Histórico: Projeto Tamar registra desova da mesma tartaruga 37 anos após 1º monitoramento

Por: Nicole Leslie -
25/02/2026

Criado em 1980, o Projeto Tamar atua na conservação marinha com foco na preservação de tartarugas ameaçadas de extinção. Entre suas estratégias está o monitoramento contínuo das fêmeas em período reprodutivo, que recebem identificação individual para acompanhamento ao longo da vida. Foi esse trabalho que permitiu um reencontro histórico ao final de 2025.

Em 1988, o Projeto Tamar registrou uma tartaruga em desova no Espírito Santo (ES) e, 37 anos depois, o animal foi novamente flagrado no mesmo local e na mesma missão: colocar ovos na areia.

Foto: Equipe de Pesquisa e Conservação do Projeto Tamar no ES / Reprodução

É o registro de recaptura mais longo que temos no Brasil-informou a instituição

O reencontro aconteceu em dezembro durante monitoramento noturno na Praia de Povoação, em Linhares (ES). A fêmea é uma tartaruga-cabeçuda (Caretta caretta) que já havia sido registrada outras seis vezes pela fundação — todas em desovas na mesma região. Antes deste novo registro, o encontro mais recente havia ocorrido em 2019.

Imagens: Equipe de Pesquisa e Conservação do Projeto Tamar no ES / Reprodução

A equipe de Pesquisa e Conservação do Projeto Tamar no Espírito Santo estima que a tartaruga tenha ao menos 60 anos. A identificação, por sua vez, só foi possível graças a uma pequena peça de inox aplicada nas nadadeiras posteriores ainda no primeiro registro, conforme protocolo oficial de marcação autorizado pelo Governo Federal.

Identificação em aço inox é instalada em nadadeiras. Imagem ilustrativa. Foto: Projeto Tamar / Divulgação

Cada peça carrega um código único e intransferível, que permite acompanhar o histórico do animal sempre que ele é reencontrado pelo Projeto Tamar. Esse tipo de monitoramento ajuda a entender a longevidade reprodutiva, as taxas de sobrevivência e outros aspectos do ciclo de vida das tartarugas marinhas.


Nas redes sociais, o Projeto Tamar destacou que, pela idade estimada, é possível que, em dezembro, a fêmea tenha desovado na companhia de algumas de suas próprias netas — o que lhe rendeu o apelido carinhoso de “vovó”. A expectativa da equipe é reencontrá-la novamente nas próximas temporadas de desova.

 

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