Maior turbina eólica flutuante do mundo está prestes a ser instalada

Por: Redação -
06/11/2019

A maior turbina eólica flutuante do mundo, uma turbina eólica offshore de 8,4 megawatt (MW) classificada pela ABS, está prestes a ser instalada. É a primeira de três unidades do tipo submersível SEMI classificada pela ABS, projetadas pela Principle Power, que abriga turbinas MHI Vestas, que compensarão um total de 25 MW de energia eólica offshore flutuante. Este é o primeiro parque eólico flutuante de grande escala da Europa continental, a 20 quilômetros da costa de Viana do Castello (Portugal).

“A ABS apoia a inovação em energia offshore desde 1958. Esta instalação histórica destaca como seguimos apoiando a tecnologia promissora mais de 60 anos depois”, disse Christopher J. Wiernicki, presidente e CEO da ABS. “As turbinas flutuantes nos permitem alcançar recursos eólicos offshore em águas muito profundas em comparação com as turbinas convencionais fixas. São avanços como esse que farão uma contribuição vital para a transição global rumoàenergia limpa.”

O projeto é desenvolvido pelo consórcio Windplus, que é de propriedade conjunta da EDP Renováveis, ENGIE, Repsol e Principle Power Inc., e está programado para começar a funcionar no final de 2019. O desenvolvimento é baseado nos mesmos princípios do conceito original projetado pela Principle Power, a Windfloat 1, que foi instalado offshore em Portugal no ano 2011.

“A Principle Power está muito satisfeita em trabalhar mais uma vez com a ABS, na estrutura do projeto WindFloat Atlantic, aproveitando a colaboração bem-sucedida do protótipo WindFloat 1. O WindFloat Atlantic representa um marco importante para a indústria eólica offshore flutuante, pois é o primeiro parque eólico flutuante semissubmersível do mundo. Estamos orgulhosos de liderar o processo de definição de padrões do setor desde os primeiros dias, juntamente com a ABS, e esperamos levar a tecnologia da WindFloatàcomercialização no mundo todo”, disse Steven Barras, diretor técnico da Principle Power.

Graças às suas fundações flutuantes, os parques eólicos offshore flutuantes não estão sujeitos às mesmas restrições de profundidade que as estruturas fixas e podem estar em qualquer profundidade. Com o desenvolvimento de turbinas maiores acima de 10 MW e a pesquisa focada em ancoradouros em águas rasas, a tecnologia flutuante pode ser uma alternativa às tecnologias tradicionais de fundo em profundidades intermediárias no futuro.

“As grandes turbinas altamente eficientes reduzem os custos de capital e os custos operacionais; portanto, a implementação da maior turbina offshore flutuante do mundo é um marco significativo neste setor emergente”, disse Matt Tremblay, vice-presidente sênior de Global Offshore da ABS. “Como a organização líder mundial em classificação offshore, podemos aproveitar nossa vasta experiência com os setores de petróleo e gás para apoiar a segurança e a inovação no setor eólico offshore.”

A ABS é a principal sociedade de classificação em energia eólica offshore flutuante e continua liderando o desenvolvimento de padrões e conceitos de projeto para fundações de turbinas eólicas offshore flutuantes. A ABS certificou a primeira turbina eólica offshore flutuante semissubmersível de tamanho comercial, a Windfloat 1, em 2011 e lançou o Guia ABS para construção e classificação de instalações eólicas offshore flutuantes em 2013. A ABS foi a primeira sociedade de classificação a se aventurar no exterior, certificando a primeira unidade de perfuração marítima móvel do mundo em 1958 e classificando a primeira plataforma autoelevatória, semissubmersível, navio-sonda, FPSO, TLP e spar.

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    Quem fala pela náutica?

    Salvador recebeu o 2º Fórum Náutico Internacional, realizado pela Associação Náutica da Bahia, com empresários, gestores públicos, especialistas e convidados de fora do país. A Baía de Todos-os-Santos é um dos maiores ativos náuticos do mundo, e ninguém na plateia precisava ser convencido disso. Ouvimos casos de sucesso, projetos de marinas, roteiros, regatas, oportunidades de investimento. Mas, quando chegou a minha vez de encerrar, preferi falar sobre o que ainda nos impede de transformar todo esse potencial em desenvolvimento de verdade.

     

    O setor náutico brasileiro ainda não sabe se defender.

    Um setor que conversa consigo mesmo

    Somos estaleiros, marinas, garagens náuticas, clubes, escolas de vela, operadores de passeio, fornecedores, mecânicos, marinheiros, guias, pescadores esportivos, agências de turismo. Cada elo da cadeia tem sua associação, seu grupo de WhatsApp, sua pauta. E, enquanto conversamos entre nós, as decisões que definem o nosso futuro são tomadas em outros lugares, quase sempre sem a gente na mesa.

     

    Pense em quantas instâncias de poder tocam a náutica. O licenciamento ambiental de uma marina. A alíquota de ICMS sobre a embarcação. As normas da Marinha. O plano diretor que define o uso da orla. O ordenamento de praias e acessos públicos à água. As linhas de crédito para o pequeno empreendedor. A formação de mão de obra. O saneamento. Câmaras municipais, assembleias legislativas, Congresso Nacional, conselhos, órgãos ambientais, ministérios. Em cada um desses espaços, alguém está falando sobre o nosso setor. A pergunta é: somos nós?

     

    Na maioria das vezes, não. E quem não está na mesa costuma estar no cardápio.

    [caption id="attachment_208270" align="alignnone" width="920"] Foto: NatalieZera / Envato[/caption]

    Advocacy não é palavrão

    Por isso defendi, no encerramento do fórum, que o mercado náutico precisa se unir para construir um trabalho permanente de advocacy. Não se trata de lobby no sentido pejorativo, nem de defender o interesse de uma empresa isolada. É representação organizada: uma agenda comum, dados confiáveis, propostas técnicas e presença constante em todos os espaços onde se decide algo que afeta o setor.

     

    Tenho visto de perto o que isso produz. Em São Paulo, o Fórum Náutico Paulista reúne voluntariamente empresários, gestores públicos e pesquisadores há quase duas décadas. Foi esse trabalho paciente, reunião após reunião, que ajudou a construir o plano de desenvolvimento do turismo náutico sustentável que virou programa de estado, o decreto de fomento ao setor, a nova regulamentação ambiental para estruturas náuticas e a agenda de redução de ICMS e de crédito para o setor. Nada disso caiu do céu. Aconteceu porque havia alguém, em nome do setor, sentado à mesa certa, com a proposta pronta.

     

    Esse modelo precisa existir na Bahia, em cada estado com vocação náutica e, sobretudo, em escala nacional.

     

    Explicar para quem não navega

    O segundo ponto da minha fala é tão importante quanto o primeiro: precisamos de assessoria de imprensa e de comunicação profissional para o setor.

     

    Para boa parte da população, a náutica ainda é "coisa de rico". Uma marina nova é vista como ameaça ao acesso à praia; um projeto de garagem náutica, como problema ambiental. E, quando não explicamos, alguém explica por nós, quase sempre mal.

     

    Temos uma história poderosa para contar e não contamos. Um estudo do Fórum Náutico Paulista mostrou que a cadeia náutica de lazer movimentava cerca de R$ 5,3 bilhões por ano no estado de São Paulo e gerava mais de 27 mil empregos. E apenas 0,8% da população paulista usava embarcações de lazer, contra 5,3% no Reino Unido. Ou seja, o potencial de crescimento é enorme, e esse crescimento significa renda para o marinheiro, para o mecânico, para o laminador, para a cozinheira do restaurante da marina, para o operador de passeio caiçara que se formaliza.

     

    Essa é a náutica que precisa chegar ao jornal, à TV, às redes sociais, à conversa de bar. O cidadão que entende que a cidade náutica gera emprego para o filho dele deixa de ser opositor e passa a ser aliado. E o político que percebe que a população apoia o setor passa a apoiá-lo também. Comunicação e advocacy andam juntas.

    [caption id="attachment_206807" align="alignnone" width="920"] Foto: nd3000/ Envato[/caption]

    Náutica precisa de água limpa

    Não poderia falar de união do setor sem lembrar de uma bandeira que o Dr. Castello Branco, presidente do Fórum Náutico Paulista, repete há anos e que se tornou princípio do nosso trabalho: náutica precisa de água limpa.

     

    É simples e é definitivo. Não existe turismo náutico, não existe marina, não existe regata, não existe mergulho, não existe passeio de barco em água poluída. O setor náutico é, por natureza, o maior interessado em rios, represas, baías e mares saudáveis. E é exatamente por isso que essa bandeira deveria estar no centro do nosso advocacy.

     

    Quando o setor náutico se coloca como defensor do saneamento, da qualidade da água e da conservação dos ambientes aquáticos, ele inverte a narrativa. Deixa de ser visto como ameaça ambiental e passa a ser reconhecido como guardião da água. Um setor unido, que cobra investimento em saneamento nas mesmas instâncias em que discute tributo e licenciamento, ganha legitimidade para todo o resto da agenda.

    O próximo passo é nosso

    Saí da Bahia convencida de que o Brasil náutico tem tudo: costa, rios, represas, gente talentosa, empresas competentes, gestores públicos interessados. O que falta é organização. Falta transformar dezenas de vozes isoladas em uma voz coletiva, técnica e presente.

     

    Fóruns como o da Bahia são o começo dessa conversa. O desafio agora é que ela não termine no encerramento do evento. Que vire rede, agenda comum, representação permanente e comunicação com a sociedade.

     

    A pergunta que deixei para a plateia, e que deixo para você, leitor, é a do título: quem fala pela náutica? Enquanto a resposta for "cada um por si", seguiremos perdendo espaço. Quando a resposta for "todos nós", o setor finalmente vai ocupar o lugar que merece no desenvolvimento do país.

      Mestre em Comunicação e Gestão Pública, Bianca Colepicolo é especialista em turismo náutico e coordena o Fórum Náutico Paulista. Autora de “Turismo Pra Quê?”, Bianca também é consultora e palestrante.

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