Opinião: homem que atirou dinheiro no mar durante festa de barcos não representa o verdadeiro espírito náutico

Por: Redação -
19/09/2020

Sentindo-se empoderados sobre suas lanchas, alguns donos de barcos tiveram a infeliz ideia de organizar uma festa náutica no Guarujá, na quinta-feira, 17 de setembro. Uma festa que reuniu dezenas de lanchas, que ancoraram lado a lado, no Canto do Tortuga, na Enseada, formando assim uma espécie de passarela. Música alta, bebidas, e que se danem o uso de máscaras e o distanciamento social.

Como se não bastasse o desrespeito às medidas de prevenção ao novo coronavírus, eis que, durante a celebração, um homem, a bordo de um dos barcos, foi filmado com um maço de dinheiro em uma das mãos, enquanto atirava supostas notas de R$ 50 e de R$ 100 no mar com a outra, num misto de loucura, ostentação e irresponsabilidade — algo que nos desumaniza e, ao mesmo tempo, lança sobre o meio náutico uma falsa imagem de quem tem barco é irresponsável, esnobe e prepotente. Nada mais falso.

Deplorável, o festim diabólico encenado no Guarujá mereceu uma nota de repúdio da Associação Brasileira dos Construtores de Barcos e seus Implementos. “Tais ações não se coadunam com a missão da Acobar, mostrando apenas amplo desrespeito à fase em que vivemos”, diz um trecho da nota.

NÁUTICA também vem a público repelir e condenar esse espetáculo absurdo. Uma atitude que representa a arrogância de pessoas que acreditam ser superiores e estar acima das leis e não carregam o verdadeiro espírito náutico. Isso nos leva à questão central: pessoas como essas representam de fato a comunidade náutica? Evidentemente que não. Ou, por outra, representam uma minoria, tal qual certas torcidas organizadas agressivas dentro e fora dos estádios de futebol.

Poucas atividades são tão prazerosas quanto navegar. O suave balanço do barco, o sol brilhando na superfície, o vento acariciando o rosto, a contemplação e preservação da natureza, tudo é motivo de alegria em um passeio de barco. Navegar também muda a forma de ver o mundo. Passamos a ficar mais atentos aos elementos da natureza — o vento, as marés, as estações do ano. A bordo de um barco as conversas têm, também, outro astral. E a família fica mais unida.

Ao mesmo tempo, somos um setor responsável. A indústria náutica tem importância crescente na cadeia produtiva no país, sendo uma das poucas que não usam robôs no processo de produção, mantendo o foco ainda no processo artesanal, e que por isso gera riqueza e muitos empregos.

Definitivamente, a atitude deplorável desse homem durante tal encontro no mar naquela quinta-feira de sol não representa o espírito náutico que aplaudimos e propagamos há mais de 40 anos.

Grupo NÁUTICA

Náutica Responde

Faça uma pergunta para a Náutica

    Relacionadas

    Pesquisa brasileira revela que semente de planta comum no país pode extrair microplásticos da água

    Estudo da Unesp apontou a semente da acácia-branca como uma alternativa sustentável e eficiente para limpar alguns tipos de microplástico da água

    Real Powerboats levará 8 barcos ao Rio Boat Show 2026, entre eles a Real 42C

    Estaleiro celebra 40 anos de história exibindo lanchas de 27 a 42 pés no salão náutico carioca, que ocorre de 11 a 19 de abril, na Marina da Glória

    Raros "golfinhos-panda" são flagrados nas Ilhas Malvinas; conheça a espécie

    Manchas que lembram as de ursos panda renderam o apelido ao tipo de golfinho encontrado em apenas duas regiões do planeta

    Das passarelas ao mar: conheça os iates mais icônicos dos principais estilistas do mundo

    De Armani a Dolce Gabbana, veja como os mestres da moda transformaram embarcações em extensões de sua arte

    Que tal jantar a 5 metros de profundidade? Conheça o restaurante onde é possível

    Under, na comuna de Lindesnes, na Noruega, oferece alta gastronomia sob as águas do Mar do Norte em uma estrutura impressionante