McDonald’s leva McFish à Atlântida em campanha inspirada no fundo do mar
Atlântida voltou à superfície — pelo menos na campanha do McDonald’s. A rede trouxe o McFish de volta ao cardápio brasileiro e apostou na lenda da cidade submersa para criar a nova temporada do sanduíche de peixe, agora também disponível na versão Deluxe.
One Piece ganha especial LEGO e reforça aventura náutica na cultura pop
Ilha de Ítaca se prepara para boom turístico após filme “A Odisseia”
Inscreva-se no Canal Náutica no YouTube
A campanha, batizada de “McFish e a Receita Perdida de Atlântida”, transforma o retorno do produto em uma espécie de expedição submarina. Na narrativa criada pela marca, os fãs do sanduíche mergulham nas profundezas do mar em busca da receita perdida e encontram vestígios da civilização atlante, além de uma versão ancestral do Méqui 1000, restaurante icônico da rede na Avenida Paulista.
Ver esse post no Instagram
Uma campanha no fundo do mar
O McFish voltou a ser vendido em todos os pontos de venda do McDonald’s no Brasil em 8 de setembro, por tempo limitado ou até durarem os estoques. O sanduíche já havia sido liberado em pré-venda pelo aplicativo da marca a partir de 1º de setembro.


Nesta temporada, o produto aparece em quatro versões: McFish, McFish Duplo, McFish Deluxe e McFish Deluxe Duplo. A versão Deluxe mantém a base do sanduíche, com pão, filé de peixe, queijo cheddar e molho tártaro, mas acrescenta alface e tomate à receita.
Atlântida como imaginário náutico
Mais do que anunciar a volta de um item do cardápio, a campanha usa um dos símbolos mais conhecidos do imaginário marítimo: Atlântida. A ilha lendária, descrita por Platão como uma civilização rica e poderosa que teria desaparecido no mar após uma grande catástrofe, atravessou séculos como inspiração para livros, filmes, séries, quadrinhos e jogos.


Na comunicação do McFish, esse repertório aparece em forma de expedição, ruínas submersas, murais misteriosos e referências a uma civilização perdida. A ideia aproxima a campanha de um universo comum à cultura náutica: o fascínio pelas profundezas, pelas cidades engolidas pelo mar e pelas histórias que transformam o oceano em território de mistério.
Méqui 1000 também entra no clima
A narrativa de Atlântida também chegou à Avenida Paulista. O Méqui 1000, uma das unidades mais emblemáticas do McDonald’s no Brasil, recebeu nova fachada e ambientação inspiradas na cidade submersa.
Ver esse post no Instagram
Com isso, a campanha extrapola o ambiente digital e leva a estética submarina para uma experiência física, conectando consumo, entretenimento e cultura pop.
Mar como linguagem de marca
Embora o McFish seja um produto de fast-food, a campanha mostra como o mar continua sendo uma linguagem poderosa para marcas de diferentes segmentos. Atlântida, profundezas, expedição e mistério formam um repertório imediatamente reconhecível pelo público.


No caso do McDonald’s, a volta do sanduíche de peixe ganhou uma narrativa que vai além do cardápio. O McFish retorna cercado por ruínas, lendas e aventura submarina — mais um exemplo de como o oceano segue inspirando histórias, campanhas e produtos mesmo longe das marinas e dos barcos.
Náutica Responde
Faça uma pergunta para a Náutica
Relacionadas
Maior evento náutico da Bahia movimenta a Baía de Todos-os-Santos dos dias 5 a 8 de novembro; Saiba o que esperar do salão
Salvador recebeu o 2º Fórum Náutico Internacional, realizado pela Associação Náutica da Bahia, com empresários, gestores públicos, especialistas e convidados de fora do país. A Baía de Todos-os-Santos é um dos maiores ativos náuticos do mundo, e ninguém na plateia precisava ser convencido disso. Ouvimos casos de sucesso, projetos de marinas, roteiros, regatas, oportunidades de investimento. Mas, quando chegou a minha vez de encerrar, preferi falar sobre o que ainda nos impede de transformar todo esse potencial em desenvolvimento de verdade.
O setor náutico brasileiro ainda não sabe se defender.
Um setor que conversa consigo mesmo
Somos estaleiros, marinas, garagens náuticas, clubes, escolas de vela, operadores de passeio, fornecedores, mecânicos, marinheiros, guias, pescadores esportivos, agências de turismo. Cada elo da cadeia tem sua associação, seu grupo de WhatsApp, sua pauta. E, enquanto conversamos entre nós, as decisões que definem o nosso futuro são tomadas em outros lugares, quase sempre sem a gente na mesa.
Pense em quantas instâncias de poder tocam a náutica. O licenciamento ambiental de uma marina. A alíquota de ICMS sobre a embarcação. As normas da Marinha. O plano diretor que define o uso da orla. O ordenamento de praias e acessos públicos à água. As linhas de crédito para o pequeno empreendedor. A formação de mão de obra. O saneamento. Câmaras municipais, assembleias legislativas, Congresso Nacional, conselhos, órgãos ambientais, ministérios. Em cada um desses espaços, alguém está falando sobre o nosso setor. A pergunta é: somos nós?
Na maioria das vezes, não. E quem não está na mesa costuma estar no cardápio.
[caption id="attachment_208270" align="alignnone" width="920"]

Advocacy não é palavrão
Por isso defendi, no encerramento do fórum, que o mercado náutico precisa se unir para construir um trabalho permanente de advocacy. Não se trata de lobby no sentido pejorativo, nem de defender o interesse de uma empresa isolada. É representação organizada: uma agenda comum, dados confiáveis, propostas técnicas e presença constante em todos os espaços onde se decide algo que afeta o setor.
Tenho visto de perto o que isso produz. Em São Paulo, o Fórum Náutico Paulista reúne voluntariamente empresários, gestores públicos e pesquisadores há quase duas décadas. Foi esse trabalho paciente, reunião após reunião, que ajudou a construir o plano de desenvolvimento do turismo náutico sustentável que virou programa de estado, o decreto de fomento ao setor, a nova regulamentação ambiental para estruturas náuticas e a agenda de redução de ICMS e de crédito para o setor. Nada disso caiu do céu. Aconteceu porque havia alguém, em nome do setor, sentado à mesa certa, com a proposta pronta.
Esse modelo precisa existir na Bahia, em cada estado com vocação náutica e, sobretudo, em escala nacional.
Explicar para quem não navega
O segundo ponto da minha fala é tão importante quanto o primeiro: precisamos de assessoria de imprensa e de comunicação profissional para o setor.
Para boa parte da população, a náutica ainda é "coisa de rico". Uma marina nova é vista como ameaça ao acesso à praia; um projeto de garagem náutica, como problema ambiental. E, quando não explicamos, alguém explica por nós, quase sempre mal.
Temos uma história poderosa para contar e não contamos. Um estudo do Fórum Náutico Paulista mostrou que a cadeia náutica de lazer movimentava cerca de R$ 5,3 bilhões por ano no estado de São Paulo e gerava mais de 27 mil empregos. E apenas 0,8% da população paulista usava embarcações de lazer, contra 5,3% no Reino Unido. Ou seja, o potencial de crescimento é enorme, e esse crescimento significa renda para o marinheiro, para o mecânico, para o laminador, para a cozinheira do restaurante da marina, para o operador de passeio caiçara que se formaliza.
Essa é a náutica que precisa chegar ao jornal, à TV, às redes sociais, à conversa de bar. O cidadão que entende que a cidade náutica gera emprego para o filho dele deixa de ser opositor e passa a ser aliado. E o político que percebe que a população apoia o setor passa a apoiá-lo também. Comunicação e advocacy andam juntas.
[caption id="attachment_206807" align="alignnone" width="920"]

Náutica precisa de água limpa
Não poderia falar de união do setor sem lembrar de uma bandeira que o Dr. Castello Branco, presidente do Fórum Náutico Paulista, repete há anos e que se tornou princípio do nosso trabalho: náutica precisa de água limpa.
É simples e é definitivo. Não existe turismo náutico, não existe marina, não existe regata, não existe mergulho, não existe passeio de barco em água poluída. O setor náutico é, por natureza, o maior interessado em rios, represas, baías e mares saudáveis. E é exatamente por isso que essa bandeira deveria estar no centro do nosso advocacy.
Quando o setor náutico se coloca como defensor do saneamento, da qualidade da água e da conservação dos ambientes aquáticos, ele inverte a narrativa. Deixa de ser visto como ameaça ambiental e passa a ser reconhecido como guardião da água. Um setor unido, que cobra investimento em saneamento nas mesmas instâncias em que discute tributo e licenciamento, ganha legitimidade para todo o resto da agenda.
O próximo passo é nosso
Saí da Bahia convencida de que o Brasil náutico tem tudo: costa, rios, represas, gente talentosa, empresas competentes, gestores públicos interessados. O que falta é organização. Falta transformar dezenas de vozes isoladas em uma voz coletiva, técnica e presente.
Fóruns como o da Bahia são o começo dessa conversa. O desafio agora é que ela não termine no encerramento do evento. Que vire rede, agenda comum, representação permanente e comunicação com a sociedade.
A pergunta que deixei para a plateia, e que deixo para você, leitor, é a do título: quem fala pela náutica? Enquanto a resposta for "cada um por si", seguiremos perdendo espaço. Quando a resposta for "todos nós", o setor finalmente vai ocupar o lugar que merece no desenvolvimento do país.
Mestre em Comunicação e Gestão Pública, Bianca Colepicolo é especialista em turismo náutico e coordena o Fórum Náutico Paulista. Autora de “Turismo Pra Quê?”, Bianca também é consultora e palestrante.Driving Change realiza sua 3ª edição com sete jovens velejadoras; Conheça a iniciativa!
Projeto lançado em Cannes promete casco esportivo, 1.500 hp de potência e fabricação limitada a 26 unidades
Colaboração estratégica reúne engenharia, design, condições comerciais exclusivas e experiências para clientes das duas marcas, e inclui uma edição especial da NX 44 Fly nas cores do Suassuna Design by Pininfarina




