Aos 72 anos, velejador completa volta ao mundo sozinho em barco de 5 metros feito em casa
O australiano Eric Marsh é o participante mais velho da Mini Globe Race, regata que teve parada em Recife, no Brasil, em fevereiro


Que tal embarcar em um barco caseiro, feito de madeira compensada, e partir para uma volta ao mundo em solitário? Foi o que fez, aos 72 anos, o australiano Eric Marsh, competidor mais velho da Mini Globe Race (MGR), a 1ª edição de uma regata de circum-navegação do globo em que os competidores navegam em veleiros de apenas 5,80 metros de comprimento (19 pés) construídos em casa.
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Para concretizar o feito e colocar seu nome na história da competição — como o mais velho a completá-la —, Eric navegou 24 mil milhas em 192 dias. Tanto ele quanto os demais 14 competidores partiram de Antígua, ilha no Mar do Caribe, em 23 de fevereiro de 2025, rumo ao contorno do mundo, que terminaria ali mesmo, em uma jornada rumo a Oeste.


Foram, ao todo, seis etapas:
- De Antígua ao Panamá, do Atlântico para o Pacífico;
- Do Panamá ao arquipélago das Ilhas Marquesas, na Polinésia Francesa;
- Das Marquesas a Tonga, pelo Pacífico Sul;
- De Tonga à Cidade do Cabo, na África do Sul, onde os barcos deixam o Pacífico, contornam o sul da Austrália e atravessam o Oceano Índico;
- Da Cidade do Cabo a Recife, no Brasil, subindo o Oceano Atlântico;
- De Recife a Antígua, cruzando novamente o Atlântico tropical.


Confira o momento da chegada de Eric:
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O sonho de uma vida
Eric começou a desbravar o mundo da vela ainda aos 18 anos, na companhia do irmão. Conforme crescia e amadurecia, suas embarcações também. Dos pequenos barcos ele passou a assumir o comando de máquinas maiores, como catamarãs e veleiros rebocáveis.


Ele foi acumulando experiências, inclusive, em regatas oceânicas, como as Melbourne-Hobart e Sydney-Hobart, a regata Melbourne-Vanuatu, em 2010, e a Copa Osaka de iates para duplas, em 2013. Navegar ao redor do mundo, contudo, era o seu maior sonho, e a Mini Globe Race, embora desafiadora, apareceu como a oportunidade ideal para quem já viu de tudo nesse mundo.
Seu barco, o ‘Sunbear‘ (79), foi construído e comandado pelo americano Michael Moyer, um navegador experiente, com 74 mil milhas náuticas no currículo. Eric Marsh, aliás, correu a Globe 5.80 Transat 2023 com o Sunbear, disputa que também envolve esses minibarcos, mas em uma maratona solitária menor, através do Atlântico.
Um susto no meio do caminho: homem ao mar!
Na madrugada de 17 de outubro, já há quase 8 meses no mar, Eric passou por um grande susto, quando caiu na água ainda sob o céu escuro. Conforme relatou ele mesmo à organização da disputa, o incidente se deu enquanto ele recolhia o spinnaker, na proa do barco, quando uma onda enorme atingiu a embarcação.
No instante seguinte eu estava na água, sendo arrastado pelo meu cabo de segurança. Sinceramente, achei que tudo tinha acabado para mim – detalhou Marsh
Ainda conforme o relato, depois de inúmeras tentativas, Eric finalmente voltou ao barco, “molhado, abalado, mas muito grato por estar bem”. Na sequência, ele conseguiu entrar em contato com sua equipe de segurança.


Os resultados até aqui
De acordo com as últimas atualizações da Mini Globe Race, Eric ocupava a 8ª colocação geral da disputa, tendo concluído o feito nesta terça-feira (11). No topo do pódio está o suíço Renaud Stitelmann, que venceu todas as etapas da regata e cravou o recorde inaugural da disputa: 180 dias, 11 horas, 25 minutos e 57 segundos.
Em segundo lugar aparece o australiano Dan Turner, que completou a prova em 184 dias, 1 hora, 20 minutos e 42 segundos, seguido do britânico Keri Harris, que cruzou a linha de chegada após 190 dias, 21 horas, 4 minutos e 45 segundos. Dos 15 velejadores que se inscreveram na competição, 11 já completaram a disputa, conforme a classificação parcial. Confira:
- Renaud Stitelmann, da Suíça – 164D 03H 24M 30S;
- Dan Turner, da Austrália – 167D 05H 23M 19S;
- Keri Harris, do Reino Unido – 173D 14H 45M 52S;
- Pilar Pasanau, da Espanha – 175D 01H 13M 21S;
- Adam Waugh, do Reino Unido – 182D 03H 40M 18S;
- Jakub Ziemkiewicz, da Irlanda – 183D 05H 32M 26S;
- Christian Sauer, da Alemanha – 183D 14H 13M 21S;
- Eric Marsh, da Austrália – 192D 06H 42M 09S;
- Jasmine Harrison, do Reino Unido – 195D 02H 47M 33S;
- Ertan Beskardes, do Reino Unido – 198D 16H 49M 40S;
- Joshua Kali, dos Estados Unidos – 203D 04H 45M 52S.
Inscrições abertas para 2029
A próxima edição da Mini Globe Race está marcada para acontecer em 2029. Conforme explica a organização, para participar, é necessário adquirir um conjunto de plantas do Globe 5.80 e comprovar pelo menos 2 mil milhas náuticas de experiência em navegação oceânica em qualquer embarcação.
O participante deverá ter posse do barco pelo menos 12 meses antes do início da MGR, bem como navegar com ele para manter sua vaga. A taxa de inscrição para “construtores” chega a 8,5 mil euros, o equivalente a R$ 50,7 mil na cotação de março de 2026.
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Terceiro modelo da linha V do estaleiro, iniciada pela elogiadíssima V33 e seguida pela igualmente bem-sucedida V44, a Schaefer V34 é uma lancha walk around, de conceito esportivo, desenvolvida — assim com suas “irmãs — para o mercado internacional, especialmente os Estados Unidos, para onde são enviadas versões com motores de popa — normalmente, dois de 300 hp cada. No Brasil, porém, há também opções de centro-rabeta (diesel, na faixa de 320 hp ou acima). Curiosamente, a configuração de popa, que parecia destinada apenas ao mercado externo, tem ganhado cada vez mais adeptos por aqui.




Interior refinado
Apesar de privilegiar as áreas externas, a V34 tem uma cabine com cama para duas pessoas, banheiro completo, pia e armários — ou seja, oferece um bom conforto para os pernoites. O acesso é feito por uma porta deslizante localizada a bombordo do posto de pilotagem, com trava de segurança. A escada tem degraus fundos e largos. Lá dentro, há um bom sofá em V que se converte em uma cama de casal, além de uma bancada com cuba e armários a bombordo (que não chega a ser uma cozinha, apenas permite a instalação de uma geladeira de 12 volts) e, a boreste, um armário vertical, que pode ser usado como guarda-roupa de uma porta. A iluminação, de teto, é confortável, e existem várias tomadas (de 127 ou 220 volts) distribuídas pelo ambiente. [caption id="attachment_211589" align="alignnone" width="920"]





Console central bem protegido
O posto de comando também foi redesenhado. Em vez de um banco corrido, como na V33, a nova lancha oferece dois bancos individuais. Por sua vez, o para-brisa é integral, conectado ao teto, e ainda há dois vidros laterais rentes ao painel, com proteção efetiva contra vento, respingos e até frio — um ganho considerável para quem navega em diferentes condições. No painel, há espaço para duas telas de 12 polegadas. O volante tem ajuste de altura. A posição de pilotagem é confortável, com assento rebatível e apoio para os pés nas duas posições. Por se tratar de um barco com console central — tanto o piloto como seu acompanhante têm boa visão dos dois bordos. Para não dizer que tudo é perfeito, a posição do rádio VHF, que fica meio escondido, poderia ser um pouco melhor; mesmo assim, dá para visualizar bem o canal. Em compensação, a bússola está centralizada em relação ao piloto, como dever ser. [the_ad_placement id="post-middle-desktop-970-250"] [the_ad_placement id="post-vertical-mobile-328-400"] Quanto ao conjunto de botões para acionar luzes e equipamentos a bordo, a popular “botoeira”, a Schaefer Yachts opta por manter os interruptores individualizados, em vez de agrupá-los em blocos. A solução privilegia a leitura e o manuseio: com cada comando separado e devidamente identificado, reduz-se o risco de confusão — algo comum em painéis com botões muito próximos entre si — e ganha-se em praticidade no uso diário. Fora do console central, na parede da amurada a boreste, há um painel no qual, em caso de emergência, basta apertar dois botões e cortar o combustível que alimenta os motores. [caption id="attachment_211602" align="alignnone" width="920"]

Circulação exemplar, proposta bem definida
Como toda boa walkaround, a V34 privilegia a circulação. E aqui o estaleiro foi especialmente feliz: passagens laterais amplas e seguras permitem contornar toda a embarcação sem esforço; os pegadores são firmes e as amuradas, acolchoadas, o que aumenta o conforto ao se deslocar e evita impactos, especialmente com o barco em movimento. Vale observar, porém, que a adoção do hard-top integral — que se estende até os bordos — a targa acaba limitando a movimentação em situações específicas de pesca esportiva, já que as varas podem esbarrar na estrutura durante a briga com o peixe. Não chega a ser um problema propriamente dito, mas um indicativo claro do posicionamento do modelo: ao contrário da V33, a V34 nasce com foco no lazer e no passeio, e não na pesca. No piso, a madeira teca é item opcional. Nas laterais internas do casco, há lugares para guardar varas de pescar, arpões e demais instrumentos de pesca ou caça submarina, além de um degrau embutido. [caption id="attachment_211592" align="alignnone" width="920"]







Casa de máquinas
A V34 pode ser equipada com um motor de centro-rabeta a diesel ou um par de motores de popa. Neste teste de NÁUTICA, estava equipada com dois motores de popa de 300 hp cada. O acesso ao porão se dá com o levantamento — por meio de um mecanismo elétrico — de um dos sofás e do piso sob ele. Tudo muito simples e rápido. Na versão popa, com a ausência dos motores, sobra espaço para armazenar muita coisa, como parte do material de salvatagem, por exemplo. Por esse porão tem-se acesso aos tanques de água, de 150 litros, e de combustível, de 700 litros. [caption id="attachment_211595" align="alignnone" width="920"]

Mesmo casco, mesma confiança
Hora de navegar. Segundo as projeções do estaleiro, com essa motorização, a Schaefer V34 pode alcançar velocidade máxima na casa dos 40 nós. Para conferir se entrega mesmo o que promete, levamos a irmã da V33 para ás águas de Bertioga, no litoral de São Paulo. Estava equipada com dois motores Mercury V8 de 300 hp.Se o design e o layout evoluíram, o casco permanece o mesmo — e isso é uma ótima notícia. A V34 herda da V33 um casco já amplamente testado e aprovado. Durante o teste, o desempenho confirmou a reputação: navegação macia, sem pancadas secas, com controle total tanto contra quanto a favor das ondas. A 24 nós contra o mar, o casco manteve compostura exemplar. A favor, navegando a 32 nós, mostrou estabilidade e precisão. Em outras palavras: continua sendo um barco fácil de pilotar, previsível e prazeroso — características fundamentais para o público que busca esse tipo de lancha. Com dois motores de popa Mercury V8 de 300 hp e condições ideais, a velocidade pode chegar a cerca de 43 nós. Neste teste, em mar mexido, com ondas de cerca de 1 metro e ventos de 10 a 12 nós, alcançou 42,4 de top, a 6 000 rpm. Para quem busca ainda mais desempenho, há opção de motorização mais potente, como dois motores de popa de 400 hp cada, com os quis é possível superar a casa dos 50 nós. A velocidade de cruzeiro com a motorização testada foi de 27,4 nós, a 4 000 giros, com autonomia próxima de 211 milhas. Em resumo, a Schaefer V34 não tenta reinventar a fórmula — e acerta justamente por isso. Mantém o que a V33 tinha de melhor (casco, desempenho, proposta) e eleva o conjunto com melhorias práticas e perceptíveis no uso real. Mais protegida, mais integrada e mais madura, ela se posiciona como uma evolução natural dentro da linha V do estaleiro e como uma alternativa extremamente consistente para quem busca uma walkaround moderna, eficiente e pronta para diferentes cenários de navegação. A sensação é clara: a V33 cresceu. E virou um barco ainda melhor. [caption id="attachment_211600" align="alignnone" width="920"]

Pontos altos
— Qualidade construtiva — Acabamento de primeira — Casco estável e cortador de onda [caption id="attachment_211596" align="alignnone" width="920"]

Pontos baixos
— Diâmetro da corrente da âncora deveria ser maior — Falta trava para a corrente da âncora — Não tem opção de verificação visual do nível dos tanques de combustívelDetalhes da navegação
A V34 estava equipada com dois motores Mercury V8 de 300 hp cada, num dia de mar mexido, com ventos de 12 nós e ondas de 1,00 metro de altura. A bordo três pessoas, 150 litros de água e 80 litros de combustível. VELOCIDADE MÁXIMA: 42,4 nós (a 6 000 rpm) CRUZEIRO ECONÔMICO: 27,4 nós (a 4 000 rpm) ACELERAÇÃO 7,4 segundos até 20 nós POTÊNCIA: 2 x motores de popa de 300 hp PREÇO: A partir de R$ 2,4 milhões, equipada com dois motores de popa de 300 hp cada (preço pesquisado em abril/2026) [caption id="attachment_211590" align="alignnone" width="920"]

Como ela é
Ficha técnica da Schaefer V34 — Comprimento total: 10,33 m (33,9 pés) — Boca máxima: 3,35 metros. — Calado: 0,45 metros — Tanque de combustível: 700 litros — Tanque de água doce: 150 litros — Capacidade de passageiros (dia/noite): 10/2 pessoas — Ângulo de V na popa (deadrise): 18,9° — Deslocamento (leve): 4.950 kg [caption id="attachment_211705" align="alignnone" width="920"]





















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