“Delicioso para beber”: especialista dá detalhes de champanhe encontrado em naufrágio de 160 anos

Pesquisadores acreditam que a bebida teria sido destinada à corte do czar Alexandre II, da Rússia

14/08/2026
Foto: Baltictech / Divulgação

Os destroços de um navio naufragado há mais de 160 anos no Mar Báltico têm levado pesquisadores a uma verdadeira viagem no tempo. A baixa salinidade e as temperaturas frias da região, ao sul da ilha sueca de Öland, ajudaram a preservar a embarcação localizada a 58 metros de profundidade. Entre os destroços, estão dezenas de garrafas de champanhe que teriam sido destinadas à corte do czar Alexandre II, da Rússia.

A equipe da Baltictech (grupo de mergulhadores e exploradores de naufrágios), que investiga o navio desde 2024, foi a responsável pela conclusão. Desta vez, para realizar a viagem ao século 19, grupo realizou novas etapas de documentação, fotografia e mapeamento tridimensional dos restos do navio.

Foto: Baltictech / Divulgação

O ponto crucial da pesquisa, porém, foi a autorização das autoridades suecas para que os pesquisadores retirassem algumas garrafas de champanhe do fundo do mar para análises laboratoriais.

Um drink de mais de um século

Com o sinal verde, os recipientes passaram a ser analisados em parceria com especialistas da vinícola francesa Maison Louis Roederer, responsável pela produção da bebida — como confirmaram as inscrições nas rolhas. A marca, inclusive, enviou seu especialista e mergulhador técnico, Peter Liem, na expedição. Ele mostrou a garrafa sendo aberta. Veja:

 

 

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Patinado, autoritário e imensuravelmente complexo, este vinho não é apenas vivo, mas totalmente vibrante e delicioso para beber– disse Peter Liem

O especialista detalhou ainda que o champanhe encontrado no naufrágio “faz lembrar shiitake, açafrão, kombu, couro de sela, caixa de charutos, café torrado, com uma vitalidade fervorosa e intensidade perfurante como um grande amontillado”.

Peter Liem. Foto: Baltictech / Divulgação

Resultados iniciais indicaram que o champanhe foi produzido por volta de 1850. A análise ainda foi além, detalhando que o líquido apresenta cerca de 12% de teor alcoólico e aproximadamente 110 gramas de açúcar por litro — tudo isso preservado graças às condições ambientais do fundo do mar, conforme relataram os pesquisadores.

Destroços protagonizam uma viagem no tempo

As garrafas de champanhe preservadas no naufrágio impressionam, mas não são os únicos achados em meio aos destroços do navio. Junto à carga, os mergulhadores encontraram ainda recipientes de água mineral Selters, porcelanas, couro e outros produtos de alto valor.

Equipe Baltictech. Foto: Baltictech / Divulgação

Entre as peças estava um prato de cerâmica fabricado pela empresa britânica Davenport, datada de 1856. Segundo os pesquisadores, a data indica que a embarcação iniciou sua viagem entre o fim daquele ano e o começo de 1857, uma vez que esse tipo de louça costumava permanecer pouco tempo em uso a bordo.


Tudo isso levou os estudiosos a crer que o navio integrava uma missão diplomática enviada por Adolfo, Duque de Nassau, ao czar Alexandre II, com produtos destinados à corte russa durante o período de retomada das relações diplomáticas após a Guerra da Crimeia.

 

A ideia, agora, é analisar áreas ainda não exploradas do navio, a fim de, principalmente, localizar o sino da embarcação, item que pode ajudar na identificação definitiva do barco.

 

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