“Brinquedo de luxo”? Marca chinesa lança “barco voador” para uso pessoal

10/06/2026

A categoria dos “brinquedos aquáticos de luxo”, que engloba desde os jets e pranchas motorizadas até os submarinos particulares, acaba de ganhar um novo componente à altura. Isso porque a chinesa NAVEE, especialista em mobilidade elétrica urbana, apresentou o WaveFly 5X, um tipo de “barco voador” voltado ao uso pessoal.

O modelo, revelado durante um voo de demonstração no início do mês, integra a estratégia da empresa — famosa pelos patinetes elétricos — de expandir sua atuação para um ecossistema de mobilidade “terra-mar-ar”. Até por isso, ao primeiro olhar, é quase inevitável associar a novidade a um hidroavião, embora não seja bem assim.

Foto: NAVEE / Divulgação

O WaveFly 5X é um veículo do tipo WIG Craft — sigla para Wing-in-Ground Effect Craft, ou o que chamamos de “veículo de efeito solo”, um fenômeno aerodinâmico que acontece quando uma asa voa muito próxima da superfície. Nessa condição, o ar comprimido entre a asa e a água cria uma espécie de colchão de sustentação, reduzindo o arrasto e aumentando a eficiência do deslocamento. Veja o momento da demonstração:

 

 

Assim, ele funciona de maneira diferente de um hidroavião — que é capaz de ganhar altitude e operar em espaço aéreo convencional — e, tecnicamente, não é classificado como uma aeronave comum. Não à toa, a marca chinesa o classifica como o primeiro do tipo a nível consumidor do mundo.

 

Segundo a NAVEE, além de dispensar o uso de uma pista de decolagem tradicional, o WaveFly 5X busca oferecer uma experiência de navegação mais rápida, silenciosa e eficiente em comparação às embarcações tradicionais de pequeno porte.


Ainda de acordo com a marca, o modelo pode atingir até 85 km/h, possui autonomia estimada de 80 quilômetros, traz fuselagem em fibra de carbono de nível aeroespacial e capacidade para transportar até 140 kg.

 

Embora não tenha divulgado mais detalhes sobre esse “barco voador”, como a capacidade de pessoas a bordo ou a necessidade de uma habilitação para pilotá-lo, a marca chinesa afirma já ter recebido cartas de intenção de distribuidores da América do Norte, Europa, Oriente Médio e Ásia-Pacífico interessados na comercialização do veículo.

Volitan: o “barco voador” brasileiro

A proposta da NAVEE, embora inovadora, não é novidade em solo brasileiro. Por aqui, desde 2021, a startup AeroRiver, incubada no Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), trabalha no projeto Volitan, um ecranoplano (veículo que combina características de barcos e aeroplanos) que promete revolucionar o transporte de cargas e pessoas na Amazônia.

Foto: AeroRiver / Divulgação

Com 18 metros de comprimento, o Volitan também utilizará o efeito solo para planar sobre a água. Segundo a AeroRiver, o modelo terá autonomia para percorrer uma distância de até 450 quilômetros sem reabastecer, operando a uma altura entre 5 e 10 metros da água, com velocidade de 81 nós (150 km/h).

 

Esse “barco voador” será capaz de transportar dez passageiros, ou, ainda, uma tonelada de carga, emitindo, de acordo com a empresa, menos dióxido de carbono (CO2) do que embarcações e aeronaves tradicionais.

 

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