BRP revela as novidades da linha 2022 em evento global. Confira

Por: Redação -
12/08/2021

A BRP lançou oficialmente a linha 2022 de suas marcas, incluindo a Sea-Doo, nesta quarta-feira, 11 de agosto, em evento global realizado virtualmente. As novidades para todos os segmentos trazem novos produtos, cores diferenciadas e inovações tecnológicas.

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No segmento náutico, a Sea-Doo é referência quando se fala em desenvolvimento e introdução de tecnologias pioneiras. Bons exemplos são o iBR, primeiro sistema de freio e ré em embarcações sem tirar as mãos do guidão, que confere aos usuários mais controle e segurança; e o CLCS, sistema de refrigeração em circuito fechado, que amplia a confiabilidade ao evitar que água salgada corrosiva e detritos entrem no motor. No ano passado, mais uma tecnologia inédita foi introduzida à linha de motos aquáticas da marca, o iDF, sistema inteligente livre de detritos, que reverte o giro do motor para expelir algas e detritos presos na admissão, sem precisar tirar as mãos do guidão.

Com a linha 2022 não será diferente. O principal lançamento global é o Sea-Doo Switch, um barco totalmente novo que promete revolucionar o segmento de pontoons, combinando a diversão e dirigibilidade de um Sea-Doo com a versatilidade e espaço a bordo de um barco. A marca também apresenta novos modelos de motos aquáticas voltadas para a pesca esportiva, como FishPro Scout 130, que torna mais acessível a experiência, com recursos incríveis para o pescador ocasional. Além disso, a linha 2022 Sea-Doo apresenta novas cores e a maior variedade de modelos voltados para pesca, prática de esportes a reboque e lazer, como passar o dia na represa ou fazer um passeio mais longo pela costa.

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As novidades da Sea-Doo para o Brasil serão detalhadas assim que desembarcarem no país, a partir de outubro. Até lá é possível ter mais informações da linha 2022 nas mais de 70 concessionárias espalhadas pelo país.

Desempenho reforça resultados financeiros

No fechamento do ano fiscal 2021, encerrado em janeiro último, a companhia superou as expectativas, mesmo no ano mais agudo da pandemia de Covid-19. Os dados positivos reforçaram os pilares da empresa em novos investimentos em tecnologias e inovação, o que vem consagrando as linhas de produtos BRP na era da mobilidade elétrica.

Para 2022, a BRP projeta um novo ciclo de crescimento em sua receita, em torno de 25% a 30% com relação ao período encerrado em janeiro de 2021 e ainda o aumento do lucro diluído normalizado entre 35% e 48%, gerando alta de CA $ 7,25 a CA $ 8 (dólares canadenses) por ação.

As boas perspectivas da BRP estão amparadas também no recentemente plano de eletrificação de veículos on-road, off-road e aquáticos até 2026, com investimento de CA $ 300 milhões (dólares Canadenses), que contempla o desenvolvimento próprio de conjuntos de potência e baterias elétricas Rotax. Para isso, a empresa está ampliando suas equipes de engenharia na Áustria e estruturando um novo Centro de Desenvolvimento em Valcourt, Canadá.

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    Quem fala pela náutica?

    Salvador recebeu o 2º Fórum Náutico Internacional, realizado pela Associação Náutica da Bahia, com empresários, gestores públicos, especialistas e convidados de fora do país. A Baía de Todos-os-Santos é um dos maiores ativos náuticos do mundo, e ninguém na plateia precisava ser convencido disso. Ouvimos casos de sucesso, projetos de marinas, roteiros, regatas, oportunidades de investimento. Mas, quando chegou a minha vez de encerrar, preferi falar sobre o que ainda nos impede de transformar todo esse potencial em desenvolvimento de verdade.

     

    O setor náutico brasileiro ainda não sabe se defender.

    Um setor que conversa consigo mesmo

    Somos estaleiros, marinas, garagens náuticas, clubes, escolas de vela, operadores de passeio, fornecedores, mecânicos, marinheiros, guias, pescadores esportivos, agências de turismo. Cada elo da cadeia tem sua associação, seu grupo de WhatsApp, sua pauta. E, enquanto conversamos entre nós, as decisões que definem o nosso futuro são tomadas em outros lugares, quase sempre sem a gente na mesa.

     

    Pense em quantas instâncias de poder tocam a náutica. O licenciamento ambiental de uma marina. A alíquota de ICMS sobre a embarcação. As normas da Marinha. O plano diretor que define o uso da orla. O ordenamento de praias e acessos públicos à água. As linhas de crédito para o pequeno empreendedor. A formação de mão de obra. O saneamento. Câmaras municipais, assembleias legislativas, Congresso Nacional, conselhos, órgãos ambientais, ministérios. Em cada um desses espaços, alguém está falando sobre o nosso setor. A pergunta é: somos nós?

     

    Na maioria das vezes, não. E quem não está na mesa costuma estar no cardápio.

    [caption id="attachment_208270" align="alignnone" width="920"] Foto: NatalieZera / Envato[/caption]

    Advocacy não é palavrão

    Por isso defendi, no encerramento do fórum, que o mercado náutico precisa se unir para construir um trabalho permanente de advocacy. Não se trata de lobby no sentido pejorativo, nem de defender o interesse de uma empresa isolada. É representação organizada: uma agenda comum, dados confiáveis, propostas técnicas e presença constante em todos os espaços onde se decide algo que afeta o setor.

     

    Tenho visto de perto o que isso produz. Em São Paulo, o Fórum Náutico Paulista reúne voluntariamente empresários, gestores públicos e pesquisadores há quase duas décadas. Foi esse trabalho paciente, reunião após reunião, que ajudou a construir o plano de desenvolvimento do turismo náutico sustentável que virou programa de estado, o decreto de fomento ao setor, a nova regulamentação ambiental para estruturas náuticas e a agenda de redução de ICMS e de crédito para o setor. Nada disso caiu do céu. Aconteceu porque havia alguém, em nome do setor, sentado à mesa certa, com a proposta pronta.

     

    Esse modelo precisa existir na Bahia, em cada estado com vocação náutica e, sobretudo, em escala nacional.

     

    Explicar para quem não navega

    O segundo ponto da minha fala é tão importante quanto o primeiro: precisamos de assessoria de imprensa e de comunicação profissional para o setor.

     

    Para boa parte da população, a náutica ainda é "coisa de rico". Uma marina nova é vista como ameaça ao acesso à praia; um projeto de garagem náutica, como problema ambiental. E, quando não explicamos, alguém explica por nós, quase sempre mal.

     

    Temos uma história poderosa para contar e não contamos. Um estudo do Fórum Náutico Paulista mostrou que a cadeia náutica de lazer movimentava cerca de R$ 5,3 bilhões por ano no estado de São Paulo e gerava mais de 27 mil empregos. E apenas 0,8% da população paulista usava embarcações de lazer, contra 5,3% no Reino Unido. Ou seja, o potencial de crescimento é enorme, e esse crescimento significa renda para o marinheiro, para o mecânico, para o laminador, para a cozinheira do restaurante da marina, para o operador de passeio caiçara que se formaliza.

     

    Essa é a náutica que precisa chegar ao jornal, à TV, às redes sociais, à conversa de bar. O cidadão que entende que a cidade náutica gera emprego para o filho dele deixa de ser opositor e passa a ser aliado. E o político que percebe que a população apoia o setor passa a apoiá-lo também. Comunicação e advocacy andam juntas.

    [caption id="attachment_206807" align="alignnone" width="920"] Foto: nd3000/ Envato[/caption]

    Náutica precisa de água limpa

    Não poderia falar de união do setor sem lembrar de uma bandeira que o Dr. Castello Branco, presidente do Fórum Náutico Paulista, repete há anos e que se tornou princípio do nosso trabalho: náutica precisa de água limpa.

     

    É simples e é definitivo. Não existe turismo náutico, não existe marina, não existe regata, não existe mergulho, não existe passeio de barco em água poluída. O setor náutico é, por natureza, o maior interessado em rios, represas, baías e mares saudáveis. E é exatamente por isso que essa bandeira deveria estar no centro do nosso advocacy.

     

    Quando o setor náutico se coloca como defensor do saneamento, da qualidade da água e da conservação dos ambientes aquáticos, ele inverte a narrativa. Deixa de ser visto como ameaça ambiental e passa a ser reconhecido como guardião da água. Um setor unido, que cobra investimento em saneamento nas mesmas instâncias em que discute tributo e licenciamento, ganha legitimidade para todo o resto da agenda.

    O próximo passo é nosso

    Saí da Bahia convencida de que o Brasil náutico tem tudo: costa, rios, represas, gente talentosa, empresas competentes, gestores públicos interessados. O que falta é organização. Falta transformar dezenas de vozes isoladas em uma voz coletiva, técnica e presente.

     

    Fóruns como o da Bahia são o começo dessa conversa. O desafio agora é que ela não termine no encerramento do evento. Que vire rede, agenda comum, representação permanente e comunicação com a sociedade.

     

    A pergunta que deixei para a plateia, e que deixo para você, leitor, é a do título: quem fala pela náutica? Enquanto a resposta for "cada um por si", seguiremos perdendo espaço. Quando a resposta for "todos nós", o setor finalmente vai ocupar o lugar que merece no desenvolvimento do país.

      Mestre em Comunicação e Gestão Pública, Bianca Colepicolo é especialista em turismo náutico e coordena o Fórum Náutico Paulista. Autora de “Turismo Pra Quê?”, Bianca também é consultora e palestrante.