superior

Com mais de 20 metros quadrados e protegido por um teto rígido (a 1,90 m de altura do piso), o flybridge se divide em dois ambientes. Na parte da frente, a boreste, o posto de comando tem assento duplo e painel espaçoso com lugar para dois monitores de até 16 polegadas cada (item opcional). No outro bordo, o projetista instalou um grande estofado, que pode ser usado como solário. Um eficiente defletor de vento ajuda a melhorar a estabilidade do barco e o conforto a bordo, principalmente nos dias mais frios. Timão e comando estão bem-posicionados, mas a bússola não está centralizada em relação ao piloto, como seria conveniente. Sentimos falta também de um lugar para deixar o celular com segurança.

Foto: Victor Santos / Revista Náutica

Na parte de ré do fly, há um sofá em “U” e uma mesa dobrável que chama atenção tanto pelo acabamento, com o uso de madeira teca, aço inox e alumínio, como pelo tamanho, já que acomoda até seis pessoas quando totalmente aberta.

Foto: Victor Santos / Revista Náutica

Opcionalmente, para proteger do sol quem estiver neste ambiente, é possível encomendar a lancha com um toldo elétrico — acessório altamente recomendado.


Os estofados são bem espessos, feitos com tecido macio e resistente às intempéries, o que aumenta o conforto e a durabilidade. Um móvel de fibra, instalado atrás do posto de comando, é bem útil para preparar petiscos e servir quem estiver acomodado no flybridge. Tem porta-copos, geladeira, tábua de cortar pia e lixeira. Neste ambiente cabem pelo menos oito pessoas, ou seja, metade da capacidade da lancha.

Foto: Victor Santos / Revista Náutica

Cabine bem resolvida

No salão, com 1,93 metro de altura na entrada, há duas possibilidades de layout. Na unidade testada por NÁUTICA, na parte de ré, a boreste, fica a mesa de jantar, com altura regulável e abas dobráveis, também com capacidade para seis pessoas, que podem se acomodar em um aconchegante sofá em “L” e em uma banqueta com formato quadrado, de bom tamanho. No outro bordo, há um móvel com bancada e uma geladeira (do tipo frigobar) embutida em um armário com várias portas, perfeito para guardar itens como copos e taças.

Foto: Victor Santos / Revista Náutica

O quadro elétrico e os comandos do som e do gerador também ficam a bombordo, mas logo à entrada, o que é bom, por ser prático. Quando recolhida, a televisão de 43 polegadas, que sobe e desce eletricamente ao toque de um botão, fica escondida atrás da bancada. Quando elevada, por sua vez, fica com a tela voltada para quem estiver no sofá, como deve ser.

Foto: Victor Santos / Revista Náutica

Na unidade testada por NÁUTICA, a cozinha foi instalada na parte da frente do salão, a bombordo. Completa, tem forno multifuncional com micro-ondas, outra geladeira padrão frigobar, nicho para guardar temperos, três armários e fogão elétrico por indução de quatro bocas — neste, porém, faltou uma grelha de contenção, ou suportes sobre as bocas, necessários para evitar que as panelas se movimentem com o balanço do barco. Uma cuba e uma lixeira, com nível de acabamento acima da média (como em todo o interior desta lancha, aliás), completam o ambiente, que recebe iluminação natural tanto do para-brisa como das grandes janelas laterais do salão.

Foto: Victor Santos / Revista Náutica

A boreste, bem ao lado da cozinha, o posto de comando principal tem uma poltrona individual de couro, com ajuste de distância. O painel comporta duas telas de 16 polegadas, mas, na unidade testada por NÁUTICA, apenas uma estava instalada. Timão, manetes, joystick para manobras, botões das principais funções de bordo e o rádio VHF estão todos bem-posicionados e ao alcance do piloto. Por outro lado, assim como no comando superior, a bússola não está alinhada com o centro da posição de condução. A visibilidade para a proa é boa, e até para a popa — desde que o condutor se afaste um pouco do comando e se posicione mais ao centro do barco nas manobras de atracação.

Foto: Victor Santos / Revista Náutica

O acesso aos camarotes, no convés inferior, é facilitado por uma escada com luzes de cortesia e um grande pegador a boreste. O camarote de bombordo, com excelentes 2,24 metros de altura, tem duas camas de solteiro (de 1,94 m x 0,69 m) conversíveis em cama de casal, além de armário com gavetas, TV (opcional) de 32 polegadas, grandes janelas de vidro e vigia para ventilação natural. O camarote de boreste é praticamente idêntico; a diferença está na altura, já que é oito centímetros menor (2,16 m), e na possibilidade de acesso direto ao banheiro (com boxe e ducha), que durante os passeios diurnos também serve a área social.

Foto: Victor Santos/ Revista Náutica

Com pé-direito de 1,94 metro, a suíte máster fica na proa. No seu banheiro, com 1,92 metro de altura, o boxe tem chuveiro no teto. Mas o que mais chama a atenção é a cama de casal, padrão queen size (de 2,00 m x 1,60 m). Tanto a iluminação como a ventilação são naturais e abundantes, graças às janelas de vidro e à escotilha de gaiuta no teto. Armários com prateleiras nos dois bordos, TV de 24 polegadas (opcional), nichos ao lado da cama nos dois bordos, gavetas na frente da cama e paiol embaixo do colchão garantem espaço de sobra para guardar os pertences de um casal.

Foto: Victor Santos / Revista Náutica

O camarote de proa oferece excelente nível de acabamento, tanto pelo emprego de material de qualidade como pela escolha dos itens de decoração, de tons claros, que aumentam a sensação de espaço. Para climatizar os ambientes, a F48 conta com quatro aparelhos de ar-condicionado de 16.000 BTU cada.

Foto: Victor Santos / Revista Náutica

No compartimento dos motores, o pé-direito é baixo: apenas 0,82 m. Porém, como é possível acessá-lo também por uma abertura no piso do salão, acaba-se tendo um bom acesso ao coração mecânico da F48. Aí, não há dificuldade para a manutenção de rotina. Filtros, varetas indicadoras do nível de combustível, bombas de porão: está tudo à mão. Também são facilmente acessíveis o gerador Onan de 13,5 kW e o estabilizador de movimento Seakeeper 3 (item opcional). As redes de hidráulica e elétrica estão bem montadas, com a aplicação de materiais apropriados ao ambiente marítimo. Os dois tanques de combustível, com capacidade total de 1.506 litros, são de aço inox, feitos pela Metalúrgica Xexeu. Têm paredes de dois milímetros de espessura, o que garante alta resistência estrutural aos esforços causados pelos balanços do mar.

Foto: Victor Santos / Revista Náutica

Desempenho acima da média

Hora de navegar. Aceleramos a segunda maior lancha flybridge da Sessa na Baía de Guanabara, dentro e fora da barra. O mar estava calmo com ventos na casa dos 5 nós. Nas proximidades da barra, algumas ondas mais altas serviram para colocar o casco à prova. A Sessa F48 passou bem pelas vagas, sem pancadas duras nem levantamento de água para o convés, que se manteve seco. Nas manobras, a resposta em velocidades mais altas foi boa, com raio de giro nas curvas equivalente a um pouco mais que o comprimento do barco. Vale lembrar que, por segurança, a Volvo Penta limita o ângulo de giro das rabetas do sistema IPS, adotando uma configuração mais conservadora do que o máximo possível — o que também influencia no desempenho das manobras.

Foto: Victor Santos / Revista Náutica

O mais surpreendeu no desempenho dessa 49 pés foi a aceleração: para ir da marcha lenta aos 20 nós foram necessários apenas 8,7 segundos, tempo equiparável ao de uma lancha menor, equipada com motorização de centro-rabeta a gasolina. Lanchas com flybridge costumam levar bem mais tempo do que isso (na média, entre 12 segundos e 13 segundos) para chegar a essa velocidade; às vezes, até mais. A velocidade final também foi digna de nota: 33,8 nós, a 3.080 rpm, o que significa que, na média, a F48 é 10% mais rápida do que a maioria das lanchas fly.

Foto: Victor Santos / Revista Náutica

Durante boa parte do teste, mantivemos os flaps verticais acionados a apenas 44% (ou seja, parcialmente baixados). O uso desse recurso é necessário em algumas lanchas com flybridge para acertar o trim, que — quando acionado — altera o ângulo de navegação, ajudando a manter o casco na posição ideal, especialmente em relação ao equilíbrio longitudinal (frente/trás).

Foto: Victor Santos / Revista Náutica

Em resumo, a Sessa F48 teve um desempenho eficiente. O mérito disso se deve ao conjunto casco-motorização. Os dois motores a diesel Volvo Penta D8, de seis cilindros e 550 hp cada, acoplados a rabetas IPS — sistema conhecido pela Volvo como IPS 700 — deram conta de empurrar, com destreza, as mais de 16 toneladas estimadas da lancha no dia do teste.

Foto: Victor Santos / Revista Náutica

Em relação à autonomia, com 90% da capacidade do combustível (os dois tanques levam 1.506 litros de diesel), é possível navegar, em mar calmo, 210 milhas. Esse número foi aferido com a F48 navegando a ótimos 27 nós (a velocidade de cruzeiro), com os motores Volvo girando a 2.600 rpm, bem abaixo de sua rotação máxima, que foi de 3.080 rpm.

Características técnicas

  • Velocidade máxima: 33,8 nós (a 3.080 rpm);
  • Cruzeiro econômico: 27 nós (a 2.600 rpm);
  • Aceleração: 8,7 segundos (até 20 nós);
  • Autonomia: 210 milhas (a 2.600 rpm);
  • Potência: 2 x Volvo IPS 700 de 550 cv cada.

Preço

A partir de R$ 7,46 milhões (com dois motores Volvo Penta IPS 700 de 550 cv cada).

Pontos altos

  • Construção de primeira linha;
  • Velocidade máxima e aceleração;
  • Acomoda bem seis passageiros em pernoite.

Pontos baixos

  • Bússolas não estão centralizadas para o piloto;
  • Não tem lugar para celular no flybridge;
  • Fogão não tem trava para panelas.

Como ela é

  • Comprimento máximo: 14,9 m (48,9 pés);
  • Boca: 4,39 m;
  • Calado propulsão/casco: 1,10 m;
  • Ângulo de V na popa: 16 graus;
  • Borda-livre proa: 1,76 m;
  • Borda-livre popa: 1,44 m;
  • Peso vazio: 14.500 kg;
  • Combustível: 1.506 litros;
  • Água: 560 litros;
  • Capacidade (dia): 16 pessoas;
  • Capacidade (noite): 7 pessoas.
Desempenho técnico da Sessa F48. Foto: Revista Náutica

Confira mais detalhes da Sessa F48

Foto: Victor Santos / Revista Náutica
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