Entenda como munições da 2ª Guerra no fundo do mar são o lar de milhares de animais marinhos

Mexilhões, anêmonas, peixes e caranguejos ocupam os espaços a poucos centímetros de cargas explosivas na costa alemã

09/12/2025
Foto: Andrey Vedenin/DeepSea Monitoring Group/AFP / Divulgação

Onde um dia reinou a guerra, agora prospera a vida: na costa alemã — mais precisamente na Baía de Lübeck, no extremo oeste do Mar Báltico — armamentos descartados durante a Segunda Guerra Mundial formam o lar de milhares de criaturas marinhas.

Bombas, minas, cabeças de torpedo… Toneladas de munições lançadas de embarcações entre 1946 e 1948 se acumularam no fundo do mar, formando uma espécie de “tapete corroído”. Por ali, cientistas esperavam encontrar um cenário melancólico, sem cor e sem vida. Mas, contrariando as expectativas, o que se viu foi uma verdadeira adaptação dos animais ao novo ambiente.

Foto: Andrey Vedenin/DeepSea Monitoring Group/AFP / Divulgação

Um estudo, publicado na revista Communications Earth & Environment, revelou que mais de 40 mil animais vivem em cada metro quadrado das munições — cinco vezes mais que nas áreas vizinhas. Na prática, metais, bolsões de fusíveis corroídos e cartuchos se transformaram na casa de mexilhões, anêmonas, peixes e caranguejos, que ocupam os espaços a poucos centímetros de cargas explosivas.

 

“A epifauna se desenvolve sobre as munições danificadas em números comparáveis ​​aos encontrados em substratos duros naturais. No futuro, as munições deverão ser substituídas por substratos seguros e resistentes”, explica a análise.

Um recife artificial

Como bem analisou o portal britânico The Guardian, que se debruçou na pesquisa, o Báltico um dia foi repleto de pedras e afloramentos rochosos, fundamentais para a fixação de organismos como corais, cracas, mexilhões e esponjas.

Foto: Andrey Vedenin/DeepSea Monitoring Group/AFP / Divulgação

Com o passar do tempo, porém, essas estruturas foram sendo removidas para viabilizar construções civis. Logo, os arranjos artificiais entraram em cena e começaram a cumprir esse papel. Bom exemplo é o caso do recém-afundado ferry-boat Juracy Magalhães, na Baía de Todos-os-Santos, visando a restauração de recifes marinhos e o estímulo ao turismo subaquático.

Ferry-boat Agenor Gordilho, afundado em 2019, hoje é refúgio para a vida marinha. Foto: Instagram @robertocostapinto / Reprodução

No caso analisado, os vestígios de guerra acabaram virando essa espécie de recife artificial, com a diferença de que carregam risco de explosões e a ameaça constante de liberação de compostos tóxicos devido à corrosão.


Esse tema, aliás, é discutido por pesquisadores desde os anos 1990, que alertam para o risco das munições submersas. Há, porém, um dilema: remover esse material também destrói os ecossistemas que se formaram sobre ele.

Foto: Andrey Vedenin/DeepSea Monitoring Group/AFP / Divulgação

Na Baía de Lübeck, onde a remoção já começou, a situação é evidente. Por isso, cientistas defendem substituir as munições retiradas por estruturas seguras — como blocos de concreto — para preservar a vida marinha.

 

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