Com brasileiros confirmados, Volvo Ocean Race divulga lista de atletas

Por: Redação -
20/10/2017
Foto: Pedro Martinez

As sete equipes que disputam a Volvo Ocean Race já definiram os atletas que estarão a bordo para a primeira etapa, entre Alicante, na Espanha, e Lisboa, em Portugal, na manhã deste domingo (22). Os brasileiros Joca Signorini e a campeã olímpica Martine Grael estão confirmados na prova, que terá 1 450 milhas náuticas ou 2 650 quilômetros. Outros nomes de peso da vela mundial como os neozelandeses Peter Burling e Blair Tuke – ganhadores da America’s Cup e Rio 2016 – e os espanhóis Xabi Fernandéz e Tamara Echegoyen – ouro em Atenas 2004 e Londres 2012 – também fazem parte da lista.

O brasileiro Joca Signorini inicia sua quarta Volvo Ocean Race como atleta profissional. Campeão da regata em 2008-09, o velejador acredita que essa edição é uma das mais fortes tecnicamente da história.

”A regata de volta ao mundo sempre esteve entre os principais eventos da modalidade e, claro, com os melhores velejadores sempre presentes. Mas agora a qualidade técnica deles é incrível. São medalhistas olímpicos, vencedores da America’s Cup e da própria Volvo Ocean Race. Isso só enriquece a competição. O importante é disputar regatas contra os melhores”, disse o carioca integrante do team AkzoNobel.

Campeã olímpica na Rio 2016, a atleta Martine Grael fará sua estreia na Volvo Ocean Race, também a bordo do team AkzoNobel. Na prática, a velejadora terá sua primeira grande experiência em provas de oceano, já que dedicou sua carreira até agora à regatas com distâncias curtas, como as provas olímpicas.

”Será a primeira vez que vou passar mais dias velejando de fato e, logo de cara, vou pegar uma semana. Nas regatas-treino, eu fiquei no máximo três noites seguidas competindo. O bom dessa primeira etapa é que vamos pegar vento de popa até Portugal. Nos treinos enfrentamos muito contravento”.

A Leg 1 entre Alicante, na Espanha, e Lisboa, Portugal, obrigará os barcos a passar pela ilha de Porto Santo antes de sprint final rumo à capital portuguesa.

A regata promete ser bastante complicada do ponto de vista técnico, mesmo sendo uma das mais curtas da regata.

O português Bernardo Freitas, integrante do Turn the Tide on Plastic, acredita que sua equipe não terá vantagem por conhecer o lugar. O veleiro comandando pela britânica Dee Cafari é de bandeira portuguesa. ”É a terceira vez que a Volvo Ocean Race chega em Lisboa e os velejadores são do mais alto nível. Talvez a nossa única vantagem seja na aproximação à linha de chegada por conhecer o regime de ventos local”.

Saiba quem estará na regata

Dongfeng Race Team:

Charles Caudrelier (skipper)
Pascal Bidégorry
Stuart Bannatyne
Jérémie Beyou
Daryl Wislang
Marie Riou
Carolijn Brouwer
Jackson Bouttell
Chen Jinhao (Horace)
Richard Edwards (OBR)

team AkzoNobel:

Brad Jackson (skipper)
Jules Salter
Joca Signorini
Nicolai Sehested
Emily Nagel
Martine Grael
Luke Molloy
Rome Kirby
Brad Farrand
Konrad Frost (OBR)

Team Brunel:

Bouwe Bekking (skipper)
Carlo Huisman
Alberto Bolzan
Kyle Langford
Andrew Cape
Maciel Cicchetti
Peter Burling
Annie Lush
Abby Ehler
Martin Keruzoré (OBR)

Team Sun Hung Kai/Scallywag:

David Witt (skipper)
Alex Gough
Annemieke Bes
Ben Piggott
John Fisher
Luke Parkinson
Steve Hayles
Tom Clout
Jeremie Lecaudey (OBR)

Turn the Tide on Plastic

Dee Caffari (skipper)
Nico Lunven
Martin Strömberg
Liz Wardley
Annalise Murphy
Francesca Clapcich
Bianca Cook
Lucas Chapman
Bleddyn Mon
Bernardo Freitas
Jen Edney (OBR)

Vestas 11th Hour Racing

Charlie Enright (skipper)
Simon Fisher
Mark Towill
Phil Harmer
Nick Dana
Tom Johnson
Tony Mutter
Stacey Jackson
Jena Hansen
James Blake (OBR)

MAPFRE:

Xabi Fernández (skipper)
Joan Vila
Pablo Arrarte
Rob Greenhalgh
Antonio “Ñeti” Cuervas-Mons
Blair Tuke
Willy Altadill
Sophie Ciszek
Támara Echegoyen
Ugo Fonollá (OBR)

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    Quem fala pela náutica?

    Salvador recebeu o 2º Fórum Náutico Internacional, realizado pela Associação Náutica da Bahia, com empresários, gestores públicos, especialistas e convidados de fora do país. A Baía de Todos-os-Santos é um dos maiores ativos náuticos do mundo, e ninguém na plateia precisava ser convencido disso. Ouvimos casos de sucesso, projetos de marinas, roteiros, regatas, oportunidades de investimento. Mas, quando chegou a minha vez de encerrar, preferi falar sobre o que ainda nos impede de transformar todo esse potencial em desenvolvimento de verdade.

     

    O setor náutico brasileiro ainda não sabe se defender.

    Um setor que conversa consigo mesmo

    Somos estaleiros, marinas, garagens náuticas, clubes, escolas de vela, operadores de passeio, fornecedores, mecânicos, marinheiros, guias, pescadores esportivos, agências de turismo. Cada elo da cadeia tem sua associação, seu grupo de WhatsApp, sua pauta. E, enquanto conversamos entre nós, as decisões que definem o nosso futuro são tomadas em outros lugares, quase sempre sem a gente na mesa.

     

    Pense em quantas instâncias de poder tocam a náutica. O licenciamento ambiental de uma marina. A alíquota de ICMS sobre a embarcação. As normas da Marinha. O plano diretor que define o uso da orla. O ordenamento de praias e acessos públicos à água. As linhas de crédito para o pequeno empreendedor. A formação de mão de obra. O saneamento. Câmaras municipais, assembleias legislativas, Congresso Nacional, conselhos, órgãos ambientais, ministérios. Em cada um desses espaços, alguém está falando sobre o nosso setor. A pergunta é: somos nós?

     

    Na maioria das vezes, não. E quem não está na mesa costuma estar no cardápio.

    [caption id="attachment_208270" align="alignnone" width="920"] Foto: NatalieZera / Envato[/caption]

    Advocacy não é palavrão

    Por isso defendi, no encerramento do fórum, que o mercado náutico precisa se unir para construir um trabalho permanente de advocacy. Não se trata de lobby no sentido pejorativo, nem de defender o interesse de uma empresa isolada. É representação organizada: uma agenda comum, dados confiáveis, propostas técnicas e presença constante em todos os espaços onde se decide algo que afeta o setor.

     

    Tenho visto de perto o que isso produz. Em São Paulo, o Fórum Náutico Paulista reúne voluntariamente empresários, gestores públicos e pesquisadores há quase duas décadas. Foi esse trabalho paciente, reunião após reunião, que ajudou a construir o plano de desenvolvimento do turismo náutico sustentável que virou programa de estado, o decreto de fomento ao setor, a nova regulamentação ambiental para estruturas náuticas e a agenda de redução de ICMS e de crédito para o setor. Nada disso caiu do céu. Aconteceu porque havia alguém, em nome do setor, sentado à mesa certa, com a proposta pronta.

     

    Esse modelo precisa existir na Bahia, em cada estado com vocação náutica e, sobretudo, em escala nacional.

     

    Explicar para quem não navega

    O segundo ponto da minha fala é tão importante quanto o primeiro: precisamos de assessoria de imprensa e de comunicação profissional para o setor.

     

    Para boa parte da população, a náutica ainda é "coisa de rico". Uma marina nova é vista como ameaça ao acesso à praia; um projeto de garagem náutica, como problema ambiental. E, quando não explicamos, alguém explica por nós, quase sempre mal.

     

    Temos uma história poderosa para contar e não contamos. Um estudo do Fórum Náutico Paulista mostrou que a cadeia náutica de lazer movimentava cerca de R$ 5,3 bilhões por ano no estado de São Paulo e gerava mais de 27 mil empregos. E apenas 0,8% da população paulista usava embarcações de lazer, contra 5,3% no Reino Unido. Ou seja, o potencial de crescimento é enorme, e esse crescimento significa renda para o marinheiro, para o mecânico, para o laminador, para a cozinheira do restaurante da marina, para o operador de passeio caiçara que se formaliza.

     

    Essa é a náutica que precisa chegar ao jornal, à TV, às redes sociais, à conversa de bar. O cidadão que entende que a cidade náutica gera emprego para o filho dele deixa de ser opositor e passa a ser aliado. E o político que percebe que a população apoia o setor passa a apoiá-lo também. Comunicação e advocacy andam juntas.

    [caption id="attachment_206807" align="alignnone" width="920"] Foto: nd3000/ Envato[/caption]

    Náutica precisa de água limpa

    Não poderia falar de união do setor sem lembrar de uma bandeira que o Dr. Castello Branco, presidente do Fórum Náutico Paulista, repete há anos e que se tornou princípio do nosso trabalho: náutica precisa de água limpa.

     

    É simples e é definitivo. Não existe turismo náutico, não existe marina, não existe regata, não existe mergulho, não existe passeio de barco em água poluída. O setor náutico é, por natureza, o maior interessado em rios, represas, baías e mares saudáveis. E é exatamente por isso que essa bandeira deveria estar no centro do nosso advocacy.

     

    Quando o setor náutico se coloca como defensor do saneamento, da qualidade da água e da conservação dos ambientes aquáticos, ele inverte a narrativa. Deixa de ser visto como ameaça ambiental e passa a ser reconhecido como guardião da água. Um setor unido, que cobra investimento em saneamento nas mesmas instâncias em que discute tributo e licenciamento, ganha legitimidade para todo o resto da agenda.

    O próximo passo é nosso

    Saí da Bahia convencida de que o Brasil náutico tem tudo: costa, rios, represas, gente talentosa, empresas competentes, gestores públicos interessados. O que falta é organização. Falta transformar dezenas de vozes isoladas em uma voz coletiva, técnica e presente.

     

    Fóruns como o da Bahia são o começo dessa conversa. O desafio agora é que ela não termine no encerramento do evento. Que vire rede, agenda comum, representação permanente e comunicação com a sociedade.

     

    A pergunta que deixei para a plateia, e que deixo para você, leitor, é a do título: quem fala pela náutica? Enquanto a resposta for "cada um por si", seguiremos perdendo espaço. Quando a resposta for "todos nós", o setor finalmente vai ocupar o lugar que merece no desenvolvimento do país.

      Mestre em Comunicação e Gestão Pública, Bianca Colepicolo é especialista em turismo náutico e coordena o Fórum Náutico Paulista. Autora de “Turismo Pra Quê?”, Bianca também é consultora e palestrante.

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