Barco Brasil chega a Recife e completa 5ª etapa da regata de volta ao mundo na liderança da categoria

Por: Nicole Leslie -
19/03/2026

De volta ao lar! Única embarcação brasileira na regata de volta ao mundo Globe 40 2025/2026, o Barco Brasil finalmente atracou em terras nativas nesta quinta-feira (19). O veleiro finalizou a 5ª etapa da regata, que partiu de Valparaíso, no Chile, após 28 dias, 16 horas e 56 minutos de navegação e muitos desafios.

Embora tenham sido o último barco dos sete que participaram da etapa a cruzar a linha de chegada em Recife, litoral de Pernambuco, no Brasil, o Barco Brasil segue na liderança da categoria Sharp (barcos de ponta fina). Isso graças a excelentes resultados conquistados em etapas anteriores.

Chegada do Barco Brasil a Recife, na 5ª etapa da Globe 40Foto: Instagram @marionemacario / Reprodução

A disputa permite até quatro pessoas por veleiro durante cada pernada, mas o Barco Brasil foi comandado apenas pela dupla dinâmica José Guilherme Caldas e Luiz Bolina em todas elas. Eles concluíram a 5ª pernada basicamente três dias após o primeiro colocado da vez — mas seguem com números otimistas na competição.

Bolina (à esq.) e Zé (à dir.). Foto: Instagram @barcobrasil / Reprodução

A dupla lidera o ranking da categoria Sharp com 22 pontos. O segundo colocado da categoria, o veleiro austríaco Wilsons Around the World, soma 26,5 pontos. Na classificação geral, o Barco Brasil aparece no pódio, em 3º lugar (47,5 pontos). Antes dele, estão empatados com 19 pontos os barcos Crédit Mutuel (francês) e Belgium Ocean Racing – Curium (alemão), acirrados para a primeira colocação do ranking geral (números da Agência On Board 360°).

Barco Brasil chegando em Recife, nesta quinta-feira (19). Imagens: Instagram @marionemacario / Reprodução

A próxima — e última — etapa da Globe 40 parte de Recife rumo a Lorient, na França, completando o percurso de volta ao mundo. A pernada inicia em 29 de março, com previsão dos competidores começarem a chegar no dia 17 de abril.


Barco Brasil: desafios em alto-mar

A dupla à frente do Barco Brasil resumiu a etapa de Valparaíso a Recife em duas etapas: a primeira até o Cabo Horn e a segunda até Recife. Na primeira parte, a equipe conseguiu manter uma boa navegação e se manteve à frente dos veleiros Sharp. Na segunda parte, porém, o barco foi acometido por problemas devido à condições adversas do clima — e ali também surgiram pressões físicas e psicológicas aos skippers.

 

Ondas grandes e rajadas de vento de 40 nós (74 km/h) causaram sérios problemas no barco. Sendo assim, a dupla precisou gerir a crise para arrumar, ainda que provisoriamente, a embarcação, ao mesmo tempo em que buscava manter uma boa posição na competição e em segurança.

Foto: Instagram @marionemacario / Reprodução

Entre os desafios técnicos, a dupla citou problemas no cabo bobstay, na Genoa 1, em tanques de ballast (vazamentos), no piloto automático, na vela J2 (rasgo), na catraca do mastro (perdida por desgaste), no cabo do enrolador da J2 (rompimento), no sistemas de carregamento de baterias (pane durante forte ventania), no sistema do leme (entrou água) e no rádio VHF (queda da antena). Como se não bastasse, a quilha ainda bateu em algo “bastante duro”, mas seguiram viagem pois a vistoria implicaria em parar o Barco Brasil.

Recepção do Barco Brasil em Recife. Foto: Instagram @marionemacario / Reprodução

Apesar de todos — e tantos — desafios, a dupla conseguiu “maquiar” os problemas que surgiram na embarcação e recuperar o prejuízo de tempo de prova. Não à toa, chegaram apenas 5 horas depois do penúltimo colocado (o veleiro inglês Jandaga Racing). Agora atracado no Brasil, o barco poderá ser preparado para a 6ª e última etapa da competição. Caso consigam uma boa colocação, o Barco Brasil pode finalizar a Globe 40 2025/2026 na liderança da categoria Sharp.

 

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