Cenotes de península mexicana serão recriados em 3D

Por: Redação -
04/09/2019

Mergulhadores e fotógrafos vão explorar as profundezas dos cenotes, formações que os antigos maias viam como portais sagrados, para recriá-las em 3D. Há cerca de 66 milhões de anos, um asteroide com 15 km de diâmetro se chocou com a península de Yucatán, no México. Acredita-se que ele tenha eliminado quase todos os dinossauros.

O impacto causou um megatsunami, liquefez bilhões de toneladas de rochas e criou uma cratera com 200 km de extensão na superfície da Terra que a água preencheu, criando milhares de cavernas. Ao longo de milênios, algumas dessas cavernas em rochas calcárias desabaram, enquanto outras erodiram, formando vastas redes de sistemas de cavernas inundadas.

Conhecidas como cenotes, esses reservatórios subterrâneos de água eram mais do que fontes para povoados da civilização Maia. Acredita-se que eles também fossem portais sagrados através dos quais os maias se comunicassem com os deuses da chuva e da criação. Por isso, os maias constantemente atiravam humanos sacrificados, placas de ouro e tigelas com contas de jade nas profundezas da caverna como oferendas. Pensava-se que, por esses buracos, os mortos passassem ao mundo escuro e traiçoeiro de Xibalba, onde humanos e deuses renasciam.

Hoje, enquanto os cenotes provêm 95% da água potável para boa parte da população local, visitantes de várias partes do mundo vão à Riviera Maia em Yucatán para se banhar e mergulhar nas piscinas naturais. As coberturas que lembram catedrais e as águas ricas em minérios se tornaram algumas das atrações mais populares da região.

Mesmo assim, há ainda milhares de cenotes escondidos muitos metros abaixo das florestas da região, e cientistas acreditam que esses labirintos submersos podem conter dicas valiosas que ajudem a conectar o passado misterioso dos Maias ao presente.

De fato, muitos anos atrás mergulhadores descobriram um dos mais velhos esqueletos humanos já achados nas Américas, que revelou pistas sobre a origem do continente. E, no ano passado, descobriu-se que a caverna onde o esqueleto foi achado era uma pequena parte de uma das mais longas rede de cavernas do mundo: o sistema Sac Atun, com 348 km de comprimento.

Agora, uma equipe de mergulhadores, fotógrafos, arqueólogos e especialistas em computação gráfica estão se aventurando por dezenas de cenotes inexplorados na Riviera Maia. O objetivo é capturar imagens de seus interiores e transformá-las em imagens em 3D para que outras pessoas possam explorá-las virtualmente de suas casas.

Conhecida como Wonderland Project, a iniciativa envolve mergulhar com lâmpadas nas cabeças para acessar e documentar alguns dos mais profundos e remotos cenotes que jamais foram abertos ao público. O material será divulgado online para que qualquer pessoa com equipamentos que leem imagens 3D possam visitar as cavernas e descobrir seus mistérios antigos – de fósseis a ossos, passando por artefatos maias preciosos.

Os cenotes não são abertos ao público por estarem em terras privadas, escondidos em áreas florestais remotas ou por só serem acessíveis com técnicas avançadas de mergulho.  Como mexer em sítios arqueológicos antigos e sagrados é um tema sensível, o projeto só capturará artefatos, fósseis e ossos por meio de imagens, deixando os locais intocados. E para impedir que pessoas pilhem os itens nos cenotes, a localização de cada formação não será divulgada.

Receba notícias de NÁUTICA no WhatsApp. Inscreva-se!

Quer conferir mais conteúdo de NÁUTICA?
A nova edição já está disponível nas bancas, no nosso app e também na Loja Virtual. Baixe agora!
App Revista Náutica
Loja Virtual
Disponível para tablets e smartphones

Para compartilhar esse conteúdo, por favor use o link da reportagem ou as ferramentas oferecidas na página. Textos, fotos e vídeos de NÁUTICA estão protegidos pela legislação brasileira sobre direito autoral. Não reproduza o conteúdo em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem nossa autorização ([email protected]). As regras têm como objetivo proteger o investimento que NÁUTICA faz na qualidade de seu jornalismo.

Náutica Responde

Faça uma pergunta para a Náutica

    Relacionadas

    Volvo Penta anuncia Sistema IPS Híbrido no São Paulo Boat Show 2026

    Solução terá apresentação conceitual ao lado de destaques como o IPS Professional e os Planos de Manutenção da marca. Evento ocorre de 24 a 29 de setembro

    Estreante na Refeno, Orion conquista Fita Azul e derruba recorde de 2007

    Trimarã MOD70 comandado por Sérgio Avellar completou a travessia Recife–Fernando de Noronha em 14h18min56s e superou marca histórica do Adrenalina Pura

    37ª Refeno larga neste sábado com 94 barcos e programação aberta ao público

    Maior regata oceânica da América Latina parte do Marco Zero, no Recife, rumo a Fernando de Noronha, com camarote acessível, ações culturais e disputa pela Fita Azul

    Marujo’s chega ao Recife para sua 28ª Refeno em busca de título na RGS B

    Veleiro campeão da Bahia reúne tradição familiar, experiência oceânica e nova parceria para enfrentar a travessia até Fernando de Noronha

    Consórcio, compartilhamento e novos formatos ampliam acesso à náutica

    Vertentes aparecem como caminhos para atrair novos consumidores ao mercado náutico. Conheça marcas que estarão no São Paulo Boat Show 2026