Conheça cinco iates destaques do salão de Düsseldorf, na Alemanha

Por: Redação -
19/01/2018

A edição 2018 do Boot Düsseldorf, que começa neste sábado, 20, marca o início do maior salão náutico da Alemanha, com cerca de 1 916 expositores de 68 países. O evento acontecerá até o dia 28 de janeiro na Messe Düsseldorf, reunindo grandes modelos de renomadas marcas. Confira cinco grandes embarcações que farão parte do salão náutico alemão:

Princess 35M 

Foto: Quin Bisset

35,15 metros, Princess Yachts

Com 35,15 m, este modelo tem espaços externos grandiosos e versáteis, oferecendo uma experiência a bordo com mais luxo e mais interação entre os convidados. O cockpit possui um design inovador que cria um arranjo informal do tipo “Beach Club”, que combina duas áreas distintas, seja virado para o mar ou para uma confortável mesa social. No interior destaque para o camarote do proprietário que tem antessala, que também pode ser utilizada como um escritório, grandes janelas panorâmicas, dois closets e uma grandiosa suíte com banheira. No convés inferior, três ou quatro cabines podem acomodar entre seis e oito pessoas. Possui ainda três quartos, bem separados, situados na proa para toda a tripulação.

Majesty 100 

Produzido pela Gulf Craft, este iate de 31,68 m de comprimento será uma das grandes exibições do Boot Düsseldorf. Segundo Erwin Bamps, CEO da empresa, o modelo tem muita ênfase no design inovador e nas características que são geradas principalmente pela equipe de design da marca para oferecer ao cliente benefícios que proporcionam uma ótima experiência de cruzeiro. O modelo foi apresentado pela primeira vez no ano passado, em Dubai.

Sunseeker 95

Com 28,06 metros, o 95 Yacht tem em um de seus destaques o layout do convés principal, com uma configuração triplex. Possui flybridge amplo, com bar, hidromassagem opcional e sofás. Tal como acontece nos modelos 2016 da marca, o 95 Yacht tem casco com V profundo clássico, para cortar melhor as ondas e contribuir para o desempenho do modelo. Seu casco foi projetado para obter uma velocidade máxima de 29 nós e de 24 nós em cruzeiro. O modelo conta com quatro camarotes, divididos entre suíte do proprietário, camarote VIP e outros dois camarotes de hóspedes, acomodando até oito pessoas em pernoite, além de acomodações para quatro tripulantes.

SanLorenzo SX88

Com casco semi-deslocante, este modelo de 27,6 m da SanLorenzo tem superestrutura de fibra de carbono, design exterior assinado pela Officina Italiana Design e possui um interior de Lissoni Associati. O posto de comando está localizado no flybridge, que é fechado por janelas, o que aumenta o conforto em cruzeiros noturnos ou em intempéries climáticas.

Princess 75

Foto: Quin Bisset

Com 24,67 metros, a Princess 75 é ampla, possui salão espaçoso, amplo flybridge e acabamento diferenciado, que é um padrão da marca inglesa. Pode ter quatro camarotes e ser equipado com dois motores MTU ou Caterpillar na faixa de 1800 hp.

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    Quem fala pela náutica?

    Salvador recebeu o 2º Fórum Náutico Internacional, realizado pela Associação Náutica da Bahia, com empresários, gestores públicos, especialistas e convidados de fora do país. A Baía de Todos-os-Santos é um dos maiores ativos náuticos do mundo, e ninguém na plateia precisava ser convencido disso. Ouvimos casos de sucesso, projetos de marinas, roteiros, regatas, oportunidades de investimento. Mas, quando chegou a minha vez de encerrar, preferi falar sobre o que ainda nos impede de transformar todo esse potencial em desenvolvimento de verdade.

     

    O setor náutico brasileiro ainda não sabe se defender.

    Um setor que conversa consigo mesmo

    Somos estaleiros, marinas, garagens náuticas, clubes, escolas de vela, operadores de passeio, fornecedores, mecânicos, marinheiros, guias, pescadores esportivos, agências de turismo. Cada elo da cadeia tem sua associação, seu grupo de WhatsApp, sua pauta. E, enquanto conversamos entre nós, as decisões que definem o nosso futuro são tomadas em outros lugares, quase sempre sem a gente na mesa.

     

    Pense em quantas instâncias de poder tocam a náutica. O licenciamento ambiental de uma marina. A alíquota de ICMS sobre a embarcação. As normas da Marinha. O plano diretor que define o uso da orla. O ordenamento de praias e acessos públicos à água. As linhas de crédito para o pequeno empreendedor. A formação de mão de obra. O saneamento. Câmaras municipais, assembleias legislativas, Congresso Nacional, conselhos, órgãos ambientais, ministérios. Em cada um desses espaços, alguém está falando sobre o nosso setor. A pergunta é: somos nós?

     

    Na maioria das vezes, não. E quem não está na mesa costuma estar no cardápio.

    [caption id="attachment_208270" align="alignnone" width="920"] Foto: NatalieZera / Envato[/caption]

    Advocacy não é palavrão

    Por isso defendi, no encerramento do fórum, que o mercado náutico precisa se unir para construir um trabalho permanente de advocacy. Não se trata de lobby no sentido pejorativo, nem de defender o interesse de uma empresa isolada. É representação organizada: uma agenda comum, dados confiáveis, propostas técnicas e presença constante em todos os espaços onde se decide algo que afeta o setor.

     

    Tenho visto de perto o que isso produz. Em São Paulo, o Fórum Náutico Paulista reúne voluntariamente empresários, gestores públicos e pesquisadores há quase duas décadas. Foi esse trabalho paciente, reunião após reunião, que ajudou a construir o plano de desenvolvimento do turismo náutico sustentável que virou programa de estado, o decreto de fomento ao setor, a nova regulamentação ambiental para estruturas náuticas e a agenda de redução de ICMS e de crédito para o setor. Nada disso caiu do céu. Aconteceu porque havia alguém, em nome do setor, sentado à mesa certa, com a proposta pronta.

     

    Esse modelo precisa existir na Bahia, em cada estado com vocação náutica e, sobretudo, em escala nacional.

     

    Explicar para quem não navega

    O segundo ponto da minha fala é tão importante quanto o primeiro: precisamos de assessoria de imprensa e de comunicação profissional para o setor.

     

    Para boa parte da população, a náutica ainda é "coisa de rico". Uma marina nova é vista como ameaça ao acesso à praia; um projeto de garagem náutica, como problema ambiental. E, quando não explicamos, alguém explica por nós, quase sempre mal.

     

    Temos uma história poderosa para contar e não contamos. Um estudo do Fórum Náutico Paulista mostrou que a cadeia náutica de lazer movimentava cerca de R$ 5,3 bilhões por ano no estado de São Paulo e gerava mais de 27 mil empregos. E apenas 0,8% da população paulista usava embarcações de lazer, contra 5,3% no Reino Unido. Ou seja, o potencial de crescimento é enorme, e esse crescimento significa renda para o marinheiro, para o mecânico, para o laminador, para a cozinheira do restaurante da marina, para o operador de passeio caiçara que se formaliza.

     

    Essa é a náutica que precisa chegar ao jornal, à TV, às redes sociais, à conversa de bar. O cidadão que entende que a cidade náutica gera emprego para o filho dele deixa de ser opositor e passa a ser aliado. E o político que percebe que a população apoia o setor passa a apoiá-lo também. Comunicação e advocacy andam juntas.

    [caption id="attachment_206807" align="alignnone" width="920"] Foto: nd3000/ Envato[/caption]

    Náutica precisa de água limpa

    Não poderia falar de união do setor sem lembrar de uma bandeira que o Dr. Castello Branco, presidente do Fórum Náutico Paulista, repete há anos e que se tornou princípio do nosso trabalho: náutica precisa de água limpa.

     

    É simples e é definitivo. Não existe turismo náutico, não existe marina, não existe regata, não existe mergulho, não existe passeio de barco em água poluída. O setor náutico é, por natureza, o maior interessado em rios, represas, baías e mares saudáveis. E é exatamente por isso que essa bandeira deveria estar no centro do nosso advocacy.

     

    Quando o setor náutico se coloca como defensor do saneamento, da qualidade da água e da conservação dos ambientes aquáticos, ele inverte a narrativa. Deixa de ser visto como ameaça ambiental e passa a ser reconhecido como guardião da água. Um setor unido, que cobra investimento em saneamento nas mesmas instâncias em que discute tributo e licenciamento, ganha legitimidade para todo o resto da agenda.

    O próximo passo é nosso

    Saí da Bahia convencida de que o Brasil náutico tem tudo: costa, rios, represas, gente talentosa, empresas competentes, gestores públicos interessados. O que falta é organização. Falta transformar dezenas de vozes isoladas em uma voz coletiva, técnica e presente.

     

    Fóruns como o da Bahia são o começo dessa conversa. O desafio agora é que ela não termine no encerramento do evento. Que vire rede, agenda comum, representação permanente e comunicação com a sociedade.

     

    A pergunta que deixei para a plateia, e que deixo para você, leitor, é a do título: quem fala pela náutica? Enquanto a resposta for "cada um por si", seguiremos perdendo espaço. Quando a resposta for "todos nós", o setor finalmente vai ocupar o lugar que merece no desenvolvimento do país.

      Mestre em Comunicação e Gestão Pública, Bianca Colepicolo é especialista em turismo náutico e coordena o Fórum Náutico Paulista. Autora de “Turismo Pra Quê?”, Bianca também é consultora e palestrante.

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