Equipe Brasileira de 2019 é definida na Copa Brasil de Florianópolis

Por: Redação -
26/11/2018

O encerramento da Copa Brasil 2018, neste sábado, dia 24, na Sede Oceânica Jurerê do Iate Clube de Santa Catarina, em Florianópolis, marcou a virada do calendário da vela brasileira. Os campeões da principal competição do país, disputada ao longo da última semana, garantiram vaga na equipe principal do Brasil para 2019. Nas classes olímpicas, os vencedores foram: Fernanda Oliveira/Ana Barbachan (470 feminina), Patrícia Freitas (RS:X feminina), Gabriella Kidd (Laser Radial), Samuel Albrecht/ Gabriela Nicolino (Nacra 17), Jorge Zarif (Finn), Geison Mendes/Gustavo Thiesen (470 masculino), Marco Grael/Gabriel Borges (49er), Brenno Francioli (RS:X masculina) e Bruno Fontes (Laser Standard).

Além disso, a dupla Juliana Duque/Rafael Martins foi a vencedora da Snipe, e Bruno Lobo foi o campeão na Fórmula Kite. Eles farão parte da Equipe Brasileira Pan-Americana para os Jogos de Lima 2019, junto com os ganhadores da RS:X (masculina e feminina), Laser Standard e Nacra 17.

“O nível da Copa Brasil foi muito bom, com várias classes bem disputadas e decididas só no último dia. A presença de estrangeiros também foi positiva para o evento. O ano de 2019 vai ser importante, com a disputa dos Jogos Pan-Americanos de Lima num lugar diferente, Paracas, de vento forte. E, como também servirá de classificatória para as vagas regionais dos Jogos Olímpicos, é um campeonato que tem uma importância adicional”, afirmou Torben Grael, técnico chefe da Equipe Brasileira.

Na classe Laser, o catarinense Bruno Fontes comemorou emocionado a vitória numa disputa regata a regata com o bicampeão olímpico Robert Scheidt. “É a coroação de uma carreira. Um campeão ganha nas pequenas coisas. Estava tudo conspirando, hoje estava a condição que eu gosto. Não poderia ser um pacote melhor. Estou feliz, bem feliz”, disse Bruno.

Fotos: Gabriel Heusi

Na RS:X feminina, Patrícia Freitas subiu no topo do pódio, já de olho na temporada 2019 e na possibilidade de lutar por uma terceira medalha de ouro nos Jogos Pan-Americanos. “O Pan é sempre uma competição difícil, com menos gente. Conquistar o tricampeonato seria muito legal e é o meu objetivo. Vai ser desafiador até pelos eventos importantes que virão na sequência: o evento-teste dos Jogos Olímpicos, a Copa do Mundo do Japão e o Campeonato Mundial”, afirmou Patrícia.

Também foram realizados junto com a Copa Brasil os Campeonatos Sul-Americanos de Fórmula Kite, Nacra 17 e 49er. E os brasileiros  Bruno Lobo, Samuel Albrecht/Gabriela Nicolino, e Marco Grael/Gabriel Borges foram os campeões.

CAMPEÕES DA VI COPA BRASIL DE VELA 2018

470 masculino – Geison Mendes e Gustavo Thiesen, 20 pontos perdidos

470 feminino – Fernanda Oliveira e Ana Barbachan, 23 pontos perdidos

Finn – Jorge Zarif, 11 pontos perdidos

49er – Marco Grael e Gabriel Borges, 15 pontos perdidos

Laser Radial feminino – Gabriella Kidd, 30 pontos perdidos

Laser Standard* – Bruno Fontes, 17 pontos perdidos

Nacra 17* – Samuel Albrecht/Gabriela Nicolino, 19 pontos perdidos

RS:X masculina* – Brenno Francioli, 12 pontos perdidos

RS:X feminina* – Patrícia Freitas, 19 pontos perdidos

Fórmula Kite* – Bruno Lobo, 12 pontos perdidos

Snipe* – Juliana Duque/Rafael Martins, 24 pontos perdidos

Lightning – Claudio Biekarck/Gunnar Ficker/Isabel Ficker, 9 pontos perdidos

*Classes em que o Brasil já está classificado para os Jogos Pan-Americanos Lima 2019

Confira aqui os esultados completos, incluindo a Copa Brasil de Vela Jovem.

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    Quem fala pela náutica?

    Salvador recebeu o 2º Fórum Náutico Internacional, realizado pela Associação Náutica da Bahia, com empresários, gestores públicos, especialistas e convidados de fora do país. A Baía de Todos-os-Santos é um dos maiores ativos náuticos do mundo, e ninguém na plateia precisava ser convencido disso. Ouvimos casos de sucesso, projetos de marinas, roteiros, regatas, oportunidades de investimento. Mas, quando chegou a minha vez de encerrar, preferi falar sobre o que ainda nos impede de transformar todo esse potencial em desenvolvimento de verdade.

     

    O setor náutico brasileiro ainda não sabe se defender.

    Um setor que conversa consigo mesmo

    Somos estaleiros, marinas, garagens náuticas, clubes, escolas de vela, operadores de passeio, fornecedores, mecânicos, marinheiros, guias, pescadores esportivos, agências de turismo. Cada elo da cadeia tem sua associação, seu grupo de WhatsApp, sua pauta. E, enquanto conversamos entre nós, as decisões que definem o nosso futuro são tomadas em outros lugares, quase sempre sem a gente na mesa.

     

    Pense em quantas instâncias de poder tocam a náutica. O licenciamento ambiental de uma marina. A alíquota de ICMS sobre a embarcação. As normas da Marinha. O plano diretor que define o uso da orla. O ordenamento de praias e acessos públicos à água. As linhas de crédito para o pequeno empreendedor. A formação de mão de obra. O saneamento. Câmaras municipais, assembleias legislativas, Congresso Nacional, conselhos, órgãos ambientais, ministérios. Em cada um desses espaços, alguém está falando sobre o nosso setor. A pergunta é: somos nós?

     

    Na maioria das vezes, não. E quem não está na mesa costuma estar no cardápio.

    [caption id="attachment_208270" align="alignnone" width="920"] Foto: NatalieZera / Envato[/caption]

    Advocacy não é palavrão

    Por isso defendi, no encerramento do fórum, que o mercado náutico precisa se unir para construir um trabalho permanente de advocacy. Não se trata de lobby no sentido pejorativo, nem de defender o interesse de uma empresa isolada. É representação organizada: uma agenda comum, dados confiáveis, propostas técnicas e presença constante em todos os espaços onde se decide algo que afeta o setor.

     

    Tenho visto de perto o que isso produz. Em São Paulo, o Fórum Náutico Paulista reúne voluntariamente empresários, gestores públicos e pesquisadores há quase duas décadas. Foi esse trabalho paciente, reunião após reunião, que ajudou a construir o plano de desenvolvimento do turismo náutico sustentável que virou programa de estado, o decreto de fomento ao setor, a nova regulamentação ambiental para estruturas náuticas e a agenda de redução de ICMS e de crédito para o setor. Nada disso caiu do céu. Aconteceu porque havia alguém, em nome do setor, sentado à mesa certa, com a proposta pronta.

     

    Esse modelo precisa existir na Bahia, em cada estado com vocação náutica e, sobretudo, em escala nacional.

     

    Explicar para quem não navega

    O segundo ponto da minha fala é tão importante quanto o primeiro: precisamos de assessoria de imprensa e de comunicação profissional para o setor.

     

    Para boa parte da população, a náutica ainda é "coisa de rico". Uma marina nova é vista como ameaça ao acesso à praia; um projeto de garagem náutica, como problema ambiental. E, quando não explicamos, alguém explica por nós, quase sempre mal.

     

    Temos uma história poderosa para contar e não contamos. Um estudo do Fórum Náutico Paulista mostrou que a cadeia náutica de lazer movimentava cerca de R$ 5,3 bilhões por ano no estado de São Paulo e gerava mais de 27 mil empregos. E apenas 0,8% da população paulista usava embarcações de lazer, contra 5,3% no Reino Unido. Ou seja, o potencial de crescimento é enorme, e esse crescimento significa renda para o marinheiro, para o mecânico, para o laminador, para a cozinheira do restaurante da marina, para o operador de passeio caiçara que se formaliza.

     

    Essa é a náutica que precisa chegar ao jornal, à TV, às redes sociais, à conversa de bar. O cidadão que entende que a cidade náutica gera emprego para o filho dele deixa de ser opositor e passa a ser aliado. E o político que percebe que a população apoia o setor passa a apoiá-lo também. Comunicação e advocacy andam juntas.

    [caption id="attachment_206807" align="alignnone" width="920"] Foto: nd3000/ Envato[/caption]

    Náutica precisa de água limpa

    Não poderia falar de união do setor sem lembrar de uma bandeira que o Dr. Castello Branco, presidente do Fórum Náutico Paulista, repete há anos e que se tornou princípio do nosso trabalho: náutica precisa de água limpa.

     

    É simples e é definitivo. Não existe turismo náutico, não existe marina, não existe regata, não existe mergulho, não existe passeio de barco em água poluída. O setor náutico é, por natureza, o maior interessado em rios, represas, baías e mares saudáveis. E é exatamente por isso que essa bandeira deveria estar no centro do nosso advocacy.

     

    Quando o setor náutico se coloca como defensor do saneamento, da qualidade da água e da conservação dos ambientes aquáticos, ele inverte a narrativa. Deixa de ser visto como ameaça ambiental e passa a ser reconhecido como guardião da água. Um setor unido, que cobra investimento em saneamento nas mesmas instâncias em que discute tributo e licenciamento, ganha legitimidade para todo o resto da agenda.

    O próximo passo é nosso

    Saí da Bahia convencida de que o Brasil náutico tem tudo: costa, rios, represas, gente talentosa, empresas competentes, gestores públicos interessados. O que falta é organização. Falta transformar dezenas de vozes isoladas em uma voz coletiva, técnica e presente.

     

    Fóruns como o da Bahia são o começo dessa conversa. O desafio agora é que ela não termine no encerramento do evento. Que vire rede, agenda comum, representação permanente e comunicação com a sociedade.

     

    A pergunta que deixei para a plateia, e que deixo para você, leitor, é a do título: quem fala pela náutica? Enquanto a resposta for "cada um por si", seguiremos perdendo espaço. Quando a resposta for "todos nós", o setor finalmente vai ocupar o lugar que merece no desenvolvimento do país.

      Mestre em Comunicação e Gestão Pública, Bianca Colepicolo é especialista em turismo náutico e coordena o Fórum Náutico Paulista. Autora de “Turismo Pra Quê?”, Bianca também é consultora e palestrante.

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