Monocascos X Catamarãs

07/05/2015

Tal como acontece com as torcidas no futebol, quando o assunto é o time do coração, também há uma polêmica sem fim no meio náutico quando o tema entre os usuários de barcos a motor diz respeito a navegação de monocascos e catamarãs. A escolha por um ou outro tipo de casco, na verdade, depende da oferta de monocascos e de catamarãs no mercado, do uso que faz do barco, do preço e ainda do tipo de motorização. Em relação ao primeiro item, os monocascos ganham de lavada, pois representam mais de 95% dos barcos a motor à venda no Brasil. Porém, se o critério for o uso, ou melhor, o tipo de navegação, aí sim há o que por na balança. Por exemplo, para navegar em mar picado, com ondas curtas e não muito altas, situação bem comum na costa brasileira e também em algumas baías como a Baía de Todos os Santos (em Salvador), os catamarãs são imbatíveis, pois amortecem muito mais o choque contra as ondas que os monocascos. Claro que há catamarãs bons e ruins, como existem monocascos que cortam suavemente as ondas e outros que são duros na água como pau ferro em terra. Quanto ao preço, os catamarãs costumam custar mais, principalmente porque usam mais material na laminação e quase sempre precisam de dois motores.

Durante minha vista aos veleiros da Volvo Ocean Race, em Santa Catarina, peguei uma carona de Florianópolis até Itajaí no novo catamarã de 29 pés, modelo 8XF, ainda um protótipo, do estaleiro Mastro D’Áscia, num dia em que os ventos sopravam do sul e as ondas curtas e desencontradas chegavam perto de um metro de altura. Era o tipo de mar desagradável para sair de barco, mas não para o novo catamarã de 9 metros da Mastro D’Ascia, um estaleiro de Santa Catarina especializado em catamarãs. Impulsionado por dois silenciosos motores de popa Mercury 4 tempos de 150 hp cada, navegamos a favor das ondas, rumo norte, de maneira relativamente confortável para aquele estado de mar, mantendo 20 nós, com os motores girando sem esforço a 3 000 rpm, gastando, ambos, apenas 31,4 litros por hora, de acordo com a instrumentação dos motores. Isto significa uma eficiência invejável para um barco de 29 pés com 300 cavalos na popa! Olhando para a proa deste catamarã, a sensação era de estarmos voando sobre as ondas, apoiados num colchão de ar. A vontade era de acelerar mais, hipnotizados que estávamos com o caturro suave do 8XF, totalmente estável em seu elemento natural (leia-se mar agitado), navegando a 37 km/h com muita maestria.

No meio do trajeto resolvemos mudar o rumo em 180 graus, somente para verificarmos como é o navegar, mantendo a proa contra os ventos e as ondas. Claro que, nestas condições, tivemos de reduzir um pouco a velocidade para 18 nós, sendo que neste regime mantivemos o mesmo nível de conforto da navegação a favor das ondas. Depois desta manobra, voltamos a apontar a proa para o norte e, perto do nosso destino, vimos uma lancha monocasco de 40 pés sair em velocidade das águas calmas próximas a enseada de Balneário Camboriú e aproar para o sul. Não passou mais de 30 segundos para que o piloto desta lancha reduzisse os manetes, se adequando a sua capacidade de navegação naquelas águas, contra as ondas. E, visualmente, a velocidade desta lancha, depois da redução do curso dos manetes, era bem menor que os 18 nós que mantivemos nas mesmas condições.

Realmente, em mar picado, a facilidade com que um catamarã corta as ondas, amortecendo o impacto contra o casco é impressionante, a ponto de conseguir ser bem mais rápido do que lanchas monocascos bem maiores. O 8XF da Mastro D’Ascia, que deve estar finalizado ainda neste semestre, é prova disto!

Assista o vídeo para saber como foi essa viagem:

 

Marcio Dottori é diretor técnico da Revista Náutica há mais de 20 anos e o mais respeitado especialista em barcos do Brasil

Náutica Responde

Faça uma pergunta para a Náutica

    Relacionadas

    "100 dias" retrata famosa saga de Amyr Klink a remo e instiga impulso para tirar sonhos do papel

    Saiba as primeiras impressões do filme dirigido por Carlos Saldanha que estreia nos cinemas em 29 de outubro

    Flexboat lança edição limitada em homenagem ao legado de Jaime Alves no São Paulo Boat Show

    Lancha exclusiva SR-500 LX S divide espaço no estande com outro lançamento e mais dez embarcações

    Diantonio Boats: Ghost 26 Open estreia no São Paulo Boat Show ao lado da versão cabinada

    Nova configuração da lancha de 26 pés chega ao salão com proposta mais esportiva e voltada às águas interiores; evento segue até o dia 29

    'Muita tecnologia embarcada': Tank Boats estreia no São Paulo Boat Show 2026 e apresenta T36

    O São Paulo Boat Show 2026 foi a estreia oficial da Tank Boats. O estaleiro levou para o salão seu primeiro modelo, a T36, uma lancha de 36 pés que combina conforto e desempenho.

    Recém-chegada ao mercado, a Tank Boats foi inaugurada em abril, e escolheu o evento para o lançamento de sua embarcação primogênita, do tipo center console, com referências internacionais.
    É um barco que traz muitas referências internacionais, principalmente no acabamento, que é extremamente fino e difícil de encontrar em embarcações nacionais. Também temos muita tecnologia embarcada, com uma interface própria da Tank Boats - destacou Fábio Bisolatto, fundador da Tank Boats
    [caption id="attachment_210486" align="alignnone" width="920"] Fábio Bisolatto. Foto: Alexandre Battibugli / Revista Náutica[/caption] Segundo Inara Bisolatto, gerente de marketing da marca, a T36 pode ser configurada tanto para pescadores quanto para quem busca passeios, lazer e uso familiar.   A lancha  tem casco construído por infusão a vácuo, motorização de popa e uma cabine considerada pelo estaleiro uma das maiores da categoria. Na unidade exposta no salão, a motorização é composta por três motores Mercury de 425 hp, totalizando 1.275 hp. [caption id="attachment_210485" align="alignnone" width="920"] Motores da T36. Foto: Alexandre Battibugli / Revista Náutica[/caption]

    Barco conta com ‘caixa-preta’

    De acordo com Victor Tadano, um dos sócios da Tank Boats, a empresa desenvolveu uma interface própria para centralizar informações que normalmente ficam espalhadas entre diferentes equipamentos e telas da embarcação.   A T36 exposta possui sete telas, mas a proposta do sistema é permitir que as informações consideradas essenciais sejam acompanhadas de maneira centralizada. [caption id="attachment_210484" align="alignnone" width="920"] Center console da T36. Foto: Alexandre Battibugli / Revista Náutica[/caption] O executivo ainda destacou que o software armazena dados sobre o funcionamento da embarcação e acompanha parâmetros dos sistemas ao longo do tempo. Assim, a partir desses registros, é possível identificar desvios em relação ao padrão de funcionamento e indicar possíveis problemas.   Alterações de rotação, temperatura ou consumo do motor podem gerar alertas antes que uma falha efetivamente aconteça.
    Temos muita tecnologia e muitas telas no barco, mas não adianta ter sete telas e não conseguir acompanhar todas. Por isso, é importante ter, em pelo menos uma delas, as informações essenciais da embarcação. Não é apenas uma tela: é um sistema que armazena os dados, como uma espécie de caixa-preta que trouxemos para dentro do barco para ajudar no gerenciamento - afirmou Tadano
    [caption id="attachment_210483" align="alignnone" width="920"] T 36. Foto: Alexandre Battibugli / Revista Náutica[/caption]

    Manual de instruções

    Fábio Bisolatto e Victor Tadano explicaram que o proprietário receberá, junto com a embarcação, um manual de instruções, projeto elétrico e projeto hidráulico, além das especificações e códigos dos componentes utilizados.   Segundo eles, os itens empregados durante a fabricação são rastreados para facilitar futuras manutenções e substituições.   A empresa também afirma possuir um documento de ensaios de 51 páginas, com os testes realizados durante a fabricação e a entrega da embarcação. [caption id="attachment_210480" align="alignnone" width="920"] T36. Foto: Alexandre Battibugli / Revista Náutica[/caption] [caption id="attachment_210479" align="alignnone" width="920"] Canine da T36. Foto: Alexandre Battibugli / Revista Náutica[/caption]

    Fundo de investimentos

    O estaleiro foi aberto em abril de 2026. Os sócios afirmam que a marca conta com o respaldo de um fundo de investimento e que os recursos previstos permitem sustentar a operação pelos próximos três anos durante a ampliação da linha de produtos, independentemente das vendas. [caption id="attachment_210478" align="alignnone" width="920"] Center console da T36. Foto: Alexandre Battibugli / Revista Náutica[/caption]

    Estreia no São Paulo Boat Show

    O São Paulo Boat Show foi palco da estreia oficial da Tank Boats diante do público, e a empresa montou um estande de aproximadamente 370 m² para apresentar a marca.   Para Inara, a recepção superou as expectativas e a Tank Boats já havia fechado vendas antes mesmo da metade do evento. [caption id="attachment_210481" align="alignnone" width="920"] T36. Foto: Victor Santos / Revista Náutica[/caption]

    Próximos lançamentos

    Os executivos revelaram que a engenharia da Tank Boats já trabalha em dois novos lançamentos, embora não tenham divulgado modelos, tamanhos ou datas específicas.   A intenção é ampliar a linha nos próximos anos e consolidar a empresa no segmento de center consoles.

    São Paulo Boat Show 2026

    O maior salão náutico da América Latina leva seus visitantes para uma verdadeira imersão no universo das águas. Mais de 170 embarcações, passando por botes, lanchas e jets, tomam conta do pavilhão do São Paulo Expo e podem ser vistas de perto. [caption id="attachment_207151" align="alignnone" width="920"] Foto: Victor Santos / Revista Náutica[/caption] O público ainda encontra uma ampla variedade de equipamentos, motores, acessórios e serviços náuticos das principais marcas do mercado. Veículos off-road, projetos inovadores e atrações para toda família, como o NÁUTICA Talks, complementam o evento, que traz ainda o Espaço dos Desejos, área de luxo que expõe carros esportivos, helicópteros, relógios de alto padrão e até obras de arte. [the_ad_placement id="post-middle-desktop-970-250"] [the_ad_placement id="post-vertical-mobile-328-400"]

    Anote aí!

    SÃO PAULO BOAT SHOW 2026 Quando: de 24 a 29 de setembro de 2026 Onde: São Paulo Expo (Rodovia dos Imigrantes, km 1,5 – Vila Água Funda, São Paulo – SP) Horário: das 13h às 22h; no primeiro dia, abertura às 15h; no último dia, encerramento às 21h Mais informações: no site do evento Ingressos: site oficial de vendas  

    Onix anuncia novo barco de 34 pés durante o São Paulo Boat Show 2026

    Novo modelo chegará em 2027 para preencher espaço entre as embarcações de 29 e 38 pés