Equipe da Volvo Ocean Race divulga informações sobre a perda de John Fisher no mar
Na segunda-feira, 26 de março, a equipe Sun Hung Kai / Scallywag perdeu John Fisher no mar do Oceano Antártico, a aproximadamente 1 400 milhas náuticas a oeste do Cabo Horn. Apesar de realizar uma extensa busca em condições extremas, ele não foi encontrado.
“Esta é a pior situação que você pode imaginar acontecendo com sua equipe”, disse Tim Newton, da equipe da SHK / Scallywag. “Estamos de coração partido pela família e amigos de John. Eu sei que David perdeu seu melhor amigo. É devastador”, completou.
Newton pediu à equipe que organizasse uma linha do tempo dos eventos para garantir uma informação precisa sobre o incidente. Confira:
- Na segunda-feira, 26 de março, a SHK / Scallywag estava competindo na 7ª etapa da Volvo Ocean Race, de Auckland, Nova Zelândia, até Itajaí, no Brasil, a aproximadamente 1 400 milhas náuticas a oeste do Cabo Horn;
- As condições meteorológicas foram de 35 a 45 nós, com mares de 4 a 5 metros com fortes ondas reduzindo a visibilidade. Faltavam 15 minutos antes do nascer do sol;
- A equipe estava navegando com um único rizo na vela principal. A vela Fractional 0 (FR0) foi içada mas enrolada;
- Por volta de 13h00 UTC, o SHK / Scallywag surfou em uma grande onda levando a um acidente;
- John Fisher estava no convés, no cockpit. Neste momento, ele estava se movendo para a frente para retirar a capa da code zero e, por isso, soltou seu cinto de segurança como procedimento padrão ao se mover entre as posições;
- Na surfada, John foi atingido e derrubado do barco. A tripulação a bordo acredita que John estava inconsciente por causa do golpe antes de cair na água;
- Ele estava vestindo uma roupa de sobrevivência com capuz e luvas e um colete salva-vidas;
- A bóia JON e a bóia de ferradura foram jogadas da parte de trás do barco para marcar a posição;
- Demorou algum tempo para que o barco estivesse sob controle e, a motor, navegasse de volta para perto de onde ocorreu o homem ao mar;
- Às 13h42 (UTC), a equipe informou ao Race Control, por e-mail, que havia um homem ao mar e eles estavam retornando à posição do MOB para iniciar um padrão de busca;
- Com a contribuição do Centro de Coordenação de Resgate Marítimo e Controle de Corrida em Alicante, uma operação de busca e salvamento foi realizada por várias horas, mas não havia sinal de John, da bóia de ferradura ou da bóia JON;
- Com as condições climáticas piorando, uma decisão difícil foi tomada para abandonar a busca e preservar a segurança da tripulação restante.
Segundo Newton, a equipe está perturbada, mas tem foco claro em levar a tripulação e o barco de volta à costa. “Esta situação ainda não acabou para a nossa equipe”, disse ele. “As condições são extremamente desafiadoras, com ventos fortes. Nosso único foco, com a ajuda do Race Control em Alicante, é levar a equipe ao porto com segurança. Uma vez que tenhamos conseguido isso, teremos que garantir que quaisquer lições que possam ser aprendidas com o que aconteceu com John sejam incorporadas pelo restante da frota no futuro”, completou. “Isso seria um tremendo legado para John, que passou muito tempo passando os ensinamentos de sua experiência no mar para os jovens marinheiros de nossa equipe”, finalizou Newton.
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Salvador recebeu o 2º Fórum Náutico Internacional, realizado pela Associação Náutica da Bahia, com empresários, gestores públicos, especialistas e convidados de fora do país. A Baía de Todos-os-Santos é um dos maiores ativos náuticos do mundo, e ninguém na plateia precisava ser convencido disso. Ouvimos casos de sucesso, projetos de marinas, roteiros, regatas, oportunidades de investimento. Mas, quando chegou a minha vez de encerrar, preferi falar sobre o que ainda nos impede de transformar todo esse potencial em desenvolvimento de verdade.
O setor náutico brasileiro ainda não sabe se defender.
Um setor que conversa consigo mesmo
Somos estaleiros, marinas, garagens náuticas, clubes, escolas de vela, operadores de passeio, fornecedores, mecânicos, marinheiros, guias, pescadores esportivos, agências de turismo. Cada elo da cadeia tem sua associação, seu grupo de WhatsApp, sua pauta. E, enquanto conversamos entre nós, as decisões que definem o nosso futuro são tomadas em outros lugares, quase sempre sem a gente na mesa.
Pense em quantas instâncias de poder tocam a náutica. O licenciamento ambiental de uma marina. A alíquota de ICMS sobre a embarcação. As normas da Marinha. O plano diretor que define o uso da orla. O ordenamento de praias e acessos públicos à água. As linhas de crédito para o pequeno empreendedor. A formação de mão de obra. O saneamento. Câmaras municipais, assembleias legislativas, Congresso Nacional, conselhos, órgãos ambientais, ministérios. Em cada um desses espaços, alguém está falando sobre o nosso setor. A pergunta é: somos nós?
Na maioria das vezes, não. E quem não está na mesa costuma estar no cardápio.
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Advocacy não é palavrão
Por isso defendi, no encerramento do fórum, que o mercado náutico precisa se unir para construir um trabalho permanente de advocacy. Não se trata de lobby no sentido pejorativo, nem de defender o interesse de uma empresa isolada. É representação organizada: uma agenda comum, dados confiáveis, propostas técnicas e presença constante em todos os espaços onde se decide algo que afeta o setor.
Tenho visto de perto o que isso produz. Em São Paulo, o Fórum Náutico Paulista reúne voluntariamente empresários, gestores públicos e pesquisadores há quase duas décadas. Foi esse trabalho paciente, reunião após reunião, que ajudou a construir o plano de desenvolvimento do turismo náutico sustentável que virou programa de estado, o decreto de fomento ao setor, a nova regulamentação ambiental para estruturas náuticas e a agenda de redução de ICMS e de crédito para o setor. Nada disso caiu do céu. Aconteceu porque havia alguém, em nome do setor, sentado à mesa certa, com a proposta pronta.
Esse modelo precisa existir na Bahia, em cada estado com vocação náutica e, sobretudo, em escala nacional.
Explicar para quem não navega
O segundo ponto da minha fala é tão importante quanto o primeiro: precisamos de assessoria de imprensa e de comunicação profissional para o setor.
Para boa parte da população, a náutica ainda é "coisa de rico". Uma marina nova é vista como ameaça ao acesso à praia; um projeto de garagem náutica, como problema ambiental. E, quando não explicamos, alguém explica por nós, quase sempre mal.
Temos uma história poderosa para contar e não contamos. Um estudo do Fórum Náutico Paulista mostrou que a cadeia náutica de lazer movimentava cerca de R$ 5,3 bilhões por ano no estado de São Paulo e gerava mais de 27 mil empregos. E apenas 0,8% da população paulista usava embarcações de lazer, contra 5,3% no Reino Unido. Ou seja, o potencial de crescimento é enorme, e esse crescimento significa renda para o marinheiro, para o mecânico, para o laminador, para a cozinheira do restaurante da marina, para o operador de passeio caiçara que se formaliza.
Essa é a náutica que precisa chegar ao jornal, à TV, às redes sociais, à conversa de bar. O cidadão que entende que a cidade náutica gera emprego para o filho dele deixa de ser opositor e passa a ser aliado. E o político que percebe que a população apoia o setor passa a apoiá-lo também. Comunicação e advocacy andam juntas.
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Náutica precisa de água limpa
Não poderia falar de união do setor sem lembrar de uma bandeira que o Dr. Castello Branco, presidente do Fórum Náutico Paulista, repete há anos e que se tornou princípio do nosso trabalho: náutica precisa de água limpa.
É simples e é definitivo. Não existe turismo náutico, não existe marina, não existe regata, não existe mergulho, não existe passeio de barco em água poluída. O setor náutico é, por natureza, o maior interessado em rios, represas, baías e mares saudáveis. E é exatamente por isso que essa bandeira deveria estar no centro do nosso advocacy.
Quando o setor náutico se coloca como defensor do saneamento, da qualidade da água e da conservação dos ambientes aquáticos, ele inverte a narrativa. Deixa de ser visto como ameaça ambiental e passa a ser reconhecido como guardião da água. Um setor unido, que cobra investimento em saneamento nas mesmas instâncias em que discute tributo e licenciamento, ganha legitimidade para todo o resto da agenda.
O próximo passo é nosso
Saí da Bahia convencida de que o Brasil náutico tem tudo: costa, rios, represas, gente talentosa, empresas competentes, gestores públicos interessados. O que falta é organização. Falta transformar dezenas de vozes isoladas em uma voz coletiva, técnica e presente.
Fóruns como o da Bahia são o começo dessa conversa. O desafio agora é que ela não termine no encerramento do evento. Que vire rede, agenda comum, representação permanente e comunicação com a sociedade.
A pergunta que deixei para a plateia, e que deixo para você, leitor, é a do título: quem fala pela náutica? Enquanto a resposta for "cada um por si", seguiremos perdendo espaço. Quando a resposta for "todos nós", o setor finalmente vai ocupar o lugar que merece no desenvolvimento do país.
Mestre em Comunicação e Gestão Pública, Bianca Colepicolo é especialista em turismo náutico e coordena o Fórum Náutico Paulista. Autora de “Turismo Pra Quê?”, Bianca também é consultora e palestrante.Driving Change realiza sua 3ª edição com sete jovens velejadoras; Conheça a iniciativa!
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