1ª Fragata Tamandaré navegou de SC ao RJ para incorporação à Marinha do Brasil

Embarcação percorreu mais de 750 km entre Itajaí e Rio de Janeiro, onde será oficializada no dia 24 de abril

Por: Nicole Leslie -
25/03/2026
Fragata Tamandaré navegou até o Rio de Janeiro para ser incorporada à Marinha do Brasil. Imagens: YouTube / Marinha do Brasil / Reprodução

A Fragata Tamandaré (F200), primeira embarcação da nova classe de fragatas da Marinha do Brasil, navegou de Itajaí (SC) até o Rio de Janeiro (RJ) para sua incorporação oficial à Força. A cerimônia está prevista para o dia 24 de abril.

Após realizar os primeiros testes de mar em agosto de 2025, a embarcação percorreu cerca de 765 km desde o estaleiro onde foi construída até a capital fluminense. A chegada às águas cariocas ocorreu no último dia 16. Agora, a fragata passa pelos preparativos finais para a Cerimônia de Mostra de Armamento, etapa que oficializa sua entrada na operação da Marinha.

Fragata Tamandaré foi escoltada pela Fragata Defensora na Baía de Guanabara, no RJ. Foto: Marinha do Brasil / Divulgação

Fragata Tamandaré: a primeira da classe no Brasil

Construída desde 2022, a viagem até o Rio de Janeiro simboliza a conclusão de um dos principais projetos de renovação da esquadra brasileira. A nova classe Tamandaré foi desenvolvida para substituir navios com mais de 40 anos de operação, ampliando a capacidade de defesa e monitoramento do país.

Imagens: YouTube / Marinha do Brasil / Reprodução

A chegada da F200 foi destacada pelo Comandante de Operações Navais, Almirante de Esquadra Eduardo Machado Vazquez, que resumiu o momento como simplesmente histórico.

Estamos renovando o Poder Naval e isso é marcante, uma conquista para todos que amamos a nossa pátria. A Tamandaré chega para mudar a história da Marinha-afirmou à Agência Marinha de Notícias

Fragata Tamandaré F200 com o icônico Pão de Açúcar ao fundo. Foto: Marinha do Brasil / Divulgação

O comandante da embarcação, Capitão de Fragata Gustavo Cabral Thomé, reforçou o papel estratégico da nova geração de navios.

As fragatas serão essenciais para o monitoramento e controle do espaço marítimo, defesa de ilhas oceânicas, proteção de estruturas críticas e salvaguarda das comunicações marítimas de interesse nacional– disse à mesma agência

Tecnologias da Fragata Tamandaré e nova geração da Marinha

Totalmente construída no Brasil, no TKMS Estaleiro Brasil Sul, em Itajaí, a Fragata Tamandaré (F200) é a primeira entrega do Novo Programa de Aceleração do Crescimento (Novo PAC) do Governo Federal à Marinha.

Imagens: YouTube / Marinha do Brasil / Reprodução

Ao todo, estão previstas quatro embarcações da classe Tamandaré, que substituirão navios com mais de 40 anos de operação na Força. Todas serão equipadas com sistemas de tecnologia avançados, como radar de busca volumétrica e sensores de guerra eletrônica. Entre os principais destaques está o Sistema de Gerenciamento de Combate (CMS), desenvolvido em parceria entre empresas do Brasil e da Alemanha.


O sistema integra dados de sensores e armamentos, consolidando informações em tempo real para ampliar a assertividade do uso, quando necessário. Através de algoritmos, o CMS identifica e classifica ameaças e ainda indica a melhor combinação de sensores e armas para resposta.

Fragata Tamandaré partiu de SC rumo ao RJ para ser oficialmente incorporada à Marinha. Foto: Marinha do Brasil / Divulgação

Fragatas Tamandaré: em que etapa estão os outros navios

Além da F200, outras três fragatas da classe estão em construção no estaleiro de Itajaí: “Jerônimo de Albuquerque” (F201), “Cunha Moreira” (F202) e “Mariz e Barros” (F203).

Fragata Tamandaré (ao centro) ao lado da Fragata Jerônimo de Albuquerque, em Itajaí. Foto: Marinha do Brasil / Divulgação

Segundo a Marinha, a F201 está em estágio mais avançado e deve iniciar os testes de mar no segundo semestre de 2026; a F202 está com o casco em fase final e deve ganhar as águas ainda neste ano; e a F203, cuja construção começou em janeiro, tem previsão de batimento de quilha também em 2026.

 

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    Quem fala pela náutica?

    Salvador recebeu o 2º Fórum Náutico Internacional, realizado pela Associação Náutica da Bahia, com empresários, gestores públicos, especialistas e convidados de fora do país. A Baía de Todos-os-Santos é um dos maiores ativos náuticos do mundo, e ninguém na plateia precisava ser convencido disso. Ouvimos casos de sucesso, projetos de marinas, roteiros, regatas, oportunidades de investimento. Mas, quando chegou a minha vez de encerrar, preferi falar sobre o que ainda nos impede de transformar todo esse potencial em desenvolvimento de verdade.

     

    O setor náutico brasileiro ainda não sabe se defender.

    Um setor que conversa consigo mesmo

    Somos estaleiros, marinas, garagens náuticas, clubes, escolas de vela, operadores de passeio, fornecedores, mecânicos, marinheiros, guias, pescadores esportivos, agências de turismo. Cada elo da cadeia tem sua associação, seu grupo de WhatsApp, sua pauta. E, enquanto conversamos entre nós, as decisões que definem o nosso futuro são tomadas em outros lugares, quase sempre sem a gente na mesa.

     

    Pense em quantas instâncias de poder tocam a náutica. O licenciamento ambiental de uma marina. A alíquota de ICMS sobre a embarcação. As normas da Marinha. O plano diretor que define o uso da orla. O ordenamento de praias e acessos públicos à água. As linhas de crédito para o pequeno empreendedor. A formação de mão de obra. O saneamento. Câmaras municipais, assembleias legislativas, Congresso Nacional, conselhos, órgãos ambientais, ministérios. Em cada um desses espaços, alguém está falando sobre o nosso setor. A pergunta é: somos nós?

     

    Na maioria das vezes, não. E quem não está na mesa costuma estar no cardápio.

    [caption id="attachment_208270" align="alignnone" width="920"] Foto: NatalieZera / Envato[/caption]

    Advocacy não é palavrão

    Por isso defendi, no encerramento do fórum, que o mercado náutico precisa se unir para construir um trabalho permanente de advocacy. Não se trata de lobby no sentido pejorativo, nem de defender o interesse de uma empresa isolada. É representação organizada: uma agenda comum, dados confiáveis, propostas técnicas e presença constante em todos os espaços onde se decide algo que afeta o setor.

     

    Tenho visto de perto o que isso produz. Em São Paulo, o Fórum Náutico Paulista reúne voluntariamente empresários, gestores públicos e pesquisadores há quase duas décadas. Foi esse trabalho paciente, reunião após reunião, que ajudou a construir o plano de desenvolvimento do turismo náutico sustentável que virou programa de estado, o decreto de fomento ao setor, a nova regulamentação ambiental para estruturas náuticas e a agenda de redução de ICMS e de crédito para o setor. Nada disso caiu do céu. Aconteceu porque havia alguém, em nome do setor, sentado à mesa certa, com a proposta pronta.

     

    Esse modelo precisa existir na Bahia, em cada estado com vocação náutica e, sobretudo, em escala nacional.

     

    Explicar para quem não navega

    O segundo ponto da minha fala é tão importante quanto o primeiro: precisamos de assessoria de imprensa e de comunicação profissional para o setor.

     

    Para boa parte da população, a náutica ainda é "coisa de rico". Uma marina nova é vista como ameaça ao acesso à praia; um projeto de garagem náutica, como problema ambiental. E, quando não explicamos, alguém explica por nós, quase sempre mal.

     

    Temos uma história poderosa para contar e não contamos. Um estudo do Fórum Náutico Paulista mostrou que a cadeia náutica de lazer movimentava cerca de R$ 5,3 bilhões por ano no estado de São Paulo e gerava mais de 27 mil empregos. E apenas 0,8% da população paulista usava embarcações de lazer, contra 5,3% no Reino Unido. Ou seja, o potencial de crescimento é enorme, e esse crescimento significa renda para o marinheiro, para o mecânico, para o laminador, para a cozinheira do restaurante da marina, para o operador de passeio caiçara que se formaliza.

     

    Essa é a náutica que precisa chegar ao jornal, à TV, às redes sociais, à conversa de bar. O cidadão que entende que a cidade náutica gera emprego para o filho dele deixa de ser opositor e passa a ser aliado. E o político que percebe que a população apoia o setor passa a apoiá-lo também. Comunicação e advocacy andam juntas.

    [caption id="attachment_206807" align="alignnone" width="920"] Foto: nd3000/ Envato[/caption]

    Náutica precisa de água limpa

    Não poderia falar de união do setor sem lembrar de uma bandeira que o Dr. Castello Branco, presidente do Fórum Náutico Paulista, repete há anos e que se tornou princípio do nosso trabalho: náutica precisa de água limpa.

     

    É simples e é definitivo. Não existe turismo náutico, não existe marina, não existe regata, não existe mergulho, não existe passeio de barco em água poluída. O setor náutico é, por natureza, o maior interessado em rios, represas, baías e mares saudáveis. E é exatamente por isso que essa bandeira deveria estar no centro do nosso advocacy.

     

    Quando o setor náutico se coloca como defensor do saneamento, da qualidade da água e da conservação dos ambientes aquáticos, ele inverte a narrativa. Deixa de ser visto como ameaça ambiental e passa a ser reconhecido como guardião da água. Um setor unido, que cobra investimento em saneamento nas mesmas instâncias em que discute tributo e licenciamento, ganha legitimidade para todo o resto da agenda.

    O próximo passo é nosso

    Saí da Bahia convencida de que o Brasil náutico tem tudo: costa, rios, represas, gente talentosa, empresas competentes, gestores públicos interessados. O que falta é organização. Falta transformar dezenas de vozes isoladas em uma voz coletiva, técnica e presente.

     

    Fóruns como o da Bahia são o começo dessa conversa. O desafio agora é que ela não termine no encerramento do evento. Que vire rede, agenda comum, representação permanente e comunicação com a sociedade.

     

    A pergunta que deixei para a plateia, e que deixo para você, leitor, é a do título: quem fala pela náutica? Enquanto a resposta for "cada um por si", seguiremos perdendo espaço. Quando a resposta for "todos nós", o setor finalmente vai ocupar o lugar que merece no desenvolvimento do país.

      Mestre em Comunicação e Gestão Pública, Bianca Colepicolo é especialista em turismo náutico e coordena o Fórum Náutico Paulista. Autora de “Turismo Pra Quê?”, Bianca também é consultora e palestrante.

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