Há 40 anos na raia: Lars Grael relembra transformação da Semana de Vela de Ilhabela
Quatro décadas após sua estreia, medalhista olímpico destaca o crescimento do evento e segue na disputa pelo título; competição segue até 1º de agosto


Há 40 anos, o velejador Lars Grael, ainda sem todas as façanhas que carrega atualmente — como as medalhas olímpicas e diversos títulos mundiais — navegava pela primeira vez na Semana de Vela de Ilhabela. Hoje, quatro décadas depois, ainda com afinco, ele está no mesmo palco e compartilhou com a NÁUTICA o que mudou desde então.
De Salvador a Ilhabela: amigos rebocaram veleiro por mais de 2 mil km para Semana de Vela
Lars Grael comemora retorno à Semana de Vela de Ilhabela: “É sempre um prazer”
Inscreva-se no Canal Náutica no YouTube
Na estreia de Lars, o evento era bem diferente do que este que conhecemos hoje. À época, nos anos 1970, a competição se resumia, segundo ele, a uma semana de vela para veleiros monotipo. O crescimento, porém, foi exponencial e inevitável conforme a popularidade aumentava.


Aí vieram os veleiros de oceano, barcos de porte maior, e foi ganhando uma importância estadual, regional, nacional e até mesmo internacional– lembrou Grael


Não à toa o torneio ganhou mais peso e atraiu estrangeiros. Atualmente, barcos da Argentina, Uruguai, Chile e de outros países são figurinhas frequentes em Ilhabela e ajudaram a região a ganhar a alcunha de “Capital da Vela Brasileira”. Para Lars, a SIVI teve um papel fundamental nesse título.
Tudo isso se deve a esse evento que a cada vez mais ganhou uma dimensão maior– explicou o velejador
Conhecida como o maior evento de barco à vela na América Latina, a competição teve mais de 125 veleiros inscritos nessa temporada para competir em seis diferentes classes. Porém, mais do que um torneio competitivo, é comum ouvir que se trata também de um encontro, acima de tudo, festivo.
Estar em Ilhabela anualmente é estar em contato com os amigos de vela de várias gerações, campeões em várias categorias, em várias classes da vela– destacou ele
Lars Grael afirmou que a Semana Internacional de Vela de Ilhabela proporciona uma experiência enriquecedora para públicos de diferentes perfis, desde velejadores experientes e comandantes de embarcações até curiosos e turistas atraídos pela beleza do Canal de São Sebastião repleto de barcos durante as regatas.


Segundo ele, participar do campeonato é um objetivo para muitos praticantes da modalidade, sobretudo pela oportunidade de conviver com alguns dos principais nomes da vela brasileira, entre eles medalhistas olímpicos, campeões mundiais e atletas com longa tradição no esporte — como o próprio Lars Grael.
Obviamente que aqueles que são profissionais, que vivem da vela, buscam o título. Para outros, participar é o suficiente
Ele não veio para passear
Se engana quem pensa que ele veio apenas para observar o vai e vem de embarcações. Como em toda sua carreira, Lars chegou para competir e, na 53ª Semana de Vela de Ilhabela, não seria diferente.


Convidado pelo clube Veleiros do Sul, de Porto Alegre (RS), ele velejou como timoneiro a bordo do clássico barco Madrugada. O modelo, projeto do argentino Germán Frers, é um barco de 42 pés e feito em Porto Alegre, em madeira laminada e epóxi, que pertencia à classe One Tonner.


Ao lado de Niels Rump, o medalhista olímpico mostrou a que veio logo no primeiro dia. Na regata de domingo (26), conquistaram a vitória na categoria Clássicos, num percurso que saía de Ilhabela até a Ilha de Toque-Toque.
Embora seja um percurso mais curto do que Alcatrazes, é um lugar que não tem vento– apontou
Por conta disso, o desafio maior é rondar a ilha e pegar vento para poder sair até a linha de chegada. Contudo, o veleiro ainda teve um bom desempenho que os levaram a vitória da regata no tempo corrigido.
Lars Grael destacou que a disputa segue bastante equilibrada e afirmou que outras embarcações também têm boas chances de brigar pelo campeonato, como o Chancegger e o Kameha Meha. Mas, no que depender dele, as outras equipes terão que correr atrás para tirar a fome de mais um título.
Com informações de Gilberto Ungaretti, enviado especial a Ilhabela.
53ª SIVI
A 53ª edição da Semana Internacional de Vela de Ilhabela acontece de 24 de julho a 1ª de agosto de 2026. Conhecida como o maior evento de barco à vela na América Latina, a competição teve mais de 125 veleiros inscritos para competir em seis diferentes classes.


Acompanhe o portal e o Instagram da Revista Náutica para novidades sobre o campeonato.
Náutica Responde
Faça uma pergunta para a Náutica
Tags
Relacionadas
Quatro décadas após sua estreia, medalhista olímpico destaca o crescimento do evento e segue na disputa pelo título; competição segue até 1º de agosto
Em “Margem Equatorial Costa Norte Brasileira”, Farkas revela um território de beleza bruta, culturas tradicionais e conflitos ambientais cada vez mais urgentes
São Paulo Boat Show 2026 tem ingressos a partir de R$ 45 e promete superar marcas da edição anterior
Visitantes podem optar por entradas únicas ou Full Pass para os seis dias do evento, que acontece de 24 a 29 de setembro. Confira valores
Filme exibido pela primeira vez durante a Semana Internacional de Vela de Ilhabela mostra como decisões tomadas em segundos aproximam a sala de cirurgia das regatas oceânicas
Planejamento começou há dois meses e envolveu a compra de um barco, reforma de um carro e um reboque emprestado; evento segue até 1º de agosto



