Teto solar rígido que não transfere calor é novidade da Mestra Boats no Boat Show

Inovação chega na Mestra 322. Estaleiro ainda apresenta outras 4 lanchas e dá spoiler de novidade

01/05/2025
Mestra 322 HT. Foto: Erik Barros Pinto/ Revista Náutica

A Mestra Boats apresenta um time de peso no Rio Boat Show 2025. São cinco barcos no total: Mestra 190, Mestra 212, Mestra 240 MO, Mestra 292 e Mestra 322 — as duas últimas atracadas sobre as águas da Baía de Guanabara, com novidades.

A Mestra 292 exposta no salão chega na versão popa, com dois Mercury V6 DTS eletrônicos, de 200 hp. “Pessoal adorou o barco, test-drive a manhã toda. Um barco sensacional”, afirma José Eduardo Cury (Zé da Mestra), presidente do estaleiro.

 

 

Muita gente comprando e procurando barcos. Estou Muito satisfeito. Um belo Boat Show como sempre. O rio é fantástico– destaca o presidente sobre o Rio Boat Show 2025

Zé da Mestra, presidente da Mestra Boats. Foto: Erik Barros Pinto / Revista Náutica

Para ele, a lancha de 29 pés se sobressai por atributos como pé direito alto, boca larga e banheiro confortável, além da falta de degraus. “Isso gera tranquilidade e menos risco. É um barco bem completo, tem cabine principal e cabine à meia-nau”, detalha.

Teto solar rígido é novidade na Mestra 322

Um dos barcos mais vendidos da Mestra Boats, a Mestra 322 acaba de ganhar mais um motivo para ser desejada: um teto solar rígido, que promete não transferir calor para dentro do barco.

Mestra 322 HT. Foto: Erik Barros Pinto/ Revista Náutica

Geralmente, embarcações com T-Top ou Hard Top têm esses recursos totalmente fechados, ou com uma espécie de teto solar que abre até certo ponto. Em contrapartida, a Mestra 322 possui um teto solar rígido, que não deixa o calor passar para dentro da embarcação.

Mestra 322 HT. Foto: Erik Barros Pinto/ Revista Náutica

Zé explica que, para esse resultado, o estaleiro usou um laminado equipado com uma lâmina refletida no meio. “O sol bate e reflete, não desce”, explica o presidente.

Você pode ficar durante o dia em um sol de 40 graus que não vai passar calor– garante Zé

Com isso, o barco ganha uma boa iluminação natural, além de dar a quem navegar a possibilidade de contemplar o céu, o sol e até a chuva. A Mestra 322 exposta no salão leva motor centro-rabeta e está equipada com Seakeeper, além de levar tapeçaria exclusiva na praça de popa.

Mestra 322 HT. Foto: Erik Barros Pinto/ Revista Náutica

Entre os destaques do barco estão a cabine com pé-direito de 1,95 m para quatro pessoas, com geladeira, tv, janelas laterais e um envidraçado que permite a entrada de luz. O banheiro tem altura de 1,85 m e conta com pia com borda higiênica — para que a água não vaze –, além de box.

 

Primeira com hard-top da Mestra, a 352 HT é outra que está nas aguas da Baía de Guanabara, e conta com teto solar em fibra e abertura elétrica. Além disso, ela tem uma plataforma submergível com capacidade para 500 kg de carga — que suporta um jet-ski, por exemplo.

Mestra 352 HT foi outra atração da Mestra no Rio Boat Show 2025. Foto: Erik Barros Pinto/ Revista Náutica

A cabine da Mestra 352 tem seu costado lateral que vira uma plataforma, ampla cabine com sofá, cama principal à meia-nau, além de possuir a capacidade de pernoite para cinco pessoas. Agora no cockpit, a moderna cozinha conta com gaveta refrigerada, micro-ondas, lixeiras, cooktop de duas bocas, armário e outros elementos úteis.

Mestra 352 HT. Foto: Erik Barros Pinto/ Revista Náutica

A 35 pés é ideal para quem deseja ficar mais tempo dentro da embarcação e fazer passeios ou pernoite, por conta do espaço amplo e suas comodidades.

Mestra 352 HT. Foto: Erik Barros Pinto/ Revista Náutica

Durante a transmissão ao vivo do evento para o canal da Boat Show Eventos no YouTube, Zé da Mestra revelou que o estaleiro deve lançar a nova Mestra 27 no São Paulo Boat Show deste ano, que acontece em setembro, no São Paulo Expo.

 

Além disso, na parte seca do evento o estaleiro apresentou a Mestra 190, lançada no São Paulo Boat Show 2024. Embora tenha 19 pés, a lancha se destaca pela boca de 2,35 m.

Mestra 190. Foto: Victor Santos/ Revista Náutica

Outras embarcações de menor porte foram expostas no estande seco da Mestra Boats, como a Mestra 212 e a Mestra 240 MO.

Foto: Erik Barros Pinto/ Revista Náutica

Rio Boat Show 2025

Já tradicional, o charmoso salão náutico carioca abre o calendário de Boat Shows no Brasil em 2025. A 26ª edição do Rio Boat Show atraca na Marina da Glória e movimenta as águas entre os dias 26 de abril e 4 de maio, em um belo cenário da Baía de Guanabara, sob os olhares do Cristo Redentor.

Foto: Victor Santos / Revista Náutica

Com a chance de fazer test-drive de embarcações na água, o Rio Boat Show 2025 apresenta uma vasta gama de produtos exclusivos para quem vive o lifestyle náutico. O evento reúne mais de 100 embarcações expostas aos visitantes, incluindo fabricantes que estão entre os maiores do mundo, lançamentos em primeira mão e condições exclusivas de compra.

 

Para uma experiência ainda mais imersiva e completa, o evento conta com palestras exclusivas com especialistas do setor, no NÁUTICA Talks, bem como passeios de barco a vela, desfile dos principais barcos e atrações interativas.

Rio Boat Show 2025 reúne diferentes atividades. Fotos: Revista Náutica / Divulgação

Em 2024, o Rio Boat Show registrou números expressivos, com a presença de 33 mil visitantes e mais de 90 barcos expostos. O evento gerou um forte impacto econômico no setor, consolidando sua posição como um dos principais impulsionadores de negócios náuticos no país.

 

Anote aí!
RIO BOAT SHOW 2025

Quando: De 26 de abril a 4 de maio
Onde: Marina da Glória (Av. Infante Dom Henrique, s/n, Glória, Rio de Janeiro)
Horário: Das 15h às 22h nos dias 26, 28, 29 e 30/04; e 02/05. Das 13h às 22h nos dias 27/04; e 01 e 03/05. Das 13h às 21h no dia 04/05.
Mais informações: site oficial do Rio Boat Show
Ingressos: site oficial de vendas

 

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    Quem fala pela náutica?

    Salvador recebeu o 2º Fórum Náutico Internacional, realizado pela Associação Náutica da Bahia, com empresários, gestores públicos, especialistas e convidados de fora do país. A Baía de Todos-os-Santos é um dos maiores ativos náuticos do mundo, e ninguém na plateia precisava ser convencido disso. Ouvimos casos de sucesso, projetos de marinas, roteiros, regatas, oportunidades de investimento. Mas, quando chegou a minha vez de encerrar, preferi falar sobre o que ainda nos impede de transformar todo esse potencial em desenvolvimento de verdade.

     

    O setor náutico brasileiro ainda não sabe se defender.

    Um setor que conversa consigo mesmo

    Somos estaleiros, marinas, garagens náuticas, clubes, escolas de vela, operadores de passeio, fornecedores, mecânicos, marinheiros, guias, pescadores esportivos, agências de turismo. Cada elo da cadeia tem sua associação, seu grupo de WhatsApp, sua pauta. E, enquanto conversamos entre nós, as decisões que definem o nosso futuro são tomadas em outros lugares, quase sempre sem a gente na mesa.

     

    Pense em quantas instâncias de poder tocam a náutica. O licenciamento ambiental de uma marina. A alíquota de ICMS sobre a embarcação. As normas da Marinha. O plano diretor que define o uso da orla. O ordenamento de praias e acessos públicos à água. As linhas de crédito para o pequeno empreendedor. A formação de mão de obra. O saneamento. Câmaras municipais, assembleias legislativas, Congresso Nacional, conselhos, órgãos ambientais, ministérios. Em cada um desses espaços, alguém está falando sobre o nosso setor. A pergunta é: somos nós?

     

    Na maioria das vezes, não. E quem não está na mesa costuma estar no cardápio.

    [caption id="attachment_208270" align="alignnone" width="920"] Foto: NatalieZera / Envato[/caption]

    Advocacy não é palavrão

    Por isso defendi, no encerramento do fórum, que o mercado náutico precisa se unir para construir um trabalho permanente de advocacy. Não se trata de lobby no sentido pejorativo, nem de defender o interesse de uma empresa isolada. É representação organizada: uma agenda comum, dados confiáveis, propostas técnicas e presença constante em todos os espaços onde se decide algo que afeta o setor.

     

    Tenho visto de perto o que isso produz. Em São Paulo, o Fórum Náutico Paulista reúne voluntariamente empresários, gestores públicos e pesquisadores há quase duas décadas. Foi esse trabalho paciente, reunião após reunião, que ajudou a construir o plano de desenvolvimento do turismo náutico sustentável que virou programa de estado, o decreto de fomento ao setor, a nova regulamentação ambiental para estruturas náuticas e a agenda de redução de ICMS e de crédito para o setor. Nada disso caiu do céu. Aconteceu porque havia alguém, em nome do setor, sentado à mesa certa, com a proposta pronta.

     

    Esse modelo precisa existir na Bahia, em cada estado com vocação náutica e, sobretudo, em escala nacional.

     

    Explicar para quem não navega

    O segundo ponto da minha fala é tão importante quanto o primeiro: precisamos de assessoria de imprensa e de comunicação profissional para o setor.

     

    Para boa parte da população, a náutica ainda é "coisa de rico". Uma marina nova é vista como ameaça ao acesso à praia; um projeto de garagem náutica, como problema ambiental. E, quando não explicamos, alguém explica por nós, quase sempre mal.

     

    Temos uma história poderosa para contar e não contamos. Um estudo do Fórum Náutico Paulista mostrou que a cadeia náutica de lazer movimentava cerca de R$ 5,3 bilhões por ano no estado de São Paulo e gerava mais de 27 mil empregos. E apenas 0,8% da população paulista usava embarcações de lazer, contra 5,3% no Reino Unido. Ou seja, o potencial de crescimento é enorme, e esse crescimento significa renda para o marinheiro, para o mecânico, para o laminador, para a cozinheira do restaurante da marina, para o operador de passeio caiçara que se formaliza.

     

    Essa é a náutica que precisa chegar ao jornal, à TV, às redes sociais, à conversa de bar. O cidadão que entende que a cidade náutica gera emprego para o filho dele deixa de ser opositor e passa a ser aliado. E o político que percebe que a população apoia o setor passa a apoiá-lo também. Comunicação e advocacy andam juntas.

    [caption id="attachment_206807" align="alignnone" width="920"] Foto: nd3000/ Envato[/caption]

    Náutica precisa de água limpa

    Não poderia falar de união do setor sem lembrar de uma bandeira que o Dr. Castello Branco, presidente do Fórum Náutico Paulista, repete há anos e que se tornou princípio do nosso trabalho: náutica precisa de água limpa.

     

    É simples e é definitivo. Não existe turismo náutico, não existe marina, não existe regata, não existe mergulho, não existe passeio de barco em água poluída. O setor náutico é, por natureza, o maior interessado em rios, represas, baías e mares saudáveis. E é exatamente por isso que essa bandeira deveria estar no centro do nosso advocacy.

     

    Quando o setor náutico se coloca como defensor do saneamento, da qualidade da água e da conservação dos ambientes aquáticos, ele inverte a narrativa. Deixa de ser visto como ameaça ambiental e passa a ser reconhecido como guardião da água. Um setor unido, que cobra investimento em saneamento nas mesmas instâncias em que discute tributo e licenciamento, ganha legitimidade para todo o resto da agenda.

    O próximo passo é nosso

    Saí da Bahia convencida de que o Brasil náutico tem tudo: costa, rios, represas, gente talentosa, empresas competentes, gestores públicos interessados. O que falta é organização. Falta transformar dezenas de vozes isoladas em uma voz coletiva, técnica e presente.

     

    Fóruns como o da Bahia são o começo dessa conversa. O desafio agora é que ela não termine no encerramento do evento. Que vire rede, agenda comum, representação permanente e comunicação com a sociedade.

     

    A pergunta que deixei para a plateia, e que deixo para você, leitor, é a do título: quem fala pela náutica? Enquanto a resposta for "cada um por si", seguiremos perdendo espaço. Quando a resposta for "todos nós", o setor finalmente vai ocupar o lugar que merece no desenvolvimento do país.

      Mestre em Comunicação e Gestão Pública, Bianca Colepicolo é especialista em turismo náutico e coordena o Fórum Náutico Paulista. Autora de “Turismo Pra Quê?”, Bianca também é consultora e palestrante.