Como deixar o barco mais confortável termicamente? Veja soluções que ajudam a controlar o calor a bordo

Da escolha dos materiais à circulação de ar, diferentes recursos podem reduzir o calor e melhorar o conforto dentro da embarcação

02/10/2026
Combinações simples podem mudar completamente a percepção de calor no barco. Foto: chloeboulos / Envato

Em um dia de sol no mar, não demora muito para que o interior de uma embarcação comece a esquentar. Grandes áreas envidraçadas, superfícies expostas à radiação solar e até o reflexo da água podem aumentar a carga térmica dentro dos ambientes. O resultado é famoso: mais calor no barco, maior necessidade de ar-condicionado e, consequentemente, maior consumo de energia.

Por isso, o conforto climático a bordo não pode depender apenas da potência do sistema de climatização. Uma combinação de soluções simples pode ajudar a impedir que o calor entre, facilitar sua dissipação e manter a temperatura interna mais estável. Confira as dicas a seguir.

Proteção contra o sol

É nesse contexto que entram soluções como a Duette®, da Hunter Douglas. Inspirada na estrutura dos favos de mel, sua construção celular cria pequenas câmaras de ar que funcionam como uma barreira à troca de calor entre o ambiente externo e o interno. Segundo a fabricante, a tecnologia pode reduzir em até 78% a entrada de calor pelas janelas nos dias quentes e reter até 46% do calor interno nos dias frios.

 

Com isso, o modelo também pode contribuir para diminuir a necessidade de climatização artificial, com redução de até 56% nessa demanda. Em uma embarcação, onde grandes áreas envidraçadas podem favorecer o ganho de calor e aumentar a carga sobre o sistema de ar-condicionado, esse controle ganha importância.

Aplicação do modelo Duette®. Foto: @gustavoxavier / Divulgação

A Duette® também oferece diferentes níveis de filtragem da luz, incluindo opções de escurecimento, permitindo adequar a luminosidade e a privacidade de cada ambiente. Sua estrutura celular ainda contribui para o conforto acústico, com redução de até 45% dos ruídos externos, segundo a Hunter Douglas.

 

A solução também pode ser equipada com o sistema de motorização PowerView®, da Hunter Douglas, que permite controlar as cortinas por controle remoto, aplicativo ou comando de voz. O sistema também possibilita programar horários e posições de abertura e fechamento, facilitando o gerenciamento da entrada de luz ao longo do dia.


Já a Silhouette® tem como foco o controle da luz natural. Suas lâminas em formato de “S”, suspensas entre véus transparentes, permitem ajustar a entrada de luminosidade e filtrar suavemente a luz natural, reduzindo reflexos e o ofuscamento. Com as lâminas abertas, os véus ajudam a difundir a luz e preservar a conexão visual com o exterior, enquanto o fechamento proporciona maior bloqueio de luz e privacidade.

 

A solução também oferece proteção contra os raios UV, ajudando a preservar móveis, pisos, marcenaria, obras de arte e outros elementos do ambiente. Segundo a Hunter Douglas, a Silhouette® filtra até 87% dos raios UV com as lâminas abertas e até 99% quando fechadas. O modelo ainda está disponível em diferentes níveis de transparência, incluindo opções com maior escurecimento.

Aplicação do modelo Silhouette®. Foto_@gustavoxavier_ / Divulgação

Para projetos que demandam diferentes níveis de controle da luminosidade, a Silhouette® conta ainda com opções como a Duolite, que combina as lâminas de tecido em formato de “S” com uma cortina blackout integrada, ampliando as possibilidades de controle da luz e da privacidade.

Vidros e isolamento também contam

A escolha dos vidros pode ter impacto significativo no conforto térmico. Dependendo do projeto, recursos como vidros de controle solar e películas específicas podem ajudar a limitar a quantidade de radiação que chega ao interior.

Foto: RossHelen / Envato

O isolamento térmico da própria embarcação também merece atenção. Teto, paredes, piso e outros elementos construtivos podem contribuir para reduzir a transferência de calor entre o exterior e os ambientes internos. Em barcos, porém, essas soluções precisam conciliar desempenho térmico com características importantes para a náutica, como baixo peso, resistência à umidade e durabilidade.

Ventilação é bem-vinda

Quando as condições de navegação e o projeto da embarcação permitem, a ventilação natural também pode contribuir para o conforto. Escotilhas, vigias, portas e janelas abertas favorecem a renovação do ar e podem ajudar a dissipar o calor acumulado. Isso não significa substituir o sistema de climatização, mas utilizá-lo em conjunto com a circulação natural de ar sempre que possível e seguro.

Foto: maxbelchenko / Envato

Ar-condicionado bem dimensionado

Por fim, um sistema de climatização adequado continua sendo fundamental. O dimensionamento não deve considerar apenas o tamanho dos ambientes, mas também fatores como área envidraçada, incidência solar, isolamento térmico, quantidade de pessoas e equipamentos instalados a bordo.


Na prática, quanto menor for a quantidade de calor que entra no ambiente, menor tende a ser o esforço necessário para manter a temperatura desejada — e menor, também, o consumo de combustível com o aparelho.

 

Assim, tornar um barco mais confortável climaticamente é menos uma questão de simplesmente aumentar a potência do ar-condicionado e mais de combinar diferentes estratégias. Sombra, proteção solar, isolamento, ventilação e climatização adequada trabalham juntos para criar ambientes mais agradáveis e eficientes a bordo.

 

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    Quem fala pela náutica?

    Salvador recebeu o 2º Fórum Náutico Internacional, realizado pela Associação Náutica da Bahia, com empresários, gestores públicos, especialistas e convidados de fora do país. A Baía de Todos-os-Santos é um dos maiores ativos náuticos do mundo, e ninguém na plateia precisava ser convencido disso. Ouvimos casos de sucesso, projetos de marinas, roteiros, regatas, oportunidades de investimento. Mas, quando chegou a minha vez de encerrar, preferi falar sobre o que ainda nos impede de transformar todo esse potencial em desenvolvimento de verdade.

     

    O setor náutico brasileiro ainda não sabe se defender.

    Um setor que conversa consigo mesmo

    Somos estaleiros, marinas, garagens náuticas, clubes, escolas de vela, operadores de passeio, fornecedores, mecânicos, marinheiros, guias, pescadores esportivos, agências de turismo. Cada elo da cadeia tem sua associação, seu grupo de WhatsApp, sua pauta. E, enquanto conversamos entre nós, as decisões que definem o nosso futuro são tomadas em outros lugares, quase sempre sem a gente na mesa.

     

    Pense em quantas instâncias de poder tocam a náutica. O licenciamento ambiental de uma marina. A alíquota de ICMS sobre a embarcação. As normas da Marinha. O plano diretor que define o uso da orla. O ordenamento de praias e acessos públicos à água. As linhas de crédito para o pequeno empreendedor. A formação de mão de obra. O saneamento. Câmaras municipais, assembleias legislativas, Congresso Nacional, conselhos, órgãos ambientais, ministérios. Em cada um desses espaços, alguém está falando sobre o nosso setor. A pergunta é: somos nós?

     

    Na maioria das vezes, não. E quem não está na mesa costuma estar no cardápio.

    [caption id="attachment_208270" align="alignnone" width="920"] Foto: NatalieZera / Envato[/caption]

    Advocacy não é palavrão

    Por isso defendi, no encerramento do fórum, que o mercado náutico precisa se unir para construir um trabalho permanente de advocacy. Não se trata de lobby no sentido pejorativo, nem de defender o interesse de uma empresa isolada. É representação organizada: uma agenda comum, dados confiáveis, propostas técnicas e presença constante em todos os espaços onde se decide algo que afeta o setor.

     

    Tenho visto de perto o que isso produz. Em São Paulo, o Fórum Náutico Paulista reúne voluntariamente empresários, gestores públicos e pesquisadores há quase duas décadas. Foi esse trabalho paciente, reunião após reunião, que ajudou a construir o plano de desenvolvimento do turismo náutico sustentável que virou programa de estado, o decreto de fomento ao setor, a nova regulamentação ambiental para estruturas náuticas e a agenda de redução de ICMS e de crédito para o setor. Nada disso caiu do céu. Aconteceu porque havia alguém, em nome do setor, sentado à mesa certa, com a proposta pronta.

     

    Esse modelo precisa existir na Bahia, em cada estado com vocação náutica e, sobretudo, em escala nacional.

     

    Explicar para quem não navega

    O segundo ponto da minha fala é tão importante quanto o primeiro: precisamos de assessoria de imprensa e de comunicação profissional para o setor.

     

    Para boa parte da população, a náutica ainda é "coisa de rico". Uma marina nova é vista como ameaça ao acesso à praia; um projeto de garagem náutica, como problema ambiental. E, quando não explicamos, alguém explica por nós, quase sempre mal.

     

    Temos uma história poderosa para contar e não contamos. Um estudo do Fórum Náutico Paulista mostrou que a cadeia náutica de lazer movimentava cerca de R$ 5,3 bilhões por ano no estado de São Paulo e gerava mais de 27 mil empregos. E apenas 0,8% da população paulista usava embarcações de lazer, contra 5,3% no Reino Unido. Ou seja, o potencial de crescimento é enorme, e esse crescimento significa renda para o marinheiro, para o mecânico, para o laminador, para a cozinheira do restaurante da marina, para o operador de passeio caiçara que se formaliza.

     

    Essa é a náutica que precisa chegar ao jornal, à TV, às redes sociais, à conversa de bar. O cidadão que entende que a cidade náutica gera emprego para o filho dele deixa de ser opositor e passa a ser aliado. E o político que percebe que a população apoia o setor passa a apoiá-lo também. Comunicação e advocacy andam juntas.

    [caption id="attachment_206807" align="alignnone" width="920"] Foto: nd3000/ Envato[/caption]

    Náutica precisa de água limpa

    Não poderia falar de união do setor sem lembrar de uma bandeira que o Dr. Castello Branco, presidente do Fórum Náutico Paulista, repete há anos e que se tornou princípio do nosso trabalho: náutica precisa de água limpa.

     

    É simples e é definitivo. Não existe turismo náutico, não existe marina, não existe regata, não existe mergulho, não existe passeio de barco em água poluída. O setor náutico é, por natureza, o maior interessado em rios, represas, baías e mares saudáveis. E é exatamente por isso que essa bandeira deveria estar no centro do nosso advocacy.

     

    Quando o setor náutico se coloca como defensor do saneamento, da qualidade da água e da conservação dos ambientes aquáticos, ele inverte a narrativa. Deixa de ser visto como ameaça ambiental e passa a ser reconhecido como guardião da água. Um setor unido, que cobra investimento em saneamento nas mesmas instâncias em que discute tributo e licenciamento, ganha legitimidade para todo o resto da agenda.

    O próximo passo é nosso

    Saí da Bahia convencida de que o Brasil náutico tem tudo: costa, rios, represas, gente talentosa, empresas competentes, gestores públicos interessados. O que falta é organização. Falta transformar dezenas de vozes isoladas em uma voz coletiva, técnica e presente.

     

    Fóruns como o da Bahia são o começo dessa conversa. O desafio agora é que ela não termine no encerramento do evento. Que vire rede, agenda comum, representação permanente e comunicação com a sociedade.

     

    A pergunta que deixei para a plateia, e que deixo para você, leitor, é a do título: quem fala pela náutica? Enquanto a resposta for "cada um por si", seguiremos perdendo espaço. Quando a resposta for "todos nós", o setor finalmente vai ocupar o lugar que merece no desenvolvimento do país.

      Mestre em Comunicação e Gestão Pública, Bianca Colepicolo é especialista em turismo náutico e coordena o Fórum Náutico Paulista. Autora de “Turismo Pra Quê?”, Bianca também é consultora e palestrante.

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