Mulheres se destacam como líderes e gestoras em atividades da economia do mar
"A Náutica Por Elas: Eventos, Estaleiros, Marinas e Planejamento Estratégico" foi o assunto do sétimo painel do 2º Fórum Náutico Internacional da ANB


Em diferentes frentes, as mulheres definitivamente ocupam lugares estratégicos na economia náutica atualmente. Isso ficou claro nas apresentações do painel “A Náutica Por Elas: Eventos, Estaleiros, Marinas e Planejamento Estratégico”, mediado por Adriana Alencar.
Esportes náuticos são apontados como ferramentas de inclusão, cidadania e superação em Fórum da ANB
Especialistas defendem que cidades precisam entender as atividades dos portos
Inscreva-se no Canal Náutica no YouTube
A gerente de projetos da Semar, Eliana Dumet, uma articuladora experimente com atuação especial no papel estratégico na consolidação de Salvador como um polo da economia do mar, apresentou o projeto Águas da Bahia, que mapeia 53 municípios, 46 ilhas, oito bacias hidrográficas e 500 pontos de conexão em 1.200 km de costa.


Tudo isso para provar o potencial de desenvolvimento do setor na Bahia. “O mar sempre foi a grande união entre os povos e pode se tornar uma das grandes fronteiras econômicas do século 21”, disse ela, lembrando que este segmento econômico movimenta R$ 2 trilhões por ano e ainda assim carece de políticas com foco em ordenamento e sustentabilidade.
A empresária e proprietária da Bahia Marina, Leilane Loureiro, trouxe para o debate um pouco sobre a história do empreendimento que hoje administra mas foi uma idealização de seu pai. “Nos anos 80, quando tudo começou, não havia legislação para marinas e a região do Comércio era degradada. Com a criação da Bahia Marina, as pessoas passaram a frequentar essa parte da cidade que foi revitalizada”, afirmou.


Este exemplo só confirma que a instalação de um equipamento como a marina integrada à cidade é sinal de desenvolvimento e não de destruição. “Onde está a Bahia Marina hoje também há muito mais vida marinha do que antes. E vale dizer que somos uma das poucas com todas as certificações possíveis e imaginárias”, ressaltou.
Outra apresentação que empolgou a plateia do segundo dia do 2º Fórum Náutico foi a da gestora da Clipper Race, Flávia Goffi. Ela destacou os números da regata: 40 mil milhas náuticas, 700 tripulantes de 65 nacionalidades, 15 bases em 6 continentes, 12 barcos de 72 pés, que chegam a 40 nós e 30 anos de história.


O mais surpreendente é que grande parte dos participantes da regata que dá volta ao mundo hoje é formada por mulheres. Em cada parada da regata é movimentada uma cadeira econômica que envolve técnicos para manutenção, rede hoteleira, restaurantes, atrações turísticas e eventos que despertam o interesse de, pelo menos, cinco mil pessoas motivadas pela regata.
Para encerrar a manhã, a empresária Cecilia Avena, sócia da Aloha Náutica, que representa com exclusividade no Brasil os estaleiros franceses Beneteau e Excess Catamarãs, trouxe para o painel a sua experiência como velejadora. Ela já atravessou o Oceano Atlântico, da França ao Brasil, duas vezes em um veleiro, e tem muita história para contar.


Ela falou sobre o prazer de cruzar o oceano e superar os desafios do trajeto. Também mostrou fotos do interior de embarcações, o que se torna algo fundamental para uma viagem segura e confortável. E mesmo com tantas milhas percorridas, Cecília confessou: “O pôr do sol mais bonito que vi foi em Salvador ao voltar para casa”.
Salvador Boat Show 2026
A agenda de conteúdo náutico também seguirá em Salvador ainda este ano. De 5 a 8 de novembro, a Bahia Marina recebe a 3ª edição do Salvador Boat Show, maior evento náutico da Bahia. Realizado na Baía de Todos-os-Santos, o salão reunirá embarcações, marcas, equipamentos e serviços ligados à navegação, aproximando o público de negócios, turismo náutico, lazer, inovação e experiências no mar.
Náutica Responde
Faça uma pergunta para a Náutica
Tags
Relacionadas
Maior evento náutico da Bahia movimenta a Baía de Todos-os-Santos dos dias 5 a 8 de novembro; Saiba o que esperar do salão
Salvador recebeu o 2º Fórum Náutico Internacional, realizado pela Associação Náutica da Bahia, com empresários, gestores públicos, especialistas e convidados de fora do país. A Baía de Todos-os-Santos é um dos maiores ativos náuticos do mundo, e ninguém na plateia precisava ser convencido disso. Ouvimos casos de sucesso, projetos de marinas, roteiros, regatas, oportunidades de investimento. Mas, quando chegou a minha vez de encerrar, preferi falar sobre o que ainda nos impede de transformar todo esse potencial em desenvolvimento de verdade.
O setor náutico brasileiro ainda não sabe se defender.
Um setor que conversa consigo mesmo
Somos estaleiros, marinas, garagens náuticas, clubes, escolas de vela, operadores de passeio, fornecedores, mecânicos, marinheiros, guias, pescadores esportivos, agências de turismo. Cada elo da cadeia tem sua associação, seu grupo de WhatsApp, sua pauta. E, enquanto conversamos entre nós, as decisões que definem o nosso futuro são tomadas em outros lugares, quase sempre sem a gente na mesa.
Pense em quantas instâncias de poder tocam a náutica. O licenciamento ambiental de uma marina. A alíquota de ICMS sobre a embarcação. As normas da Marinha. O plano diretor que define o uso da orla. O ordenamento de praias e acessos públicos à água. As linhas de crédito para o pequeno empreendedor. A formação de mão de obra. O saneamento. Câmaras municipais, assembleias legislativas, Congresso Nacional, conselhos, órgãos ambientais, ministérios. Em cada um desses espaços, alguém está falando sobre o nosso setor. A pergunta é: somos nós?
Na maioria das vezes, não. E quem não está na mesa costuma estar no cardápio.
[caption id="attachment_208270" align="alignnone" width="920"]

Advocacy não é palavrão
Por isso defendi, no encerramento do fórum, que o mercado náutico precisa se unir para construir um trabalho permanente de advocacy. Não se trata de lobby no sentido pejorativo, nem de defender o interesse de uma empresa isolada. É representação organizada: uma agenda comum, dados confiáveis, propostas técnicas e presença constante em todos os espaços onde se decide algo que afeta o setor.
Tenho visto de perto o que isso produz. Em São Paulo, o Fórum Náutico Paulista reúne voluntariamente empresários, gestores públicos e pesquisadores há quase duas décadas. Foi esse trabalho paciente, reunião após reunião, que ajudou a construir o plano de desenvolvimento do turismo náutico sustentável que virou programa de estado, o decreto de fomento ao setor, a nova regulamentação ambiental para estruturas náuticas e a agenda de redução de ICMS e de crédito para o setor. Nada disso caiu do céu. Aconteceu porque havia alguém, em nome do setor, sentado à mesa certa, com a proposta pronta.
Esse modelo precisa existir na Bahia, em cada estado com vocação náutica e, sobretudo, em escala nacional.
Explicar para quem não navega
O segundo ponto da minha fala é tão importante quanto o primeiro: precisamos de assessoria de imprensa e de comunicação profissional para o setor.
Para boa parte da população, a náutica ainda é "coisa de rico". Uma marina nova é vista como ameaça ao acesso à praia; um projeto de garagem náutica, como problema ambiental. E, quando não explicamos, alguém explica por nós, quase sempre mal.
Temos uma história poderosa para contar e não contamos. Um estudo do Fórum Náutico Paulista mostrou que a cadeia náutica de lazer movimentava cerca de R$ 5,3 bilhões por ano no estado de São Paulo e gerava mais de 27 mil empregos. E apenas 0,8% da população paulista usava embarcações de lazer, contra 5,3% no Reino Unido. Ou seja, o potencial de crescimento é enorme, e esse crescimento significa renda para o marinheiro, para o mecânico, para o laminador, para a cozinheira do restaurante da marina, para o operador de passeio caiçara que se formaliza.
Essa é a náutica que precisa chegar ao jornal, à TV, às redes sociais, à conversa de bar. O cidadão que entende que a cidade náutica gera emprego para o filho dele deixa de ser opositor e passa a ser aliado. E o político que percebe que a população apoia o setor passa a apoiá-lo também. Comunicação e advocacy andam juntas.
[caption id="attachment_206807" align="alignnone" width="920"]

Náutica precisa de água limpa
Não poderia falar de união do setor sem lembrar de uma bandeira que o Dr. Castello Branco, presidente do Fórum Náutico Paulista, repete há anos e que se tornou princípio do nosso trabalho: náutica precisa de água limpa.
É simples e é definitivo. Não existe turismo náutico, não existe marina, não existe regata, não existe mergulho, não existe passeio de barco em água poluída. O setor náutico é, por natureza, o maior interessado em rios, represas, baías e mares saudáveis. E é exatamente por isso que essa bandeira deveria estar no centro do nosso advocacy.
Quando o setor náutico se coloca como defensor do saneamento, da qualidade da água e da conservação dos ambientes aquáticos, ele inverte a narrativa. Deixa de ser visto como ameaça ambiental e passa a ser reconhecido como guardião da água. Um setor unido, que cobra investimento em saneamento nas mesmas instâncias em que discute tributo e licenciamento, ganha legitimidade para todo o resto da agenda.
O próximo passo é nosso
Saí da Bahia convencida de que o Brasil náutico tem tudo: costa, rios, represas, gente talentosa, empresas competentes, gestores públicos interessados. O que falta é organização. Falta transformar dezenas de vozes isoladas em uma voz coletiva, técnica e presente.
Fóruns como o da Bahia são o começo dessa conversa. O desafio agora é que ela não termine no encerramento do evento. Que vire rede, agenda comum, representação permanente e comunicação com a sociedade.
A pergunta que deixei para a plateia, e que deixo para você, leitor, é a do título: quem fala pela náutica? Enquanto a resposta for "cada um por si", seguiremos perdendo espaço. Quando a resposta for "todos nós", o setor finalmente vai ocupar o lugar que merece no desenvolvimento do país.
Mestre em Comunicação e Gestão Pública, Bianca Colepicolo é especialista em turismo náutico e coordena o Fórum Náutico Paulista. Autora de “Turismo Pra Quê?”, Bianca também é consultora e palestrante.Driving Change realiza sua 3ª edição com sete jovens velejadoras; Conheça a iniciativa!
Projeto lançado em Cannes promete casco esportivo, 1.500 hp de potência e fabricação limitada a 26 unidades
Colaboração estratégica reúne engenharia, design, condições comerciais exclusivas e experiências para clientes das duas marcas, e inclui uma edição especial da NX 44 Fly nas cores do Suassuna Design by Pininfarina




