Cena gravada no Pantanal brasileiro volta a viralizar pela beleza encantadora
Registro foi feito na sub-região da Nhecolândia, uma das maiores do Pantanal no Brasil. Saiba mais sobre o local!


Talvez você tenha se deparado, nos últimos dias, com um vídeo do Pantanal brasileiro que revelou um cenário digno de filme — ou até de obra de arte. A cena foi gravada na sub-região da Nhecolândia, uma das maiores divisões da área pantaneira no Brasil. Aqui, resumimos algumas características desse destino que guarda belezas naturais de tirar o fôlego. Conheça!
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O vídeo viral foi gravado por Luiz Felipe Mendes, biólogo que encontrou na fotografia outra paixão. Por isso, além de captar cenas, ele consegue explicar alguns dos fenômenos registrados. No post original, de meados de 2025, ele explicou que as águas ficam mais cristalinas — como na cena viral — em épocas de vazante, que ocorrem logo após as chuvas. O período, porém, não costuma ser regular.
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As imagens foram gravadas na Vazante do Castelo, um dos tantos rios no Mato Grosso do Sul que formam um visual icônico nos períodos de cheia, com vegetação moldada pela água translúcida, reflexos perfeitos e uma imensidão que impressiona.
Nhecolândia: cenários impressionantes no Pantanal
A região da Nhecolândia tem área aproximada de 26,8 mil km². Ela fica entre os rios Negro e Taquari e ocupa principalmente a cidade de Corumbá, embora também tenha partes no município de Rio Verde de Mato Grosso.


Segundo um estudo feito em parceria entre o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais e a Embrapa, essa sub-região se destaca justamente pela vegetação exuberante e pela estrutura fundiária dominada por fazendas de criação de gado.


A paisagem da Nhecolândia é fragmentada. Por lá, extensas áreas de campo, baías e salinas recebem contorno de florestas. Assim, durante as vazantes dos rios, muitas áreas de mata são tomadas pela água. Por outro lado, nos períodos de seca a falta dela é tanta que a região se torna propícia a incêndios.


Os períodos de seca e cheia, de acordo com o estudo, não são bem delimitados. No entanto, historicamente o pico da seca acontece em agosto e setembro, enquanto o máximo das inundações ocorre de abril a junho.


A sub-região do Pantanal possui forte ecoturismo imersivo, onde é possível realizar safáris fotográficos, passeios de barco e a cavalo, caminhadas e trilhas em um cenário que não poupa belezas naturais.


Conforme o Instituto SOS Pantanal, o nome dessa região pantaneira deriva do apelido do filho do barão que estabeleceu a primeira fazenda de gado no local. Joaquim Eugênio Gomes da Silva, filho do Barão de Vila Maria, era apelidado de “Nheco”, e dali foi nomeada a Nhecolândia.
Cada uma das 11 sub-regiões do Pantanal brasileiro são separadas por divisões geopolíticas, diferenças no regime de inundação, tipos de solos, relevo e formações vegetais. Ao todo são quase 140 mil km² de área, sendo que a Nhecolândia corresponde a cerca de 20%, logo, é considerada a segunda maior sub-região, pouco menor que a de Paiaguás (a maior delas), que tem cerca de 200 km² de área a mais que Nhecolândia.
Mais imagens da Nhecolândia, no Pantanal brasileiro






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Salvador recebeu o 2º Fórum Náutico Internacional, realizado pela Associação Náutica da Bahia, com empresários, gestores públicos, especialistas e convidados de fora do país. A Baía de Todos-os-Santos é um dos maiores ativos náuticos do mundo, e ninguém na plateia precisava ser convencido disso. Ouvimos casos de sucesso, projetos de marinas, roteiros, regatas, oportunidades de investimento. Mas, quando chegou a minha vez de encerrar, preferi falar sobre o que ainda nos impede de transformar todo esse potencial em desenvolvimento de verdade.
O setor náutico brasileiro ainda não sabe se defender.
Um setor que conversa consigo mesmo
Somos estaleiros, marinas, garagens náuticas, clubes, escolas de vela, operadores de passeio, fornecedores, mecânicos, marinheiros, guias, pescadores esportivos, agências de turismo. Cada elo da cadeia tem sua associação, seu grupo de WhatsApp, sua pauta. E, enquanto conversamos entre nós, as decisões que definem o nosso futuro são tomadas em outros lugares, quase sempre sem a gente na mesa.
Pense em quantas instâncias de poder tocam a náutica. O licenciamento ambiental de uma marina. A alíquota de ICMS sobre a embarcação. As normas da Marinha. O plano diretor que define o uso da orla. O ordenamento de praias e acessos públicos à água. As linhas de crédito para o pequeno empreendedor. A formação de mão de obra. O saneamento. Câmaras municipais, assembleias legislativas, Congresso Nacional, conselhos, órgãos ambientais, ministérios. Em cada um desses espaços, alguém está falando sobre o nosso setor. A pergunta é: somos nós?
Na maioria das vezes, não. E quem não está na mesa costuma estar no cardápio.
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Advocacy não é palavrão
Por isso defendi, no encerramento do fórum, que o mercado náutico precisa se unir para construir um trabalho permanente de advocacy. Não se trata de lobby no sentido pejorativo, nem de defender o interesse de uma empresa isolada. É representação organizada: uma agenda comum, dados confiáveis, propostas técnicas e presença constante em todos os espaços onde se decide algo que afeta o setor.
Tenho visto de perto o que isso produz. Em São Paulo, o Fórum Náutico Paulista reúne voluntariamente empresários, gestores públicos e pesquisadores há quase duas décadas. Foi esse trabalho paciente, reunião após reunião, que ajudou a construir o plano de desenvolvimento do turismo náutico sustentável que virou programa de estado, o decreto de fomento ao setor, a nova regulamentação ambiental para estruturas náuticas e a agenda de redução de ICMS e de crédito para o setor. Nada disso caiu do céu. Aconteceu porque havia alguém, em nome do setor, sentado à mesa certa, com a proposta pronta.
Esse modelo precisa existir na Bahia, em cada estado com vocação náutica e, sobretudo, em escala nacional.
Explicar para quem não navega
O segundo ponto da minha fala é tão importante quanto o primeiro: precisamos de assessoria de imprensa e de comunicação profissional para o setor.
Para boa parte da população, a náutica ainda é "coisa de rico". Uma marina nova é vista como ameaça ao acesso à praia; um projeto de garagem náutica, como problema ambiental. E, quando não explicamos, alguém explica por nós, quase sempre mal.
Temos uma história poderosa para contar e não contamos. Um estudo do Fórum Náutico Paulista mostrou que a cadeia náutica de lazer movimentava cerca de R$ 5,3 bilhões por ano no estado de São Paulo e gerava mais de 27 mil empregos. E apenas 0,8% da população paulista usava embarcações de lazer, contra 5,3% no Reino Unido. Ou seja, o potencial de crescimento é enorme, e esse crescimento significa renda para o marinheiro, para o mecânico, para o laminador, para a cozinheira do restaurante da marina, para o operador de passeio caiçara que se formaliza.
Essa é a náutica que precisa chegar ao jornal, à TV, às redes sociais, à conversa de bar. O cidadão que entende que a cidade náutica gera emprego para o filho dele deixa de ser opositor e passa a ser aliado. E o político que percebe que a população apoia o setor passa a apoiá-lo também. Comunicação e advocacy andam juntas.
[caption id="attachment_206807" align="alignnone" width="920"]

Náutica precisa de água limpa
Não poderia falar de união do setor sem lembrar de uma bandeira que o Dr. Castello Branco, presidente do Fórum Náutico Paulista, repete há anos e que se tornou princípio do nosso trabalho: náutica precisa de água limpa.
É simples e é definitivo. Não existe turismo náutico, não existe marina, não existe regata, não existe mergulho, não existe passeio de barco em água poluída. O setor náutico é, por natureza, o maior interessado em rios, represas, baías e mares saudáveis. E é exatamente por isso que essa bandeira deveria estar no centro do nosso advocacy.
Quando o setor náutico se coloca como defensor do saneamento, da qualidade da água e da conservação dos ambientes aquáticos, ele inverte a narrativa. Deixa de ser visto como ameaça ambiental e passa a ser reconhecido como guardião da água. Um setor unido, que cobra investimento em saneamento nas mesmas instâncias em que discute tributo e licenciamento, ganha legitimidade para todo o resto da agenda.
O próximo passo é nosso
Saí da Bahia convencida de que o Brasil náutico tem tudo: costa, rios, represas, gente talentosa, empresas competentes, gestores públicos interessados. O que falta é organização. Falta transformar dezenas de vozes isoladas em uma voz coletiva, técnica e presente.
Fóruns como o da Bahia são o começo dessa conversa. O desafio agora é que ela não termine no encerramento do evento. Que vire rede, agenda comum, representação permanente e comunicação com a sociedade.
A pergunta que deixei para a plateia, e que deixo para você, leitor, é a do título: quem fala pela náutica? Enquanto a resposta for "cada um por si", seguiremos perdendo espaço. Quando a resposta for "todos nós", o setor finalmente vai ocupar o lugar que merece no desenvolvimento do país.
Mestre em Comunicação e Gestão Pública, Bianca Colepicolo é especialista em turismo náutico e coordena o Fórum Náutico Paulista. Autora de “Turismo Pra Quê?”, Bianca também é consultora e palestrante.Driving Change realiza sua 3ª edição com sete jovens velejadoras; Conheça a iniciativa!
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