Alemão vende tudo, compra um jet e cruza 13 países com namorada e cachorro
Aos 33 anos, Kevin Neubeck partiu da Alemanha rumo ao Mar Negro em uma moto aquática e agora planeja uma travessia ainda mais ousada: cruzar o Atlântico


Quando a vida “convencional” já não encanta mais, algumas pessoas buscam uma nova profissão, um lugar diferente para morar, novos ares. Mas, aos 33 anos, o alemão Kevin Neubeck foi além. Movido pela vontade de conhecer mais do mundo, ele vendeu tudo, comprou um jet, colocou a namorada e o cachorro na garupa e já percorreu mais de dez países. Detalhe: Neubeck só tinha pilotado uma moto aquática três vezes na vida.
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Com o Google Maps na mão e um sonho, o rapaz, sua companheira Felipa Costilla, de 23 anos, e o bull terrier Chick começaram sua jornada na Alemanha pelo rio Danúbio — o mais longo da Europa, com cerca de 2.800 km de extensão —, rumo ao Mar Negro.


Com nascente alemã, o Danúbio é formado pelos rios Breg e Brigach. Em seu percurso até o Mar Negro, atravessa 10 países: Alemanha, Áustria, Eslováquia, Hungria, Croácia, Sérvia, Romênia, Bulgária, Moldávia e Ucrânia. O trio percorreu todos eles até chegar ao Mar Negro, seguindo então rumo à Turquia e, posteriormente, à Grécia, Albânia e Montenegro.
Em seis meses, foram mais de 13 países, cerca de 5 mil quilômetros rodados e mais de 7 mil euros gastos com combustível, o equivalente a R$ 41,3 mil na conversão de junho de 2026.
Todos os dias era assim: checar a rota, o combustível, a previsão do tempo e partir. Rijeka (Croácia) foi mais fácil de certa forma, mais tranquila e previsível, mas as fronteiras eram um obstáculo constante– detalhou Kevin ao portal montenegrino Vijesti
Segundo ele, as blitz policiais eram frequentes e tinham uma característica em comum: o estranhamento. “De onde você é? Da Alemanha? Num jet?”, diziam a ele os policiais, que, não à toa, exigiam, também, uma explicação.
No mar, tudo pode acontecer
Mesmo os grandes barcos não passam batido pelos imprevistos do mar — quem dirá um jet. Ainda ao Vijesti, Neubeck lembrou de quando precisou da ajuda de um pescador na Eslováquia para salvá-lo dos apuros de uma pane no motor.


Já na fronteira com a Turquia, sua moto aquática chegou a ser levada por oficiais por conta de um mal-entendido com documentos. Por sorte, tudo foi esclarecido e ele conseguiu recuperar a embarcação.
Ondas, vento, longas distâncias e desgaste físico. Alguns dias eram calmos e rápidos. Outros, lentos e exaustivos. O planejamento de combustível estava sempre na minha cabeça– recordou o alemão
Por outro lado, as águas também podem proporcionar momentos indescritíveis, como quando o trio passou a ter outros companheiros de viagem: os golfinhos.


Para Neubeck, a beleza está justamente em não ter um “plano perfeito”. Com seu passaporte, o laptop e as roupas em uma bolsa à prova d’água, dormindo em barracas e acomodações do Airbnb, sem roteiro fixo, ele tem vivido dia após dia, sendo surpreendido pelo caminho.
Golfinhos surgindo ao nosso lado em mar aberto, pessoas em pequenos portos nos observando chegar como se não fizesse sentido, navegando juntos, caindo na água, rindo e depois continuando a jornada. Não foi um grande momento isolado. Foi simplesmente dia após dia, navegando e seguindo em frente– destacou
Próximo passo: o Atlântico
Atualmente, Kevin, Filipa e Chicko estão na Croácia, enquanto planejam passar pela Itália e por Malta, até chegarem à França, Espanha e Marrocos.
O plano mais ousado, contudo, é atravessar o Atlântico. Kevin tem compartilhado seus passos através de seu perfil no Instagram, em que acumula quase 89 mil seguidores. Por lá, não é incomum encontrar internautas alertando que o próximo objetivo, talvez, seja ousado demais.
Isso porque uma travessia do Atlântico em um jet traz riscos. O principal deles é a autonomia limitada, uma vez que mesmo modelos grandes de jet têm um alcance relativamente curto. Neubeck precisaria de múltiplas paradas para reabastecimento — o que não seria possível — ou apoio de outras embarcações.
Além disso, fatores como fadiga, exposição total ao clima e condições imprevisíveis do oceano podem complicar a vida do trio, uma vez que, em mar aberto, localizar uma pessoa ou um jet pequeno é muito mais difícil do que localizar uma embarcação maior.
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