Investimento na Semana de Vela coloca Ilhabela no mapa do turismo de inverno

Por: Redação -
26/07/2018

Como é tradicional há 45 anos, Ilhabela é ‘invadida’ por velejadores, familiares, amigos e turistas durante a Semana de Vela. Em 2018, contudo, essa escala subiu de tom. Apenas no primeiro final de semana da mais tradicional competição náutica do Brasil, o Race Village – espaço de convivência instalado no Centro Histórico – recebeu mais de 15 mil pessoas. Na noite desta segunda-feira (23), sete mil acompanharam o show do Paralamas do Sucesso. Segundo dados da associação comercial, a ocupação da rede hoteleira bateu na casa dos 95%. São números que colocam a cidade no mesmo patamar de destinos tradicionais de inverno do Brasil no mês de julho, como Campos do Jordão.

O secretário de Desenvolvimento Econômico e do Turismo, Ricardo Fazzini, acrescenta dados relevantes. “Importante salientar que nesse mesmo período no ano passado, a ocupação dos quartos de hotel girava em torno de 70%. Agora, além dos 95% totais, especificamente nas classes A e B atingimos 100% da capacidade da rede hoteleira nos primeiros dois dias da Semana de Vela de Ilhabela”, revela, lembrando que a estrutura montada para divulgação contribuiu para esse sucesso. “Recebemos as maiores emissoras de TV aberta do Brasil, como Globo, Band, Record, SBT e Rede TV!, além de outros veículos importantes”.

Computando os números da presença de turistas na abertura da principal competição náutica da América Latina, Fazzini reforça a confiança em superar as metas estabelecidas pela administração municipal. “A nossa expectativa é de chegar aos 50 mil visitantes no período da Semana de Vela de Ilhabela e 100 mil em todo o município durante o mês de julho”, avalia. Na conta do secretário, entram os dados da 45ª Semana de Monotipos, entre 7 e 9 de julho, competição que reuniu 200 barcos, mais de 300 velejadores em 20 classes, e levou oito mil pessoas para a ilha e o Ilhabela Boutique Boat Show, realizado na segunda semana do mês.

“Nosso objetivo é fazer bem feito e em alto padrão para mostrar o potencial de Ilhabela e atrair parceiros. O investimento da administração municipal para este mês é de R$ 4 milhões e os resultados estão aparecendo. Vários empresários já entraram em contato interessados em participar do mês náutico de 2019. Além de promover os campeonatos, ampliamos o Race Village, um espaço de convivência entre moradores, velejadores e turistas com atrações gratuitas”, estima Ricardo Fazzini, que trouxe nomes como Lars Grael e Amyr Klink para concorridas palestras.

O secretário salienta que o investimento para o mês de julho visa consolidar efetivamente Ilhabela como a Capital Nacional da Vela. Por isso, além da Semana de Monotipos e Semana de Vela, a cidade sediará eventos esportivos de nível nacional e internacional, como os campeonatos brasileiros de Hobie Cat (outubro) e Optimist (janeiro de 2019), além do mundial de Snipe (outubro de 2019).

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O sucesso dos Paralamas – A banda Os Paralamas do Sucesso levou cerca de sete mil pessoas ao Race Village na noite desta segunda-feira (23). Herbert Vianna, Bi Ribeiro e João Barone apresentaram o show “Sinais do Sim”, nome de seu último trabalho, lançado em 2017. Além de músicas novas, o trio fez a festa do público em Ilhabela, que cantou junto sucessos como “Meu Erro”, “Alagados”, “Uma Brasileira”, “Lanterna dos Afogados”, entre outros. Para encerrar, o clássico “Óculos”.

A programação do Race Village desta quarta-feira (25) começa às 18h, com o Boletim Meteorológico, com João Hackerott. Na sequência, às 18h30, é a vez da Palestra “As baleias e golfinhos de Ilhabela”, com Arlaine Francisco e Júlio Cardoso, do Projeto Baleia à Vista. Para encerrar a noite, a Orquestra Jovem de Ilhabela e Orquestra Popular de Ilhabela se apresenta no palco instalado no palco do Centro Histórico.

Informações das regatas – As regatas da Semana de Vela recomeçaram nesta quarta-feira (25) e o Race Village conta com estrutura e tecnologia para fornecer, em terra, imagens ao vivo e as informações das disputas no mar. As posições dos barcos são transmitidas para um telão no espaço instalado no Centro Histórico, mostrando a evolução em tempo real (por meio de localização monitorada por satélite). Dois especialistas em vela, Ricardo “Kadu” Baggio e Murillo Novaes, explicam cada detalhe das provas ao público. Para quem preferir obter as informações direto no computador, tablet ou smarphone, basta acessar o link.

Nesta terça-feira (24), as atrações no Race Village foram a palestra “Capital da Vela: construção de uma identidade”, com o artista Nelo Pimentel. O evento faz parte da Flai – Feira Literária de Aventura de Ilhabela, e começa às 19h. Depois será a vez da premiação da regata Alcatrazes e Ilhabela Cup, a partir das 20h. No mar, o dia marcou o final das disputas da Ilhabela Cup, que começou na segunda-feira (23).

Cinema – A sala de projeções segue recebendo público de todas as idades nas manhãs, tardes e noites de julho em Ilhabela. O cinema do Race Village apresenta lançamentos mundiais e campeões de bilheteria nacionais e internacionais. Em função da parceria com a Paris Filmes, são exibidos títulos como ‘Extraordinário’, ‘O Castelo de Vidro, `Fala sério, mãe!’, ‘Eu só posso imaginar’, ‘Por trás dos seus olhos”, a nova versão de `Dona Flor e seus dois maridos’, entre outros. A entrada é grátis e as sessões começam nos seguintes horários: 10h, 12h, 14h20, 16h30, 18h50 e 21h10. A novidade é a inclusão de uma sessão extra diariamente, às 23h20.

Michelangelo – Instalada próxima ao Race Village, no Centro Cultural da Vila, a exposição “A Beleza na escultura de Michelangelo” é uma atração diferenciada na cidade. Reúne obras como estátuas, bustos e relevos em gesso, produzidos a partir dos originais do artista italiano, considerado um dos maiores criadores da história da arte ocidental. A entrada é grátis e está aberta ao público de segunda a quinta-feira, das 9h às 18h, e de sexta a domingo entre 9h e 22h.

Turismo – Ilha marítima localizada no Litoral Norte do Estado de São Paulo, Ilhabela é um paraíso para o turismo. Reúne belezas naturais como as 40 praias, distribuídas em 130 quilômetros de costa, e montanhas cobertas por vegetação nativa, uma das maiores reservas de Mata Atlântica do planeta. Em sua natureza exuberante se espalham várias cachoeiras. Conta com aconchegantes pousadas e hotéis e mantém um agitado calendário esportivo, cultural e gastronômico o ano inteiro.

PROGRAMAÇÃO COMPLETA

RACE VILLAGE
De 6 A 29 de julho – Praça das Bandeiras

Dia 24 – terça-feira
18h – Boletim Meteorológico, com João Hackerott
19h – Palestra “Capital da Vela: construção de uma identidade”, com o artista Nelo Pimentel na Flai – Feira Literária de Aventura de Ilhabela
20h – Premiação Alcatrazes e Ilhabela Cup

Dia 25 – quarta-feira
18h – Boletim Meteorológico, com João Hackerott
18h30 – Palestra “As baleias e golfinhos de Ilhabela”, com Arlaine Francisco e Júlio Cardoso, do Projeto Baleia à Vista
20h – Orquestra Jovem de Ilhabela e Orquestra Popular de Ilhabela

Dia 26 – quinta-feira
18h – Boletim Meteorológico, com João Hackerott
18h30 – Palestra “Os ventos que trouxeram um mar de oportunidades e vitórias”, com a velejadora Juliétty Tesch
20h – Show do Chico Martins e trio

Dia 27 – sexta-feira
18h – Boletim Meteorológico, com João Hackerott
18h30 – Palestra “A Travessia Azul: De Ubatuba à Cape Town a bordo de um pequeno veleiro”, com o velejador Juca Andrade
19h30 – Premiação do Campeonato Brasileiro de C30, Sul-Americano e Regata de Equipe
20h – Show do Diogo Nogueira

Dia 28 – sábado
17h – Palestra “Antártica – entre o fim e o começo”, com o navegador Charlie Flesch na Flai – Feira Literária de Aventura de Ilhabela
18h30 – Palestra “Desafios Extremos”, com os jornalistas Carol Barcellos e Clayton Conservani, na Flai – Feira Literária de Aventura de Ilhabela
20h – Premiação da 45ª Semana de Vela de Ilhabela

Dia 29 – Domingo
18h – Show do Cesar Medina Music
20h – Show da Banda Brisa

PROGRAMAÇÃO NÁUTICA

Dias 21 a 28
45ª Semana de Vela Ilhabela

Dias 23 a 27 – Regatas com largadas sempre às 12 horas

Dia 28 – Regata com largada às 12h30

Dias 23 a 27
Campeonato Brasileiro da Classe C30

Dias 23 e 24
Ilhabela Cup

Hospitality Boat (escuna que leva o público para acompanhar as regatas)
Dias 22, 23, 24, 25, 26, 27 e 28 – Saída do Píer da Vila, às 11h

CERIMÔNIAS NO RACE VILLAGE

Dia 24
20h – Premiação Alcatrazes e Ilhabela Cup

Dia 27
19h30 – Premiação do Campeonato Brasileiro de C30, Sul-Americano e Regata de Equipe

Dia 28
20h – Premiação da 45ª Semana de Vela de Ilhabela

PROGRAMAÇÃO DO CINEMA

Dia 24 – terça-feira
10h – Homem das cavernas
12h – Nada a perder
14h20 – Assim é a vida
16h30 – Alguém como eu 
18h50 – Por trás dos seus olhos
21h10 – Baseado em fatos reais
23h20 – Mulheres Alteradas

Dia 25 – quarta-feira
10h – My little pony: O filme
12h – Gaby Estrella
14h20 – Extraordinário
16h30 – Polícia Federal – A lei é para todos
18h50 – Fala sério, Mãe!
21h10 – Um perfil para dois
23h20 – Os Parças

Dia 26 – quinta-feira
10h – Uma família feliz
12h – Detetives do prédio azul
14h20 – Gaby Estrella
16h30 – Uma família de dois
18h50 – Os Parças
21h10 – A morte de Stalin
23h20 – Os Farofeiros

Dia 27 – sexta-feira
10h – Homem das cavernas
12h – Nada a perder
14h20 – Dona Flor e seus dois maridos
16h30 – Duas de Mim
18h50 – Teu mundo não cabe nos meus olhos
21h10 – Eu só posso imaginar
23h20 – Alguém como eu

Dia 28 – sábado-feira
10h – Extraordinário
12h – Um perfil para dois
14h20 – Alguém como eu
16h30 – O que te faz mais forte
18h50 – Os Parças
21h10 – Por trás dos seus olhos
23h20 – Fala sério, Mãe!

Dia 29 – domingo
10h – My little pony: O filme
12h – Uma família feliz
14h20 – Os Parças
16h30 – Mulheres Alteradas
18h50 – O castelo de vidro
21h10 – Polícia Federal – A lei é para todos
23h20 – Fala sério, Mãe!

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    Quem fala pela náutica?

    Salvador recebeu o 2º Fórum Náutico Internacional, realizado pela Associação Náutica da Bahia, com empresários, gestores públicos, especialistas e convidados de fora do país. A Baía de Todos-os-Santos é um dos maiores ativos náuticos do mundo, e ninguém na plateia precisava ser convencido disso. Ouvimos casos de sucesso, projetos de marinas, roteiros, regatas, oportunidades de investimento. Mas, quando chegou a minha vez de encerrar, preferi falar sobre o que ainda nos impede de transformar todo esse potencial em desenvolvimento de verdade.

     

    O setor náutico brasileiro ainda não sabe se defender.

    Um setor que conversa consigo mesmo

    Somos estaleiros, marinas, garagens náuticas, clubes, escolas de vela, operadores de passeio, fornecedores, mecânicos, marinheiros, guias, pescadores esportivos, agências de turismo. Cada elo da cadeia tem sua associação, seu grupo de WhatsApp, sua pauta. E, enquanto conversamos entre nós, as decisões que definem o nosso futuro são tomadas em outros lugares, quase sempre sem a gente na mesa.

     

    Pense em quantas instâncias de poder tocam a náutica. O licenciamento ambiental de uma marina. A alíquota de ICMS sobre a embarcação. As normas da Marinha. O plano diretor que define o uso da orla. O ordenamento de praias e acessos públicos à água. As linhas de crédito para o pequeno empreendedor. A formação de mão de obra. O saneamento. Câmaras municipais, assembleias legislativas, Congresso Nacional, conselhos, órgãos ambientais, ministérios. Em cada um desses espaços, alguém está falando sobre o nosso setor. A pergunta é: somos nós?

     

    Na maioria das vezes, não. E quem não está na mesa costuma estar no cardápio.

    [caption id="attachment_208270" align="alignnone" width="920"] Foto: NatalieZera / Envato[/caption]

    Advocacy não é palavrão

    Por isso defendi, no encerramento do fórum, que o mercado náutico precisa se unir para construir um trabalho permanente de advocacy. Não se trata de lobby no sentido pejorativo, nem de defender o interesse de uma empresa isolada. É representação organizada: uma agenda comum, dados confiáveis, propostas técnicas e presença constante em todos os espaços onde se decide algo que afeta o setor.

     

    Tenho visto de perto o que isso produz. Em São Paulo, o Fórum Náutico Paulista reúne voluntariamente empresários, gestores públicos e pesquisadores há quase duas décadas. Foi esse trabalho paciente, reunião após reunião, que ajudou a construir o plano de desenvolvimento do turismo náutico sustentável que virou programa de estado, o decreto de fomento ao setor, a nova regulamentação ambiental para estruturas náuticas e a agenda de redução de ICMS e de crédito para o setor. Nada disso caiu do céu. Aconteceu porque havia alguém, em nome do setor, sentado à mesa certa, com a proposta pronta.

     

    Esse modelo precisa existir na Bahia, em cada estado com vocação náutica e, sobretudo, em escala nacional.

     

    Explicar para quem não navega

    O segundo ponto da minha fala é tão importante quanto o primeiro: precisamos de assessoria de imprensa e de comunicação profissional para o setor.

     

    Para boa parte da população, a náutica ainda é "coisa de rico". Uma marina nova é vista como ameaça ao acesso à praia; um projeto de garagem náutica, como problema ambiental. E, quando não explicamos, alguém explica por nós, quase sempre mal.

     

    Temos uma história poderosa para contar e não contamos. Um estudo do Fórum Náutico Paulista mostrou que a cadeia náutica de lazer movimentava cerca de R$ 5,3 bilhões por ano no estado de São Paulo e gerava mais de 27 mil empregos. E apenas 0,8% da população paulista usava embarcações de lazer, contra 5,3% no Reino Unido. Ou seja, o potencial de crescimento é enorme, e esse crescimento significa renda para o marinheiro, para o mecânico, para o laminador, para a cozinheira do restaurante da marina, para o operador de passeio caiçara que se formaliza.

     

    Essa é a náutica que precisa chegar ao jornal, à TV, às redes sociais, à conversa de bar. O cidadão que entende que a cidade náutica gera emprego para o filho dele deixa de ser opositor e passa a ser aliado. E o político que percebe que a população apoia o setor passa a apoiá-lo também. Comunicação e advocacy andam juntas.

    [caption id="attachment_206807" align="alignnone" width="920"] Foto: nd3000/ Envato[/caption]

    Náutica precisa de água limpa

    Não poderia falar de união do setor sem lembrar de uma bandeira que o Dr. Castello Branco, presidente do Fórum Náutico Paulista, repete há anos e que se tornou princípio do nosso trabalho: náutica precisa de água limpa.

     

    É simples e é definitivo. Não existe turismo náutico, não existe marina, não existe regata, não existe mergulho, não existe passeio de barco em água poluída. O setor náutico é, por natureza, o maior interessado em rios, represas, baías e mares saudáveis. E é exatamente por isso que essa bandeira deveria estar no centro do nosso advocacy.

     

    Quando o setor náutico se coloca como defensor do saneamento, da qualidade da água e da conservação dos ambientes aquáticos, ele inverte a narrativa. Deixa de ser visto como ameaça ambiental e passa a ser reconhecido como guardião da água. Um setor unido, que cobra investimento em saneamento nas mesmas instâncias em que discute tributo e licenciamento, ganha legitimidade para todo o resto da agenda.

    O próximo passo é nosso

    Saí da Bahia convencida de que o Brasil náutico tem tudo: costa, rios, represas, gente talentosa, empresas competentes, gestores públicos interessados. O que falta é organização. Falta transformar dezenas de vozes isoladas em uma voz coletiva, técnica e presente.

     

    Fóruns como o da Bahia são o começo dessa conversa. O desafio agora é que ela não termine no encerramento do evento. Que vire rede, agenda comum, representação permanente e comunicação com a sociedade.

     

    A pergunta que deixei para a plateia, e que deixo para você, leitor, é a do título: quem fala pela náutica? Enquanto a resposta for "cada um por si", seguiremos perdendo espaço. Quando a resposta for "todos nós", o setor finalmente vai ocupar o lugar que merece no desenvolvimento do país.

      Mestre em Comunicação e Gestão Pública, Bianca Colepicolo é especialista em turismo náutico e coordena o Fórum Náutico Paulista. Autora de “Turismo Pra Quê?”, Bianca também é consultora e palestrante.

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