Conheça o megaiate ligado a bilionário russo que cruzou o Estreito de Ormuz em meio ao bloqueio
Embarcação de 464 pés atravessou rota bloqueada pelo Irã mesmo não sendo um navio cargueiro. Veja mais detalhes do barco!


Desde fevereiro, o Irã restringe fortemente o tráfego pelo Estreito de Ormuz, palco de um conflito iniciado neste ano entre o país e uma coalizão liderada pelos Estados Unidos e Israel. Ainda assim, em meio à escalada de tensões, o megaiate Nord, ligado a um bilionário russo, cruzou a região no último sábado (25), sendo uma das raras embarcações a transitar pela rota bloqueada.
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A informação foi divulgada pela agência de notícias Reuters e chama atenção por um detalhe: apenas alguns navios, em sua maioria cargueiros, têm cruzado diariamente essa via estratégica na entrada do Golfo — ainda mais no momento em que o cessar fogo entre EUA e Irã está instável. Por isso, não está claro como o megaiate, usado para lazer, obteve autorização para usar o caminho.


Avaliado em mais de US$ 500 milhões (cerca de R$ 2,4 bilhões na conversão de abril de 2026), o Nord partiu de Dubai por volta das 14h GTM (horário universal de Greenwich, cerca de 11h no horário de Brasília) da última sexta-feira (24).
De acordo com a plataforma de monitoramento de embarcações MarineTraffic, o megaiate chegou a Mascate, capital de Omã, no início da manhã de domingo (26), cruzando o temido Estreito de Ormuz. Segundo a última atualização do programa, divulgada no mesmo dia da chegada, a embarcação ainda se encontrava ancorada no Golfo de Omã, com destino correspondente a Al Mouj.


Além do mistério envolvendo a passagem pelo estreito, o megaiate também possui uma história nebulosa. O barco frequentemente é ligado ao bilionário russo Alexey Mordashov, magnata da indústria do aço. Embora ele não apareça oficialmente como proprietário do Nord, registros corporativos russos de 2025 indicam que o iate foi registrado em 2022 em nome de uma empresa russa que pertence à sua esposa.
Além disso, a empresa está sediada na cidade de Cherepovets, na Rússia, onde também fica registrada a siderúrgica Severstal, de Mordashov. O empresário é considerado próximo de Vladimir Putin e, por conta disso, está entre os russos sancionados pelos Estados Unidos e pela União Europeia após a Rússia invadir a Ucrânia em 2022.
O que o megaiate tem de demais?
A começar pelo seu tamanho, são 141,6 metros de comprimento (464 pés), o que o classifica como um megaiate de peso. Logo, seu intuito é um só: impressionar. Construído e entregue em 2021 pelo estaleiro alemão Lürssen, o modelo, na época do lançamento, entrou para o ranking dos 10 maiores barcos privados do mundo.


A embarcação, que vinha sendo projetada há quatro anos, foi construída em aço e alumínio, possui seis conveses e 19,5 metros de largura, além de hospedar 36 convidados, espalhados por 20 suítes.
Os hóspedes podem desfrutar de uma enorme piscina de 25 metros, além de um convés inferior que conta com um centro dedicado a esportes aquáticos e mergulho. Inclusive, para quem gosta de ficar pertinho do mar, um amplo beach club atende a esse pedido.


O megaiate que cruzou o Estreito de Ormuz possui uma garagem para embarcações auxiliares de até 15 metros de comprimento, isso sem contar o espaço para um submarino e um Veículo Subaquático Operado Remotamente (ROV, na sigla em inglês).
O estúdio de design responsável pelo projeto optou por uma proa nunca vista num megaiate, inspirada em porta-aviões. São dois helipontos, sendo que um deles possui um hangar retrátil que pode ser usado para proteger o veículo aéreo.


O casco diferenciado do iate, classificado como Ice Class, o permite “explorar” regiões de mares congelados com segurança. Isso porque ele foi construído com chapas de aço mais grossas, trazendo um reforço extra para o barco e tornando-o mais resistente.


Segundo o estaleiro, o Nord foi projetado para longas viagens sem escalas. Pensando nisso, as acomodações dão pleno conforto aos passageiros, com direito a um spa com sauna e uma academia.
Este modelo ainda conta com um sistema de pós-tratamento de gases de escape, que combina um silenciador com redução catalítica seletiva na mesma estrutura. De acordo com a construtora, esse recurso é capaz de eliminar até 97% do nitrogênio e reduzir ainda mais o ruído acústico.
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